7 ago 2019

Com reforma, rico mais rico e pobre mais pobre

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Com reforma, rico mais rico e pobre mais pobre]

Ao contrário do que governo e grande mídia falam, a reforma da Previdência não só mantém os privilégios como ainda vai aumentar as desigualdades sociais. A proposta deve ser votada em segundo turno pelo plenário da Câmara Federal, nesta terça-feira (06/08).

Além de aumentar a idade mínima e o tempo de contribuição para o cidadão ter direito à aposentadoria, a reforma tira benefícios dos mais carentes. É o caso do abono salarial, que atende atualmente o trabalhador com até dois salários mínimos (R$ 1.996,00).

A nova regra prevê o direito apenas para quem tem renda de até 1,37 salário mínimo (R$ 1.364,43), excluindo 12,7 milhões de brasileiros. Com a mudança, que vai empobrecer ainda mais a população, o governo estima fazer uma “economia” de R$ 76,4 bilhões em 10 anos.

Se a reforma da Previdência é péssima para o trabalhador, não se pode dizer o mesmo para os grandes exportadores. A proposta mantém a isenção da contribuição previdenciária de 2,6% da receita de comercialização a produtores rurais, empresas e cooperativas que exportam uma parte da produção.

Os ruralistas também podem pedir o perdão da dívida do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), hoje em R$ 17 bilhões. Assim, o governo vai deixar de economizar R$ 84 bilhões em 10 anos. É o Brasil de Bolsonaro. Dois pesos e duas medidas.

Fonte: O Bancário

7 ago 2019

Caos nas agências dos bancos públicos do interior

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Caos nas agências dos bancos públicos do interior]

O desmonte dos bancos públicos avança, piorando a situação nas agências, principalmente do interior. Nas unidades falta tudo, até funcionários para prestar atendimento. Exemplos têm de sobra, como as unidades do BB e da Caixa da região Sisaleira e da Bacia do Jacuípe, na Bahia.  

Sem bancário para atender a demanda, o caos é rotina. É comum o cliente passar boa parte do dia nas unidades. Às vezes, para resolver questões simples. Os bancários também sentem. A sobrecarga, a pressão e o assédio moral têm reflexos na saúde e muitos têm de se afastar.

O BB de Valente, por exemplo, conta com apenas dois funcionários. Detalhe: segundo estimativa do IBGE, a cidade tem 28.130 habitantes. A situação não muda em Queimado e Santa Luz.

Na Caixa, além do número reduzido de empregados, falta tesoureiro nas agências do interior. Sem profissional para realizar as atividades, caixas, gerentes e técnicos bancários se dividem no trabalho. Mas, outra preocupação tira o sono dos bancários. O saque do FGTS, que vai aumentar a demanda.

A situação caótica foi constatada pelos diretores do Sindicato, Júlio Carlos Santana e Álvaro Queiros. O descaso com o trabalho do bancário tem levado muitos empregados a aderirem ao PDV. O Programa de Desligamento Voluntário acaba sendo a saída de uma rotina estressante.

Muitas agências estão sendo transformadas em postos de atendimentos, fragilizando ainda mais a segurança de clientes e bancários.

Fonte: O Bancário

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Trabalhadores de todo o país se reuniram, entre sexta-feira e domingo (2 e 4/8), na 21ª Conferência Nacional dos Bancários. Foram mais de 600 delegados sindicais, 395 homens e 209 mulheres, na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo. A Bahia e Sergipe enviaram 38 representantes para o evento, sendo 32 delegados e 6 convidados.

A abertura do evento aconteceu na noite de sexta-feira (2/8), com a presença de representantes das centrais e das federações de todo o país. Em sua fala, o presidente da Federação da Bahia e Sergipe, Hermelino Neto, falou sobre os ataques que os trabalhadores vêm sofrendo, com um governo que despreza a classe trabalhadora e não tem um projeto para o país. Ele ressaltou também os ataques às empresas públicas e a submissão aos Estados Unidos, que tem ameaçado o soberania nacional. Reafirmou ainda a importância da luta em defesa dos bancos públicos, com o envolvimento de vários setores da sociedade, a exemplo do vem ocorrendo nas sessões em defesa do Banco do Nordeste, nas casas Legislativas da região.

Neto destacou também a gravidade dos fatos revelados pela imprensa sobre os diálogos do Sérgio Moro e da Lava Jato. “Sabíamos que eles queriam tirar o Lula do páreo, mas não sabíamos que essa quadrilha tinha uma ramificação tão grande como estamos percebendo. Isso mostra como se deu o golpe e a eleição de Bolsonaro, bem como as armas utilizadas para isso.

Debates e deliberações

O evento seguiu no sábado, com debates sobre a conjuntura política e econômica, soberania nacional, reforma da previdência, além de futuro do trabalho, impactos no emprego e na organização sindical.

A plenária final foi realizada na tarde de domingo (4) e aprovou as resoluções que vão nortear o movimento sindical bancários no próximo período. Os textos são resultados dos debates acumulado nas conferências estaduais e regionais e durante os três dias de evento, que reuniu mais de 600 delegados sindicais, 395 homens e 209 mulheres, na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A 21ª Conferência Nacional dos Bancários aprovou resoluções importantes em defesa da soberania nacional, em defesa do Brasil, em defesa do emprego, contra as privatizações das empresas públicas, que são estratégicas para que o país cresça e gere empregos.

As resoluções versam sobre as mobilizações contra a Reforma da Previdência e contra a MP 881, que libera o trabalho aos sábados e domingos e feriados; em defesa da unidade da categoria bancária e da mesa única de negociação, em defesa da saúde, da soberania nacional, da liberdade de imprensa e apoio ao jornalista Glenn Greenwald, pela apuração dos mandantes da morte de Marielle Franco, em defesa da liberdade do ex-presidente Lula, que é um preso político e não teve julgamento justo; e a definição do calendário de lutas.

Moções

As moções aprovadas tratavam da defesa da Amazônia e um modelo de desenvolvimento com Justiça Ambiental, contra a Polícia de São Paulo e o governador do Estado João Dória, pela derrota das políticas do governo Bolsonaro, que são prejudiciais ao povo brasileiro; pela soberania nacional, em repúdio a tortura e seus defensores, contra o uso de agrotóxico e em defesa da vida, em defesa da democracia, contra a prisão de Preta Ferreira e os outros cinco militantes do movimento de moradia, pela cota mínima de mulheres, com inclusão de pelo mens 30% quando forem definidas as liberações de dirigentes dos seus locais de trabalho para a atuação sindical, e pela liberdade imediata do companheiro Daniel Ruiz.

Calendário

Os delegados e delegadas da 21ª Conferência Nacional dos Bancários aprovaram a participação nas atividades do calendário de luta das centrais sindicais, como as manifestações contra a reforma da Previdência (6/8) e em defesa da Educação (13/8).

Banco do Brasil

9/8 – Dia Nacional de Luta contra a reestruturação

22/8 – Dia de Luta pela Cassi

Setembro – Plenária e atividades em locais de trabalho em defesa da Cassi

Encontro Nacional sobre a Cassi

Abaixo-assinado contra a cobrança de 1/24 avos acumulado e aumento da coparticipação na Cassi

Caixa

Campanha Nacional de defesa do Saúde Caixa para todos

Conversar com os parlamentares defendendo a aprovação do PDC 956/2008 da deputada Érica Kokay, que susta a resolução 23 da CGPAR

14/8 – Atos pelo Saúde Caixa

4/9 – Atividades contra a reestruturação e em defesa do Saúde Caixa

Campanha contra o fechamento de unidades envolvendo a população das agências afetadas

Audiência Pública em todos os estados e municípios em defesa dos bancos públicos

7/10 – Apoiar a luta pela moradia

Aproveitar o público que está indo às agências da Caixa para sacar o FGTS e fazer campanhas em defesa dos bancos públicos e do FGTS.

Com informações da Contraf.

Resultado de imagem para Bahia tem cinco cidades entre as mais violentas do país

A Bahia possui cinco municípios no ranking dos 20 mais violentos do Brasil. Neste grupo ingrato, Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, ocupa o quarto lugar, com taxa de 119,9 homicídios por 100 mil habitantes.

As outras quatro cidades baianas que estão neste conjunto são Porto Seguro (7°), com taxa de 101,6; Lauro de Freitas (9°), 99,0; Camaçari (10°), 98,0; e Eunápolis (20°), 82,8. Os dados são do “Atlas da Violência – Retrato dos Municípios Brasileiros 2019”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta segunda-feira (5/5).

O número de assassinatos nos cinco municípios baianos mais violento foram: Simões Filho (156); Porto Seguro (147); Lauro de Freitas  (187); Camaçari (285) e Eunápolis (86)

Estudo

O levantamento avaliou a situação de 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, com base em dados de 2017, tanto sobre população quanto de homicídios. Encontrou taxas de assassinato que variaram de 2,7 a 145,7 homicídios por 100 mil pessoas, esta última encontrada em Maracanaú (CE), cidade mais violenta do país.

Os números foram calculados através da soma da quantidade de homicídios com o de homicídios ocultos. No entanto, as próprias instituições responsáveis pelo estudo apontaram distorções nos dados. De acordo com elas, 9.798 mortes violentas não tiveram a causa-base esclarecida (7,2% do total), ou seja, foram classificadas como mortes violentas com causa indeterminada (MVCIs). O fato não chega a gerar discrepâncias para o cálculo das taxas de homicídio, mas, quando a análise se centra nos municípios, “grandes discrepâncias podem ocorrer”.

“Esses óbitos [de causa indeterminada], na verdade, seriam homicídios ou suicídios, ou mortes ocasionadas por acidentes, mas para os quais as autoridades e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (MS), falharam em estabelecer a causa correta. Do ponto de vista da análise da prevalência dos homicídios nas Unidades Federativas (UFs), essa porcentagem de indeterminação na natureza do evento que levou a um processo mórbido não gera tantas discrepâncias para o cálculo das taxas de homicídio […]”, diz trecho do Atlas

“Entretanto, quando a análise se centra nos municípios, grandes discrepâncias podem ocorrer, pelo fato de alguns poucos homicídios ocultados pela classificação incorreta alterarem significativamente a taxa de homicídio local, fazendo com que municípios relativamente violentos sejam considerados pacíficos”, complementa o estudo.

Como exemplo dessa discrepância, é mencionada a situação de Barreiras, no oeste baiano. Segundo a pesquisa, em 2015, houve um único homicídio registrado na cidade, o que a tornaria o município com mais de 100 mil habitantes mais pacífico do país naquele ano.

Contudo, houve nesse período 119 MVCIs, sendo que 60 óbitos ocorreram devido à perfuração por arma de fogo e 23 decorreram do uso de armas brancas. “O fato é que, claramente, esses 119 casos de MVCIs estavam ocultando inúmeros homicídios, que levariam aquele município a configurar entre os relativamente mais violentos do país, dado o tamanho de sua população”, explica.

Fonte: Feebbase

Resultado de imagem para UNE e mais 186 entidades estudantis assinam nota contra o "Future-se"

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e mais 186 entidades estudantis (entre DCEs, Centros Acadêmicos e Uniões Estaduais dos Estudantes) lançaram neste sábado (3/8) um manifesto contra o nefasto programa “Future-se”, anunciado pelo MEC no último dia 17 de julho. O documento ressalta a importância da autonomia das universidades federais, assim como sua independência do setor privado.

Para os estudantes, o programa vai na contramão dos anseios e necessidades da educação pública brasileira, diminuindo a responsabilidade do financiamento público e sem nenhuma consulta prévia à comunidade acadêmica. “A proposta de captação própria é uma entrega das universidades à uma dependência do setor privado e uma desresponsabilização do governo de financiamento público à educação superior”, aponta a nota.

Conforme o texto, a medida “também significa retirar a autonomia didático-científica e administrativa das universidades, para ficarem cada vez mais à mercê de interesses privados que buscarão retornos de seus investimentos, acabando com a base de financiamento público da universidade”. Confira o manifesto na íntegra:

Nota da União Nacional dos Estudantes (UNE), das Uniões Estaduais dos Estudante (UEEs) e dos diretórios centrais dos estudantes sobre o programa “Future-se”

A cada dia que passa tem ficado mais nítido para a população brasileira que o Governo Bolsonaro tem colocado a Educação no centro de seus ataques. Desde o início do ano nenhuma proposta concreta de política pública para o avanço da educação e a solução dos problemas nessa área foi proposto, pelo contrário, há uma perseguição ideológica, a disseminação de ódio e mentiras contra as universidades, institutos federais, escolas, professores e estudantes, e verbas foram cortadas, tanto do ensino superior quanto do básico.

Mas foi também, a partir do setor da educação, especialmente dos estudantes, que se levantaram as principais manifestações de oposição às medidas do governo e sobretudo em defesa da nossa educação, de mais investimentos, de maior cuidado com nossas instituições, e de um projeto educacional que possa garantir um futuro de desenvolvimento social a nossa nação com formação de qualidade, ciência e tecnologia para um país soberano.

É nesse cenário que recebemos com grande indignação e repudiamos a proposta do programa “Future-se” apresentado pelo Ministério da Educação no último dia 17 de Julho, estamos elaborando estudos mais apurados e detalhados acerca de todos os pontos desse projeto, mas inicialmente podemos destacar alguns motivos em geral que nos levam a essa posição:

1- O governo nem sequer dá respostas sobre o problema imediato das universidades e institutos federais e quer criar um programa para o futuro (qual futuro?). Ao apresentar esse projeto, o MEC pretende jogar para as universidades e institutos federais a responsabilidade de captação via setor privado, reduzindo as responsabilidades do financiamento público, em um momento que essas instituições sofreram um corte de 30% em seu orçamento e correm sérios riscos de terem suas atividades paralisadas no próximo semestre, além de diversas pesquisas que já estão paradas por falta de bolsas para que os estudantes continuem trabalhando.

2- O programa “Future-se” foi construído sem nenhum debate prévio com os setores que compõem a universidade: estudantes, professores, técnico-administrativos, reitores e pró-reitores. Fala-se em discussões com especialistas e empresários, mas em nenhum lugar se explícita quem são. Isso demonstra a que interesses servem a implementação desse projeto, certamente não são os da educação e do povo brasileiro. A criação da consulta virtual é, portanto, uma mera formalidade para apresentar um caráter democrático, mas que é notoriamente uma ferramenta superficial e insuficiente para esse debate, inclusive porque não se explica como será a análise das opiniões coletadas.

3- Não há transparência no debate público do projeto. Na apresentação feita aos reitores, à imprensa e também no documento disponível para a consulta pública, faltam alguns elementos importantes que constam na minuta do projeto de lei do “Future-se” e outros que o próprio ministro só expôs depois através de entrevistas à imprensa, como por exemplo a possibilidade de contratação de professores sem concurso público e por regime da CLT.

4- Um dos principais elementos omitidos é referente às responsabilidades das Organizações Sociais. O que não fica claro nas apresentações do MEC e no documento do “Future-se” é como as OSs poderão exercer atividades fim nas universidades, como contratação de professores, e gestão nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, e não só na gestão de serviços como energia, água, limpeza, etc. como se apontava inicialmente. Essa é a principal característica de uma verdadeira terceirização com rumo à privatização da universidade pública brasileira, pois cria uma verdadeira organização paralela dentro das instituições que atende a outros interesses, é o fim da autonomia universitária.

5- A proposta de captação própria é uma entrega das universidades à uma dependência do setor privado e uma desresponsabilização do governo de financiamento público à educação superior. Isso também significa retirar a autonomia didático-científica e administrativa das universidades, para ficarem cada vez mais à mercê de interesses privados que buscarão retornos de seus investimentos, acabando com a base de financiamento público da universidade. O que pode reduzir as áreas de pesquisa, ensino e extensão somente àquelas que agradem mais aos mercados que tenham interesse em financiar determinadas universidades.

6- É o fim da expansão das universidades e pode significar o desaparecimento das federais no interior. Justamente porque uma dependência do setor privado irá forçar a concentração dessas instituições próximas dos grandes centros industriais e financeiros, criando inclusive grandes distorções regionais.

Por fim, entendemos que esse projeto se apresenta com uma máscara de muitas complexidades, entupida de conceitos empresariais, mas vazio de qualquer citação à projetos pedagógicos, categorias científicas e outros elementos fundamentais para uma universidade forte e que sirva ao povo brasileiro. Mas primeiro, por ignorância, repete uma série de atividades que já existem nessas instituições, como os reitores tem insistido, e em segundo propõe descaradamente, embora o ministério tente esconder, um projeto liberal e privatizante para a universidade brasileira, que inverte a lógica que seguimos em toda história da educação brasileira e que tem feito, com investimento público, das nossas universidades federais as melhores do país, responsáveis por grande parte da pesquisa brasileira e referências no mundo todo.

Seguiremos exigindo a devolução imediata das verbas da nossa educação e em defesa da universidade pública e gratuita, com garantia do tripé do ensino, pesquisa e extensão e que tenha um profundo enraizamento com a sociedade na garantia de melhorias para o nosso povo e a soberania do nosso país.

Fonte: Feebbase

7 ago 2019

Como Bolsonaro tenta legalizar o trabalho escravo

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
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Ao defender flexibilizar regras na legislação de trabalho análogo à escravidão, o presidente Jair Bolsonaro cometeu uma série de equívocos nesta semana. Ele citou exemplos do que considera condição análoga à escrava que não se enquadram nas definições previstas no Código Penal e afirmou que são feitas avaliações “subjetivas” por quem fiscaliza e autua. A opinião é contestada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Para o coordenador da campanha nacional de combate ao trabalho escravo da CPT, Xavier Plassat, há “má fé” e “desconhecimento extremado” do presidente.

“Tem juristas que entendem que trabalho análogo à escravidão também é escravo”, disse o presidente na terça-feira (30). Ele criticou a previsão legal de expropriação de propriedade rural com base, segundo ele, em “espessura do colchão, recinto com ventilação inadequada, roupa de cama rasgada, copo desbeiçado, entre outras 200 especificações”. E completou: “o cidadão vai perder a fazenda, se não for para a cadeia. Quem tem coragem de investir em um país desse?”.

Ao HuffPost, a procuradora Catarina von Zuben, coordenadora nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, do MPT, explicou que, para caracterizar “situação análoga à escravidão”, uma ou mais das condições descritas no artigo 149 do Código Penal devem ser constatadas. O texto não tem “200 especificações”, como disse o presidente:

Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

Ela contou já ter acompanhado uma série de fiscalizações nas quais se encontraram trabalhadores nessas condições. “Quando o auditor do trabalho vê qualquer uma das situações descritas, ele lavra o auto de infração e, no contexto do auto, coloca tudo o que consta [no local], inclusive questões acessórias, pendulares. O resgate de uma pessoa não é algo corriqueiro. Exige uma análise criteriosa, que nunca é feita com base em subjetividade”, completou Catarina von Zuben. Por questões acessórias, a procuradora se referiu aos exemplos que o presidente citou, como “espessura de colchões e roupa de cama rasgada”.

Para o coordenador da campanha nacional de combate ao trabalho escravo da CPT, Xavier Plassat, há “má fé” e “desconhecimento extremado” do presidente. “Nenhum caso de trabalho escravo foi considerado como tal a partir de caracteres como esses citados [por ele]”, afirmou ao HuffPost. A pena prevista para quem reduz um trabalhador à condição análoga à escravidão é de 2 anos e 8 meses e multa.

Código Penal

“Excesso de regulamentação leva à paralisação da economia. E nós estávamos, sim, cada vez mais paralisados e engessados e tínhamos que mudar isso daí”, disse o presidente, que defende revisão das normas em vigor. Para Jair Bolsonaro, as definições do que são consideradas situações análogas à escravidão previstas no Código Penal não deixam claro o que se pode tipificar nesse entendimento. Por isso, ele quer “retirar a subjetividade da norma”.

Quando falou sobre isso, o presidente estava acompanhado do secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Segundo este, as mudanças pretendidas pelo chefe estão em estudo e devem ser discutidas com o Congresso no segundo semestre. Procurada pelo HuffPost ao longo da quarta-feira (31), a Secretaria Especial não respondeu quais são as alterações em análise, nem em qual estágio estão as avaliações a que o secretário se referiu.

No Congresso, o HuffPost apurou com lideranças das duas Casas que assunto não está entre as prioridades para o início do semestre, quando o foco seguirá sobre as pautas econômicas, com as reformas da Previdência e Tributária. Além de querer alterar o Código Penal, Bolsonaro também pretende mudar regras previstas no artigo 243 da Constituição Federal, que foram estabelecidas em 2014, quando o Congresso aprovou uma emenda constitucional em que determina a expropriação da propriedade, seja urbana ou rural, em que se encontrarem “culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo”.

Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.

Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.

Legislação eficiente e pioneira

Xavier Plassat, da CPT – entidade que atua no combate ao trabalho escravo há quase 50 anos –, está acostumado à batalha pela melhoria na legislação. “Estamos numa guerra de trincheira sobre esse tema há anos. Claro que hoje temos um presidente que assume publicamente [ser contra] essa batalha. Mas vai encontrar obstáculos e adversários firmes [se tentar mudar as leis].” Ele lembra que as cortes internacionais de direitos humanos têm entendimento oposto ao que o presidente pretende adotar no Brasil.

A procuradora Catarina von Zuben defende as normas vigentes e frisa que as condições degradantes, previstas na legislação, afrontam a dignidade da pessoa. “A jornada exaustiva é uma sobrecarga de trabalho que coloca em risco a vida do trabalhador. O trabalho forçado caracteriza-se pelo engano; a pessoa é colocada em isolamento geográfico, ou há retenção de documentos, ameaça da família para impedir fuga, há até casos em que se marca como gado, ou tudo isso junto. E há ainda casos em que se impede que a pessoa vá embora por dívida, uma situação constante de servidão, com cobranças muito altas que a pessoa nunca consegue pagar”, enumerou a coordenadora do núcleo de erradicação ao trabalho escravo do MPT.

Segundo Catarina von Zuben, a legislação brasileira é eficiente “do ponto de vista formal”. “É das mais pioneiras, mais transparentes. O que precisa é de política pública de implementação”. De 2003 a 2018, 45.028 pessoas foram resgatadas de condições forçadas de trabalho. O ano com maior número de resgates de trabalho escravo foi 2007, com 5.099 pessoas retiradas dessa situação. As informações são do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas.

Fonte: Vermelho via Feebbase

5 ago 2019

Empregados da Caixa definem as estratégias

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Empregados da Caixa definem as estratégias]

Defesa da Caixa 100% Pública contra o desmonte do maior banco público do país, do Saúde Caixa e da Funcef, contratação de mais trabalhadores e combate ao descomissionamento arbitrário foram as principais resoluções definidas no 35º Conecef. Com os ataques do governo, os 272 delegados reforçaram a necessidade de unidade e resistência para defender o patrimônio público e os direitos dos trabalhadores.


Quem estava presente no Congresso Nacional dos Empregados da Caixa, na quinta e sexta-feira (01 e 02/08), ressaltou que o projeto do governo é claro: enfraquecer e diminuir a atuação do banco público para entregá-lo de mãos beijadas à iniciativa privada setores como cartões, loterias e gestão do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). “É fundamental nos unirmos para defender a Caixa e todo o patrimônio nacional. Somos todos contra os retrocessos”, destacou o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos. 

O slogan do Conecef deste ano foi Todos contra o retrocesso. Também fazem parte da pauta questões como melhores condições de trabalho, fim do assédio moral e do GDP (programa de gestão de desempenho). 


Durante o 35º Congresso, os trabalhadores ainda aprovaram as moções em defesa da Caixa 100% Pública, do FGTS e do Brasil, em repúdio à perseguição do governo aos estados do Nordeste, em defesa da liberdade do ex-presidente Lula e do líder sindical argentino Daniel Ruiz, e de apoio ao aposentado do banco e ex-presidente da Fenae, Pedro Eugenio Leite, processado judicialmente pelo atual presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Fonte: O Bancário

5 ago 2019

Banco do Brasil: ampliar a resistência é essencial

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Banco do Brasil: ampliar a resistência é essencial]

A onda de ataques aos direitos dos trabalhadores, o desmonte das estatais, os cortes em áreas fundamentais para o desenvolvimento do país, o cenário que divide o país, os problemas enfrentados pelos bancários do BB. Esses são alguns dos assuntos discutidos no 30º CNFBB (Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil). 


Especialistas que participam dos debates são enfáticos. É fundamental se adequar ao novo cenário e se organizar para enfrentar os retrocessos que retiram direitos dos trabalhadores e desmontam o Estado, para atender a agenda do neoliberalismo. É o caso de bancos como o BB.


A sociedade precisa saber efetivamente qual é o papel das estatais no crescimento do país, como atuam, quais são os beneficiados pelos programas geridos pelas empresas. Para se ter ideia, entre 2017 e 2018, o banco destinou R$ 103 bilhões em crédito para o produtor rural, sendo R$ 21,1 bilhões para o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).


Vale destacar que a agricultura familiar mantém, hoje, cerca de 12 milhões de pessoas economicamente ativas na zona rural, que ajudam a desenvolver o interior do país e ainda garantem alimento de qualidade na mesa dos brasileiros.


Modelo chinês 
O modelo de gestão pública da China foi mencionado. O país tem crescimento anual de cerca de 6% e duplicou a renda em 30 anos. Os principais bancos chineses são públicos. O oposto do que acontece hoje no Brasil. 

Fonte: O Bancário

5 ago 2019

Política de cortes nos bancos prejudica economia

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Política de cortes nos bancos prejudica economia]

Os bancos em atividade no país ampliam a política de cortes, um caminho que prejudica a economia, o atendimento ao cliente e o trabalho dos bancários, cada vez mais sobrecarregados e doentes. Tudo em nome da modernização dos serviços.


Não dá para negar que o avanço da tecnologia é bom. No entanto, as empresas se aproveitam para cortar custos. É o caso das organizações financeiras, que reduzem o quadro de pessoal, fecham agências e deixam desassistida a população que não tem acesso à internet (cerca de 30% dos brasileiros, a maioria idosos – 68,9%, segundo o IBGE) ou que preferem o atendimento humanizado.


O Itaú quer desligar até 6,9 mil funcionários por meio do PDV (Programa de Demissão Voluntária). Em 2018, foram desligados 8.618 trabalhadores. Também fechou mais de 200 agências desde o ano passado. Detalhe: o lucro líquido foi de R$ 13,87 bilhões só no primeiro semestre.   


Mas, os cortes não são feitos apenas pelos privados. Sob o comando do governo Bolsonaro, os públicos seguem a mesma política. E, neste caso, o caminho prejudica a retomada do crescimento. 


Depois de um vai e vem danado, a Caixa mantém o PDV que deve desligar mais 3.500 empregados. Desde 2014, a instituição financeira fechou quase 20 mil postos de trabalho. Já o BB, que anunciou uma nova reestruturação nesta semana, quer desligar 2.300 funcionários e transformar 333 agências em postos de atendimento, com serviços limitados. As medidas desidratam as duas estatais que chegam aos rincões do país e oferecem crédito mais barato.

Fonte: O Bancário

5 ago 2019

País tem 39,9 milhões de informais e subutilizados

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[País tem 39,9 milhões de informais e subutilizados ]

A recessão econômica e a incapacidade do governo de apresentar um projeto capaz de retomar o crescimento com geração de emprego e melhoria da renda tornam a vida extremamente difícil. Para sobreviver, é preciso se rebolar e é o que 39,9 milhões tentam fazer, ou na informalidade (11,5 milhões) ou em trabalho subutilizados (28,4 milhões). 


Mas, nem todo mundo consegue uma chance. Assim, o país segue com número elevado de desempregados, 12,8 milhões. Tem ainda os trabalhadores que desistiram de procurar trabalho (desalentados). Esse grupo representa 4,9 milhões de pessoas, um recorde segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


Além das dificuldades do mercado de trabalho, o brasileiro ainda tem de se virar nos 30 para conseguir pagar as despesas com um salário cada vez mais enxuto. O rendimento médio do cidadão caiu 1,3% no segundo trimestre do ano, saindo de R$ 2.321,00 para R$ 2.290,00. Não dá para quase nada e é preciso escolher o que vai pagar, mesmo as pessoas mais econômicas.


Lei trabalhista
Sem dúvida alguma, a reforma trabalhista agravou o cenário do mercado de trabalho. Em nome de uma falsa modernização, o governo afrouxou a legislação abrindo espaço para as empresas fazerem o que querem e deixando o trabalhador vulnerável. Por isso, o número de subutilizados e informais cresce em ritmo bem intenso. Já a curva o mercado de trabalho formal quase não sai do lugar. 

Fonte: O Bancário