13 fev 2020

Prejuízos da reestruturação do Banco do Brasil

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Prejuízos da reestruturação do Banco do Brasil]

A reestruturação anunciada pelo BB, o Performa, impõe mudanças no plano de carreira e salários dos funcionários através do desempenho e reconhecimento. Os cortes são estratégias para privatizar o banco. 


Na lista de prejuízos, redução de uma média de 18% do VR (Valor de Referência) das gratificações, extinção de cargos e criação de outros, além da extinção do acréscimo salarial na ascensão do módulo básico para o avançado. 

Gratificação
Como hoje a quantidade de funcionários que não têm gratificação de função é pequena, a maioria será atingida com a redução de remuneração fixa. 

Redução da PLR
O programa pode reduzir a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), pois é levado em conta o VR. Além da perda de remuneração mês a mês, perdem o benefício, assim como o valor do FGTS e 13º salário.

Bônus
O bônus oferecido pelo banco se trata de uma verba remuneratória que não se incorpora ao salário e não conta para o cálculo de FGTS, férias e 13º, por exemplo. Por ser um “benefício” decidido sem acordo, pode ser tirado a qualquer momento. 

Meritocracia
Poucos funcionários conseguem cumprir as metas. Com as mudanças, será necessário que cumpram 120% da meta para ganhar o bônus.

Retenção de talentos
A proposta para os funcionários concursados é redução dos salários, com perda de remuneração de até 15%. 

Fonte: O Bancário

13 fev 2020

Fila do Bolsa Família pode chegar a 1 milhão

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Fila do Bolsa Família pode chegar a 1 milhão ]

É evidente que o governo Bolsonaro tenta esconder a todo custo a falta de assistência ao Bolsa Família. Para maquiar o abandono, o presidente não pensou duas vezes antes de mentir sobre a longa fila de espera do programa. Enquanto que a pasta diz ter uma média anual de 494,2 mil famílias aguardando para serem beneficiadas, documentos internos do governo apontam patamar real de um milhão de pessoas sem atendimento a partir de maio. 


Levantamento do jornal Folha de S. Paulo aponta ainda cortes em todos os 200 municípios de menor renda per capita do Brasil. Nas cidades mais pobres, um em cada três municípios ficaram sem auxílio nos últimos cinco meses.


Em razão disso, a fila de espera para atendimento, que havia sido extinta em julho de 2017, chegou a um milhão de pessoas. Todas aguardando para obter um auxílio que não há qualquer previsão de atendimento. 


Mesmo diante da crescente fila, Bolsonaro continua cortando as verbas destinadas ao programa. Ao invés de ampliar o orçamento diante do descaso, o governo manteve o mesmo valor para 2020. Difícil.

Fonte: O Bancário

13 fev 2020

O Planalto, agora, é todo militar

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Por Fernando Brito, no Tijolaço

A confirmar-se a nomeação do general Walter Braga Netto para a a Casa Civil da Presidência da República, o Palácio do Planalto se torna, virtualmente, uma instituição militar, porque coabitarão ali o general Heleno (GSI), o general Luiz Ramos (Secretaria de Governo) e o major reformado da PM, Jorge Antonio Oliveira, na Secretaria-Geral.

Os efeitos, claro, não podem ser bons.

Afinal, quando o Exército invade e ocupa a política, nada mais natural que a política também invada o Exército.

Discreto, Braga Netto não é um politiqueiro como seu colega Ramos, que já no comando militar de São Paulo espalhava-se em churrascos e selfies com políticos.

Embora Onyx Lorenzoni já fosse pouco mais que um zero à esquerda, ainda era um deputado e tratar com milico, afinal, não é das coisas mais agradáveis para os parlamentares.

A relação, que já é ruim, tende a piorar.

Braga Netto traz, também, um inconveniente: tem-se de achar uma função para ele e certamente não serão as jurídicas, em parte já podadas da Casa Civil para o amigo e homem de confiança Jorge Oliveira, que vão atrair o novo general.

Pensar que ele vá assumir missões estratégicas esbarra no fato de que este governo não tem estratégia alguma.

A impressão é que Bolsonaro está se fechando num casulo militar, dada a sua incapacidade de articular-se na política.

Casulos, como se sabe, são protetores, mas são também prisões das quais só as larvas que se desenvolvem são capazes de sair, rompendo-os quando estão suficientemente fortes.

Não parece ser o caso da larva em questão.

Fonte: CTB

13 fev 2020

Defesa da Petrobras deve ser de todo brasileiro

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Defesa da Petrobras deve ser todo brasileiro]

Os petroleiros estão em greve contra o fechamento de uma fábrica, a demissão de mil trabalhadores e a privatização da Petrobras. Essa matéria mostra porque essa luta é de todos os brasileiros.


Em greve desde o dia 1º, os petroleiros de todo o país estão lutando contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Araucária, no Paraná, a demissão de mil trabalhadores da unidade e o processo de privatização da Petrobras, que prejudica o Brasil e todos os brasileiros.


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país fechou 2019 com 12,6 milhões de trabalhadores desempregados. A luta contra demissões, portanto, não precisa ser explicada. O fechamento da Fafen-PR prejudica petroleiros e toda a cadeia produtiva, além do comércio e da comunidade do entorno.


E a luta contra privatização da Petrobras. Muitos se perguntam: o que eu tenho a ver com isso?
Você e todos os brasileiros têm muito a ver com isso. A privatização da petroleira implica em aumento de preços, redução de impostos nos estados, em mais trabalhadores desempregados e menos investimentos em infraestrutura, menos chances da economia crescer, ou seja, menos geração de emprego e renda.


– Se o governo de Jair Bolsonaro privatizar a petroleira, os preços da gasolina, do diesel e do botijão de gás de cozinha vão disparar e aumentar ainda mais.


– Se as refinarias forem fechadas e o Brasil tiver de importar combustíveis, cai quase zero a arrecadação de impostos garantidos pelo setor de petróleo e gás nos estados em que essas unidades estão instaladas. Os municípios que são afetados pelas operações de embarque e desembarque de petróleo ou gás natural, também perderão milhões de reais mensais em royalties.


– a venda da petroleira vai aumentar ainda mais o desemprego porque milhares de petroleiros e de trabalhadores de empresas do entorno, como as dos setores de comércio e serviço, vão fechar as portas.


– o país deixará de investir milhões em grandes obras de infraestrutura, que também são responsáveis pela geração de milhares de empregos.


– os empregos serão gerados no Brasil, mas as vagas serão ocupadas por estrangeiros contratados pelas multinacionais que comprarem a Petrobras.


– Além disso, o país ficará à mercê de empresas estrangeiras na questão energética, o que ameaça a soberania nacional.


Você ainda está se perguntando “e eu com isso?”
Os brasileiros pagarão uma conta alta pela privatização da Petrobras, afirma Paulo César Ribeiro Lima, consultor de Minas e Energia da FUP, que fez um  estudo baseado nos preços de junho do ano passado, no mercado nacional e internacional.


O estudo mostra que a Petrobras pode entregar seu petróleo nas refinarias a um preço de US$ 48 por barril. Se os compradores das refinarias tiverem que comprar petróleo a US$ 65 por barril, o custo da matéria-prima será 35,4% maior.


Óleo diesel mais caro
A privatização das refinarias da Petrobras não vai permitir a redução do preço do óleo diesel no Brasil porque o custo de produção será mais alto e também porque as decisões sobre os preços não serão tomadas por uma empresa estatal de baixo custo, mas por empresas particulares de alto custo.


Se as refinarias forem privatizadas, o custo de produção pode chegar a 73,1% em relação ao custo da Petrobras.

O parque de refino brasileiro tem apenas 17 refinarias, sendo 13 unidades da Petrobras, que respondem por 98,2% da capacidade total do País. A capacidade de refino da Petrobras é a mesma da capacidade de produção de petróleo, cerca de 2,22 milhões de barris por dia. Das 13 refinarias da Petrobras, oito foram colocadas à venda por US$ 10 bilhões. Juntas, têm capacidade de refino de cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia.

Gás de cozinha
O estudo mostra que a o preço do gás de cozinha, cobrado pela Petrobras nas refinarias, chamado de realização, foi, em média, de cerca de R$ 26,00 para uma massa de 13 kg.


Este valor poderia ser reduzido de R$ 26,00 para R$ 20,00, pois a estatal é uma empresa que tem um custo médio de refino de apenas US$ 2,4 por barril de petróleo.


Com a redução de R$ 6,00 nas refinarias da Petrobras e com uma redução da margem de distribuição e revenda de R$ 30,92 para R$ 20,92 para cada botijão de 13 kg, haveria uma redução no ICMS de R$ 11,24 para R$ 8,67. Com essas reduções, o preço do botijão de gás de cozinha de 13 kg passaria de R$ 70,34 para R$ 51,77. Esse seria o preço justo do gás de cozinha, pois remunera adequadamente a Petrobras, os distribuidores e os revendedores.


Se as refinarias forem privatizadas, o custo médio de refino pode aumentar 300%, o que inviabilizaria essa redução.


Perda de arrecadação de impostos
Em muitos estados, como no Paraná, as refinarias são as maiores fontes de  arrecadação individual. A paralisação das atividades dessas unidades vai deixar o estado sem a sua principal fonte de arrecadação de impostos.


Já os municípios que têm operações de embarque e desembarque de petróleo ou gás natural, produzidos no Brasil, que recebem royalties serão duramente afetados pela privatização da Petrobras.

As cidades da Bahia que recebem royalties da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), ou gás natural transportado pela Transportadora Associada de Gás (TAG), deixarão de arrecadar R$ 28,368 milhões/mês – valor de junho de 2019.

Fonte: Sindipetro via Portal CTB

As Centrais Sindicais vão realizar na próxima sexta-feira (14/2) atos nos postos do INSS em diversas cidades do País, em defesa da Previdência Social, melhorias no atendimento e serviços do INSS e solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras do instituto.

Os sindicalistas conclamam à participação de todos os trabalhadores e trabalhadoras nos atos. Milhões de brasileiros estão sendo prejudicados em seus pedidos de aposentadoria ou licença, em função de uma política deliberada de sucateamento do INSS, que serve ao propósito de privatização da Previdência advogada pelo ministro Paulo Guedes.

As centrais apelam a todos os dirigentes e ativistas dos sindicatos, federações e confederações para comparecerem aos locais dos atos com faixas e bandeiras para reforçar esta mobilização.

O presidente da CTB, Adilson Araújo, ressaltou a necessidade de denunciar à população “os ataques covardes do governo Bolsonaro aos direitos da classe trabalhadora, particularmente no que diz respeito à Previdência Social Pública, que querem liquidar para privatizar e encher as burras de banqueiros e especuladores do sistema financeiro”.

“É indispensável persistir com as manifestações e mobilizar o povo para barrar o retrocesso que está em curso no país”, alerta o líder sindical. “Precisamos despertar a consciência de classe nas massas trabalhadoras e o caminho que temos para isto é a luta”.

Araújo criticou também a militarização do instituto. “Diante dos protestos contra as filas absurdas que se formaram por falta de funcionários nos postos e demora excessiva na avaliação dos pedidos de aposentadoria Bolsonaro decide militarizar o INSS, alocando efetivos das Forças Armadas para o atendimento. Trata-se de uma falsa solução, cujo objetivo é aumetar a presença e o protagonismo de militares no governo, é a crescente militarização do Estado, que não condiz com a democracia.”

Fonte: CTB

13 fev 2020

Bancários vestem preto em defesa do Banco do Brasil

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
dia de luta bb 12.2 salvador neto b3d94

Os funcionários do Banco do Brasil deram mais uma demonstração de força e unidade nesta quarta-feira (12/2), quando vestiram preto e realizaram protestos em todo o país contra o projeto de reestruturação anunciado pela direção do banco, que retira direitos e diminui a participação nos lucros e resultados ( PLR) recebida pelos trabalhadores.

Na base da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase), os sindicatos foram para as agências e locais de trabalho conversar com os funcionários sobre a importância de participar das atividades contra mais esta maldade do governo Bolsonaro.

As lideranças sindicais distribuíram também um boletim com os principais pontos da nova reestruturação proposta pela direção do BB, mostrando os prejuízos na carreira, direitos e remuneração dos funcionários. Os clientes também foram informados sobre as perdas para a sociedade com a diminuição do número de superintendências regionais e as mudanças nas agências.

O presidente da Feebbase, Hermelino Neto, participou das manifestações em Salvador, onde falou da importância da unidade dos trabalhadores. “Este é o momento de fortalecer o Banco do Brasil. Não dá para uma instituição que tem um histórico de financiamento e desenvolvimento de vários setores da economia se transformar em um banco privado. Ou seja, impor a seus funcionários que grande parte da remuneração seja feita através da venda de produtos. Isso adoece ainda mais os trabalhadores. Já estamos vivendo esta realidade nos bancos privados. O BB tem o seu papel social e seus empregados precisam se incorporar a esta luta em defesa do BB e dos bancos públicos, mas também em defesa das conquistas da categoria bancária”, ressaltou.

Confira algumas imagens das atividades realizadas pelos sindicatos da Bahia, Feira de Santana, Ilhéus, Itabuna e Jequié.

Bahia

dia de luta bb 12.2 bahia 69796


Em Salvador, o Sindicato dos Bancários da Bahia realizou ato no edifício Cidade Alta. O local ficou cheio, mostrando que só com unidade os retrocessos do programa de “eficiência” podem ser barrados.

Feira de Santana

dia de lura bb 12.2 feira 2 481de


Contra o desmonte do Banco do Brasil, o Sindicato de Feira de Santana paralisou por uma hora as atividades no prédio da Superintendência e das agências Getúlio Vargas, Estilo, Maria Quitéria e Boulevard.

Ilhéus

dia de luta bb 12.2 ilheus 2 564e4


De preto, os bancários de Ilhéus protestaram contra mais este ataque do governo federal aos direitos da categoria.

Itabuna

dia de luta bb 12.2 j itabuna 088b2


Os bancários de Itabuna paralisaram suas atividades em uma hora e realizaram manifestação em frente à agência do BB da Praça Olinto Leone, no Centro.

Jequié

dia de luta bb 12.2 jequie 70b66


O Sindicato dos Bancários de Jequié realizou manifestação nas agências contra a “Deforma” proposta pela direção do BB, a redução salarial e a retirada de direitos.

Irecê

dia de luta bb 12.2 irece 72a9a

O Sindicato dos Bancários de Irecê realizou reunião de mobilização na agência do município contra o desmonte do Banco do Brasil.

13 fev 2020

Na Caixa, hoje é Dia de Luta contra reestruturação

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Os empregados da Caixa se mobilizam em todo o Brasil, nesta quinta-feira (13/02), em defesa da Caixa 100% pública. O objetivo é reforçar a campanha #ACAIXAÉTODASUA, que chama atenção para a importância do banco para o país, e reforçar os abusos cometidos pela direção da empresa com o processo de reestruturação.


Todos devem vestir preto. Também estão previstas manifestações e reuniões com os colegas e a população para apresentar os riscos que a Caixa corre com as vendas de áreas estratégicas do banco. Depois de vender a Lotex, a direção do banco anunciou para abril a abertura de capital da Caixa Seguridade – que cuida do setor de cartões.


Fatiada, a empresa perde a capacidade de gerir programas importantes de inclusão social. Os números mostram o tamanho da instituição. O banco é responsável por 70% dos financiamentos habitacionais, por cerca de R$ 120 milhões de pagamentos do Bolsa Família e por transferir R$ 4,5 milhões aos programas nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde.


Luta no Congresso
Os bancários também contam com o apoio de parlamentes na luta em defesa da Caixa. A deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA) se reuniu com o vice-presidente de Distribuição da empresa, Paulo Henrique Ângelo, para cobrar a manutenção das Superintendências Regionais na Bahia. Segundo ela, o fechamento faz parte do desmonte do banco.


A deputada federal Erika Kokay (PT/DF) manifestou em nota o apoio à luta dos trabalhadores da Caixa contra a reestruturação que a direção do banco está implementando unilateralmente, causando prejuízos a todos. Uma rodada de negociação entre a CEE (Comissão Executiva dos Empregados) e a direção da empresa ainda acontece nesta quarta-feira (12/02), para tratar do assunto. O debate começou pela manhã e ainda não terminou.

Fonte: O Bancário

Bancários na rua em defesa da Caixa - Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região

A Justiça concedeu na tarde de terça, 11, liminar à ação impetrada pela Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e determinou a imediata suspensão do processo de implementação do novo plano. O sobrestamento, de acordo com a Justiça, deve garantir que haja a realização de reunião e de tratativas no âmbito da Mesa Permanente de Negociação e a reformulação do cronograma de adesão, “fixando novos prazos para adesão por qualquer dos empregados da reclamada, em prazo não inferior a 15 (quinze) dias, em atenção ao princípio da razoabilidade, a correr após a conclusão do trabalho da aludida Mesa Permanente de Negociação”.

Sem prejuízo de outras sanções processuais e da responsabilidade administrativa e criminal dos dirigentes da reclamada, o juiz fixou multa diária de R$ 500.000,00 em caso de relutância, resistência, embaraço ou recusa no cumprimento da presente tutela provisória de urgência.

“É isso, a Justiça está dizendo que a Caixa deve respeitar o empregado da Caixa, que nos últimos dias vive um clima de insegurança gerado pela direção da Caixa, com uma reestruturação sem qualquer conversa com os trabalhadores. É isso que nós aqui na Fenae vamos defender sempre, que ela respeite a negociação com a representação dos seus trabalhadores e a dignidade de cada trabalhador que constrói essa empresa tão importante para o povo brasileiro”, afirmou Jair Ferreira, presidente da Fenae.

A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa estava reunida para discutir a pauta da mesa permanente de negociação, que tem reunião marcada para esta quarta-feira, 12, em Brasília, quando foi informada da conquista da liminar .

Fonte: Fenae via Feebbase

por Rosana Pinheiro-Machado

“O problema é estrutural, e a sua raiz se encontra no sistema financeiro, que vive para salvar o 1% e aniquilar os 99%.”

Enquanto bancos têm lucro recorde, pessoas adoecem tentando pagar boletos. Em 2019, o lucro acumulado do Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil foi de R$ 59,7 bilhões, o maior desde 2006. A euforia do capital financeiro contrasta com o sofrimento financeiro de grande parte da população. Segundo a CNC, 65,1% das famílias brasileiras estão endividadas — índice recorde desde 2013.

Desde os escritos do pensador francês Marcel Mauss (1872- 1950), sabemos que a dívida é uma dimensão estruturante das relações humanas. Quem doa fica na posição de poder e prestígio. Quem deve fica em desonra e posição de inferioridade. A vida coletiva em todas as sociedades é marcada por uma constante dança para que essas relações de crédito sejam balanceadas em uma economia humana de reciprocidade. Mas isso, segundo o best-seller “Dívida”, de David Graeber, é impossível alcançar em economias de mercado, que, segundo o autor, são estruturadas sobre a violência estatal e produtoras de endividamento e subordinação.

A dívida também é um tema marcante da Sinologia (estudos da China), que trabalha com uma noção que considero bastante apropriada para nomear a violência que o capital financeiro produz no Brasil: mianzi, literalmente traduzido para o português como “face”. Quando um sujeito está endividado, ele “perde a face”. Isso pode levar a um longo processo de anulação do  “eu” — ou, como disse o próprio Mauss, “perder a alma” referindo-se aos povos kwakiutl do noroeste americano.

Lembro de minha interlocutora chinesa que, após se endividar nos cassinos de Macau, perdeu tudo o que tinha, inclusive mianzi, e me explicou que sua situação era a de suicídio sem morrer: “eu vivo, mas não existo”, disse-me Feifei, que, aos 33 anos, decidiu se anular socialmente. Feifei havia perdido a alma.

Estou trazendo a noção de (perda de) mianzi porque é a forma radical para dar sentido a dezenas de relatos que recebi nos últimos dias como resposta a um despretensioso tuíte no qual comentava que gostaria de ouvir histórias de endividamento. Recebi longuíssimos textos, todos narrando uma saga financeira. Em cada detalhe da história, José, Maria e João elaboram sua própria trajetória. José, Maria e João são milhares, e todos eles possuem um roteiro de vida muito parecido: na medida em que a bola de neve das dívidas cresce, a capacidade de sonhar diminui.O endividado tem seu nome no Serasa e passa a ter sua vida definida por um escore.

Graeber definiu dívida como “a perversão de uma promessa”. O itinerário do endividamento segue uma estrutura comum. Para a estudante, a saga começa com uma bolsa de iniciação científica, um cartão de crédito, um limite em conta bancária universitária e uma família em dificuldade financeira. Já os sujeitos que buscavam abrir um negócio relatam que “o sonho virou pesadelo”. Em pouco tempo, usa-se todos os limites e os juros abusivos fazem com que a dívida cresça de forma descontrolada.

O ciclo do superendividamento e da inadimplência consiste em fazer um empréstimo e/ou usar todo o limite de um cartão. Aí se tenta um segundo ou terceiro crédito para pagar o impagável. Em um piscar de olhos, todos os limites estão estourados. Quando entra um dinheiro na conta, o banco toma para si.

O endividado, então, tem seu nome no Serasa e passa a ter sua vida definida por um escore, um número vermelho ao qual todas as instituições têm acesso e que aniquila a privacidade. Você é um número vermelho, então você precisa de crédito para sair dessa situação, mas as portas estão fechadas justamente porque você é um número vermelho. Não importa a sua dignidade, as suas razões, seus sentimentos, a nobreza de seus projetos: você é reduzido a um escore. Contava-me uma filha sobre a depressão da mãe, que perdeu um salão de beleza em uma enchente:

E a minha mãe está sem paz por isso. Ela odeia dívidas. Fica nervosa, agoniada, em saber que está devendo para alguém. Ela nunca saiu sem pagar de nenhum lugar, nunca deixou de pagar um produtinho da Avon, nunca deu um cheque sem fundo, nunca deu calote em ninguém, nunca atrasou uma fatura, nunca fez fiado em nenhum lugar.

A perturbação leva à desumanização de se viver em um ciclo tortuoso e infindável de recusas. Os endividados não conseguem dormir pensando como pagar as contas. “É a insônia do boleto”, brincou uma interlocutora. “Meu banho matinal consistia em ficar pensando em como solucionar”, comentou comigo outra pessoa.

Aos poucos, todos os gastos vão sendo cortados: a escola particular dos filhos é trocada pela pública. Vende-se o carro (mas o IPVA de muitos não está pago, o que prejudica a própria venda). Muda-se para apartamento mais barato até chegar a “morar de favor”: “Eu tento comer pouco porque moro de favor e tenho vergonha de ficar pedindo, emagreci 10kg em poucas semanas assim”, relatou-me uma estudante.Nessa direção de uma vida ‘sem alma’, a grande maioria dos relatos que recebi mencionava a vontade de morrer.

Como nossa existência não é apenas individual, famílias inteiras adoecem. Uma estudante foi a primeira geração da família a acessar o ensino superior. Ela sonhava dar uma viagem para os pais como uma forma de pagar outra dívida — o amor, a dedicação e o esforço que os pais lhe deram. O sonho era que os pais se orgulhassem dela. Mas a estudante não apenas é incapaz de dar a viagem aos pais como volta para a casa deles depois de formada, desempregada, precisando da ajuda da pequena pensão da mãe ou da avó.

A vida vai demorando. Como disse uma mulher que sustentava dois filhos: “Teve época em que a gente comia o resto que buscava na casa de amigos dizendo que seria para o cachorro”. Pouco a pouco, sonhar passa a ser um luxo. “Eu só quero poder viver dia a dia, não tenho mais sonhos nem esperança de sair dessa situação”. Uma pessoa que busca emprego me relatou: “Eu acho que viver só para comer (e olhe lá) é desumano. Eu queria ir num bar, eu queria ir a um cinema e não posso”. De forma semelhante, disse-me outra mulher: “Desumanizar é isso: a gente fica sem poder escolher o que adquire e sem ter acesso ao que nos faz humanos”.

Um homem que largou um emprego formal para começar um negócio pontuou: “Tento me recuperar todos os dias, mas não vejo saída a não ser continuar trabalhando para sobreviver, sem ilusão de ser alguém bem sucedido, simplesmente vou empurrando”.

Nessa direção de uma vida “sem alma”, a grande maioria dos relatos que recebi mencionava a vontade de morrer. “Não é que eu pense em me matar, mas é que dá vontade de desaparecer, não acordar, a gente não vê saídas de como melhorar nesse país. Já são três anos desempregado.”

Não bastasse a angústia, as cobranças e o assédio moral das empresas que cobram as dívidas são constantes.

Além das cobranças a mim, meus filhos, meus irmãos, meu ex-marido, o namorado de minha filha e meus pais (idosos) também recebem telefonemas de cobrança em meu nome, o que constrange a todos e me faz me sentir humilhada e envergonhada perante todos os envolvidos. Fiz diversas reclamações, sem solução. Então, as “vítimas” das cobranças indevidas mudaram seus números de telefone. Resolveu por 6 meses, depois disso voltaram a receber telefonemas de cobrança em meu nome novamente.

Os endividados passam por um profundo processo de humilhação e não é raro serem ofendidos e julgados pelas profissionais que negociam as dívidas: “As ligações eram sempre agressivas e, quando eu pedia parcelamento, o atendente ria ou fazia alguma observação grosseira”.

Chegou uma época em que ninguém atendia o telefone se não desse o código (ligar, deixar tocar duas vezes, desligar e ligar de novo) porque a gente não queria atender cobrança. Ligavam todos os períodos, manhã, tarde e até 10 da noite, querendo cobrar do meu pai o pagamento. Parecia agiota, mas era legalizado né. Uma vez minha mãe atendeu e explicou ao cobrador que meu pai era aposentado e não tinha como pagar, que o mínimo já era o máximo. Ouviu como resposta um “Se não tinha como pagar então não devia ter gasto!”.

Sempre me pergunto se esses profissionais não estão também endividados. Provavelmente, sim. Provavelmente, eles estão reproduzindo a violência a qual também estão sujeitos.

A violência do sistema financeiro

Comecei a me interessar pelo tema da dívida como pesquisadora da economia informal em 1999. Frequentei diariamente o camelódromo de Porto Alegre por muitos anos para a pesquisa. Meus amigos ambulantes não tinham acesso a crédito e viveram, por décadas, em uma economia local de “dinheiro vivo”, recorrendo a empréstimos do “camelô rico”, que tinha sua própria tabela de juros. O sistema local funcionava em sua própria lógica auto-organizada.

Dez anos depois, a situação mudou radicalmente quando dois fenômenos incidiram sobre suas vidas: a inclusão financeira da era Lula e a formalização do camelódromo como um “shopping popular”, em 2009. Os vendedores ganharam ampla linha de crédito pela primeira vez. Em 2010, eu fui rever meus amigos no novo estabelecimento e encontrei todos endividados com bancos.

Na semana de inauguração do “shopping popular”, uma gerente do banco Itaú montou uma banquinha e abriu, em um único dia, 218 contas bancárias para sujeitos que, há décadas, só haviam operado com dinheiro — e muitos sequer eram alfabetizados. Isso fazia com que meus amigos não entendessem as cartas e os boletos que recebiam. Em um ano de formalização, encontrei os comerciantes doentes com pressão alta e estresse por causa das dívidas.

O sistema financeiro funciona como um urubu, oferecendo crédito a novos empreendedores, professores da rede pública com salários atrasados, estudantes e pensionistas. Depois que estão todos com as cordas no pescoço, enrolados em dívidas em um dos sistemas de juros mais altos do mundo, as portas do crédito se fecham. As pessoas caem em uma armadilha. Até que chegam os agiotas e as empresas que oferecem crédito “sem consulta no Serasa”. A situação piora ainda mais.

Ter a autonomia de volta, segundo os relatos que recebi, acontece quando as pessoas conseguem negociar as dívidas depois de muito tempo. Ou, ainda, quando se libertam e aprendem a dar um dane-se para bancos: “Eu aprendi que eu não sou pior porque devo para bancos”. Essa última ideia vai ao encontro do argumento de David Graeber de que a moralidade e dignidade humana não estão necessariamente atreladas ao pagamento de determinadas instituições porque, simplesmente, existem dívidas injustas.

Como me disse um interlocutor: “Dizem que é no comunismo que vão tirar a sua casa e seus bens. Pois foi no capitalismo que meu dinheiro foi tomado e minhas oportunidades de acesso foram negadas.”

O problema é estrutural, e a sua raiz se encontra no sistema financeiro, que vive para salvar o 1% e aniquilar os 99%. Diante do quadro de desemprego atual, cuja melhora só aponta para geração de “empregos” ainda mais precários, não há um horizonte otimista. A única boa notícia é que, se David Graeber estiver certo, momentos de grande endividamentos são momentos de grandes revoluções históricas.

Fonte: The Intercept via Vermelho

12 fev 2020

Por que o lucro dos bancos sempre cresce?

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria


Lucro do Itaú foi o maior da história dos bancos – Foto: Marcello Casal JR/Agência Brasil

Apesar dos ganhos extraordinários, empresas demitiram funcionários e fecharam agências no ano passado

por Mariana Branco

A despeito de fatores como queda histórica da Selic, a taxa básica de juros da economia, e a concorrência das chamadas fintechs (as startups financeiras, como o Nu Bank) os três maiores bancos privados do país anunciaram crescimento nos lucros em 2019.

No caso de um deles, o Itaú, o lucro de R$ 28,363 bilhões foi o maior da história dos bancos brasileiros, de acordo com a empresa de informações financeiras Economatica. Enquanto os ganhos do Itaú cresceram 10,2% em relação a 2018, os do Bradesco, de R$ 25,9 bilhões, aumentaram 20%. Já o lucro líquido do Santander ficou em R$ 14,55 bilhões, com alta de 17%.

Apesar dos ganhos extraordinários, essas empresas demitiram funcionários e fecharam agências no ano passado, segundo o Estadão, alegando justamente a concorrência das fintechs. Mas por que os bancos seguem registrando lucros tão altos, mesmo em cenários teoricamente mais desfavoráveis, como juros baixos, crise ou aumento da concorrência?

Paulo Kliass, doutor em Economia e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, afirma que a questão de fundo é a política governamental e a fiscalização sobre o setor. O spread bancário no Brasil, por exemplo, está entre os mais altos do mundo.

Spread é a diferença entre os juros cobrados pelos bancos para emprestar dinheiro e os juros pagos como rendimento nas aplicações financeiras. Os primeiros são sempre maiores que os segundos. No ano passado, o Banco Central decidiu limitar os juros do cheque especial a 8% ao mês, o que dá cerca de 150% ao ano. No entanto, não há qualquer limite para o spread.

“Você tem uma mudança importante, a taxa de juros [básica] nunca esteve tão baixa. Mas o banco continua ganhando, não devido à taxa, mas ao spread, que continua elevado. Fora as taxas de serviço, que o Banco Central permite”, destaca o economista, lembrando que, para “compensar” os bancos pela limitação dos juros do cheque especial, o BC autorizou a cobrança de uma taxa de 0,25% sobre limites acima de R$ 500 – mesmo para quem não usa o cheque.

O economista diz que a concorrência trazida pelas fintechs é positiva, mas não resolve o problema para quem depende dos bancos e do crédito. “Há uma certa ilusão de uma suposta liberdade de mercado. Tem que ver se o sistema financeiro vai conseguir resolver o problema do risco sistêmico. Todo mundo corre para as fintechs, mas, em uma crise, elas vão conseguir se segurar? O Banco Central deveria fiscalizá-las com cuidado”, defende.

Kliass defende que o governo tome para si o papel de limitar abusos dos bancos. Além da fiscalização do Banco Central, diz, uma maneira eficaz seria limitando o spread e as taxas nos bancos públicos, Caixa e Banco do Brasil. “O ideal seria o Estado brasileiro fazer valer o seu poder através dos bancos públicos, forçando práticas mais civilizadas”.