12 dez 2018

Atenção ao expediente bancário no final de ano

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

As festas de fim de ano se aproximam e, com isso, o funcionamento das agências bancárias muda em alguns dias. Comunicado da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) esclarece o funcionamento das unidades no período.

No próximo dia 24, véspera de Natal, as agências abrem para atendimento ao público em horário especial, das 8h às 10h. Para quem tem contas a pagar é bom se ligar no último dia útil do ano para atendimento ao público. Será em 28 de dezembro, uma sexta-feira.

No dia 31 de dezembro, os bancos não abrem para atendimento. Mas, a população pode utilizar os canais alternativos. Vale lembrar que os carnês e contas de consumo, a exemplo de água, energia e telefone, vencidos no feriado podem ser pagos sem multa no dia útil seguinte. Uma dica para quem não quiser cair no esquecimento é agendar os pagamentos.

Fonte: O Bancário

12 dez 2018

Bancada sindical reduz. Desafios são maiores

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Os desafios são enormes para o próximo ano. Na legislatura, que tem início em 1º de fevereiro de 2019, os trabalhadores terão menos representantes e defensores do que na que termina em 2018. Segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), a bancada sindical terá somente 33 representantes na Câmara Federal. São 18 a menos.

Dos 33 representantes, 27 são reeleitos e somente seis são novos. O PT é o partido com mais membros na bancada (18). Depois, aparecem o PCdoB (4); PSB (3) e PDT, Pode, PR, PSL, PSol e SDD, com um integrante cada.

Em 2014, a bancada sindical já havia sofrido um desfalque. O número de parlamentares caiu de 83 para 51 membros. Um enfraquecimento na luta em defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, aposentados e servidores públicos no Congresso Nacional.

A bancada também é responsável por intermediar demandas e mediar conflitos com o governo e/ou patrões. Por isso, a redução no quantitativo preocupa, sobretudo, diante do quadro que se desenha para 2019.

Fonte: O Bancário

12 dez 2018

Bancos se aproximam do governo Bolsonaro

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

As organizações financeiras já sinalizam a aproximação ainda maior com o novo governo assim que o presidente eleito tomar posse em janeiro. A Federação Brasileira de Bancos pretende apresentar propostas para reduzir as taxas de juros de empréstimos.

A intenção é incluir a reformulação da lei de falências e a redução dos serviços obrigatórios de cartórios que elevam os custos de crédito. Foi o que afirmou o presidente-executivo do Bradesco, Octavio de Lazari, em um momento que o Banco Central procura formas de cortar as taxas de juros ao consumidor. Em média, são 260% ao ano para linhas de crédito rotativo, que é comparado a 6,5% da taxa Selic de referência do país.

Mas, a preocupação dos bancos não é com os clientes. O lucro em primeiro lugar. A expectativa de Lazari é que a carteira de empréstimos cresça em um ritmo mais rápido em 2019 do que este ano. A modalidade no caso dos corporativos deve crescer perto de 10% no próximo ano e as taxas no crédito para pessoas físicas devem ficar ainda mais altas.

E só priora. Mesmo com lucro de R$ 15,734 bilhões de janeiro a setembro, o Bradesco quer fechar 150 agências neste ano e outras 150 agências em 2019. Dos 24 milhões de correntistas da empresa, o banco apenas digital tem 500 mil clientes.

Fonte: O Bancário

12 dez 2018

Mulheres com filhos recebem até 40% a menos

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

O mercado de trabalho brasileiro é muito injusto. A mulher bem sabe. Além de lidar com o preconceito para ascender profissionalmente e as distorções salariais em relação ao homem, a trabalhadora enfrenta um outro desafio que muita gente desconhece. Quanto mais filhos tem, menor é o salário que ganha.

A diferença pode chegar a 40%, revela pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os números mostram que o salário médio de uma mulher sem filho é de R$ 2.115,00. Mas, após o nascimento do primeiro herdeiro o valor cai em 24%.

A queda é mais acentuada à medida que tem mais filhos e uma trabalhadora com três ou mais crianças vê o rendimento ser cortado em quase 40%. A pesquisa considerou apenas as mulheres entre 25 e 35 anos e casadas. No grupo, a maioria que está na mercado de trabalho tem filhos. No primeiro semestre, somavam 2,92 milhões de trabalhadoras contra 1,36 milhão das que não são mães.

Além do preconceito, um problema secular do país, parte das dificuldades se devem a falta de políticas públicas pensadas para manter a mulher no mercado de trabalho, como a oferta de creches. O IBGE mostra que apenas 32,7% das crianças de zero a três anos estão matriculadas em algum centro educacional infantil.

 Fonte: O Bancário
12 dez 2018

Salário mínimo no país deveria ser de R$ 3.959,98

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Viver no Brasil está cada dia mais difícil e o cidadão que recebe um salário mínimo sabe. É preciso se rebolar para conseguir pagar as contas do mês com apenas R$ 954,00. E é verdade. O salário mínimo ideal para uma pessoa sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 3.959,98 em novembro.

O valor é 4,15 vezes maior do que o praticado atualmente. Também está muito longe da previsão para o próximo ano. A estimativa do governo é de que o mínimo suba para R$ 1.006,00 a partir de 1º de  janeiro. Aumento de apenas R$ 52,00.

O cálculo do salário mínimo ideal é realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) e leva em conta as necessidades básicas de uma família para viver com dignidade, pagando as necessidades básicas, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social.

Para chegar ao valor do salário ideal são considerados os preços da cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas. Em novembro, o maior valor foi verificado em São Paulo, R$ 471,37.

Fonte: O Bancário

Não é raro um cliente ir ao banco e tomar chá de cadeiras nas filas. Com o número de funcionários reduzido, já que as empresas demitem e não contratam, é quase impossível evitar a espera. Por conta do descumprimento da Lei dos 15 minutos, oito agências foram autuadas em Salvador.

O Procon (Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor) autuou unidades do Bradesco, Itaú e Santander pelo desrespeito à Lei nº 5.978/2001, que estabelece o prazo máximo de 15 minutos para espera por atendimento nos bancos em dias normais, e até 25 minutos em véspera ou após feriados prolongados.

A autuação das agências aconteceu durante os 10 primeiros dias de dezembro, com base em denúncias feitas por consumidores e enviadas ao Procon, por meio do aplicativo de celular “Procon BA Mobile”.

Quem quiser denunciar também pode enviar e-mail para denuncia.procon@sjdhds.ba.gov.br ou ir à sede do Procon-BA, localizada no centro de Salvador. O consumidor deve apresentar a sua senha de atendimento da agência, carimbada pelo caixa, como forma de comprovação do tempo em que permaneceu na fila.

Fonte: O Bancário

Trabalhadores de diversos segmentos se juntaram à CTB e às centrais sindicais para protestar contra a extinção do Ministério do Trabalho, anunciado por Bolsonaro. O ato, que aconteceu na terça-feira (11/12), contou ainda com a participação de representantes do MTE.

Além da defesa do ministério, essencial para o atendimento ao trabalhador e importante para atividades de economia solidária e fiscalização, as centrais protestaram com irreverência contra as declarações de Bolsonaro de que “é horrível ser patrão no Brasil”.

O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, alerta que a extinção do Ministério do Trabalho é só o começo da agenda de retrocessos. “A unidade será fundamental na etapa que atravessamos. Dia a dia a máscara desse governo cai e revela a perversidade de um projeto ainda pior do que o de Michel Temer”, declarou.

Fonte: O Bancário

10 dez 2018

Privatização da Caixa devastaria políticas sociais

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Mesmo antes de chegar à Presidência, a equipe de transição de Jair Bolsonaro (PSL) sinaliza que irá expandir a entrega de bens e empresas nacionais estratégicas ao setor privado. A política foi executada ao longo do governo Temer (MDB), que desestatizou partes significativas da Petrobrás e da Eletrobrás desde 2016.

O “raio privatizador” de Temer também mira os bancos públicos do país, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF). Embora Bolsonaro afirme que não pretende privatizar as instituições financeiras, declarações de sua equipe ministerial apontam para o sentido oposto e mostram que seu governo deve radicalizar a linha adotada pela última gestão. Paulo Guedes, que está à frente da pasta de economia do novo governo, já disse ser favorável a privatização de todas as estatais.

Adeus aos programas sociais

Se as intenções de Guedes se realizarem, milhares de brasileiros serão prejudicados. Na avaliação do economista Roberto Piscitelli, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (UnB), a venda da Caixa deve provocar um efeito devastador em diferentes áreas.

“Privatizar a Caixa significa que o governo vai ser um mero regulador das ações realizadas pelo mercado dentro de uma ótica privatista. Portanto, adeus aos programas sociais”, alerta Piscitelli.

A instituição financia, por exemplo, programas de fomento às atividades rurais que visam o desenvolvimento no campo como o Garantia Safra, que assegura renda mínima para a sobrevivência de agricultores em áreas atingidas por secas ou enchentes.

O Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), que ajuda pessoas de baixa renda a concluir o ensino superior, também corre riscos. Segundo a instituição, mais de 7 milhões de alunos foram contemplados pelo programa.

Como principal agente operador dos programas sociais do governo federal, a Caixa também subsidia o Bolsa Família, que ao longo de 15 anos contribuiu para a erradicação da pobreza. O programa atende mais de 13,9 milhões de famílias, que recebem, em média, R$ 178 mensais. O Bolsa Família é reconhecido internacionalmente como instrumento efetivo de redução das taxas de mortalidade infantil e evasão escolar.

Políticas sociais de habitação e o programa Minha Casa, Minha Vida também seriam afetadas, assim como a gestão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do seguro-desemprego – cuja gestão é atrelada à Caixa.

No dia 22 de novembro, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou o nome de Pedro Duarte Guimarães para a instituição. Guimarães foi um dos responsáveis para levantar o nome das estatais que poderiam ser privatizadas na gestão Bolsonaro.

Resistência

Jair Ferreira, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), alerta que a mobilização dos trabalhadores e da sociedade é fundamental. “Os planos do atual e do novo governo são para enfraquecer e fatiar a Caixa. Provas disso são o leilão da Lotex, o projeto para pulverizar a gestão do FGTS, Diretorias e Vice-Presidentes ocupadas por pessoas do mercado. Com a falácia de que o banco é um ‘cabide de empregos’, existe a previsão de um novo plano de demissão e aposentadoria ainda este ano. Mas, assim como fizemos diante de todas as ameaças ao longo dos anos, faremos novamente. Não vamos aceitar a diminuição da Caixa”, promete.

Nos espaços legislativos, também há resistência. “A lógica de uma empresa privada é diferente de uma pública, como a Caixa, que cuida de projetos que são fundamentais para o desenvolvimento do país”, ressalta o senador Lindbergh Farias (PT), crítico às propostas de privatização.

Ao final do primeiro semestre de 2017, a Caixa pagou cerca de 78,5 milhões em benefícios sociais.

Fonte: Brasil de Fato via Feebbase

Havia muitos olhos esperando o resultado das eleições do último domingo na Andaluzia (Espanha) porque, entre outras coisas, os líderes dos partidos que a disputavam — alguns mais do que outros — quiseram dar a elas uma relevância nacional. Mas não só na Espanha. Steve Bannon, chefe de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também estava muito atento para ver o desempenho de seu afilhado político, o partido Vox. A Espanha é a última parada da viagem europeia de Bannon (que também teceu elogios a Jair Bolsonaro) para exportar o trumpismo ao velho continente. E, desde o domingo, ele conta com mais 12 soldados em seu exército europeu a favor da retirada de cada país da União Europeia, do combate à imigração e da antiglobalização.

“Eu o conheço há seis ou sete anos”, diz Rafael Bardají, ex-assessor de José María Aznar, ex-militante do PP [Partido Popular, conservador] e atual membro da executiva do Vox. “Há cerca de um ano e meio, Bannon mostrou interesse em ver nossas perspectivas eleitorais. Me disse que estava pensando em montar um think tank na Europa para coordenar mensagens. E que o Vox tinha que participar de algum jeito. Nos ofereceu recursos tecnológicos para usarmos as redes sociais com mensagens adequadas, testar ideias e fazer uma campanha eleitoral ao estilo americano”, explicou Bardají ao EL PAÍS horas depois de se encontrar com Bannon.

Por que o ideólogo de Trump, um dos responsáveis por sua surpreendente vitória, interessou-se por um partido espanhol sem representação parlamentar na época? “Ele quer ajudar os partidos com os quais se identifica, a chamada far right [extrema direita]. Acredita que a grande batalha a se travar no mundo diz respeito àqueles que são pró-nacionalistas contra a imigração ilegal e em defesa das raízes religiosas. Sem dúvida, tem certo dinheiro e está muito comprometido com seus ideais para que haja uma mudança na Europa. Por isso, aparece nos lugares onde acredita que tem certa garantia de sucesso para que sua mensagem seja ouvida.”

Esses “lugares” são o partido de extrema direita francês Reagrupação Nacional (antiga Frente Nacional) — Marine Le Pen foi a primeira a parabenizar “os amigos” do Vox no domingo passado — e a Liga de Matteo Salvini, na Itália. Outras das saudações internacionais ao Vox foi feita por David Duke, simpatizante nazista e fundador de um braço da Ku Klux Klan. “A Reconquista começa em terras andaluzes e se ampliará ao resto da Europa”, escreveu Duke no Twitter.

Aquele think tank que Bannon havia mencionado a Bardají já existe. Não por coincidência, foi instalado em Bruxelas, o coração do edifício europeu que ele pretende demolir, e se chama The Movement (O Movimento). Bardají é um tanto “cético” quanto a esse grupo, mas compartilha a ideia antieuropeia. “Para os espanhóis, a Europa sempre pareceu um paraíso de liberdade quando estava o general Franco, e isso fez com que tivessem uma visão muito idealizada. Depois, sob o Governo de Aznar, conseguiram-se grandes ajudas de fundos estruturais, mas houve um esfriamento da valorização que o espanhol faz da Europa com todo o problema de Puigdemont e das sentenças sobre os membros do ETA. O Vox é muito crítico em relação às instituições europeias. O Parlamento Europeu nos parece um desperdício inútil.”

“Nos chamam de fascistas. E daí?”

O que têm em comum Trump, Bannon, Le Pen e Vox? “Trump propõe o ‘America First’ e nós, o ‘Españoles primero’. E também essa atitude sem complexos. Trump não se importa com o que dizem dele, e nós tampouco. Nos chamam de fascistas. E daí?”, diz Barjadí. “Durante alguns meses, a Liga flertou com o independentismo catalão, e tivemos uma discussão. Não gosto do estatismo acentuado da Frente Nacional, mas compartilhamos eixos básicos: a anti-imigração ilegal, a anti-islamização social e a crítica às elites políticas”, completa.

Por exemplo, o Vox não está nada longe daquele plano de Trump para vetar a entrada de imigrantes procedentes de países muçulmanos. “Se existe imigração, que seja a que a Espanha quer e que aporta mais. Se puder ser de origem cristã, é melhor que a muçulmana. Ter um profissional de computação é melhor do que um camelô. E se eu tiver que aceitar refugiados de países do Oriente Médio, prefiro famílias de religião cristã aos muçulmanos porque não vemos que a convivência no longo prazo seja muito viável. Isso não significa que eles não possam visitar a Espanha ou que fecharemos as fronteiras ao mundo muçulmano. Podem vir desde que se comportem como qualquer cidadão espanhol e aceitem que não temos que mudar nossos comportamentos porque eles se sentem ofendidos por comermos porco ou linguiça. O que não concordo é que venham tentar mudar nossos costumes e se aproveitar do Estado de bem-estar, colocando-o em risco para os espanhóis”, diz Bardají.

O dirigente do Vox vincula imigração, crime e religião. “Está claro que, quando se ultrapassa certa proporção na população, começa a haver pedidos como oferecer comida halal nos colégios, nas prisões… e os problemas sociais aumentam muito. O que queremos é evitar essas situações em que você estaciona o carro e sai correndo porque o incendeiam. Esse tipo de coisas que estamos acostumados a ver nos bairros de dominação muçulmana na Europa. Está claro que há um fator de criminalidade na imigração. Basta ver as estatísticas das prisões. O problema da sociedade espanhola e dos partidos tradicionais é que se negaram a falar essas coisas. E, como o Vox fala, as pessoas as sentem porque sabem quem rouba o celular e a bolsa delas nas ruas. Nosso discurso é mais penetrante naquelas camadas onde o atrito social acontece de forma mais intensa. Os partidos tradicionais ainda não entenderam isso — daí a sua decadência.

Até o momento, Bardají diz que a colaboração com o ex-estrategista de Trump se limita a “uma troca de ideias e conselhos” e que o partido ainda não “precisou” de sua tecnologia para a difusão de mensagens e análises de dados. A legenda também garante que Bannon não doou um tostão — a lei o impede — e prepara uma visita à Espanha de seu poderoso padrinho para antes das eleições de maio. A extrema direita desembarca no Parlamento pela primeira vez no país desde a volta da democracia, mas não está sozinha. O Vox é só a última contratação de um olheiro com muito dinheiro e vontade de incendiar a Europa.

Fonte: El Pais via Portal CTB

Não é de hoje que o Ministério do Trabalho vem sendo desmantelado, diz em entrevista o professor Marco Gonsales, da Universidade São Judas Tadeu. “Para que existir, se a sua função é tida como um dos maiores empecilhos para o sucesso do projeto de país que essa gente aspira? O principal alvo dessa guerra não é o MT, é o trabalhador e a trabalhadora e, portanto, o trabalho, no sentido dos direitos conquistados”, afirma, sobre o plano de “fatiar” a pasta,cujas atribuições, na gestão Bolsonaro, deverão se espalhar por três áreas.

Isso deixará ainda mais pendente, pró capital, uma balança que a rigor nunca teve equilíbrio no Brasil, avalia o professor, que antes de ir para a academia atuou no meio empresarial e formação em Administração de Empresas. “Um fenômeno também global característico desta fase neoliberal do capitalismo. Há pelo menos 50 anos, países centrais e periféricos realizam os ajustes rumo à tão sonhada austeridade fiscal. Em suma, eliminam direitos – sob o pretexto do equilíbrio das contas públicas.”

As consequências nocivas ao trabalhador serão várias, enumera. “Para quê fiscalização se o trabalho análogo a escravidão será legalizado com as carteiras verde e amarela?”, questiona Gonsales. “Os empresários não terão mais motivos para não formalizar os seus trabalhadores. Direitos conquistados ao longo do século 20 serão suprimidos. Grande parte do atual e do futuro governo é composta por grupos empresariais responsáveis pelo trabalho escravo e infantil no país, tanto no campo quanto nos centros urbanos.”

Ele avalia que a situação irá piorar, em um país que já tem 27 milhões de desempregados ou subempregados, com uma “regulamentação de desregulamentação”. Normas de saúde e segurança também deverão ser comprometidas. “Temos uma média de 700 mil acidentes de trabalho por ano no Brasil. Ocupamos o trágico quarto lugar no mundo em ocorrência de acidentes de trabalho, atrás somente da China, Índia e Indonésia. Em suma, a quase metade da classe que trabalha no Brasil reclama por salários atrasados, um quinto implora por uma alimentação digna e outros 16% por mínimas condições de trabalho. Não tem como o Brasil não ser um dos lugares mais perigosos para se trabalhar no mundo e, com toda certeza, esse cenário só deve piorar com o futuro governo.”

Qual o significado, em termos institucionais, do fim ou do “fatiamento” do Ministério do Trabalho?

Temer e Bolsonaro são faces da mesma moeda. A diferença é o como fazer, mas o objetivo é o mesmo. Para esses representantes das frações dominantes brasileiras, o objetivo é claro: manter o Brasil na posição de país subalterno, semi-periférico, norteado pelos interesses do grande capital internacional. É assim que a nossa elite aprendeu historicamente a acumular riqueza, se perpetuar no poder e saquear o país: explorando o trabalhador e trabalhadora e/ou entregando as nossas riquezas, naturais e socialmente construídas. Veja o caso da Embraer. Um patrimônio brasileiro que FHC privatizou, Temer preparou e será entregue definitivamente por Bolsonaro.

O desmantelar do MT não é de hoje. Quem não se lembra da nomeação de Cristiane Brasil, por Michel Temer, para a pasta do ministério? A filha de Roberto Jefferson tinha sido processada pela Justiça do Trabalho, além de possuir três ações movidas contra ela por três antigos trabalhadores. Já o atual ministro, Caio Luiz de Almeida, Vieira de Mello, recebeu 24 atuações entre 2005 e 2013 da própria pasta que passou a comandar. Um escárnio!

Como apresentado, de maneira ainda muito leviana, pra não dizer amadora, pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a Secretaria de Políticas Públicas deve ficar com os ministérios da Economia, de Paulo Guedes, e Cidadania, de Osmar Terra. Este último foi ministro do Desenvolvimento Social de Michel Temer e responsável pelo cancelamento de 85 mil auxílios-doença e pelo corte de 4,4 milhões de famílias do Bolsa Família.

Em suma, o fim do MT começou a ser desenhado após o golpe parlamentar de 2016. Para que existir, se a sua função é tida como um dos maiores empecilhos para o sucesso do projeto de país que essa gente aspira? O principal alvo dessa guerra não é o MT, é o trabalhador e a trabalhadora e, portanto, o trabalho, no sentido dos direitos conquistados. As frações burguesas brasileiras, e de muitos outros países periféricos, vivem ancoradas na lógica do capitalismo de rapina.

Parece fato que o MT deixou de ter peso nas decisões governamentais. Mas sua extinção não enfraquece ainda mais a área social, em favor da econômica, predominante? A balança não fica ainda mais desequilibrada?

A balança, que por aqui nunca teve equilíbrio, também, desde 2016, pende radicalmente a favor do capital. Um fenômeno também global característico desta fase neoliberal do capitalismo. Há pelo menos 50 anos, países centrais e periféricos realizam os ajustes rumo à tão sonhada austeridade fiscal. Em suma, eliminam direitos – sob o pretexto do equilíbrio das contas públicas. É claro que esse caminho não é linear, cada povo tem as suas particularidades sociais, culturais e políticas, há também os conflitos entre os próprios capitalistas, além das lutas das classes subalternas que também dão o tom neste processo.

A própria América Latina elegeu diversos governos progressistas no começo deste século em meio ao período neoliberal capitalista. O próprio México, ao que tudo indica, deve adentrar em um período de conquistas de direitos pelas classes subalternas. Mas não há dúvida, o capitalismo em sua fase neoliberal – principalmente após as quedas da URSS e do muro – desequilibra a balança das lutas de classes a favor das elites. Não por menos, os estudos sobre a desigualdade social no capitalismo contemporâneo, de Thomas Piketty, são best-sellers.

Acompanhe entrevista:

  • Como fica, por exemplo, a atuação dos grupos móveis de fiscalização de combate ao trabalho escravo, criados em 1995 e que se tornaram uma política do Estado? Lembrando que essa ação específica sempre esteve na mira de grupos críticos ao que chamam de “excessivo” rigor da lei.

Para quê fiscalização se o trabalho análogo a escravidão será legalizado com as carteiras verde e amarela? Segundo Paulo Guedes, a carteira de trabalho verde e amarela garantirá apenas três direitos: férias remuneradas, 13º e FGTS. Os empresários não terão mais motivos para não formalizar os seus trabalhadores. Direitos conquistados ao longo do século 20, como salário mínimo, hora extra, vale transporte, aviso prévio, seguro-desemprego, repouso semanal remunerado, salário-família, licença-maternidade, licença-paternidade auxílio-doença, adicional noturno, insalubridade e aposentadoria, serão suprimidos. No mais, a fiscalização é uma das principais funções do MT. No entanto, grande parte do atual e do futuro governo é composta por grupos empresariais responsáveis pelo trabalho escravo e infantil no país, tanto no campo quanto nos centros urbanos. A União Democrática Ruralista (UDR), uma das organizações de classe que mais apoiou o Bolsonaro, chama de “indústria das multas de cunho ideológico” as equipes de fiscalização do ministério.

  • Em relação às políticas públicas, o que se pode esperar caso essa área específica fique mesmo sob o comando de Paulo Guedes na Economia?

O principal objetivo do MT é pensar a geração de emprego. No Brasil, hoje, há mais de 27 milhões de desempregados ou subempregados e fica evidente que este quadro deve piorar. A política pública do futuro governo, no âmbito do trabalho, nós já sabemos. É a criação das “carteiras de trabalho verdes e amarelas”, idealizadas por Paulo Guedes. Uma sequência lógica após a reforma trabalhista realizada pelo governo Michel Temer. Em suma, ambas seguem a linha de muitas outras reformas realizadas recentemente em grande parte do mundo, onde o trabalho intermitente e com nenhum ou quase nenhum direito garantido, tem sido regulamentado. Em suma, regulamenta-se a desregulamentação. É a legalização do trabalho análogo a escravidão. É um mundo onde ser explorado (legalmente), tornou-se um privilégio.

  • A partir da pasta do Trabalho se elaboram também, por exemplo, normas técnicas de segurança e saúde no trabalho. Essa função pode ficar comprometida?

Não tem como não ficar comprometida. Temos uma média de 700 mil acidentes de trabalho por ano no Brasil. Ocupamos o trágico quarto lugar no mundo em ocorrência de acidentes de trabalho, atrás somente da China, Índia e Indonésia. Mais da metade da classe trabalhadora brasileira necessita da hora extra ou faz jornada dupla, em casa ou em outro emprego. Segundo o Dieese, há cinco anos, a classe trabalhadora brasileira realiza uma média de 2 mil greves por ano. Somos um dos países que mais pulsa no mundo. Os principais motivos para as greves são: atraso de salário (38%), reajuste (30%), alimentação (18%), condições de trabalho (16%). Em suma, a quase metade da classe que trabalha no Brasil reclama por salários atrasados, um quinto implora por uma alimentação digna e outros 16% por mínimas condições de trabalho. Não tem como o Brasil não ser um dos lugares mais perigosos para se trabalhar no mundo e, com toda certeza, esse cenário só deve piorar com o futuro governo. Em suma, tanto a fiscalização quanto a segurança do trabalho devem ser menosprezadas, assim como já são pelo o atual governo.

  • E os recursos do FAT e do FGTS, como ficaria sua gestão?

Aparentemente, os recursos do FAT e do FGTS, capital da classe trabalhadora, deve ficar com a pasta da Economia, um patrimônio de R$ 800 bilhões. Acenam revisar parte dos gastos obrigatórios e Paulo Guedes, recentemente, se posicionou favorável a restringir e até acabar com o abono salarial e com o seguro-desemprego. Em suma, mais direitos suprimidos, um saque, à luz do dia, à classe trabalhadora brasileira.

Fonte: RBA via Portal CTB