Por José Carlos de Assis*

Não há nada mais desesperador para um chefe de família, do ponto de vista pessoal e emocional, do que um longo período de desemprego involuntário. Sua dignidade, sua auto-estima, seu amor à vida desaparecem. Essa situação é comum a todos os trabalhadores desempregados ou subempregados, exceto os que têm alguma riqueza acumulada e possam consumi-la como renda ou crédito. Pior do que o desemprego só a morte. E para alguns, a morte, de si ou de outrem, o roubo, o assassinato acabam se apresentando como solução.

 Vivemos essa trágica realidade. E me espanta que as classes dominantes brasileiras, as elites cultas e o governo praticamente ignoram 27 milhões de desempregados e subempregados no país, população igual à de muitos países médios. É um acinte. Um assassinato premeditado de grande parte da sociedade. Se houvesse um mínimo de consciência cívica, os jornais e a mídia estariam martelando diariamente essa situação, convocando uma cruzada política para combater o desemprego.

É que a solução está necessariamente na política. É uma ingenuidade perversa achar que a culpa pelo desemprego é o desempregado mal preparado para o mercado de trabalho, ou preguiçoso, ou que não tem iniciativa. A sociedade tem limites para atividades econômicas individuais. Onde um ambulante vende amendoim não cabem cem que vendem amendoins. A iniciativa, sim, a iniciativa de que tratam os neoliberais: como se pode ter iniciativa a partir do nada, que é a condição inicial de muitos desempregados?

 Por trás dessa perversidade há uma ignorância histórica. A democracia não suporta alto desemprego por muito tempo. Fundada na defesa da propriedade privada, o que se chamaria mais tarde democracia burguesa enfrentou sucessivas rebeliões de trabalhadores ao longo do século XIX e início do século XX justamente porque ela própria não se havia dado conta de uma contradição: vocês estão fundados na defesa da propriedade privada; e quanto aos que não tem propriedade, que são a imensa maioria?

 A solução para isso foram as políticas de pleno emprego no norte da Europa, nos Estados Unidos do New Deal e, sim, na Alemanha de Jalmar Schacht nos anos 30. Posteriormente, nas três décadas de ouro do capitalismo no pós-guerra, afastada a estupidez liberal, situações de virtual pleno emprego seriam promovidas em toda a Europa Ocidental. Isso, em grande parte, fez prevalecer no imaginário político o pleno emprego com liberdade em confronto com o pleno emprego sem liberdade dos países socialistas do Leste.

Estamos neste momento diante da mais extravagante estupidez política de nossa história. Não é de estranhar que esteja sendo conduzida por um economista de mercado. Num momento em que cerca de um terço da sociedade está desempregada ou subempregada, o que o governo Guedes proclama é a prioridade absoluta, não da promoção do emprego, mas da chamada reforma da Previdência. Esta, em seus circuitos ocultos, nada mais é que a promoção de um regime de capitalização para enriquecer ainda mais a banqueirada e expor os jovens trabalhadores (os que existirem)  ao achaque institucionalizado dos  fundos abertos.

 Não há déficit da Previdência. O que há é a transferência por Guedes de R$ 602 bilhões de recursos fiscais, inclusive das receitas da Seguridade Social previstas na Constituição, para a fornalha da especulação financeira. Considerando que isso, em si mesmo, é fortemente contracionista – retirada de recursos da economia real para a especulação -, temos mais uma razão para a queda do PIB este ano. Na Europa, diz-se dos gastos previdenciários obrigatórios que são “estabilizadores automáticos” da economia. Evitam ou reduzem o efeito da recessão porque garantem a demanda. Aqui, Guedes quer fazer da Previdência fonte de especulação.

Não há nenhuma mágica para garantir uma política de pleno emprego. É a mesma política para assegurar o crescimento do PIB a taxas razoáveis depois de uma depressão. Mas o governo Guedes não está preocupado com o crescimento da economia. Está preocupado com o que ele e seu grupo querem ganhar pessoalmente com fundos previdenciários, em que é especialista. Entretanto, um crescimento razoável do PIB, estimulado pela ampliação dos gastos públicos reais, resolveria o problema de todos os gastos públicos deficitários atuais. Lembre-se que, para defender o emprego, Obama fez déficits sucessivos de US$ 7,5 trilhões acumulados entre 2009 e 2014!

Temos um PIB de R$ 6,4 trilhões, e uma carga fiscal da ordem de R$ 2,2 trilhões. Se tivéssemos tido um crescimento do PIB de 2% ao ano, induzindo crescimento semelhante da carga fiscal, teríamos um adicional de R$ 700 bilhões de receita tributária caso a economia voltasse ao patamar de 2014 (crescimento de 0,5%). Tudo isso sem aumento de alíquota de imposto. Basta simplesmente que se faça uma política de pleno emprego, ou de recuperação econômica, a partir da expansão dos gastos públicos, desviando dinheiro da especulação financeira improdutiva no over para investimentos e gastos reais com gente e com obras.

 Ou isso, ou a reprise concentrada da era das revoluções de Hobsbawn em escala brasileira. É que se você não considera a necessidade de eliminar o desemprego generalizado como uma questão de solidariedade humana, pelo menos considere o desempregado como uma ameaça pessoal e coletiva.

 *Economista, jornalista, escritor e professor

Fonte: Portal CTB

Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado na quarta-feira (13) revela que cerca de 61% da força de trabalho mundial estão no mercado informal, o que em números absolutos significa 2 bilhões de pessoas. Entre os que atuam por conta própria, 85% estão nesta condição e entre os assalariados (que constituem a maioria do mercado de trabalho), 40%.

Os dados são relativos a 2018 e, além de problemas estruturais no mercado de trabalho dos países mais pobres, refletem a crescente precariedade que o sistema capitalista vem impondo à classe trabalhadora em todo o mundo. É preciso notar que a precariedade avança de forma perversa com o ingresso de novas tecnologias e o progresso da produtividade do trabalho associado às políticas neoliberais contra conquistas e direitos da classe trabalhadora, incluindo a seguridade social.

Posição das pessoas no mercado de trabalho mundial (em %)

Empregadores: 3

Assalariados: 52

Por conta própria: 34

Trabalho familiar: 11

Fonte: OIT

“Significativamente, os trabalhadores informais são muito mais propensos a viver em condições de pobreza do que os trabalhadores formais”, constata a OIT. “É importante notar, porém, que a formalidade não é garantia de escapar da pobreza e que os trabalhadores informais não se limitam a ser pobres”, complementa a organização.

Com efeito, no Brasil muitos assalariados com carteira assinada ganham o salário mímino, ainda muito aquém de um valor capaz de garantir uma sobrevivência digna e à margem da pobreza. Conforme sugere a estimativa do Dieese, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas, previsto na Constituição, deveria ser de R$ 3.928,73 em dezembro do ano passado, quando o salário mínimo vigente valia R$ 954,00.

Os dados da pesquisa retratam o mercado de trabalho global, mas a situação no Brasil não é diferente e sob muitos aspectos é ainda mais grave. Em 2018, a soma de pessoas trabalhando por conta própria ou no mercado informal fechou uma vez mais acima da quantidade de empregados com carteira assinada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Ao final do ano passado, o Brasil tinha 33 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada (sem considerar empregados domésticos). Outras 11,5 milhões estavam atuando sem carteira, e outras 23,8 milhões por conta própria. E o que é pior: cerca de 27 milhões estavam na condição de desempregados e subocupados, sendo mais de 12 milhões caracterizados pelo IBGE como desempregados diretos e 4 milhões de desalentados.

Embora esqueqecido e obscurecido pela mídia hegemônica o fato é que a crise no mercado de trabalho brasileiro tem muito a ver com as políticas neoliberais do governo Temer, que assumiu em 2016 após um golpe de Estado, promoveu um novo regime fiscal recessivo e uma reforma trabalhista, temperada pela liberação geral da terceirização, que contribuiu para acentuar a precarização do mercado de trabalho e a redução de salários e direitos.

O governo Bolsonaro está radicalizando esta orientação, ampliando a ofensiva contra a classe trabalhadora com o fim do Ministério do Trabalho, o anúncio da carteira de trabalho verde e amarelo (sem nenhum direito e baseada no acordo individual entre patrão e empregado), a reforma da Previdência e nova rodada de privatizações. Se não houover uma reação à altura as condições de trabalho retrocederão aos primórdios do capitalismo, quando inexistiam leis trabalhistas e a jornada diária média chega a 16 horas (o que já é realidade hoje para muitos motoristas de aplicativos).

Mais pessoas inativas

A pesquisa da OIT aponta que a proporção de pessoas que fazem parte da força de trabalho vem caindo nos últimos 25 anos, embora contraditoriamente a taxa do desemprego venha aumentando. Este aparente paradoxo encontra sua explicação no avanço da automação, que substitui o ser humano pela máquina, e na redução das taxas de crescimento das economias, que deprime a demanda por mão de obra.

Atualmente, o número de pessoas com idade de trabalhar no mundo é de 5,7 bilhões. Entre elas, 3,3 bilhões estão empregadas, enquanto os desempregados somam 172 milhões. Outros 2 bilhões, aproximadamente, estão fora da força de trabalho.

Divisão da força de trabalho no mundo (em bilhões de pessoas)

Empregados: 3,3

Fora da força de trabalho: 2

Força de trabalho potencial: 0,14

Desempregados: 0,172

Fonte: OIT - Umberto Martins, com informações das agências – Portal CTB

14 fev 2019

Ato contra o descomissionamentos no Banco do Brasil

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

A nova onda de descomissionamentos no Banco do Brasil que resultou a perda do cargo e redução de salário através do GDP (Gestão de Desenvolvimento por Competências) tem causado indignação nos funcionários e nas entidades representativas. Por isso, nesta quinta-feira (14/02), acontece o Dia Nacional de Luta. Em Salvador, o Sindicato dos Bancários da Bahia faz ato no BB Cidade Alta, às 8h30.

A situação é complicada. O novo modelo de gerenciamento dos escritórios, com as Superintendências Centralizadoras, tem pressionado os administradores para descomissionar, desconsiderando, muitas vezes, os critérios históricos.

Para efetivar a aplicação da GDP, o BB fez investimento milionário no desenvolvimento da ferramenta. Dinheiro jogado fora, já que não se adota mais os critérios de avaliação em 360º, conforme havia sido dito.

A realidade hoje é cruel. Simplesmente, para que o cargo do empregado seja retirado, basta que o superior dê uma nota abaixo da média para que a empresa possa efetivar o descomissionamento. Sem condições.

Fonte: O Bancário

12 fev 2019

Sem abono, trabalhador vai perder 8% de renda

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

O bolso do brasileiro pode sofrer mais um golpe. A equipe econômica do governo Bolsonaro estuda colocar fim no abono salarial para 52% dos trabalhadores formais (21,3 milhões) que ganham até dois salários mínimos, ou seja, R$ 1.996,00. Isso significa até 8% de perdas salariais ao mês.

Segundo a proposta do governo, que está no texto da minuta da Proposta de Emenda à Constituição de reforma da Previdência, apenas os 2,6 milhões de trabalhadores (6%) que ganham até um salário mínimo (R$ 998,00) receberiam o abono.

A economia também perde. A previsão é de que R$ 27,7 bilhões deixarão de ser injetados caso a proposta, que deve chegar ainda em fevereiro ao Congresso Nacional, seja aprovada.

O abono salarial é pago ao trabalhador que recebe até dois salários mínimos por mês de empregadores que contribuem para PIS (Programa de Integração Social) ou para o PASEP (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público).

Fonte: O Bancário

Uma comissão de peritos independentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) cobrou novamente do governo brasileiro que tome “medidas necessárias” para revisar dois artigos da reforma trabalhista adotada em 2017, em relatório publicado no fim da semana passada.

Para os peritos, uma previsão na reforma trabalhista, a de que o negociado entre sindicatos e empresas prevaleça sobre a lei, ficou muito genérica e ampla, chocando-se com a Convenção 98 da OIT sobre negociação coletiva.

No relatório, os peritos defendem a revisão dos artigos 611-A e 611-B incluídos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que, na visão deles, violam os princípios básicos do direito internacional do trabalho.

O artigo 611-A lista os casos em que o negociado entre sindicatos e empresas pode se sobrepor à lei, incluindo jornada de trabalho e de descanso, intervalo para o almoço e participação nos lucros. Para os peritos, a amplitude das exceções permitidas “pode afetar a finalidade e a capacidade de atração de mecanismos de negociação coletiva do país”.

Por sua vez, o artigo 611-B estabelece uma lista limitativa de 30 direitos, incluindo salário mínimo, duração normal do trabalho diário, percentagem de remuneração adicionais para as horas extras, que não podem ser deixados de lado por meio de acordos e convênios coletivos.

Para a comissão, a revisão é importante para marcar de maneira mais precisa as situações em que as cláusulas sobre exceções à legislação poderiam ser negociadas, assim como seu alcance.

A comissão pede ao governo que forneça informações detalhadas em relação à evolução do número de convênios e acordos coletivos concluídos no país, o conteúdo e o alcance das cláusulas derrogatórias à legislação incluídas nesses acordos.

Além disso, os peritos voltam a questionar o artigo sobre os autônomos, pelo qual a reforma trabalhista diz que eles podem negociar contratos individuais diferentes do acordo coletivo.

A comissão de 20 peritos inclui o juiz brasileiro Lelio Bentes Corrêa, do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Seus comentários podem levar o Brasil a ser incluído de novo na lista suja de acusados de descumprir normas internacionais de proteção dos trabalhadores.

O relatório de 764 páginas sobre como os países aplicam as convenções da OIT será agora submetido a um grupo de representantes de trabalhadores e de patrões. Esse grupo definirá nas próximas semanas uma lista preliminar maior, com os 40 casos que considerarem mais flagrantes de violações de normas trabalhistas globalmente.

Após negociações, uma lista restrita de 24 casos, politicamente mais sensível, vai para exame da Comissão de Aplicação de Normas durante a conferência internacional do trabalho em junho.

Fonte: Valor Econômico via Portal CTB

O regime de capitalização é uma das principais defesas do governo Bolsonaro para a reforma da Previdência, mesmo sabendo que o modelo não deu certo em outros países, como Chile, México e Colômbia, onde parte da população empobreceu ao ter a renda reduzida.

O Brasil corre o mesmo risco e, se o sistema de capitalização for implantado, pode ter uma sociedade de miseráveis e indigentes. Com a crise e o desemprego, milhões de famílias hoje dependem do benefício do aposentado para sobreviver. Muitas vezes, o valor não passa de um salário mínimo, R$ 998,00.

Não é só isso. O sistema ainda inviabiliza a aposentadoria. Estudos revelam que no México e na Colômbia sete em cada 10 trabalhadores correm risco de não se aposentar. No México, apenas 30% recolhem contribuição mensal para a Previdência, e na Colômbia 35%. No fim das contas, os idosos ficam sem nenhuma assistência no fim da vida.

Em 1997, quando foi feita a reforma da Previdência no México, aceitando as imposições liberais do Banco Mundial, 60% dos trabalhadores estavam na informalidade. Atualmente, o Brasil possui 50% de cidadãos na mesma situação e a grande maioria não tem condições de contribuir com a Previdência.

A solução para acabar com o déficit da Previdência é simples, mas atinge as elites, que não aceita perder nenhum privilégio. Para se ter ideia, o país perde R$ 500 bilhões por ano em sonegação e o governo dá em isenções fiscais outros R$ 400 bilhões, além de R$ 400 bilhões em juros pagos a bancos. O caminho para a mudança é outro.

Fonte: O Bancário

O Planalto se prepara para uma nova cruzada – e o alvo não é nem a Previdência, nem a criminalidade. Desta vez, o governo quer conter o suposto avanço da Igreja Católica na liderança da oposição a Jair Bolsonaro, no vácuo da derrota dos partidos de esquerda. Na avaliação da equipe do presidente – com ares de “teoria da conspiração” –, a Igreja é uma tradicional aliada do PT e está se articulando para influenciar debates antes protagonizados pelo partido no interior do País e nas periferias.

“A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso”, afirmou o general Heleno Augusto, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O alerta ao governo, cheirando a paranoia, veio de informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e dos comandos militares. Os informes relatam recentes encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre Amazônia, que reunirá em Roma, em outubro, bispos de todos os continentes. Durante 23 dias, o Vaticano vai discutir a situação da Amazônia e tratar de temas considerados pelo governo brasileiro como uma “agenda da esquerda”.

Índios e clima

O debate abordará a situação de povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas. “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que comanda a contraofensiva.

Com base em documentos que circularam no Planalto, militares do GSI avaliaram que os setores da Igreja pretenderiam aproveitar o Sínodo para criticar o governo Bolsonaro e obter impacto internacional. Tais setores seriam aliados a movimentos sociais e partidos de esquerda, integrantes do chamado “clero progressista”. Segundo Heleno, “isso é interferência em assunto interno do Brasil”.

Escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitoram a presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em paróquias e dioceses. O GSI também obteve informações do Comando Militar da Amazônia, com sede em Manaus, e do Comando Militar do Norte, em Belém.

Com base nos relatórios de inteligência, o governo vai procurar governadores, prefeitos e até autoridades eclesiásticas que mantêm boas relações com os quartéis, especialmente nas regiões de fronteira, para reforçar sua tentativa de neutralizar o Sínodo. O GSI planeja envolver até o Itamaraty (para monitorar discussões no exterior) e o Ministério do Meio Ambiente (para detectar a eventual participação de ONGs e ambientalistas).

Com pedido de reserva, outro militar da equipe de Bolsonaro afirmou que o Sínodo é contra “toda” a política do governo para a Amazônia – que prega a defesa da “soberania” da região. “O encontro vai servir para recrudescer o discurso ideológico da esquerda”, avaliou ele.

Conexão

Assim que os primeiros comunicados da Abin chegaram ao Planalto, os generais logo fizeram uma conexão com as críticas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Órgãos ligados à CNBB – como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) – não economizaram ataques, que continuaram após a eleição e a posse de Bolsonaro na Presidência.

A Pastoral Carcerária, por exemplo, distribuiu nota na semana passada em que critica o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Na campanha, a Pastoral da Terra divulgou relato do bispo André de Witte, da Bahia, que apontou Bolsonaro como um “perigo real”. As redes de apoio a Bolsonaro contra-atacaram espalhando na internet a bravata de que o papa Francisco era “comunista”.

Como resultado, Bolsonaro desistiu de vez da CNBB e investiu incessantemente no apoio dos evangélicos. A princípio, ele queria que o ex-senador e cantor gospel Magno Malta (PR-ES) fosse seu candidato a vice. Eleito, nomeou a pastora Damares Alves, assessora de Malta, para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Histórico

A relação tensa entre militares e Igreja Católica começou ainda em 1964 e se manteve mesmo nos governos de “distensão” dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, último presidente do ciclo da ditadura. A CNBB manteve relações amistosas com governos democráticos, mas foi classificada pela gestão Fernando Henrique Cardoso como um braço do PT. A entidade criticou a política agrária do governo FHC e a decisão dos tucanos de acabar com o ensino religioso nas escolas públicas.

O governo do ex-presidente Lula – que era próximo de d. Cláudio Hummes, ex-cardeal de São Paulo – foi surpreendido, em 2005, pela greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio. O religioso se opôs à transposição do Rio São Francisco. Já com a chegada de Dilma Rousseff, a relação entre a CNBB e o PT sofreu novos abalos. A entidade fez uma série de eventos para criticar a presidente, especialmente por questões como aborto e reforma agrária. A CNBB, porém, se opôs ao golpe do impeachment, alegando que “enfraqueceria” as instituições.

“Entrar a fundo”

O ministro Heleno afirmou que já existe uma “preocupação” do Planalto com as reuniões e os encontros preparatórios do Sínodo sobre a Amazônia, que ocorrem nos Estados. “Há muito tempo existe influência da Igreja e ONGs na floresta”, disse.

Mais próximo conselheiro de Bolsonaro, Heleno criticou a atuação da Igreja, mas relativizou sua capacidade de causar problemas para o governo. “Não vai trazer problema. O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia”, afirmou. “A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso.”

Tanto o ministro Augusto Heleno quanto o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, hoje na assessoria do GSI e no comando do monitoramento do Sínodo, foram comandantes militares em Manaus. O vice-presidente Hamilton Mourão também atuou na região, à frente da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira.

Fonte: Portal Vermelho, com informações do Estadão via Portal CTB

Enquanto que para o trabalhador brasileiro, que ganha pouco, a carga tributária é pesada, para o alto escalão tudo é mais tranquilo. Itaú, Bradesco e Santander distribuíram R$ 36,8 bilhões aos acionistas relativos ao ano passado nas formas de dividendos, juros sobre o capital próprio (JCP) e recompra de ações, que não são tributados do Imposto de Renda.

O valor equivale a 61,7% do lucro líquido ajustado dos três bancos que, em 2018, somou R$ 59,695 bilhões. Foram distribuídos cerca de R$ 17 bilhões em dividendos para os acionistas.

Se o governo aplicasse a mesma alíquota à distribuição de lucros pelas empresas à cobrada dos trabalhadores com salários superiores a R$ 4.664,68, só com os bancos, a arrecadação superaria os R$ 4,6 bilhões. Os números provam que só a base da pirâmide é prejudicada.

Fonte: O Bancário

12 fev 2019

Projeto de Lei quer criar selo de empresa machista

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Um projeto de lei em tramitação na Câmara Federal cria o selo de “Empresa Machista”, para punir as organizações que pagam mais para os homens do que para as mulheres. A iniciativa veio depois das falas preconceituosas de Jair Bolsonaro, que ainda na campanha eleitoral, declarou que não empregaria mulheres com mesmo salário de homens.

As empresas que tiverem no nome no Cadastro Nacional de Empresas Machistas, como deve ser chamado, pode ter restrições como proibição de empréstimos junto a bancos públicos ou até multas. A intenção é combater manifestações misóginas, inclusive do governo atual.

Salário igual para homens e mulheres está na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e na Constituição Federal. O artigo 5º diz que “todos são iguais perante a lei”. Mas, as empresas descumprem.

Dados do IBGE mostram que a média de salário pago às mulheres em 2017 foi 77% do valor do salário dos homens. Ou seja, a lei se faz mais do que necessária na conjuntura do país.

Fonte: O Bancário

12 fev 2019

Pesquisa revela perfil do trabalho escravo no país

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Após 130 anos da abolição, ainda é possível encontrar situações análogas à escravidão no Brasil e negros e pardos representam 86% desses trabalhadores. De acordo com a Detrae (Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo), entre os trabalhadores resgatados em 2018 por grupos móveis de fiscalização, 45% dos maiores de 18 anos nunca tiveram emprego formal, 57% tiveram nenhuma ou no máximo uma admissão e 72% até três contratações.

Há uma relação direta entre trabalho análogo à escravidão, informalidade e desemprego. Segundo a pesquisa, 64% dos trabalhadores foram demitidos por iniciativa do empregador, o que representa uma entrada de mão de obra em um sistema de exploração abaixo dignidade humana.

Sobre a informalidade, em 92% dos casos foram constatadas trabalhadores inseridos nesta situação, que é um componente inicial de exploração de trabalho análogo à escravidão.

De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) 87% dos trabalhadores eram homens e 13%, mulheres. Quanta à escolaridade, 22% tinham até o quinto ano do ensino fundamental e 18% o fundamental completo, enquanto 11% eram analfabetos.

Após a extinção do Ministério do Trabalho, a área de inspeção está sob responsabilidade do Ministério da Economia, que informou que no ano passado 1.113 trabalhadores foram resgatados. Desde 1995, quando foram criados os grupos móveis de fiscalização, cerca de 53 mil pessoas foram resgatadas do trabalho análogo ao de escravo.

Fonte: O Bancário