7 dez 2018

INSS também está na mira do próximo governo

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

O governo Jair Bolsonaro quer remanejar órgãos, secretarias e pastas com o intuito de atacar o sistema de governança do país. Agora, começou a circular a notícia de que o INSS poderá passar a ser comandado pelo superministério da Economia. Porém, Paulo Guedes é investigado por supostamente fraudar fundos de pensão.

Caso se concretize, o futuro ministro comandará a área de Previdência desde a elaboração de políticas, como a proposta de reforma, até a gestão da área, com o atendimento ao público.  Atualmente, o Instituto Nacional do Seguro Social é vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Social.

A importância do órgão se deve, principalmente, por ser responsável pela avaliação e concessão de pedidos não só de aposentadoria, mas de outros benefícios previdenciários, como auxílio-doença e pensão por morte.

O INSS também concede o benefício assistencial pago a pessoas com deficiência e idosos de baixa renda, o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Hoje, quase 35 milhões de beneficiários recebem da autarquia mais de R$ 40 bilhões por mês.

Fonte: O Bancário

7 dez 2018

Temer dá aval à privatização proposta por Guedes

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

É como diz aquela velha expressão. Tudo farinha do mesmo saco. Entreguista, o presidente Michel Temer disse ser positiva a política de privatizações defendida pelo futuro ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes.

Segundo Temer, as únicas áreas que devem continuar sob a tutela do Estado são segurança, educação e saúde. “Privatização é algo que deu certo no Brasil. Portanto, quanto mais privatizar eu acho melhor”, afirmou.

Vale lembrar que Temer sempre deixou claro que queria privatizar tudo o que pudesse e entregar o patrimônio nacional ao capital estrangeiro. Inclusive, os bancos públicos que, desde 2016, têm sido desmontados.

Fonte: O Bancário

7 dez 2018

MPT lança cartilha sobre violência contra mulher

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Com intuito de dar visibilidade e contribuir para o fim da discriminação contra a mulher, o MPT (Ministério Público do Trabalho) lançou a cartilha O ABC da violência contra a mulher no trabalho. A ação é parte da campanha mundial 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, realizada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

O objetivo é estabelecer canais de denúncia  e levantar a discussão sobre a igualdade de gênero no ambiente laboral. No Brasil, no último ano, o MPT recebeu mais de 300 denúncias de assédio sexual contra a mulher no trabalho e, de acordo com especialistas, o número de casos só não é maior por vergonha e medo das vítimas.

A cartilha traz conceitos sobre assédio moral e assédio sexual no trabalho, divisão sexual do trabalho, cultura do estupro, além dos mais recentes mansplanning, manterrupting e bropriating palavras trazidas do inglês para homens que, respectivamente, explicam coisas óbvias para mulheres, as interrompem e se apropriam de suas ideias.

A desigualdade salarial entre mulheres e homens também é tratada. Segundo o MPT, mulheres têm a carreira mais interrompida e acabam perdendo a autoestima. Muitas vezes não atuam na área de formação, impactando negativamente na remuneração. O problema ultrapassa os direitos humanos, afetando toda a economia, porque há uma redução do PIB (Produto Interno Bruto) com essa mulher recebendo menos.

Fonte: O Bancário

7 dez 2018

Extrema pobreza aumenta e atinge 15,2 milhões

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

A política de austeridade fiscal imposta ao brasileiro muda para pior a vida de milhões de pessoas. Os dados mostram. Em apenas um ano (de 2016 para 2017), o número de pessoas na extrema pobreza pulou de 13,5 milhões para 15,2 milhões. São mais 1,7 milhão vivendo em condições precárias e desumanas.

Estão incluídos nessa condição aqueles que têm renda inferior a US$ 1,90 por dia, o que corresponde a R$ 140,00 por mês. A pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quarta-feira (05/12), indica crescimento em quase todas as regiões do país, exceto no Norte onde ficou estável.

Não é só isso. O índice de pessoas na pobreza aumentou para 26,5% no ano passado. Em 2016 estava em 25,7%. De acordo com Banco Mundial, são pessoas com rendimento de até US$ 5,5 por dia ou R$ 406,00 por mês. A maior parte (25 milhões) está na região Nordeste.

Cerca de 27 milhões de pessoas viviam em condições precárias, ou seja, sem acesso a coleta de lixo, abastecimento de água, esgotamento sanitário ou ainda em domicílios inapropriados, com mais de três pessoas por cômodo.

O pior é que as perspectivas para o futuro não são nada boas. O governo de Jair Bolsonaro, que inicia em janeiro de 2019, deixa claro que as políticas públicas não serão prioridades. Isso se houver alguma.

Fonte: O Bancário

O documentário O lado negro do chocolate, produzido pelo jornalista dinamarquês Miki Mistrati em 2011, denunciou ao mundo que milhares de crianças de países da África Ocidental trabalhavam na produção de cacau, abastecendo as multinacionais do chocolate. Sete anos depois, uma pesquisa divulgada na última sexta-feira (30), em Brasília (DF), deixa evidente que essa realidade está muito mais perto do que se imagina.

Pelo menos 8 mil crianças e adolescentes brasileiros trabalham na cadeia produtiva do chocolate, segundo um relatório encomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), entre 2017 e 2018.

O Brasil é o sétimo maior produtor de cacau no mundo e o segundo da América Latina. A semente é cultivada em oito estados, e o Pará é responsável por 49,3% do volume total.

Brasil de Fato conversou com um dos realizadores da pesquisa, Marques Casara, que reforçou a necessidade de responsabilização das indústrias.

Brasil de Fato: Como foi o processo de produção do relatório?

Marques Casara: O relatório nasceu a partir de um termo de cooperação que foi assinado entre a Organização Internacional do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho, para uma série de iniciativas visando o trabalho decente em algumas cadeias produtivas, dentre elas, a cadeia do cacau. E uma das etapas deste termo de cooperação era a realização de uma pesquisa.

Fui contratado pela OIT para executar a pesquisa porque a principal especialidade da nossa organização é estudar impactos sociais e ambientais em cadeias produtivas e distribuir a responsabilidade por violações de direitos também para os elos superiores dessas cadeias – que muitas vezes não estão no local onde ocorre a violação. Estão em outros estados, em outros países.

A partir desta necessidade de se fazer a pesquisa, nós trabalhamos durante um ano no mapeamento desta cadeia e na identificação dos elos que compõem essa cadeia. E a conclusão principal do estudo é de que a prática do trabalho infantil é recorrente na base da cadeia produtiva do cacau. Ela beneficia diretamente grandes processadoras de cacau sediadas no Brasil e vinculadas a empresas multinacionais e também às principais indústrias de alimentos que comercializam o chocolate.

Outra questão importante da pesquisa foi identificar fraudes nos processos de meação, em que metade da produção de uma propriedade ficaria com o agricultor e metade com o dono da terra. O que nós identificamos é que esse processo de meação é usado como mecanismo para esconder práticas de violações de direitos, inclusive trabalho escravo. E o terceiro ponto importante é que há uma extensa rede de atravessadores que se utilizam de fraudes fiscais, de sonegação de impostos e compram esse cacau de agricultores para, posteriormente, entregar nas grandes processadoras de cacau, nas grandes moageiras.

Em que sentido as multinacionais se beneficiam dessa exploração infantil?

As multinacionais do setor de alimentos e de processamento de cacau para fabricação do chocolate se beneficiam diretamente do trabalho infantil porque elas conseguem um produto mais barato quando as famílias usam os seus filhos nas etapas de colheita e do primeiro beneficiamento do cacau, que é feito na própria terra, na propriedade, que é a fermentação desse cacau.

O preço que é pago pelas moageiras, via atravessadores, não permite que o agricultor possa contratar o serviço de uma pessoa adulta para ajudar nessa atividade. Então, esses agricultores colocam os seus filhos e entregam o cacau para atravessadores que posteriormente vendem para grandes empresas. Esse negócio é totalmente à margem da legislação, porque ele é feito sem nota e sem nenhuma atuação de acordo com as obrigações fiscais.

Quem tem a responsabilidade de mudar essa situação?

A primeira responsabilidade é das multinacionais de cacau e chocolate. Porque se você pesquisar nos sites destas corporações o que elas dizem que fazem em relação ao monitoramento da cadeia produtiva, se você for verificar as práticas que elas dizem adotar, elas de fato não adotam. Porque os relatórios de sustentabilidade e responsabilidade social das grandes multinacionais do setor de alimentos dizem que elas não admitem trabalho escravo ou trabalho infantil nas suas cadeias produtivas e que elas fazem ou adotam uma série de protocolos para enfrentar esta questão.

Contudo, não há como identificar em que regiões é feito este monitoramento, não há dados que permitam mensurar os resultados ou dados que permitam acompanhar historicamente o avanço no monitoramento dessa cadeia produtiva. Então, são relatórios que se apresentam como fatos, mas que na verdade são cartas de intenções sem nenhuma possibilidade de comprovação.

E o governo federal?

Existe uma responsabilidade do governo federal, na medida em que ele sucateou os órgãos de fiscalização ou cortou brutalmente as verbas usadas nas operações de fiscalização – que não permitem que os fiscais, que os auditores do trabalho possam sair dos seus escritórios e verificar quais são as condições de trabalho no campo. Existem hoje, em diversos locais do Brasil, escritórios do Ministério do Trabalho ou auditores que não têm sequer computadores. Eles têm carro, mas não têm combustível. Às vezes, não têm nem o próprio carro, precisa vir de outra cidade. Então, é uma estrutura de gestão intencional, no meu entendimento, que inviabiliza um acompanhamento mais próximo das autoridades.

A gente pode afirmar que todo chocolate no mercado está contaminado com trabalho infantil?

Todo chocolate à venda hoje no Brasil está contaminado pelo trabalho infantil. Essa informação eu posso dizer de forma categórica. Por quê? Como não há monitoramento da origem deste cacau, mesmo o cacau que não foi produzido pela mão de obra infantil é indistinguível.

As exceções ficam por conta de determinadas marcas de chocolates especiais onde os compradores fazem questão, aí sim, de monitorar suas cadeias produtivas, seus processos de compras, e verificar se na propriedade não está havendo violações de direito. Mas isso representa uma parcela muito pequena, quase insignificante.

O que mais me impressionou foi a situação de abandono dessas famílias por parte da cadeia produtiva que precisa delas para obter lucros bastante significativos. A família produtora de cacau é o principal ator nessa cadeia e, ao mesmo tempo, é a principal vítima de um processo predatório, desumano, e que não leva em conta os direitos fundamentais da pessoa humana. A situação é muito grave.

Apesar de a indústria do chocolate ser altamente lucrativa, os municípios produtores apresentam baixos índices de desenvolvimento humano. Por que isso acontece?

Do município onde estão os armazéns, controlados pelos atravessadores, a arrecadação de impostos é de dezenas de milhões. Já nas cidades onde efetivamente o cacau é produzido, não se arrecada nada. Por quê? Com a figura do atravessador, ocorrem operações sem nota fiscal, operações fraudulentas, e que objetivam especificamente extrair o cacau ao menor preço possível. E aí entra a questão do trabalho infantil, do trabalho escravo, de condições degradantes e das operações feitas por esses atravessadores para tirar o cacau dessas cidades, levar para onde se processa e, a partir daí, entrar em uma cadeia produtiva que acaba gerando lucro apenas para as grandes empresas.

O atravessador tem o controle sobre a vida e sobre a morte dessas famílias que produzem o cacau. Isso porque ele está a serviço das grandes processadoras de cacau e a missão dele não é ajudar essas famílias. A missão dele é obter o cacau pelo menor valor possível. E é uma rede de atravessadores. Você tem nas localidades pequenos atravessadores, que têm lá seu caminhãozinho que leva para um armazém, ou o agricultor entrega diretamente para esse armazém, que são dezenas nos municípios produtores. E esse pequeno atravessador entrega para um maior. No caso do Pará, ele entrega em Altamira, e esse atravessador maior entrega nas grandes processadoras de cacau, no sul da Bahia, onde se concentra grande parte do processamento de cacau no país.

Então, a figura do atravessador é muito conveniente para as grandes processadoras e para as grandes empresas do setor de alimentos. E ele é muito opressivo do ponto de vista das famílias que produzem. Há casos, por exemplo, em que o agricultor troca o cacau por comida.

Que mensagem fica para os consumidores, empresas e governos?

Se até a semana passada as grandes empresas de cacau e de alimentos e de fabricação de chocolate poderiam dizer que desconheciam a existência de violações graves de direitos humanos em suas cadeias produtivas, isso já não pode mais ser visto como algo factível. A partir da divulgação dessa pesquisa, as grandes processadoras e as grandes marcas de chocolate precisam dar uma resposta contundente para sanar essas questões inaceitáveis que acontecem na cadeia produtiva do cacau e do chocolate.


Brasil de Fato via Portal CTB

Caminhos para a resistência e desafios para a classe trabalhadora”. Este é o tema do seminário que a CTB Bahia realiza nos dias 6 e 7 de dezembro, no auditório da Assufba Sindicato, no bairro da Federação, em Salvador.

Voltado para a direção plena, presidentes, secretários gerais, coordenadores financeiros e de comunicação dos sindicatos filiados, o encontro tem o objetivo de debater o atual momento político complexo e delicado vivido pelo país, além de buscar caminhos para essa resistência, diante dos constantes ataques aos trabalhadores.

O presidente da CTB Bahia, Pascoal Carneiro, reforça o convite, ressaltando que a presença dos representantes dos sindicatos filiados à CTB é de suma importância. O seminário será uma oportunidade para debater e planejar como enfrentar as dificuldades que iremos enfrentar no futuro; a democracia é um valor que não podemos perder de vista pois interessa a todos nós, trabalhadores”, concluiu.

Confira a programação completa do seminário:

Dia 6 de dezembro – quinta-feira

Horário: 9 às 12h30 e 14h às 17h

Analise de Conjuntura;

Informes das resoluções da Direção Nacional da CTB;

Agendas de lutas Nacional e Estadual para o 1º trimestre de 2019;

Apresentação da situação financeira da CTB estadual;

Balanço político da CTB Estadual e das Regionais do ano de 2018;

Debate.

Dia 7 de dezembro – sexta-feira

Horário: 9h às 13h

Apresentação da proposta cooperação das secretarias de comunicação dos sindicatos a secretaria de comunicação da CTB estadual para os novos desafios da classe trabalhadora;

Informes das atividades realizadas pelas secretarias estaduais em 2018;

Debate sobre a participação da CTB nas eleições de entidades sindicais em 2019;

Debate/Encerramento.

Fonte: Feebbase

A chamada “geração nem nem” alcançou o maior percentual e colocou o Brasil entre nove países da América Latina e Caribe com essa realidade. A média para a região é de 21% dos jovens, o equivalente a 20 milhões de pessoas, que não estudam nem trabalham.

Os dados são de pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que 23% dos jovens brasileiros não trabalham e nem estudam (jovens nem-nem), na maioria mulheres e de baixa renda.

O estudo Millennials na América e no Caribe: trabalhar ou estudar? sobre jovens latino-americanos foi lançado hoje (3) durante um seminário no Ipea, em Brasília. Os dados envolvem mais de 15 mil jovens entre 15 e 24 anos de nove países: Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Haiti, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

De acordo com a pesquisa, entre as atividades mais realizadas pelos jovens nem-nem no Brasil, 79% envolve negócios ou trabalhos domésticos; 44% os cuidados familiares e 36% estão procurando trabalho.

As razões para esse cenário, de acordo com o estudo, são problemas com habilidades cognitivas e socioemocionais, falta de políticas públicas, obrigações familiares com parentes e filhos, entre outros.

No mesmo grupo estão o México, com 25% de jovens que não estudam nem trabalham, e El Salvador, com 24%. No outro extremo está o Chile, onde apenas 14% dos jovens pesquisados estão nessa situação.

Portal CTB – Com informações das agências

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou nesta terça-feira (4) uma carta ao 4º Congresso Mundial da CSI (Confederação Sindical Internacional), em Copenhagen. O evento, que reuniu trabalhadores de todo o mundo, teve como uma das pautas a defesa da liberdade de Lula, preso político há quase oito meses. “Temos uma grande batalha pela frente, mas saber que podemos contar com a solidariedade incondicional de milhões de trabalhadores e trabalhadoras nos dá ainda mais convicção de que vamos vencer mais essa”, escreveu o ex-presidente. Leia a íntegra:

“Queridos companheiras e companheiros,

É com grande alegria que me dirijo aos participantes do Quarto Congresso da Confederação Sindical Internacional. Os temas que serão debatidos por vocês em Copenhagen são fundamentais e estão no centro da batalha que temos que travar no mundo e também aqui no Brasil. Hoje, mais do que nunca, precisamos de um movimento sindical forte e unido para, juntos, lutar pela democracia, resgatar e fortalecer os direitos trabalhistas e alcançar uma sociedade mais justa e igualitária.

No Brasil, nossa jovem democracia vem sendo duramente atacada. Dois anos atrás, um golpe de Estado destituiu a presidenta eleita Dilma Rousseff, jogando o país no caos. Direitos sociais foram retirados em benefício do mercado especulativo e de interesses corporativos nacionais e estrangeiros. Este ano, apesar de liderar as pesquisas eleitorais, fui impedido de concorrer à presidência da República.

O povo brasileiro não pôde, assim, exercer o direito de eleger livremente seus representantes. Foi para alcançar esse objetivo que fui condenado sem nenhuma prova. Mesmo assim, venho enfrentando todas as acusações infundadas contra mim com base na lei. Recentemente, o Comitê de Direitos Humanos da ONU acatou minhas alegações e reconheceu meus direitos políticos. Poucos dias atrás, como prova clara dessa perseguição política, o juiz que me condenou de maneira ilegal, abandonou a magistratura e aceitou tornar-se ministro do governo de extrema direita que assumirá o poder no Brasil.

A verdade é que os nossos adversários nunca aceitaram o legado que deixamos ao país. Mas eles estão muito enganados se pensam que iremos nos render assim tão fácil. O Partido dos Trabalhadores nasceu da resistência à ditadura e, mesmo nos momentos mais difíceis, nunca desistimos. Pelo contrário, lutamos e alcançamos a redemocratização do país. Anos depois, chegamos ao governo, retiramos 36 milhões de pessoas da miséria e geramos 20 milhões de empregos formais. É por isso que seguiremos de cabeça erguida para defender a democracia e os direitos conquistados por nosso povo.

Quero finalizar agradecendo de coração a todas as mensagens de solidariedade que tenho recebido e pelos diversos atos que o movimento sindical internacional realizou ao redor do mundo exigindo o fim das inúmeras arbitrariedades cometidas contra mim e a democracia brasileira. Temos uma grande batalha pela frente, mas saber que podemos contar com a solidariedade incondicional de milhões de trabalhadores e trabalhadoras nos dá ainda mais convicção de que vamos vencer mais essa.

Um abraço fraterno, 
Luiz Inácio Lula da Silva”

Fonte: Portal CTB

Quem tenta minimizar a importância da extinção do Ministério do Trabalho, confirmada pelo ministro Onyx Lorenzoni, como uma decisão de natureza simbólica, só precisa lembrar-se de uma verdade elementar das sociedades humanas– os símbolos verdadeiros nunca são apenas símbolos. Neste caso, a novidade se traduz em moeda sonante. Com o fim do Ministério, os fundos do FGTS e do FAT passam aos cuidados do guru econômico Paulo Guedes, guardião do capital financeiro no governo Bolsonaro.

A medida, de caráter nitidamente anti-democrática e anti-social, está em linha com a estratégia destinada a silenciar os trabalhadores e fechar todos os canais organizados que possam ser uteis ao avanço de suas reivindicações nesta segunda década do século XXI. Faz parte de um processo brutal de reversão histórica iniciado pela aliança que manda no país — mandar é diferente de governar, vamos lembrar — desde o golpe de 2016, aberto pela reforma trabalhista, pelo projeto de reforma da Previdência, seguido pelo desmantelamento das entidades sindicais e o encarceramento de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na atual contra-revolução institucional, o que se quer é reconstruir uma relação de forças selvagem, permanentemente voltada para a exploração econômica e submissão política das camadas subalternas, agora  desprovidas de qualquer anteparo destinado a confrontar as forças gigantescas interessadas apenas no seu suor, suas lágrimas e, às vezes, em seu sangue.

É sintomático que a dissolução e esquartejamento do Ministério do Trabalho em três partes, providência sob medida para apagar toda lembrança e impedir atuação efetiva, esteja sendo processado no mesmo momento histórico, pelo mesmo o grupo de trabalho, que prepara outra mudança institucional de vulto. A entrega do Banco Central para ser gerido e administrado, em regime de pacote fechado,  pelo capital financeiro, que se tornará senhor absoluto dos juros que fazem a economia crescer e/ou recuar.

Em 26 de novembro de 1930, quando Getúlio Vargas assinou o decreto que criou o Ministério do Trabalho e da Industria e Comércio, a historia do país atravessou uma linha divisória, um antes e depois em relação ao mundo escravocrata. Formalmente abolido em 1888, este universo se reproduzia pela República Velha, no qual a questão social permanecia como “caso de polícia”. Em 1930, o país fazia um esforço lúcido para encontrar seu lugar num mundo que, como hoje, se dividia entre potências em ascensão ou decadência.

O Ministério era o alicerce de um pacote de inclusão que trouxe o reconhecimento dos sindicatos, preparou várias leis trabalhistas e mais tarde, num processo lento, com avanços, sabotagens e recuos, incluiu uma justiça destinada a tentar disciplinar um empresariado  que nunca abandonou completamente as vantagens comparativas de senzalas que nunca foram completamente extintas.

A diferença crucial daquele momento em relação ao tempo de Bolsonaro-Temer é que  nem o país nem o governo pretendiam entregar o presente e o futuro de seus filhos a um patrão estrangeiro, como ocorre no curso alucinógeno de nossos dias, com poucos paralelos na existência humana.

Há quase 90 anos a criação do Ministério do Trabalho foi uma das primeiras providências após a queda da República Velha. Ajudou a deixar a claro que trabalhadores e trabalhadoras passavam a ser reconhecidos como uma força indispensável a vida social, que precisavam ser acolhidos e ouvidos pelo sistema político. Eram parte de uma nação em busca de sua soberania.

Não há dúvida de que essa iniciativa civilizadora ajuda a explicar porque, num discurso em 1936, o presidente dos EUA Franklin Roosevelt definiu Getúlio como uma  “das pessoas que inventaram o New Deal”. Empenhado em derrotar o inferno financeiro de 1929, que já projetava a sombra do nazi-fascismo na Europa inteira, o keynesiano Roosevelt apostava –  como Getúlio —  na  intervenção do estado a partir  de amplos programas de investimentos públicos para estimular o crescimento econômico e derrotar o inferno financeiro.

Essa visão incluía a proteção e fortalecimento dos sindicatos. Antes alvejados pela ação de quadrilhas de gangsters a serviço do patronato, passaram a ser vistos como instrumentos úteis para o fortalecimento de uma economia saudável. Também  permitia a elaboração de leis trabalhistas e programas sociais voltados para a recuperação da massa de excluídos e miseráveis que décadas mais tarde seriam retratados em romances e filmes sobre a Grande Depressão.

No Brasil de 2018, a destruição do Ministério do Trabalho e aquilo que ele representa é uma das metas indispensáveis do projeto de gestão econômica do guru Paulo Guedes, adversário ideológico e assumido de toda e qualquer iniciativa que possa ser identificada — mesmo de longe — com a social-democracia.

Na história econômica que se inicia no final da Segunda Guerra Mundial, os sistemas de bem-estar social foram construídos como uma resposta institucional às crises cada vez mais profundas do capitalismo que, ontem como hoje, costumam abrir caminho ao fascismo. Nas palavras do cientista político Adam Przeworski, fez-se um pacto de mutua sobrevivência mútua. Enquanto as  lideranças operárias abriam mão de um programa radical de eliminação da propriedade privada, o patronato assegurava o acesso dos trabalhadores a benefícios e direitos impensáveis nas décadas anteriores. Com os limites e horizontes definidos por um país de renda mídia, uma história de soberania que não se completou, não há dúvida que o Ministério do Trabalho era parte desse processo.

Também não é difícil reconhecer os benefícios que produziu. Principal luta de trabalhadores das primeiras décadas do século passado, a greve geral de 1917 deixou o registro de um sistema político falido, justamente pela incapacidade de encontrar um local civilizado para as camadas debaixo.

Incapazes de uma negociação civilizada com milhares de empregados, os grandes empresários da época foram obrigados a convocar os donos dos grandes jornais de São Paulo para sentar-se à mesa com lideranças operárias e negociar reivindicações que permitiram o fim de uma paralisação que já assumia o caráter de uma greve insurrecional.

Derrotados nas tentativas de dobrar a mobilização operária pela violência, na etapa seguinte os governantes colocaram  a polícia para perseguir e expulsar as lideranças mais destacadas, em maioria imigrantes recém-chegados da Europa. Numa ação de vingança e extermínio, lideres operários foram sequestrados, executados e enterrados clandestinamente no cemitério paulistano do Aracá, escreve José Luiz del Royo, no livro “A greve de 1917″.

Alguma dúvida, 101 anos depois?

Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela Democracia

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela democracia)

Fonte: Portal CTB

Informações publicadas na segunda (3) pelo jornal Folha de São Paulo comprova o desinteresse dos médicos pela medicina da família. Dados obtidos do Ministério da Educação  mostram que a adesão a esse modelo ainda é baixa. Neste ano, de 3.587 vagas autorizadas para ingresso na residência em medicina da família, só 1.183 foram preenchidas —33%.

Mais Médicos: população mais carente ficará sem o atendimento de 8.300 profissionais

Os números do sucesso do “Mais Médicos”

Hoje, o país tem 6.000 especialistas em medicina da família e comunidade, menos de 2% do total de médicos.

O desinteresse é proporcional à necessidade: nos últimos cinco anos, o número de vagas para a especialidade cuja principal função é prestar cuidados de saúde e prevenir doenças de uma comunidade cresceu mais de 260%, de 991 para 3.587.

Foi exatamente esse déficit logístico e profissional que fez com que os Programa Mais Médicos procurasse parceria para ter profissionais cubanos nos últimos anos.

Portal CTB – Com informações das agências