Por Marcos Aurélio Ruy

Em homenagem à Francisca Edwiges Neves Gonzaga, conhecida como Chiquinha Gonzaga, que nasceu em 17 de outubro de 1847, em maio de 2012, foi sancionada a Lei 12.624, criando o Dia Nacional da Música Popular Brasileira. Além de ser uma mulher livre, a compositora carioca foi a primeira a compor uma marchinha de carnaval, a conhecidíssima Ó Abre Alas, de 1899.

Chiquinha Gonzaga faleceu em 28 de fevereiro de 1935, mas deixou a sua marca em diversos grandes músicos brasileiros. Ela também foi pianista, regente e fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, em 27 de setembro de 1917.

Ó Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga

Antes de mais nada é necessário distinguir duas coisas: se insere na música popular brasileira toda produção musical de cunho popular feita no país, isso abrange o chorinho, o samba, o maxixe, o frevo, o forró, o baião, a música caipira, a moda de viola, o rock, o rap, o funk e outros gêneros musicais.

Já a denominação MPB se originou por causa de grandes compositores surgidos a partir dos anos 1960. Como os críticos não tinham como definir propriamente a que gênero musical essas canções pertenciam, chamaram de MPB, que acabou e tornando um gênero musical bastante amplo.

Se há uma expressão artística do país que não deve nada a ninguém é a nossa música popular, rica e diversificada. Chamado de “maestro soberano” na canção Paratodos, de Chico Buarque, Tom Jobim (1927-1994) disse certa vez que existe a música norte-americana, a cubana e a brasileira, “o resto é valsa”. Exageros à parte, o que Jobim quis dizer é que a música popular brasileira é respeitada e admirada em todo o mundo.

Foi Jobim que sistematizou a bossa nova, movimento dos anos 1950-60 que transformou a música popular brasileira e influenciou tudo o que veio depois. Até a tropicália, a jovem guarda e o manguebeat, altamente influenciados pelo rock.

Inclusive a identidade nacional do país foi forjada através do samba, gênero musical genuinamente brasileiro, mais enraizado nacionalmente, mesmo com suas diferenças regionais, nos anos 1930-40. Lembrando que a maioria dos nossos ritmos têm o continente africano como matriz, com influência indígena e europeia.

Paratodos, de Chico Buarque

A música popular brasileira deve ser reverenciada em todos os sentidos por marcar tanto a vida do país ao transmitir em versos e acordes todo o sentimento de uma nação na labuta diária contra o complexo de vira-latas, que menospreza tudo o que tem origem popular e venera qualquer coisa que venha de fora.

De Pixinguinha (1897-1973) a Chico Science (1966-1997), a música popular brasileira canta os amores, as dores, a vida de um povo único, que é bem “mais sábio que quem o quer governar”, como dizem os versos de Notícias do Brasil, de Fernando Brant e Milton Nascimento.

Aliás, Milton Nascimento, em entrevista recente, falou que faltam talentos na música popular brasileira contemporânea, num desconhecimento total da força dos novos talentos que estão aí para mostrar que a nossa música se renova constantemente e, portanto, “o novo sempre vem”, como bem disse Belchior em Como os Nossos Pais.

Por tudo isso, vê-se que a música popular brasileira expressa o nosso cotidiano e nos renova todos os dias na força de resistir e batalhar pelo novo, pelo Brasil dos nossos sonhos, sem desigualdades tão estarrecedoras.

Festa Imodesta, de Caetano Veloso

Nestes tempos sombrios, marcado pelo culto ao desconhecimento, pela discriminação, pelo ódio e pela violência é fundamental valorizar a música popular brasileira, pela qual um grande número de autoras e autores que se firmaram e se firmam contra o status quo, em defesa da liberdade e da justiça.

Fonte: Portal CTB

Pessoas fazem fila em busca de oportunidades de emprego no centro de São Paulo

247 – Estudo elaborado em parceria por economistas e médicos brasileiros e do Reino Unido aponta que 31.415 brasileiros com 15 anos ou mais morreram em decorrência da crise econômica. Segundo a pesquisa, publicada pela Lancet Global Health, uma das mais respeitadas revistas científicas da área de saúde em todo o mundo, o aumento de um ponto percentual no índice de desemprego eleva em 0,5% a taxa de mortalidade.

Ainda conforme o levantamento, realizado em 5 mil cidades brasileiras, entre os anos de 2012 e 2017, o desemprego passou de 8,4% para 13,7%. No mesmo período, a taxa de mortalidade subiu 8%, saindo de 143 mortes por grupo de 100 mil habitantes para 154 mortes para cada gruo de 100 mil habitantes. A pesquisa aponta que cerca de metade destas mortes está relacionada à recessão econômica. 

A pesquisa constatou, ainda, que as mortes relacionadas à recessão foram menores nos municípios em que os gastos com programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, e com o Sistema Único de Saúde (SUS) foram maiores. 

Fonte: Brasil 247

 

15 out 2019

Centrais convocam ato em defesa dos sindicatos

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Centrais convocam ato em defesa dos sindicatos ]

Diante dos ataques recorrentes aos sindicatos, as centrais sindicais vão realizar um Ato Nacional pelo Fortalecimento das Entidades Sindicais, para o dia 4 de novembro, em São Paulo.


CTB, NCST e CSB também vão elaborar, de forma conjunta, uma nova proposta de Reforma Sindical preservando a Unicidade Sindical e o Sistema Confederativo consagrados no Artigo 8º da Constituição, considerados como pilares fundamentais da organização sindical brasileira.


As decisões foram tomadas em reunião no último dia 8, em Brasília, entre os dirigentes das centrais. Os sindicalistas assumiram ainda o compromisso de realizar ações unificadas e ampla articulação política para que o projeto ganhe peso frente a outras propostas sobre o tema.

Fonte: O Bancário

Por Marcos Aurélio Ruy

O Portal CTB presta uma merecida homenagem aos docentes brasileiros no Dia dos Professores – 15 de outubro. Ainda mais nestes duros tempos em que o magistério sofre sistemático e planejado ataques para disseminar o ódio ao saber, à cultura. Para vender a ideia de que, essencialmente, as classes populares não têm que se preocupar em ampliar os horizontes da vida.

Às professoras e professores da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), foi enviada a pergunta: o que é ser bom(a) professor(a) nestes tempos dominados pelo ódio ao conhecimento, à liberdade de ensinar e aprender e ao livre pensamento?

Anjos da Guarda, de Leci Brandão

Acompanhe as respostas:

Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB

Ser uma boa professora na atualidade é lutar para sobreviver em tempos de crise aguda e insistir na defesa de uma educação pública, de qualidade, inclusiva e com democracia. É permanecer atuante na exigência de ampliação dos investimentos nessa área tão essencial para o país e para a classe trabalhadora.

Nestes tempos sombrios, o nome das professoras e professores é resistência. Resistir aos intensos ataques à liberdade de cátedra e nos cortes das verbas, já poucas, para a educação pública. Resistir aos projetos de privatização para entregar a educação nas mãos de empresários despreocupados com o processo de ensino-aprendizagem, com melhorias nas condições de trabalho do magistério, na melhoria da infraestrutura das escolas, enfim sem nenhuma preocupação com o desenvolvimento do país e menos ainda com o combate às desigualdades.

Nosso nome é resistência ao lado dos estudantes que estão perdendo suas bolsas nas universidades federais, estaduais e municipais porque o Ministério da Educação está cortando as verbas para a pesquisa e extensão e dessa forma prejudicando a formação das professoras e professores.

Ser professora na atualidade é batalhar pela união de toda a sociedade em defesa da democracia, do serviço público e de um projeto de desenvolvimento soberano, com distribuição de riquezas e com a criação de um Sistema Nacional de Educação que abarque toda a sociedade, sem exclusão.

Berenice Darc, secretária de Relações de Gênero da CNTE

Ser uma boa professora é você responder sim ao desafio diário em favor de uma educação libertadora de mentes e corações sedentos de saber. É você ter compromisso com a construção de uma sociedade baseada em valores civilizatórios. É levar para a sala de aula toda a diversidade um país gigantesco e múltiplo como o nosso. É tentar mostrar às novas gerações a necessidade de defender a liberdade, a justiça e os direitos iguais.

Ser uma boa professora é se esforçar para impedir a dominação autoritária de nossas escolas e de nossa juventude. É participar ativamente da resistência a todo o tipo de censura e repressão ao pensamento livre. É você sonhar e permitir que a juventude sonhe e luta com você para construirmos o país dos nossos sonhos.

Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB

Ser uma boa professora é ter compromisso com a formação integral da criança e da juventude no conhecimento da história da humanidade e na defesa de uma vida digna para todos e todas com valorização da solidariedade e respeito pelo outro.

Claudete Alves, presidenta do Sindicato dos Educadores da Infância de São Paulo

Na atual conjuntura, para ser professora de educação infantil é preciso contar com uma dose de amor às crianças muito maior do que o amor que já sentimos ao abraçar essa carreira. E para isso ter um significado completo e precisamos ter em mente os ensinamentos de Paulo Freire fervilhando 24 horas nas veias. Ensinamentos sob re como respeitar a sabedoria das crianças, da comunidade e se inserir no processo de troca de conhecimentos.

Nestes tempos, ser professora significa estar na resistência ao arbítrio, à ignorância, ao ódio e à repressão.

Claudia Vitalino, diretora da CTB-RJ

Em tempos de Bolsonaro, ensinar história é arrumar inimigos. Está difícil manter a dita imparcialidade do ensino com pessoas que dizem que é “doutrinação” o ato de ensinar. Eles não entendem que educação é muito mais do que isso. É um ato de troca de saberes, um ato de amor.

As pessoas que defendem essa proposta de escola sem partido, precisa entender que a beleza da educação e da vida está da existência de diferentes pontos de vista. É a diversidade que enriquece o processo de ensino-aprendizagem.

Francisca Pereira da Rocha Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp e secretária de Saúde da CNTE

A atividade docente desde sempre envolve muita dedicação e amor à profissão, mas em tempos de Jair Bolsonaro na Presidência e João Doria no governo de São Paulo, essa dedicação e esse amor deve ser redobrados, como deve ser redobrado o engajamento na resistência para a construção de um sistema de educação abrangente e democrático, com ampla participação da sociedade, do magistério e da juventude.

A ofensiva conservadora contra a educação pública nos remete ao campo da mobilização e organização para combater as propostas de limitação do saber, assim como se postar na resistência à opressão e repressão às professoras e professores comprometidos com a educação pública, laica, inclusiva, democrática e de qualidade.

Helmilton José Gonçalves Beserra, presidente da CTB-PE

Um professor na atualidade é aquele que faça a resistência ao obscurantismo, que tenta se implantar em nosso meio. Levando às salas de aula a possibilidade de ampliação do conhecimento sobre as ciências, com muita reflexão filosófica para se contrapor às ideias rancorosas e sem base nenhuma sobre o mundo e a vida.

Precisamos conseguir elevar a capacidade da juventude pensar as relações humanas em suas várias dimensões: econômica, política e social, com muita capacidade didática do professor. Um exemplo: quando fui debater na Universidade Federal de Pernambuco o tema dos cortes da educação numa turma de Geografia, a professora me avisou da presença de eleitores de Bolsonaro para que eu tivesse cuidado na abordagem. Então, abordei primeiro tecnicamente os cortes, mostrando como seria ruim para a instituição. No avançar do debate fiz a abordagem política dos cortes.

Então, penso serem necessários alguns cuidados com o diálogo a ser feito para ampliarmos o leque em favor da educação com liberdade.

Isis Tavares, presidenta da CTB-AM

Ser professora nesta conjuntura de desmonte do Estado e avanço das pautas conservadoras tem dois lados. Primeiro é o temor de que as declarações de apoio do presidente à Lei da Mordaça, o famigerado projeto desonestamente batizado de “escola sem partido”, que criminaliza a profissão e estimula o desrespeito e denúncias de gestores/as, pais e estudantes do que consideram doutrinação ideológica. É se desdobrar em explicações de que a terra não é plana. É ir trabalhar sem a certeza que vai receber seu salário no dia certo e ainda recebê-lo parcelado, atrasando e acumulando juros nas suas contas pessoais. É saber que aumentou seu tempo de contribuição para a aposentadoria mas diminuíram os investimentos na infraestrutura das escolas, na sua saúde laboral, na sua formação e na valorização profissional que estão congelados por 20 anos.

É saber que o sonho expresso nos projetos político-pedagógicos de formação de sujeitos críticos que possam ser os protagonistas da construção de uma sociedade mais justa e fraterna, está cada vez mais longe porque a política educacional de Bolsonaro expressa por Weintraub é de negação da ciência e da tecnologia.

É saber que a política de austeridade de longo prazo visa a desprofissionalização docente e uma educação incipiente para os/as filhos/as dos/as trabalhadores/as que se tornarão mão de obra barata, desqualificada, sem direitos, com a consciência política rebaixada e sem forças para lutar.

Apesar da mediocridade e irresponsabilidade deste governo lesa pátria os/as professores/as também têm o lado da resistência. De quem se reinventa, acredita na mudança e continua na luta, porque como disse Paulo Freire: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”

Ivone Brasil, diretora da CTB-PA

No governo Bolsonaro a educação vive em clima de tensões com os cortes das verbas da área educacional, com a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, de limitações dos espaços democráticos e da incitacão a violência, todas estas circunstâncias afetam as práticas pedagógicas e o processo ensino aprendizagem do educando.

É um momento que exige muita unidade das entidades sindicais da área educacional, dos estudantes, representados pela UNE e Ubes, da nossa confederação, a CNTE, e as centrais sindicais para defender a educação, seus recursos e fundos de financiamentos, para garantir melhores condições de trabalho e da oferta de uma educação de qualidade, inclusiva e transformadora da sociedade e promotora de inclusão social para a classe trabalhadora.

Joelma Bandeira da Silva, diretora do Jurídico do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Estado do Amapá

Ser uma boa professora na atual conjuntura é estar atenta aos ataques que a educação pública sofre é manter os alunos esclarecidos e mobilizados pra resistir a todos os ataques. Acima de tudo sobre a Lei da Mordaça é da escola sem partido.

Josandra Rupf, secretária de Educação da CTB-ES

Nesses tempos de retrocesso ser professor é ser resistência.
Ser professor é acreditar que uma nova geração virá para apagar essa cultura de ódio e intolerância e transformar em amor e respeito ao próximo.

Ser professor e ter a certeza que podemos mudar o mundo. Ser professor é ser caminho para que crianças e jovens possam trilhar com base no conhecimento e possibilitar ações que transformem esse mundo.

José Carlos Madureira, diretor de Políticas Públicas da CTB-RJ

Na atualidade, ser um bom professor é ensinar valores democráticos e humanos para que a juventude desenvolva uma visão crítica de todos os acontecimentos. E que essa visão esteja baseada no conhecimento de nossa história e com bastante liberdade ajude a promover um amplo debate sobre a opressão que estamos sofrendo. A escola deve promover a inclusão e espalhar amor.

Lidiane Gomes, secretária de Igualde Racial da CTB-SP

Na atualidade, as professoras e professores precisam estar dispostos a se inserir num contexto de mediação do conhecimento. Para isso, é importante ter uma dialética na educação que proporcione conhecimento ao mesmo tempo em que é necessário proporcionar que o estudante construa novos conhecimentos.

Mas, mesmo com todas as tentativas de repressão à liberdade de cátedra, ao menos em São Paulo, não tem como não discutir determinados assuntos na escola em determinadas situações. O que os políticos têm que entender é que nada muda de um dia para o outro, nem a educação.

Porque o professor que defende o sistema capitalista vai continuar defendendo, assim como aqueles que têm uma visão mais coletivizada, do bem comum continuarão com essa visão.

O que se tem, e isso não é novidade, é a tentativa de exercer um controle da educação é muito importante para o projeto da elite de se controlar a mente da juventude. E as escolas particulares são as primeiras a aderir a essas propostas de controle, de tecnologização porque a elite deseja manter o controle da sociedade. E não tem sido diferente em nenhum momento histórico do país.

Ser uma boa professora não depende da vontade de nenhum governo. Depende da sua formação como pessoa e também da sua formação acadêmica. Ser uma boa professora depende do compromisso com a construção de uma sociedade justa.

Maria Reis, coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará, subsede Xinguara

Desde o golpe institucional e político com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, o presidente ilegítimo de Michel Temer implementou a PEC 95 que limita por 20 anos os gastos públicos, congelando os investimentos em educação, saúde e nas demais áreas sociais.

Temer, ainda aprovou a reforma trabalhista que foi outro forte ataque aos direitos da classe trabalhadora brasileira.

O governo Bolsonaro com o contingenciamento e cortes nas verbas da educação, representa outra forte medida ante democrática e na contramão das necessidades do país e de seu desenvolvimento, tendo a educação com o principal instrumento para isso.

Por exemplo, são R$ 348 milhões divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) de contingenciamento que afeta a compra e a distribuição de centenas de livros didáticos que atenderiam crianças do ensino fundamental Brasil afora.

Bolsonaro, e seu governo, ainda faz uma reforma previdência que atingirá os professores em sua aposentadoria especial e dificultará ainda mais o acesso à aposentadoria.

Diante deste conjunto de ataques a educação e seus profissionais, podemos afirmar que não é tarefa fácil ser professora ou professor no contexto do governo Bolsonaro. No entanto, os professores e o povo brasileiro resistirá aos ataques e virará está página negativa da governabilidade brasileira, para retomar o Estado democrático de direitos e enquanto instrumento de impulsionador do desenvolvimento do país para todos os brasileiros e brasileiras.

Railton Souza, presidente da CTB-GO

Nestes tempos terríveis para a classe trabalhadora, especialmente para as professoras e professores, quando o governo federal age todos os dias para a destruição do sistema público de educação, pela privatização da universidade pública, contra a ciência, contra a filosofia, contra a inteligência, ser professor é resistir.

Para isso, é fundamental articular-se junta à sua categoria, à sua classe e trabalhar em sala de aula a verdade que a ciência consagrou, trabalhar o pensamento crítico, trabalhar a construção de autonomia dos alunos. Trabalhar acima de tudo, a liberdade de pensamento, uma conquista fundamental da era moderna, consolidada com o iluminismo, com a Revolução Francesa.

Ser professor é resistir, é trabalhar pela democracia, pela cidadania. Ser professor é construir no presente o futuro.

Raimunda Gomes (Doquinha), secretária de Comunicação da CTB

Ser professora nos dias atuais é lutar contra o obscurantismo que se instalou no Brasil. É Lutar intransigentemente pela liberdade de cátedra. Para que uma geração inteira não seja impedida de exercer o livre pensamento, possa questionar o “status quo”. Ser professora é se desafiar a cada dia, apesar da falta de incentivo e valorização.

Robson Câmara, secretário de Formação da CTB-DF

Na atual conjuntura, um professor tem que saber distinguir a cápsula fascista no discurso da direita. O fascismo tem sua origem em valores autocráticos e caráter ditatorial. A escola sem partido e as propostas de escola “cívico-militar” fazem parte à contraposição progressista que ainda permeia a educação brasileira.

Rosa Mônica, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública Municipal de Santana do Araguaia, no Pará

O governo Bolsonaro está estimulando a violência que afeta as pessoas, as famílias, as escolas e a sociedade como um todo. Suas declarações estimula os instintos relacionados com a morte, a violência, o ódio, o extermínio de minorias sociais e a destruição de grupos sociais.

Neste cenário, é fundamental a participação efetiva da sociedade, dos movimentos sociais, das comunidades, das escolas e das igrejas nesse processo de combate à violência e de criação de valores relacionados com a vida, com a paz e a solidariedade, que estimule a defesa dos direitos humanos e a valorização do ser humano enquanto pessoas de direitos e sentimentos que precisam serem respeitados e valorizados.

No contexto de um governo reacionário, o profissional da educação, em especial as professoras e professores, são as principais vítimas das mais variadas formas de violações de suas prerrogativas e autoridade e, até mesmo, a violência física. Resistiremos e seguiremos na defesa da educação pública, laica, e de qualidade social para os alunos e enquanto ambientes agradáveis e adequados as práticas pedagógicas, com valorização profissional dos trabalhadores e trabalhadoras da educação básica.

Rosa Pacheco, secretária da Mulher da CTB-PR

Ser uma boa professora na conjuntura que vivenciamos é ter a capacidade de transgredir as regras atuais impostas às escolas e ao mesmo tempo desenvolver a capacidade de crítica nos alunos para que se percebam como atores da história e sintam prazer em estar na escola e descubram a importância de desvendar os mistérios do mundo e da vida.

Silvana Conti, vice-presidenta da CTB-RS

Ser uma boa professora é compreender o significado das palavras do mestre Paulo Freire: “Se a educação não transforma sozinha a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda. Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, não temos outro caminho se não vivermos plenamente nossa opção. Encarná-la, diminuindo assim a distância entre o que dizemos e o que fazemos.”

Portanto, ser professora hoje é defender a construção de um programa de educação que se comprometa com um projeto de cidade, de estado e de nação. Que seja democrático, soberano, igualitário, equânime e justo, que dialogue com o Plano Nacional de Educação, que é a nossa ferramenta política e pedagógica que teve como princípio a participação de quem faz e pensa a educação brasileira.

É importante defender um programa que dialogue com os movimentos sociais e amplos setores da sociedade. Defender a educação pública, laica e de qualidade social, que garanta o acesso e a permanência a todas e todos, independente da sua classe social, origem, religiosidade, raça/etnia, deficiências, orientação sexual, identidade de gênero e toda e qualquer diversidade e especificidade.
Temos o compromisso e o grande desafio de continuarmos acumulando forças e dialogando com toda a população, a fim de seguirmos na construção de uma grande Frente em Defesa da Democracia, da soberania nacional e da educação pública de qualidade. “A unidade como bandeira da esperança, e a chave da nossa vitória.”

Silvia Regina Gracindo de Abreu, professora do ensino fundamental 2, de São José dos Campos (SP)

Mais do que tudo, atualmente, ser uma professora é tentar manter a esperança dos alunos no futuro.

Sempre digo aos meus alunos que para melhorar de vida devemos estudar. A escola é o caminho para conseguir ter um futuro melhor e que não conheço outro caminho. Tento fazer com que esses alunos continuem a fazer planos para o seu futuro e que esse futuro tenha a escola como o caminho para atingir o objetivo. Esse é o nosso maior desafio no momento. Porque percebemos hoje é que a educação está longe de ser a prioridade nesse governo obscurantista.

Solange da Silva Carvalho, primeira vice-presidenta do Cpers Sindicato (RS)

Ser professora em tempos de Bolsonaro, é sofrer com a perseguição feita contra educadores (as) e ataques à educação. E tentar sobreviver com o achatamento salarial, em meio a uma onda conservadora da sociedade.

É saber que apesar de tudo isso, vale a pena desempenhar a nossa profissão porque ela nos renova todo dia, devido às relações humanas que se estabelecem nas escolas e nos faz nos sentirmos como elementos importantes no processo educação, principalmente neste momento.

Valéria Conceição da Silva, vice-presidenta do Sintepe

Para ser uma boa professora atualmente é importante manter-se firme na defesa da educação pública, com gestão pública e seguir defendendo uma escola democrática, gratuita, inclusiva e laica.

Valéria Morato, presidenta da CTB-MG

Ser professora nestes tempos é um exercício de resistência. É lutar pelo direito de ensinar e pelo direito do estudante aprender. Ensinar a enxergar o mundo conforme o mundo é: diverso, plural, amplo. Aliás, ser professora em tempos de opressão, medo, violência e ignorância, é lutar pela ciência e o direito de ensinar que a Terra é redonda.

Por Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

Em mais de 100 anos de existência, o cinema tem sido uma janela para a compreensão da vida. Como nesta terça-feira (15) comemora-se o Dia do Professor, o Portal CTB homenageia o as educadoras e educadores, que com o seu trabalho ajudam o país a vencer a ignorância, o preconceito e o ódio.

Além da Sala de Aula (2011), Jeff Bleckner, EUA

Baseado em uma história real, o filme retrata a trajetória de uma iniciante na carreira docente que vence seus medos e preconceitos ao assumir uma sala de aula em um abrigo para sem tetos. Inicialmente a pobreza de seus alunos e a falta de estrutura da escola a assusta, mas com o passar do tempo, ela se integra e passa a entender como sua a tarefa de ajudar essas crianças a terem uma chance no futuro.

Filme completo

Nenhum a Menos (1999), Yimou Zhang, China

Também baseado em uma história real, ao se afastar de sua atividade numa escola rural da China, um professor encontra uma menina de apenas 13 anos para substituí-lo. A principal recomendação que faz é que não quer encontrar nenhum aluno a menos em seu retorno.

A criança que assume as aulas para ajudar no orçamento doméstico, com o tempo vai se apegando ao trabalho e se conscientizando sobre a necessidade de estudar para melhorar de vida. A menina leva a sério a recomendação quando uma criança vai para a cidade grande em busca de uma forma de ajudar financeiramente a sua família.

A trajetória da protagonista remete a uma importante discussão sobre a necessidade de amplos investimentos em educação par a propiciar a chance de melhores possibilidades de vida no futuro. A menina usa da necessidade de juntar dinheiro para viajar e buscar o aluno que se foi para as aulas de matemática, envolvendo a todos como faz uma boa professora.

Veja completo

Numa Escola de Havana (2015), de Ernesto Daranas, Cuba

Para quem ainda acredita que não existe liberdade em Cuba, o filme Numa Escola de Havana desfaz essa crença. O diretor Daranas mostra com realismo a situação do país e a importância da professora na vida de um menino de 11 anos, que tem a mãe viciada em drogas.

Com a saída dessa professora, o menino não se adapta ao estilo da substituta. Ela então, indica o encaminhamento do menino a um internato. Quando a professora titular reassume essa determinação é desfeita. Obra enternecedora sobre solidariedade humana e o papel libertador de uma educação comprometida.

Imperdível

Escritores da Liberdade (2007), Richard Lagravenese, EUA

Baseado em histórias reais retratadas no livro “Diário dos Escritores da Liberdade”, Lagravenese mostra como a professora consegue conquistar sua turma, numa escola dominada pela violência e pelo desinteresse nos estudos.

Após diversos embates composta em sua maioria por negros e hispânicos, ela consegue que os alunos escrevam sobre as suas vidas e dessa forma vai aproximando uns dos outros e mostrando o objetivo da educação num país capitalista dominado pelo preconceito como são os Estados Unidos.

Confira

Como Estrelas na Terra – Toda Criança É Especial (2007), de Aamir Khan, Índia

Um professor de Artes percebe que um de seus alunos sofre de dislexia e passa a conduzir suas aulas de uma forma a incluir esse aluno e mostra que muitas pessoas famosas importantes sofreram desse mal. O menino sofre, inclusive, de rejeição em sua família e a escola, através desse professor cumpre o seu papel de mostrar que toda criança deve ser tratada como especial.

Assista

Entre os Muros da Escola (2008), de Laurent Cantet, França

O filme retrata a rotina de uma escola onde predomina a discriminação, a falta de estímulo aos estudos e a juventude sem perspectivas com a crise econômica e o preconceito contra os mais pobres

Cantet discute o papel da escola entre os muros, onde a responsabilidade sobre o que acontece com os alunos é totalmente do Estado. Mostra uma escola sem estrutura básica e profissionais desmotivados perante o abandono da educação pública e por isso não motivam os alunos.

Acompanhe

O Jarro (1992), Ebrahim Foruzesh, Irã

O filme debate o papel da escola e do professor numa comunidade pobre no deserto no Irã. O jarro que contém água para as crianças sofre uma trincadura e uma ampla diversidade de soluções começa a surgir com a escola no centro do debate e conflitos sobre as causas e consequências do problema com o jarro.

Veja o filme completo

Sociedade dos Poetas Mortos (1989), de Peter Weir, EUA

Com a chegada de um professor de Literatura com métodos inovadores em uma escola extremamente conservadora, os problemas vão acontecendo quando um grupo de adolescentes resolve aderir às propostas de mudança.

A maneira inovadora de se relacionar com os alunos acarreta uma infinidade de problemas ao professor e as discussões giram em torno do papel da escola e da família em uma sociedade patriarcal, sem ter o costume do diálogo, principalmente com os mais jovens.

Assista

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“Apagar o professor é apagar o futuro.”

Por Maria Clotilde Lemos Petta, professora, dirigente da Contee*

A data comemorativa do Dia do Professor — 15 de outubro —, neste final da segunda década do século XXI, deve ser oportunidade para uma reflexão sobre o papel deste profissional na sociedade glorificada como sendo do “conhecimento”. Se, por um lado, ao nível do discurso, a educação, e em decorrência o professor, são considerados como decisivos para o futuro das novas gerações e nações, paradoxalmente as condições de trabalho dos professores é marcada pela instabilidade, a precariedade, a intensificação do trabalho docente com tendência  inclusive de desprofissionalização.  

O português António Nóvoa, um dos maiores especialistas mundiais em formação de professores, aponta também outro paradoxo: a glorificação da sociedade do “conhecimento” se contrapõe com a dificuldade da formação inicial de qualidade na formação continuada dos professores e com o desprestígio acentuado desse profissional. Essa realidade é contraditória, na medida em que, embora os professores sejam atingidos pela desvalorização, continuam com o papel principal na organização do processo ensino-aprendizagem.

No Brasil, com a atual onda conservadora e antidemocrática reforçada pelo governo Bolsonaro, nega-se o papel crucial da ciência e das pesquisas científicas e promove-se todo tipo de ataques à educação e ao professor. O Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), no dia 2 de outubro, em Brasília, no ato “Educação pública, ciência, tecnologia e soberania do Brasil: Não tirem o dinheiro da educação básica e das universidades públicas”, denuncia que “estamos diante da maior ofensiva das elites contra o direito à educação no país”.

Diante deste quadro adverso, crescem pelas várias regiões do país iniciativas de organização de resistência para o enfrentamento às medidas regressivas, arbitrárias e autoritárias do atual governo. Na cidade de Campinas (SP) professores e professoras dos setores público e privado, dos diferentes níveis educacionais, se uniram na organização de uma “Frente ampla em defesa da educação e pela valorização dos professores”. Uma primeira iniciativa dessa Frente foi a construção de uma agenda unitária dos eventos promovidos pelas diferentes organizações no mês de outubro. O “Outubro Unificado em defesa da educação e dos professores” tem implementado uma agenda muito diversa, com atos, debates, palestras, seminários, atividades culturais, festas, caminhadas, com destaque para a mobilização para a Assembleia Extraordinária da Unicamp, em defesa da ciência, da educação e da autonomia universitária no país.

Nessa agenda de lutas, tem-se buscado também uma maior aproximação com setores populares, buscando alertar a população para as consequências desses ataques para o futuro da sociedade brasileira. Neste sentido, foi organizado um evento denominado Ciência na Praça, alternando  atividades culturais (teatro, atividade circense e coral) com  aulas públicas e demonstração de pesquisas científicas, buscando aumentar a consciência sobre conquistas que só foram possíveis graças ao trabalho de professores, pesquisadores e estudantes. As aula públicas objetivaram também fomentar o debate sobre temas educacionais candentes no atual momento. Entre esses destacamos “A educação e os direitos humanos no Brasil”; “Conversa sobre educação climática com a apresentação de uma maquete dinâmica sobre a necessidade de se manter a floresta em pé”; “A disciplina de sociologia na educação brasileira”; “As escolas cívico-militares”; “A home school”, entre outras.

Enfim, essa luta precisa continuar, seja através do Fórum Nacional Popular de Educação, das organizações sindicais e profissionais nacionais e estaduais, ou seja em lutas locais nos municípios, a exemplo de Frentes Amplas de Educação. Como ressalta o coordenador-geral da Confederação Nacional dos trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee, professor Gilson Reis, “a educação tem muitas possibilidades nesta luta política e nós somos chamados a assumir nossas responsabilidades e que a gente possa continuar acumulando força para uma ruptura maior num futuro próximo” .

*Maria Clotilde Lemos Petta é coordenadora da Secretaria de Relações Internacionais da Contee, diretora do Sinpro Campinas e Região e vice-presidente da CEA

Fonte: CTB

15 out 2019

Pesquisa avalia estresse ocupacional do bancário

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Pesquisa avalia estresse ocupacional do bancário ]

Com uma rotina de constante pressão, bancários são cobrados diariamente a apresentar resultados. Trabalho que gera sobrecarga, estresse e adoecimento. Para avaliar a vivência, o mestrando e funcionário do BB, Roque Saulo do Nascimento Andrade, realiza a pesquisa “O Nível de Estresse Ocupacional e Sua Relação Com O Nível de Satisfação Do Cliente Bancário”.


Para responder, basta clicar AQUI. Com a redução de bancários nas agências, clientes passaram a enfrentar longas filas, gerando imensa insatisfação. A pesquisa engloba este tema, avaliando a relação do estresse da atuação dos trabalhadores nos postos bancários da Bahia, e o quanto pode impactar no nível de satisfação dos clientes. 


O levantamento abre campo para futuras discussões sobre como reduzir o estresse dos bancários e como melhorar o atendimento. Não deixe de participar.

Fonte: O Bancário

15 out 2019

Campanha mobiliza contra privatização da Caixa

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Campanha mobiliza contra privatização da Caixa ]

O governo já deixou claro que pretende privatizar o que puder e os setores lucrativos do único banco 100% público no Brasil estão na mira. Com a hastag #aCaixaétodasua, a campanha nacional contra a privatização da Caixa toma as ruas do país a partir de domingo (20/10) para chamar atenção da sociedade para os prejuízos caso o fatiamento da instituição financeira aconteça.


O pré-lançamento da iniciativa acontece será nesta terça-feira (15/10), em Brasília. A mobilização dos trabalhadores é fundamental para defender patrimônio nacional e tentar barrar o desmonte da empresa. As ameaças são em torno de setores como cartões, seguros, loterias e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).


O governo quer entregar as áreas de mãos beijadas e a preço de banana à iniciativa privada para enfraquecer o caráter social e público. O fatiamento pode comprometer diretamente a aplicação dos recursos administrados pela Caixa na área social. A luta dos empregados é para que o banco não deixe de ser a empresa da casa própria, da poupança, do saneamento básico, do FIES, do Bolsa Família e nem dos municípios.


A arrecadação das loterias da Caixa até setembro do ano passado foi de R$ 8,3 bilhões, com R$ 2,8 milhões em prêmios ofertados. Mesmo assim, o governo tenta vender a Lotex. O leilão está marcado para dia 22. Para iniciativas como o FIES, FNC (Fundo Nacional de Cultura), Ministério do Esporte, Comitê Olímpico e Paralímpico Brasileiro, foram repassados R$ 4,1 bilhões. 


A privatização da Caixa não faz o menor sentido. Toda sociedade sairá perdendo. O banco é responsável por cerca de 70% do todo o financiamento habitacional do Brasil, além de já ter entregue mais de quatro milhões de unidades do Minha Casa Minha Vida e gerado 1,2 milhão de empregos.

Fonte: O Bancário

Por Tadeu Rover, no Conjur

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido de Habeas Corpus feito por um advogado em favor do ministro da Justiça, Sergio Moro, para bloquear o site The Intercept Brasil e apreender todo o material veiculado.

Ao julgar o pedido inviável, o ministro destacou que o advogado autor do HC não mantém qualquer vínculo profissional com Moro. Segundo o ministro, o Supremo, em casos como este, tem decidido que não se deve conhecer pedido desautorizado pelo paciente.

“É público e notório que o Senhor Ministro Sergio Moro não constituiu como mandatário judicial o Senhor Arnaldo Saldanha Pires, ora impetrante”, afirmou o ministro.

Ainda que o pedido fosse autorizado, Celso de Mello concluiu que o HC seria inviável por ir contra a vocação constitucional do Habeas Corpus, que é a tutela da liberdade de locomoção física dos indivíduos.

“Como se sabe, a ação de ‘habeas corpus’ destina-se, unicamente, a amparar a imediata liberdade de locomoção física das pessoas, revelando-se estranha à sua específica finalidade jurídico-constitucional qualquer pretensão que vise a desconstituir atos que não se mostrem ofensivos, ainda que potencialmente, ao direito de ir, de vir e de permanecer das pessoas”, afirmou.

O Intercept tem publicado uma série de reportagens expondo mensagens trocadas entre o procurador Deltan Dallagnol e outras figuras do Judiciário, inclusive o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, para combinar a atuação na operação “lava jato”.

Fonte: CTB

15 out 2019

A vitória da resistência popular no Equador

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Da Rede Brasil Atual:

O presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou neste domingo (13) a revogação do decreto 883, que eliminou os subsídios aos combustíveis. A medida tenta pôr fim a 11 dias de protestos liderados por comunidades indígenas e acompanhados por movimentos de trabalhadores, estudantes e organizações civis contra as medidas econômicas anunciadas para atender a um acordo assinado com o FMI. A decisão é considerada uma vitória parcial da resistência popular, uma vez que os protesto evoluíam para exigir a renúncia de Moreno e a convocação de novas eleições.

O saldo das manifestações deixou sete mortos pela repressão militar e centenas de feridos. Apesar da escalada repressiva nunca antes vista, os indígenas e demais setores da população mantiveram a resistência, obrigando o governo a recuar e negociar.

Antes do anúncio da revogação do decreto, Moreno se reuniu com o presidente da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) Jaime Vargas, que também exigiu a demissão imediata dos ministros do Governo, Maria Paula Romo, e da Defesa, Oswaldo Jarrín, apontados como os responsáveis pela repressão. O presidente não se pronunciou sobre tal exigência e anunciou que substituirá o decreto “por um novo que contenha mecanismos para focalizar os recursos a quem mais necessita”, o que pode ser um novo foco de disputa e instabilidade.

Manifestantes comemoram em Quito revogação de decreto que causou aumento nos preços dos combustíveis — Foto: Martin Bernetti / AFP Photo
Manifestantes celebram a vitória em Quito, capital do país

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Williams Gonçalves, a “lição” da onda de protesto é que um governo não pode obedecer “cegamente” às determinações de um organismo internacional, que não tem responsabilidade social com as populações locais, principalmente os mais pobres. “Não era possível usar de mais violência para obedecer ao FMI. Uma vez desfeito esse decreto, o que se espera é que negociem democraticamente”, afirmou o professor ao Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (14).

O presidente do Equador, Lenin Moreno; o bispo católico Luis Cabrera e Arnaud Peral, representante das Nações Unidas no Equador, se encontram com os líderes das comunidades indígenas, nos arredores de Quito, no Equador — Foto: Cortesia / Presidência do Equador / via Reuters
Representes da ONU, dos indígenas e da Igreja Católica e do governo negociaram a revogação da medida

Posição do Brasil

Gonçalves também classificou como “completamente inadequada e inconveniente” a posição do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Pelo Twitter, ele atribuiu a crise no Equador à atuação de “forças de esquerda” que estariam tentando derrubar o presidente Moreno. “Quem respondeu a isso não foi a esquerda ou o Foro de São Paulo. Trata-se de uma fantasia que habita a cabeça delirante do ministro. O que houve foi uma reação popular contra uma medida que prejudica os interesses da população.”

Além do “delírio ideológico”, o professor da UERJ disse ainda que Araújo não se comporta como um verdadeiro chanceler e trai a tradição diplomática brasileira de não interferir em assuntos internos de outros países. “Ele, sim, é um subversivo. A tradição diplomática do Brasil é de não se envolver nos assuntos de outros países – a não ingerência. Quem diz defender a soberania de seu país, por uma questão de coerência, não pode fazer intervenções dessa natureza.”

Fonte: CTB