O portal Carta Maior iniciou nesta quarta-feira a publicação de uma série de artigos do economista José Prata Araújo, comparando os governos Lula e FHC. Apresenta números e resultados procurando diferenciar os dois projetos que vão às urnas em 31 de outubro, o de Dilma e Lula frente ao dos tucanos Serra e FHC. O Vermelho reproduz abaixo o primeiro artigo da série.

José Prata Araújo (*)

O indicador do mercado de trabalho formal mais amplo é a Relação Anual de Informações Sociais – Rais. Os dados da RAIS são divulgados anualmente, representam cerca de 97% do mercado de trabalho formal brasileiro e são aproximadamente 6,9 milhões de empresas declarantes. De forma diferente do Caged, que se restringe ao trabalho celetista, a Rais também recolhe dados dos estatutários, dos trabalhadores regidos por contratos temporários e dos empregados avulsos.

Os dados da Rais [sobre geração de empregos] indicam que sob Lula, até o final de 2010, serão criados 15 milhões de empregos formais em oito anos, uma média de 1.877.954 empregos por ano. Já sob FHC, os números foram bem mais baixos: 5.016.672 vagas em oito anos, com uma média de 627.084 contratações anuais.

Assim, a média anual de geração de empregos com Lula pela Rais foi cerca de três vezes maior que no governo FHC. Os tucanos sempre desacreditaram a meta de 10 milhões de empregos, fixada por Lula em 2002. O petista acabou alcançando 15 milhões de novos empregos de carteira assinada e os 10 milhões viraram a diferença para mais em relação ao governo FHC.

Como explicar tamanha disparidade na geração de empregos formais entre os governos Lula e FHC? As teorias dos tucanos e de seus aliados são risíveis. Veja o que disse o economista Edward Amadeo:

“O emprego com carteira assinada cresceu como não fazia desde a década de 1970. Quem imagina que isso se deva ao aumento da taxa de crescimento econômico pode estar enganado. Foi o aumento no crescimento econômico, ou a redução da incerteza com um Lula prudente, que fez as empresas sentirem-se à vontade para contratar mais trabalhadores com carteira? Um bom debate. (…) Enfim, a redução da inflação e o arquivamento da política econômica do PT fez muito bem ao país” (Valor Econômico, 26/12/2007).

Ora, se prudência e a confiança dos empresários gerasse empregos, FHC, e não Lula, seria o campeão na geração de empregos formais.

Há ainda aqueles, como o economista Naercio Menezes Filho, que creditam às reformas neoliberais a maior geração de empregos:

“Por que será que nas décadas de 1980 e 1990 o crescimento econômico não gerou empregos? Como este foi um período de inflação alta e crescente, economia fechada, mão de obra não qualificada e custos trabalhistas elevados, as firmas evitavam contratar formalmente a todo custo, adotando uma postura defensiva no mercado de trabalho. A partir de meados da década de 1990, com a inflação controlada e as reformas liberalizantes da economia, o mercado de trabalho passou a funcionar de forma mais fluída, não sem antes passar por um duro período de ajuste até 1999” (Valor Econômico, 15/5/2009).

O emprego formal no Brasil vem crescendo de forma consistente no governo Lula e não é por causa das reformas neoliberais, como afirmam os tucanos. Com Lula, a economia acelerou o seu crescimento, o que explica em parte a criação de milhões de empregos formais. O forte impulso da distribuição de renda e do mercado interno de massas, onde se sobressaem empresas fortemente geradoras de mão de obra sejam pequenas, micros, médias e até mesmo grandes empresas, também contribui. O governo Lula tem como diretriz o trabalho de carteira assinada, seguida pela fiscalização do Ministério do Trabalho, ao contrário de FHC que estimulava as empresas a adotarem novas formas de contratação, visando reduzir o que chamavam de “custo Brasil”. Com Lula, os sindicatos foram valorizados, ao contrário de FHC que tinha como objetivo impor-lhes uma dura derrota.

O Brasil [está] entre dois caminhos: continuar com Dilma e Lula, com mais desenvolvimento econômico, mercado interno de massas, mais distribuição de renda, mais e melhores empregos formais. O outro caminho, representado por Serra e FHC, já é conhecido dos brasileiros: baixo crescimento, privatizações, poucos empregos e flexibilização da CLT e da carteira assinada.

(*) Economista mineiro, autor dos livros “O Brasil de Lula e o de FHC” e “Guia dos direitos sociais”

 

A candidatura presidencial de José Serra (PSDB-DEM-PPS) tornou-se um porto seguro para os setores mais reacionários da sociedade. Líderes religiosos obtusos, direitistas que enaltecem a ditadura militar, elitistas que disseminam preconceito contra a população pobre, além de racistas e machistas de todos os matizes correm para manifestar apoio ao candidato tucano.

Esta gente, que costuma ser apontada como os “4%” de brasileiros que não toleram o governo Lula, está ganhando espaço cada vez maior nas hostes serristas e pode acabar afastando de Serra o eleitor progressista, sem vínculos pártidários, que optou por Marina no primeiro turno e agora está em dúvida sobre em quem votar.

Panfleto pró-TFP circula em reunião de cúpula tucana

Demonstração clara desta aproximação com a extrema-direita foi relatada pelo jornalista Fernando Rodrigues, em seu blog.

Segundo ele, um texto que incita militantes a divulgar na web que plano de Dilma inclui perseguir cristãos, legalizar aborto e prostituição circulou hoje na reunião de cúpula da campanha de José Serra, em Brasília,

Os tucanos distribuíram entre si um panfleto com instruções sobre como propagar uma campanha anti-Dilma na internet. Num dos trechos, recomenda aos militantes visitarem o site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, um dos fundadores da TFP ( Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade), uma das mais conservadores agremiações do país.

Esta organização prega, entre outras coisas, que seja proibido o uso de camisinha, que seja revogada a lei do divórcio, que só seja praticado sexo para fins reprodutivos, que as mulheres sejam submissas ao homem por lei, que cultos religiosos de origem africana sejam proibidos no Brasil. A TFP também dissemina preconceito contra as demais religiões não católicas, defende que o ensino religioso seja obrigatório no ensino público.

Em 1985, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou que em razão das “características esotéricas e fanáticas, e da idolatria ao seu fundador” a TFP não estava em comunhão com a Igreja Católica. Os bispos pediram aos católicos que não se juntem ou colaborem com essa organização.

No campo econômico-social a TFP defende abertamente a desigualdade de classes. Eles consideram as questões quilombola, indígena e ambiental como ataques ao direito de propriedade.

Calúnias x direitos humanos

O panfleto da TFP que foi distribuído na reunião tucana basicamente se refere ao PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos), lançado pelo governo Lula no final do ano passado. Eis um dos trechos do panfleto divulgado na reunião tucana: “O PNDH-3 é um projeto de lei que tem por objetivo implantar em nossas leis a legalização do aborto, acabar com o direito da propriedade privada, limitar a liberdade religiosa, perseguir cristãos, legalizar a prostituição (e onde fica a dignidade dessas mulheres?), manipular e controlar os meios de comunicação, acabar com a liberdade de imprensa, taxas sobre fortunas o que afastará investimentos, dentre outros. É um decreto preparatório para um regime ditatorial”.

O blog estava dentro da sala do centro de convenções Brasil 21 na qual se realizou o encontro tucano. Por volta das 16h10, antes de a imprensa ser admitida no recinto, uma mulher com adesivo de Serra colado no peito distribuiu o bilhete. “Pega e passa”, dizia.

Era do tamanho de um papel A4 dividido ao meio. Mais tarde, uma pequena pilha (cerca de 3 cm de altura) com esses panfletos foi deixada ao lado do local onde era servido café –e a imprensa teve livre acesso. Ao final, o texto recomenda: “Divulgue esta informação através das redes sociais da internet (blogs, Orkut…)”.

Segundo as assessorias do PSDB nacional e do candidato José Serra, a confecção do panfleto não tem relação com o partido nem com a campanha tucana. Ainda assim, o papel ficou à disposição de quem tivesse interesse em pegar. Os panfletos só foram retirados um pouco depois de o Blog ter perguntado à cúpula tucana a respeito do assunto.

Fonte: www.vermelho.org.br

 

 

6 out 2010

Silêncio no BB, Caixa e BNB

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Seis dias de greve e o silêncio impera nos bancos públicos. Até o momento, o Banco do Brasil, a Caixa e o Banco do Nordeste não chamaram os empregados para negociar ou manifestaram qualquer intenção de reabrir o diálogo sobre o reajuste salarial ou a pauta de reivindicações específicas em cada instituição. O argumento é de que estão esperando o pronunciamento da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos).

O funcionalismo está insatisfeito com o posicionamento dos bancos públicos, que têm autonomia para negociar diretamente com os seus empregados, inclusive o índice de reajuste salarial. Então, não há porque esperar a Fenaban para negociar.

Para mudar a situação, os bancários da Caixa, BNB e BB estão ampliando a mobilização e pretendem fechar 100% das agências em todo o país, forçando assim a retomada das conversações. Na Bahia este processo já está em andamento, com o fechamento de 252 agências do BB, 83 da Caixa e 34 do BNB.

Além do reajuste de 11%, os empregados dos bancos públicos reivindicam isonomia, reposição das perdas do período FHC, plano de cargos e salários mais justos, além da retomada do papel social destas instituições.

Fonte: http://www.bancariosbahia.org.br

6 out 2010

Dilma: "O programa tucano é uma volta ao passado

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Durante entrevista coletiva em Brasília, ontem (5), a candidata à presidência da República, Dilma Rousseff (PT), afirmou que aproveitará este momento da campanha para mostrar as diferenças entre o seu programa e o do tucano José Serra. Nas palavras da petista, “o programa tucano é uma volta ao passado”, enquanto o dela, “representa a nova era da prosperidade”.

Dilma prometeu aprofundar as propostas de desenvolvimento e inclusão social, em especial no Nordeste. A afirmação foi feita após conversa com correligionários que, mais cedo, visitaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, e apontaram, como uma das falhas na campanha, o fato de ter dado pouca atenção às regiões Norte e Nordeste do país.

Animada, Dilma disse que fará uma carreata amanhã no Rio de Janeiro e, no domingo (10), participará do primeiro debate na televisão, na TV Bandeirantes. Ela lembrou que o segundo turno é um ótimo momento para apresentar, de forma detalhada, as propostas aos eleitores e permitir que elas a conheçam melhor.

“Nosso objetivo principal no segundo turno é deixar o eleitor me conhecer melhor e deixar cada vez mais claro que se trata de uma disputa de dois projetos. Um projeto que é volta ao passado, porque o exemplo do que foi o governo do PSDB no Brasil tem que ser lembrado. É a única carta de referência que o eleitor pode ter ao considerar o que significa concretamente os compromissos do meu adversário”, disse.

Ela acrescentou: “Meu projeto, que é de mudança e transformação do Brasil. Levamos nesses últimos oito anos o Brasila a uma nova era de prosperidade, mais emprego, crescimento a taxas elevadas e, sobretudo, incluindo toda a população brasileira”.

Vida

Dilma falou que não vê o menor problema em debater temas religiosos, já que o projeto que ela defende está baseado no humanismo e nos valores cristãos. Católica, a candidata ainda ressaltou a importância que dá à vida.

“É muito importante afirmar que meu projeto, que foca nas pessoas marginalizadas, é um projeto a favor da vida. E tenho certeza que entre a concepção da minha proposta tem tudo a ver com as religiões no Brasil”, afirmou.

Segundo ela, “o Brasil tem uma força muito grande na religião cristã e eu particularmente sou de família católica e sempre fui a favor da vida. Mas, sobretudo, eu tenho hoje muita felicidade de ter passado nessa campanha com uma experiência pessoal muito forte, que foi o nascimento do meu neto. Mais do que tudo eu sou a favor da vida”.

Fonte: http://www.vermelho.org.br

6 out 2010

Bancários parados há uma semana

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

A greve dos bancários completa, nesta quarta-feira (06/10), uma semana e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) continua a ignorar os trabalhadores. Como resposta, a ampliação do movimento na capital e no interior da Bahia.

No Estado, 490 unidades bancárias estão sem atividades. Da base do Sindicato da Bahia são 274 agências fechadas. O Banco do Brasil tem 150 unidades sem funcionar. Na Caixa, são 60. No BNB, 21 agências paralisadas.

As empresas privadas também participam do movimento. No Bradesco, são 19 unidades com as atividades paralisadas, no Santander Real 14. O HSBC tem três agências fechadas, o Itaú Unibanco duas e os demais bancos somam oito.

Na única proposta feita pela Fenaban depois de um mês de negociações, foi oferecido reajuste de 4,29%, que corresponde apenas à inflação do período. O valor está bem abaixo dos 11% de reajuste reivindicado pelos bancários.

As empresas têm condições de oferecer mais aos trabalhadores, responsáveis pelos lucros que não param de cair. No primeiro semestre, o ganho chegou ao surpreendente valor de R$ 24,7 bilhões.

Com informações: http://www.bancariosbahia.org.br

3 out 2010

A Consciência e a Greve

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Por Valter Moraes*

Enquanto realidade humana existe uma distinção entre o homem e o trabalho. Este exige a necessidade de sobreviver e construir para uma vida digna e feliz da humanidade sendo necessário, enquanto ser cognoscitivo, a conscientização da condição humana degenerativa em sua natureza física e crescente quando voltada para a consciência e a autoconsciência, processando a crítica e a autocrítica para a construção de bases que interfere positivamente no coletivo, fortalecendo os laços da condição política e social no processo de desenvolvimento de todas as exigências necessárias para o bem estar que aglomera nosso âmbito social.

Entre a razão e a emoção das decisões individuais e coletivas que poderemos tomar existirá sempre o outro dentro do equilíbrio racional e emocional, pois seremos eternamente responsáveis e responsabilizados pelos nossos atos. E se por acaso nossas decisões interferirem no todo, é o momento de refletirmos dialeticamente para a formação de novas idéias e projetos sem perder a perspectiva, não freando o rumo da luta revolucionaria que projeta um novo ser coletivo, explorando a essência fenomenológica.

O labor nas condições pós-modernistas está se agravando patologicamente, pois o ser humano é bombardeado em suas condições físicas e psicológicas, o que o torna um ser debilitado e entregue às luxúrias do capital. Essa condição atual amplia a plenitude individualista, perversa e mesquinha e marginal do capital e concomitantemente vai destruindo ecologicamente tudo que existe de vida no mundo animal e vegetal, tornando-se progressivamente mais doente e que traz como conseqüência o retrocesso de sua condição perversa para a humanidade, tornando-se dessa forma destruidor do próprio homem.

Nossa greve ou nossa luta não é meramente uma luta da greve pela greve, é muito mais. É uma batalha que nos obriga a paralisar nossas atividades em busca da distribuição de rendas produzidas por nós mesmos, por melhores condições de trabalho, se precavendo das doenças ocupacionais e psicológicas que afetam o trabalhador fragilizado pelo assédio moral no âmago do seu ser, do seu caráter, da sua personalidade, que são distorcidas pela metas abusivas, impossíveis para a condição humana satisfazer a fome do capital.

Sem luta não podemos enfrentar as condições físicas e psicológicas do sistema capitalista decadente, e não podemos sofrer os reflexos na exposição do nosso ego também ávido e fixado no ter, desvinculando-se da grande tarefa de construirmos o mundo do ser para não sofrermos das mesmas patologias do capitalismo, pois ele é contagiante e conseqüentemente nos conduzirá para o mundo pragmático, destruindo a essência própria do ser, do seu lado contemplativo, do ócio da natureza humana para realização dos seus desejos.

Parafraseando Karl Marx, que preconiza sobre o mundo do trabalho dizendo que “não existe revolução sem sacrifícios”, concorda-se que sem sacrifícios não construiremos a base para a não exploração pelos titãs do sistema financeiro no afã do lucro que aliena, fetichista, que prostitui toda a sociedade presa à sua ideologia individualista, concentradora e consumista, afastando-se da política que nos interessa para sermos livres de todos os marketings ideológicos da destruição. E para conquistar essa liberdade, é preciso quebrar os grilhões que nos prende na ambição do individualismo capitalista.

Nessa luta camarada, não podemos arrefecer para não sermos soterrados pelos nossos exploradores, os algozes da sociedade. O que está em jogo não é simplesmente o economicismo, mas o preço da luta, da união em defesa da nossa dignidade para a construção dos filhos da pátria com educação, saúde, habitação, uma vida plena de felicidade voltada para a filosofia, para o esplendor da vida, do ser, da abstração para o todo.

Dentro dessa luta temos as teses da negação da negação, ou as ideologias defendidas pela burguesia, planejada e organizada para a exploração dos trabalhadores. Temos também a “antítese” dos trabalhadores conscientes, combatendo a exploração e a miséria crescente do capitalismo voltado para a concentração dos lucros, construindo a “síntese” que nos leva para a luta de classes objetivando um mundo equitativo, sem explorados nem explorador. Tudo vai depender da nossa força, da nossa união e organização, da nossa consciência de classe, da nossa disposição para sacrificar alguns anéis e não perdermos os dedos para não ficarmos no achismo, entregues ao engodo de comemorar a vida do nada e para o nada.

Vamos fortalecer nossa luta camaradas!

01.10.2010

* Valter Moraes é diretor regional Sul da Bahia da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

O Sindicato dos bancários de Itabuna e Região convoca toda a categoria e também os bancários que trabalham na base nas cidades de Itapé, Ibicaraí, Itororó, Floresta Azul, Buerartema, Camacan, Itajuípe, Coaraci, Itapitanga para fortalecerem a greve nesta segunda feira.

Manifestação na Caixa 0070 – acontece nesta segunda feira manifestação em frente à agência 0070 da Caixa Econômica Federal em Itabuna com o objetivo de sensibilizar os funcionários daquela agência a aderirem ao movimento paredista que já é sucesso nacional.

Tá na hora de esquecermos as diferenças,  as miudezas e pensarmos nacoletividade.

Só com a unidade dos trabalhadores é que conseguiremos as vitórias desejadas!

Nesta segunda-feira, 04 de outubro (ressaca das eleições gerais), acontece reunião do Comando Nacional dos Bancários, para avaliação do movimento paredista dos bancários em todo o país. A reunião acontece em São Paulo, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro (Contraf), às 17 horas.

A greve dos bancários em Itabuna continua forte com grande adesão da categoria. Infelizmente, os colegas da Caixa Econômica Federal, agência 0070, não está acompanhando o movimento que a cada dia conquista bancários em todo o país. O Sindicato realizará nesta segunda-feira, manifestação em frente à agência da Caixa no sentido de sensibilizar os colegas para adesão ao movimento.

Dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro mostram que pelo menos 6.215 agências ficaram fechadas nos 26 Estados e no Distrito Federal. O aumento foi de 1.031 unidades em relação ao primeiro dia de greve, um crescimento de 26%.

Na Bahia, a adesão também tem crescido a cada dia. Em Salvador, 90% das agências da Caixa, Banco do Brasil e BNB estão com as atividades paralisadas. Os empregados das empresas privadas também estão no movimento. Nas cidades do interior do Estado várias agências continuam fechadas.

Com data base em 1º de setembro, os bancários decidiram entrar em greve na última quarta-feira (29/9). Depois de três rodadas de negociação sem apresentar uma proposta, a Fenaban ofereceu reajuste salarial de apenas 4,29%, equivalente à inflação do período, e nada mais. Ignorou todas as demais cláusulas da pauta de reivindicação.

Os bancários querem reajuste salarial de 11% (correspondente à inflação mais aumento real), melhoras na PLR (Participação nos Lucros e Resultados), garantia de empregos, fim das metas e do assédio moral, fim das terceirizações, mais segurança, entre outros itens.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva, em entrevista ao Portal Terra, no dia 23/09, discorre sobre a atuação da grande mídia no Brasil. Antenado em relação ao comportamento da chamada mídia tradicional do Pais, Lula reafirma que esse comportamento, principalmente durante as eleições atestam que essa imprensa tem partido e deveria assumir esta condição. Para o presidente é papel do Congresso Nacional legislar sobre o papel das telecomunicações no Brasil. Leia pontos da entrevista abaixo:

Terra – Presidente, em 1978 o senhor era um líder operário, estava na Bahia
em um encontro de petroleiros, no Hotel da Bahia, eu era um estudante de
comunicação, ainda tinha AI-5, censura à imprensa. Na década seguinte, nos
anos 80 e 90, em inúmeras conversas com o senhor o assunto acabava de alguma
forma passando pelo monopólio na mídia. No ano 2002, na véspera da eleição,
de novo conversamos sobre isso. Em 2006, a uma semana do senhor ser reeleito
presidente, numa conversa o senhor disse que não iria “tirar nada” de
ninguém, que isso não seria democrático, mas que a ideia era redistribuir
meios, ajudar os meios, ter uma maior diversidade de opinião. Chegando
agora, nesta reta final (em 2010) o senhor tem feito críticas duras, dizendo
que a imprensa, a mídia tem um candidato e não tem coragem de assumir e, ao
mesmo tempo, o contraditório diz que existiria um Projeto Político, projeto
vocalizado outro dia pelo José Dirceu, para “enquadrar meios de
comunicação”. Então, queria que o senhor dissesse o que o senhor realmente
pensa disso, e se realmente existe uma expectativa, se existe alguma coisa
em relação a isso…

Luiz Inácio Lula da Silva – Olha, primeiro, na nossa passagem pela Terra…
não pelo Terra, pela Terra, a gente ouve coisas absurdas, que a gente gosta
e que a gente não gosta. Veja, qualquer coisa nesse País tem o direito de me
acusar de qualquer coisa. É livre. Aliás, foi o PT que, no congresso de São
Bernardo do Campo, decidiu que era proibido proibir. Era esse o slogan do PT
no congresso de 1981.

Terra – O Caetano vai dizer que é dele…

O que acontece muitas vezes é que uma crítica que você recebe é tida como
democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática. Ou seja,
como se determinados setores da imprensa estivessem acima de Deus e ninguém
pudesse ser criticado. Escreveu está dito, acabou e é sagrado, como se fosse
a Bíblia sagrada. Não é verdade. A posição de um presidente é tomada como
ser humano, jornalista escreve como ser humano, juiz julga como ser humano.
Ou seja, temos um padrão de comportamento e julgamento e, portanto, todos
nós estamos à mercê da crítica. No Brasil – , e foi o Cláudio Lembo que
disse para o Portal Terra -, a imprensa brasileira deveria assumir
categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido, que falasse.
Seria mais simples, seria mais fácil. O que não dá é para as pessoas ficarem
vendendo uma neutralidade disfarçada. Muitas vezes fica explícita no
comportamento que eles têm candidato e gostariam que o candidato fosse
outro. Tiveram assim em outros momentos. Acho que seria mais lógico, mais
explícito. Mas, eles preferem fingir que não têm lado e fazem críticas a
todas as pessoas que criticam determinados comportamentos e determinadas
matérias.

Terra – Então, não existiria nenhum projeto futuro…
Se existir uma idéia, ela será discutida pelo próximo governo. Pelos
próximos governos. Ela será decidida pelo Congresso Nacional , porque é
impossível você imaginar fazer uma coisa que discuta comunicação se você não
passar pelo Congresso. Quando nós tomamos a decisão de fazer a Conferência
da Comunicação – nós já fizemos conferências de tudo que você possa
imaginar, até de segurança pública -, quando fizemos a Conferência de
Comunicação, alguns setores das comunicações participaram, algumas tevês
participaram, algumas empresas telefônicas participaram e muitos jornais
participaram. Ela foi feita a nível municipal, a nível estadual e nível
nacional. Determinados setores da imprensa não quiseram participar e
começaram a achar que aquilo era antidemocrático, que aquilo era não sei das
contas. Eu não sei qual é a preocupação que as pessoas têm de a sociedade
discutir comunicação. Uma legislação que está regulamentada em 1962.
Portanto, não tem nada a ver com a realidade que nós temos hoje, com os
meios de comunicação que nós temos hoje. Com a agilidade da internet, por
exemplo. Então, o que nós achamos é que o Brasil, independentemente de quem
esteja na Presidência da República, vai ter que estabelecer o novo marco
regulatório de telecomunicações desse País. Redefinir o papel da
telecomunicação. E as pessoas, ao invés de ficarem contra, deveriam
participar, ajudar a construir, porque será inexorável. Ninguém tinha a
dimensão há 15 anos atrás do que seria a internet hoje. Ninguém tinha.
Ninguém tem a dimensão ainda do que pode ser a TV digital. E a pluralidade
que ela pode permitir de utilização dos canais de televisão. Então, discutir
isso é uma necessidade da nação brasileira. Uma necessidade dos empresários,
dos especialistas, dos jornalistas, ou seja de todo o mundo para ver se a
gente se coloca de acordo com o que nós queremos de telecomunicações para o
futuro do País.

Leia a entrevista completa clicando aqui:http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4693205-EI7896,00-Lula+nove+ou+dez+familias+dominam+a+comunicacao+no+Brasil.html