27 nov 2010

A BATALHA DO RIO DE JANEIRO

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Celso Lungaretti (*)

Canso de repetir: a criminalidade é intrínseca ao capitalismo.
Porque as molas mestras do capitalismo são a ganância, a busca do privilégio e da diferenciação, e consumismo.
Ter cada vez mais posses e recursos materiais.
Competir zoologicamente com os semelhantes, no afã de se colocar em situação superior à deles.
Mitigar todas as suas insatisfações adquirindo e desfrutando coisas.
E se relacionando com os outros seres humanos como se eles fossem também coisas a serem desfrutadas; coisificando-os, enfim.
Com isto, nunca é preenchido por completo o vazio da irrealização, sempre falta algo e sempre o que falta é mais importante do que o já conquistado. O homem moderno é um Cidadão Kane que nunca encontra o  rosebud.
Pois os seres humanos só se realizam plenamente na coexistência cooperativa, solidária, harmoniosa e amorosa com outros seres humanos.
O capitalismo é um sistema perverso, que se alimenta do desequilíbrio e da desarmonia.
Que não garante a todos o necessário para todos, embora meios haja para tanto.
Que gera sempre, com uma secreção, seu exército industrial de reserva, seus excluídos, seus miseráveis.
Eles são o resultado da mais-valia, que continua firme, forte e toda poderosa.
Apenas sofisticou-se, ocultando-se atrás dos hologramas projetados pela indústria cultural; o grande truque do diabo é fingir que não existe.
A mais valia continua dividindo a humanidade em exploradores e explorados.
Continua estabelecendo graduações entre os explorados, de forma que eles mirem apenas o degrau superior e não a sociedade sem graduações nem classes; que nunca vejam a floresta por trás das primeiras árvores.
O dado novo é que alguns dos que estavam bem embaixo perceberam a inutilidade de tentarem realizar seus sonhos consumistas subindo a escada, degrau por degrau.
Descobriram atalhos para passar ao lado dos degraus e chegar logo ao topo.
Ironia da História: o capitalismo passou à fase das corporações, da liderança compartilhada, tornando quase impossível que grandes empreendedores ergam impérios do nada (Bill Gates é uma exceção que confirma a regra), mas a criminalidade forneceu uma válvula de escape para tais indivíduos.
Pablo Escobar foi o Henry Ford dos novos tempos. E outros não conhecemos porque os néo-Escobares perceberam que não lhes convém alardear seu poderio.
Até certo ponto, os traficantes são complementares ao capitalismo: fornecem aquilo de que muitos explorados necessitam para continuar suportando sua existência insatisfatória.
Enquanto se comportam como empresários discretos e cumprem adequadamente sua função de espantalhos, dificilmente são destruídos pelo Estado.
Mas, aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiramente enlouquecem.
Então, às vezes os traficantes também têm seus desvarios: tentam oficializar a conquista simbólica de parcelas do território brasileiro.
Mas, o Estado não pode consentir que o poder econômico da contravenção ganhe ostensiva expressão política, substituindo-o às escâncaras.
Aí, com seu poder de fogo superior, convocando Exército, Marinha e Aeronáutica se necessário, coloca os traficantes no seu lugar.
Morrem inocentes no fogo cruzado, o cidadão comum sofre prejuízos e enfrenta transtornos, a indústria cultural fatura em cima das manchetes empolgantes, eventualmente são presos ou mortos alguns grandes traficantes.
De quebra, a mentalidade policialesca ganha reforço e penetra mais fundo na cabeça dos videotas: a repressão é o que nos salva de termos nossos carros queimados!
E dá-lhe mais repressão, mais tropas de elite! A fascistização da sociedade vai avançando imperceptivelmente, naturalmente.
Antes, gatos escaldados por 1964, os mais sensatos queriam as Forças Armadas longe das questões sociais, defendendo apenas o Brasil dos seus inimigos externos.
Agora, já se aplaudem os blindados da Marinha subindo o morro.
Como tantos aplaudiram a defesa da tortura e das truculências policiais num filmeco repulsivo.
De toda essa tempestade de som e fúria, o que restará?
O Estado vencerá a  Batalha do Rio de Janeiro.
Que só não é de Itararé porque há mortos e feridos. Mas, não decide guerra nenhuma.
Decidiria se os traficantes vencessem. Mas, eles nunca vencerão. Nem aqui, nem na Colômbia que os pariu.
O Estado não quer, verdadeiramente, acabar com os traficantes. Consentirá veladamente na sua reorganização, com novas lideranças substituindo as tombadas, desde que respeitem os limites intrínsecos.
A sova garantirá que eles se comportem por algum tempo. E, quando botarem as manguinhas de fora, receberão nova sova. É simples assim.
Só teremos solução real quando identificarmos o verdadeiro inimigo (É o capitalismo, idiota!). Que sobrevive erigindo em espantalhos os inimigos menores, ou meros oponentes – Escobar, Castro, Bin-Laden, Saddam, Chávez, Ahmadenijad, há sempre um na berlinda.
E quando nos mobilizarmos para dar-lhe um fim, antes que — condenado pela História e cada vez mais devastador em sua agonia — seja ele a nos levar juntos para a destruição, ao aniquilar as bases naturais que sustentam a vida humana no planeta.
* Jornalista e escritor.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (25), em Brasília, que tem dito à presidente eleita Dilma Rousseff que sempre que estiver passando por algum tipo de dificuldade, ‘”vá para perto do povo que o povo é a nossa salvação”.

Lula discursou por mais de meia hora durante o 3º Seminário Nacional do Programa de Aquisição de Alimentos. Ele afirmou que a nova presidente vai seguir os programas de combate à fome e à miséria.
“Eu tenho dito para a Dilma: ‘Dilminha, na hora do aperto, na hora que a coisa estiver ficando feia, não vacile. Vá para perto do povo que o povo é a nossa salvação. Não tenha medo nunca. Não tenha medo. Quando não souber das coisas, pergunta para o povo que ele ajuda a responder. Na dúvida, o povo é a solução'”, disse.
Lula afirmou que sua relação de proximidade com o povo explica seus índices de mais de 80% de aprovação do governo.
“É isso que sou grato a vocês. Nestes últimos anos, eu nunca tive um gesto de incompreensão de vocês, da lealdade da nossa relação. Não foi uma relação construída na Presidência, foi uma relação construída muito antes da Presidência. Sou grato porque dependeu de vocês o sucesso do nosso programa, o sucesso do nosso governo”, disse o presidente.
Lula voltou a falar que a campanha que Dilma enfrentou na disputa pela Presidência foi “mais preconceituosa” que a dele.
Luta de décadas
Segundo ele, a vitória de Dilma é uma “luta de décadas”. “A Dilma é a consagração de uma luta de décadas que nós fizemos neste País”, afirmou, lembrando que ela não pegará o Brasil a ’10 por hora’ como ele pegou, mas muito mais dinânimico e ativo na defesa do desenvolvimento econômico e social. Sendo assim, Lula está convicto de que o Brasil terá mais avanços nas políticas sociais no governo Dilma.
“A Dilma não vai pegar um País a 10 por hora como eu peguei, ela vai pegar um País a 120 por hora. Ela vai ter que decidir se aperta um pouquinho mais o acelerador ou se ela mantém a velocidade ou se procura abrir novos caminhos. Sempre com cuidado. E ela tem, porque é muito competente. Não vai brincar com a economia, porque a economia é como um trem que vai no trilho, parece fácil, ele está correndo, mas se descarrilhar, para colocar no trilho novamente, vai levar tempo… Ela tem consciência disso. Por isso acho que vamos ter mais avanços nas políticas sociais”.
Lula afirmou estar orgulhoso por ter ajudado a eleger Dilma como presidente da República, porque isso fará com que as mulheres a confiarem mais em si mesmas e na sua competência política. Disse ainda que as mulheres precisam ocupar um espaço maior na política brasileira, já que são maioria da população brasileira. “Não basta ser maioria numericamente, é preciso que essa maioria esteja representada em todos os fóruns. Embora as mulheres sejam maioria, 90% das mesas que a gente participa, é só homem”, disse ele.
E completou pedindo aos agricultores familiares presentes do evento que mantivessem a motivação para ajudarem a presidente eleita Dilma a partir do ano que vem.
Tortura não venceu
Lula ainda falou que os militares que torturaram a presidente eleita durante a ditadura militar devem estar sendo “torturados por dentro”.
“Eu fiquei muito orgulhoso porque a Dilma é uma mulher que na década de 70, muito jovem, o mundo dela ruiu. A hora que você milita na esquerda brasileira, você é presa três anos e meio, torturada, ou seja, acabou. E essa mulher, que quem torturou ela pensou que tinha acabado com a vida dela na política, agora deve estar sendo torturado por dentro”, afirmou.
Para o presidente, “se a Dilma tomou choque, o choque que esse cara está tomando por dentro agora é de uma grandeza que ele não imagina. Ele ver aquela menina que ele torturou virar, depois de mulher, presidente da República deste país, sem o ódio que ele tinha… Isso é importante. Sem ódio, sem mágoa, sem querer vingança, mas querer apenas consolidar a melhoria de vida do povo deste país”.
Fonte: G1 e Blog do Planalto
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“Os trabalhadores e a economia” foi tema, nesta quinta-feira (25), de uma oficina da Conferência sobre Desenvolvimento (Code), que está sendo promovida pelo Ipea em Brasília. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, foi um dos expositores no evento, que contou com a participação de dirigentes da CUT, Força Sindical, UGT e CGTB e a moderação do Dieese.


Na opinião do presidente da CTB, a classe trabalhadora tem muita autoridade para falar sobre desenvolvimento, já que é o trabalho é a fonte do valor e do crescimento da economia. Leia abaixo a íntegra da intervenção de Wagner Gomes na conferência.
Sobre a importância do tema
1- O debate sobre desenvolvimento tem uma importância extraordinária para a sociedade. Precisamos despertar a consciência da classe trabalhadora e do próprio movimento sindical sobre o tema, que não é exclusivo da academia. Esta conferência pode contribuir muito neste sentido.
2- Nosso norte é a frase de Celso Furtado que o Ipea destacou na convocação desta conferência: “…que nunca é demais repetir e insistir que o desenvolvimento se faz para o homem”. Com efeito, o desenvolvimento, em última instância, é o desenvolvimento do ser humano; é o resultado histórico da evolução da consciência, da capacidade, das habilidades e potencialidades humanas.
3- Compreendemos que o desenvolvimento se fará para o ser humano, homem e mulher, conforme imaginava Celso Furtado, na medida em que beneficiar o conjunto da sociedade e não uma minoria de ricaços; contemplar o povo trabalhador e não uma pequena oligarquia financeira; servir os explorados, não os exploradores.
O papel do trabalho na produção
4- A classe trabalhadora tem autoridade para falar sobre desenvolvimento. O trabalho é a fonte do valor gerado ou agregado na economia, a fonte da riqueza social. A classe trabalhadora é a principal força motriz da produção e do desenvolvimento.
5- A experiência nos ensina que quando todos têm um emprego e nenhum trabalhador está involuntariamente ocioso, a produção avança e podemos afirmar que a economia está em desenvolvimento. Também sabemos que a principal manifestação da crise, da falta de desenvolvimento, é o desemprego. Os Estados Unidos, hoje, são uma demonstração viva desta verdade. O desenvolvimento econômico depende do trabalho, é o produto do trabalho.
6- Todavia, nem sempre a classe trabalhadora é beneficiada pelo desenvolvimento da economia.
7- Durante anos prevaleceu no Brasil a idéia de que é necessário depreciar a força de trabalho para promover o desenvolvimento, fazer o bolo crescer, aumentar os lucros capitalistas e a competitividade das empresas. O neoliberalismo, que orientou os governos de Collor e FHC, foi a expressão política mais radical deste pensamento. Direitos sociais foram flexibilizados, vivenciamos a precarização crescente das relações e condições de trabalho, a taxa de desemprego triplicou, os salários foram arrochados, principalmente no setor público, estatais foram privatizadas e a desnacionalização da economia cresceu.
8- Mas o neoliberalismo fracassou na promessa de desenvolvimento econômico. O país estagnou e retrocedeu no mundo. O mercado interno encolheu.
9- Os trabalhadores perderam e a nação também. O Brasil ficou mais vulnerável e dependente. A política econômica foi ditada e monitorada pelo FMI.
10- O povo brasileiro derrotou o neoliberalismo e abriu uma nova fase na história do Brasil com a eleição de Lula em 2002. Originário do movimento operário, o presidente Lula inaugurou um novo relacionamento com o movimento sindical, que o apoiou massivamente no segundo turno da eleição.
11- Uma das primeiras decisões de Lula foi arquivar a proposta de reforma trabalhista de FHC. O projeto, aprovado na Câmara dos Deputados, ameaçava direitos fundamentais da classe trabalhadora, arrancados na luta e consagrados na CLT e na Constituição, inclusive 13º salário e férias, ao estabelecer a prevalência do negociado sobre o legislado. Felizmente, o retrocesso neoliberal foi interrompido.
Legalização e unidade das centrais
12- As centrais sindicais foram legalizadas e passaram a ser consultadas pelo governo em temas associados mais diretamente aos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras. O risco de criminalização dos movimentos sociais, alto no governo anterior, foi afastado.
13- Destaca-se como resultado deste relacionamento mais democrático entre o governo e os movimentos sociais a política de valorização do salário mínimo.
14- As centrais avançaram no sentido da unidade e isto é muito significativo. Em 1º de junho deste ano realizamos uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora. Aprovamos ali um manifesto e uma agenda da classe trabalhadora que defendem o desenvolvimento nacional associado a três valores fundamentais: a democracia, a soberania e a valorização do trabalho. As propostas são detalhadas e descritas em seis eixos principais: 1) Crescimento com distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno; 2) Valorização do Trabalho com Igualdade e Inclusão Social; 3) Estado como promotor do desenvolvimento socioeconômico e ambiental; 4) Democracia com efetiva participação popular; 5) Soberania e Integração Nacional; 6) Direitos Sindicais e Negociação Coletiva.
Valorização do trabalho
15- Ao contrário do que sustentam os neoliberais, a valorização do trabalho é uma fonte do crescimento econômico. A recuperação do valor dos salários e do emprego formal ao longo dos últimos anos, com o destaque do salário mínimo, é uma prova disto. O fortalecimento do mercado interno, decorrente de uma melhor distribuição de renda, foi fundamental para sustentar a demanda interna e impedir que a depressão do comércio exterior redundasse numa recessão mais grave no Brasil.
16- As reivindicações da classe trabalhadora estão em harmonia com os interesses nacionais. As bandeiras do trabalho são bandeiras desenvolvimentistas. Conforme sugeriu Celso Furtado, mais do que um resultado desejável do desenvolvimento a distribuição mais justa da renda é uma condição para o pleno desenvolvimento das forças produtivas no Brasil.
17- A valorização do trabalho é, para as centrais, um fomento essencial do mercado interno e um objetivo primordial. As centrais lutam pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários conscientes de que a medida gera emprego, incentiva o consumo e a produção, além de beneficiar o trabalhador; pela ratificação da Convenção 158 da OIT e contra a alta rotatividade do emprego; pela valorização dos servidores públicos e pela regulamentação da Convenção 151 da OIT; pelo fim das discriminações e o respeito à igualdade no mercado de trabalho; pela completa formalização das relações trabalhistas; pela manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas, que traduzem a progressiva humanização das relações sociais. Lutaremos com toda a energia contra as tentativas de retrocesso neste capítulo.
Soberania nacional e integração econômica
18- A defesa da soberania também tem uma importância cardeal para o desenvolvimento nacional. Não vivemos isolados. No mundo de hoje, a cada dia mais globalizado, é impossível ser indiferente ao que ocorre lá fora.
19- Se o governo brasileiro tivesse assinado a Alca proposta pelos Estados Unidos, ao invés de rejeitá-la como reclamavam os movimentos sociais, a economia estaria paralisada pela dependência do mercado estadunidense, que entrou em colapso. Provavelmente ainda não teríamos saído da crise, que afetou fortemente nossa indústria no segundo semestre de 2008.
20- A recuperação veio através do dinamismo do mercado interno, também estimulado pelas políticas anticíclicas do governo, e da diversificação das nossas exportações, com destaque para a China, que se transformou na maior parceira comercial do Brasil em 2009, superando os EUA, e manteve em alta o preço das chamadas commodities.
21- Em unidade com as demais centrais, a CTB apoia o processo de integração econômica e política das nações latino-americanas e luta para imprimir um caráter social mais avançado e popular a esta união.
Superação do déficit social, mudanças na política econômica e reformas estruturais
22- É inegável que sob o governo Lula o país caminhou positivamente no combate à fome, na melhor distribuição de renda e valorização do trabalho, bem como na defesa da soberania e da democracia, impedindo a criminalização do MST e das lutas sociais. No entanto, como assinala a agenda por um novo projeto nacional de desenvolvimento aprovada pelas centrais, “ainda há um enorme déficit social a ser superado”. É preciso avançar bem mais e o documento das centrais alinha um conjunto de propostas e idéias nesta direção.
23- Defendemos mudanças na política macroeconômica, que em nossa opinião ainda mantém um forte viés neoliberal. Devemos romper de vez com o neoliberalismo neste terreno. Em primeiro lugar, cabe reduzir as taxas de juros e o spread bancário, que são fonte de especulação, contribuem para a instabilidade cambial, reduzem a capacidade de investimentos do Estado e configuram uma escandalosa transferência de recursos públicos para os rentistas.
24- Juros menores devem se refletir também na diminuição ou mesmo fim do superávit primário, de modo que o dinheiro que o Estado economiza para pagar juros seja investido em infraestrutura, saúde, educação, criação de novas estatais.
25- A chamada guerra cambial evidencia a necessidade de mudar a política cambial, pondo fim ao dogma neoliberal do câmbio flutuante, e impor um controle mais rigoroso sobre o fluxo de capitais estrangeiros. O déficit em conta corrente deve ser combatido e a taxação das remessas de lucros das multinacionais é uma medida necessária neste sentido.
26- Um novo projeto de desenvolvimento, fundado na valorização do trabalho, requer reformas estruturais:
– Reforma política, que consagre o financiamento público das campanhas e restrinja a influência do poder econômico e a corrupção nas campanhas eleitorais.
– Reforma agrária, bandeira histórica do nosso povo que ainda não foi devidamente contemplada e deve ser acompanhada pelo fortalecimento da agricultura familiar.
– Reforma urbana, com foco na eliminação do déficit habitacional. – Reforma educacional, de forma a universalizar o acesso a um ensino público e gratuito de qualidade.
– Reforma tributária, para estabelecer um sistema tributário progressivo, desonerar o trabalho, reduzir os impostos indiretos e ampliar os diretos, taxando as grandes fortunas, o sistema financeiro e as grandes propriedades.
– Reforma dos meios de comunicação, contra o monopólio e pela democratização da mídia, hoje hegemonizada por uma meia dúzia de famílias reacionárias.
Educação
27- Temos consciência da crescente importância da educação para o desenvolvimento nacional, a inserção do país na divisão internacional do trabalho, a produção e distribuição da renda e o futuro da nossa classe trabalhadora. É notório o atraso do Brasil nesta área. O nível médio de escolaridade não alcança o ensino fundamental e a taxa de analfabetos permanece relativamente alta.
28- É imperativo ampliar os investimentos em educação, valorizar os profissionais do ramo, garantir o ensino público e gratuito de qualidade acessível a todos. A União deve dedicar parte dos lucros do pré-sal a esta finalidade.
29- Uma proposta das centrais sindicais que merece maior atenção neste sentido é a destinação de uma parte da jornada de trabalho (remunerada) ao estudo, visando a elevação do nível de escolaridade e educação da classe trabalhadora.
Desenvolvimento socioambiental
30- Queremos um desenvolvimento sustentável do ponto de vista ambiental e social, pautado pelo respeito à natureza e aos direitos do povo.
Papel do Estado e luta pelo socialismo
31- O Estado, que deve estar a serviço da maioria, tem um papel fundamental no novo projeto de nação que defendemos. O desenvolvimento que almejamos não virá sem luta.
32- E digo mais! A crise da sociedade capitalista e da ordem mundial imperialista, remanescente da 2º Guerra, recoloca para a classe trabalhadora e a humanidade a necessidade de reavivar a luta pelo fim do capitalismo e pelo socialismo. Acreditamos que no socialismo poderemos superar as crises e harmonizar o desenvolvimento com os interesses e os ideais mais elevados do ser humano.
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As centrais sindicais demonstraram união na defesa da agenda do trabalhador. Os líderes sindicais estiveram reunidos na oficina sobre Trabalhadores e Macroeconomia, na manhã desta quinta-feira (25), na 1ª Conferência do Desenvolvimento, promovida pelo Ipea em Brasília. Eles esperam que o governo de Dilma Rousseff decida pela valorização do trabalho contra a remuneração do capital na execução do projeto nacional de desenvolvimento.

O presidente da CTB, Wagner Gomes, se manifestou preocupado com a fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deve permanecer na pasta, sobre o salário mínimo. Segundo Gomes, que recebeu apoio dos demais presidentes, com a decisão de aumentar ou não o salário mínimo para R$ 580, como querem os trabalhadores, o governo define qual o rumo que pretende dar ao governo – “se vai valorizar o trabalho ou a especulação financeira”, afirma Gomes.
“A classe trabalhadora está esperando avanços e para se avançar tem que haver mudanças na macroeconomia”, diz o presidente da CTB. Para ele, que mais uma vez teve a concordância dos demais dirigentes sindicais, “não é só erradicar a miséria que precisamos”, criticando a ajuda dada pelo governo aos bancos e empresas na época da crise econômica, que ele chamou de bolsa-crise.
O presidente da CUT, Artur Henrique, complementou a fala de Gomes, dizendo que “as centrais querem saber, na correlação de forças entre capital e trabalho, qual a parte que nos cabe nesse governo (Dilma)”. Ele reforçou o discurso da necessidade de investimentos na qualificação profissional destacando que existem 25 mil pessoas que recebem Bolsa-Família que podem ir para a construção civil desde que sejam capacitados. “A educação é pilar de qualquer desenvolvimento”, enfatizou.
A transferência de renda para os bancos, na opinião geral, é o gargalo que precisa ser transposto para garantir o desenvolvimento do Brasil com ampliação de emprego e renda. As centrais defendem a união dos trabalhadores, governo e empresários para garantir transição da estabilidade, alcançada com o governo Lula, para estabilidade com desenvolvimento.
Eduardo Rocha, da UGT, disse que para aprofundar a agenda do projeto nacional de desenvolvimento é preciso a atuação maior do Estado na economia para gerar emprego e impedir a desnacionalização da indústria, citando vários casos de empresas estrangeiras que estão comprando indústrias nacionais.
Para ele, o último a falar, “o Estado deve radicalizar a democracia com paredes de vidro para que a sociedade saiba a dinâmica e funcionamento das políticas públicas”. Segundo ele, “a sociedade é que deve controlar o Estado e não o Estado controlar a sociedade”. Acrescentou que “é inadmissível que quatro, cinco pessoas dentro do Copom [Comitê de Política Monetária do Banco Central] decida a remuneração do capital”.
União ajuda
O deputado eleito pelo PCdoB-RS e presidente do Sindicato dos Metalúrgico de Caxias do Sul, Assis Melo, disse que vai fortalecer a luta dos trabalhadores no Legislativo e que vai levantar o debate sobre a quem interesse um projeto de desenvolvimento para o Brasil sem a participação dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que elogiou a iniciativa do Ipea de promover um evento que coloca o trabalhador como protagonista do desenvolvimento.
Os líderes sindicais também manifestaram o desejo de manter esse união na luta pelas metas dos trabalhadores. “Acabou a eleição, nós vamos voltar à nossa pauta de trabalho e negociar com o governo o aumento real do salário mínimo, redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, e Convenção 151 e 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho)”, sustentou Artur Henrique, para quem “a experiência tem mostrado que quando estamos unidos os resultados são concretos”.
Serviço:
A 1a Conferência de Desenvolvimento continua até sexta-feira (26) no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com entrada franca. O evento promove um amplo debate entre os diversos setores do governo e da sociedade civil em torno das estratégias de desenvolvimento adotadas pelo país. A programação inclui um total de nove painéis temáticos e 88 oficinas, além do lançamento de livros, exposições e apresentações artísticas e culturais, abertas ao público.

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Os dirigentes das centrais não gostaram das sinalizações do ministro Mantega

 

A luta dos trabalhadores em Portugal, com projeção para todo o continente europeu, teve na última quarta-feira (24) um momento elevado. Mais de três milhões de trabalhadores realizaram a maior greve geral do país, num clamoroso protesto contra as medidas antipopulares, inspiradas pelo mais tacanho conservadorismo, a mais reacionária visão econômica e pelo neoliberalismo, aplicadas por um governo, na prática, de direita liderado por um partido que se diz “socialista”

O líder da CGTP, Carvalho da Silva, disse que foi a “greve geral com mais impacto até hoje”. Ele insistiu na reivindicação de aumento do salário mínimo para 500 euros em 2011 e de reposição dos apoios sociais cortados nos últimos meses.
Contrariamente ao sentimento claramente manifestado pelos trabalhadores portugueses, a ministra do Trabalho, Helena André, disse que a margem de manobra para alterar as políticas que estiveram na origem da greve “é nula”.
Entretanto, os secretários gerais das duas centrais sindicais que organizaram a greve geral, Carvalho Silva, da CGTP, e João Proença, da UGT, manifestaram a confiança de que a greve – que teve particular expressão nos transportes, educação, saúde, autarquias e empresas do setor público – vai contribuir para mudar as políticas. “Vai ter efeitos no imediato e no futuro”, disse o líder da CGTP, que destacou a “transversalidade” do protesto e a adesão de muitos “setores e camadas de trabalhadores com qualificações diversas”.
“Não podem ser só os trabalhadores a pagar a fatura. Assim, não. Não é por este caminho”, reforçou o secretário-geral da UGT.
Para além da luta pela reposição da proteção social dos trabalhadores, a questão central para os sindicatos é o “combate ao desemprego”.
O secretário geral do Partido Comunista Português, Jerônimo de Sousa, considerou o nível alto de adesão à greve uma derrota do “conformismo e da resignação”.
Ele emitiu uma declaração, reproduzida a seguir na íntegra:

Grande jornada de luta: mais de três milhões de trabalhadores envolvidos na greve geral
Hoje por todo o país os trabalhadores fizeram ouvir a sua voz. A Greve Geral de 24 de novembro convocada pela CGTP-IN, uma das mais importantes jornadas de luta realizada em Portugal depois do 25 de abril, constituiu uma poderosa resposta à brutal ofensiva do governo PS e do PSD, e de todos aqueles, como é o caso do Presidente da República, que têm patrocinado o rumo de desastre nacional imposto ao país.
Uma grande greve geral que ficará inscrita na história da luta dos trabalhadores e do povo português que teve o envolvimento de mais de três milhões de trabalhadores. Uma vitória sobre a resignação e o conformismo. Uma jornada que, pela sua dimensão, reafirmou o valor maior da luta.
1. O PCP destaca a dimensão nacional e o carácter transversal da greve geral. Por todo o país, no continente e regiões autônomas, registou-se uma adesão extraordinária na generalidade dos setores de atividade.
O PCP sublinha a importância e significado das fortes adesões no setor dos transportes como o Metro Lisboa, Porto e Sul do Tejo, Soflusa, Transtejo, CP, Refer, EMEF e em dezenas de empresas rodoviárias como é o exemplo dos STCP, Carris, Rodoviária Entre-Douro e Minho, Grupo Barraqueiro e a Transdev. O encerramento de todos os portos marítimos e grande parte dos portos de pesca e o cancelamento da totalidade dos voos (mais de 500). A greve geral assumiu ainda forte impacto no setor produtivo de que são exemplo: no setor automóvel a Auto-Europa e todo o seu complexo industrial, a Renault-Cacia, a Mitsubishi, Tudor e Camac; no setor da metalurgia e metalomecânica como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o Arsenal do Alfeite, a Lisnave, a Sacti, Jado Ibéria, Camo; no setor de cimento, cerâmica e vidro, a CNE, a Atlantis/Vista Alegre, SaintGobain/Covina, a Cinca e Lusoceran; no setor corticeiro o Grupo Amorim; no setor têxtil, vestuário e calçado o Grupo Paulo Oliveira, Têxtil Almeida e Filhos, Califa, Triunph e KIAIA; no setor alimentar e bebidas a CentralCer, Kraft Foods; e em centenas de outras empresas de outros setores produtivos.
O PCP sublinha ainda a grande resposta dada pelos trabalhadores da administração pública central e local com paragens que atingiram níveis históricos com paralisação total ou parcial em praticamente todo o país da recolha de resíduos sólidos, encerramento de centenas de escolas, politécnicos e faculdades, departamentos públicos, finanças, tribunais e outros serviços públicos como foi do caso do setor da saúde com uma forte adesão dos trabalhadores do setor.
O PCP valoriza ainda a dimensão e os impactos que a adesão de milhares de trabalhadores teve em diversos setores e empresas, como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o caso dos mais de 400 balcões da CGD encerrados, assim como de outros bancos e de praticamente todos os postos dos CTT, e das importantes e significativas adesões registadas nos trabalhadores dos hiper e supermercados, auto-estradas e centros de contato.
Uma dimensão tanto mais valorizável quanto construída sob a pressão e chantagem sobre os trabalhadores. Pressão ideológica sobre a alegada inutilidade da luta; chantagem decorrente da imposição ilegítima de serviços mínimos que visam condicionar o direito à greve; pressão econômica, dirigida sobretudo a trabalhadores com vínculo precário, com a ameaça de demissão e de perdas nas remunerações (prêmios); e o condicionamento ilegal com o recurso em vários casos à força por parte da PSP e da GNR para dar cobertura à violação do direito à greve.
Um êxito tanto mais assinalável quanto centenas de milhares de trabalhadores se vêem confrontados com situações de endividamento e com o agravamento do custo de vida. Trabalhadores para quem, a realização de um dia de greve implica prescindirem de um dia do seu salário.
Esta greve geral veio do coração de cada empresa ou local de trabalho, da inabalável e consciente opção de cada trabalhador. Veio do sentimento de protesto, indignação e luta de milhões de trabalhadores que quiseram dizer “Basta”. Basta de injustiças! Basta de sacrifícios para os mesmos de sempre. Uma greve geral que constitui um momento singular de afirmação de dignidade dos trabalhadores portugueses.
2. Esta greve geral foi uma justa e necessária jornada de luta contra o roubo nos salários e pensões. Contra os cortes nas prestações sociais, no abono de família ou no subsídio de desemprego. Contra o aumento dos preços dos bens e serviços essenciais como os transportes ou os medicamentos. Contra a destruição dos serviços públicos e a privatização de empresas estratégicas.
Esta greve geral foi uma justa e necessária resposta ao agravamento do desemprego, ao alastramento da precariedade, ao empobrecimento de vastas camadas da população. Uma justa e necessária resposta ao processo de liquidação do aparelho produtivo, ao crescente endividamento do país e à perda de soberania nacional.
Esta greve geral foi uma justa e necessária resposta contra a escandalosa acumulação de lucros por parte dos grupos econômicos e financeiros que, em nome da crise e do déficit das contas públicas, querem impor o agravamento da exploração dos trabalhadores e o esbulho dos recursos nacionais.
3. O PCP saúda todos os trabalhadores portugueses pela sua participação nesta greve geral.
Saudamos em particular os milhares de jovens trabalhadores que, pela primeira vez, participaram numa jornada de luta desta envergadura, elemento de incontornável valor político que se projeta como uma importante garantia para o futuro.
O PCP saúda a CGTP-IN, o movimento sindical unitário e todas as estruturas representativas dos trabalhadores pela sua ação e capacidade de organização demonstradas. A CGTP-IN confirma-se e afirma-se como a grande central sindical dos trabalhadores portugueses, referência incontornável para a defesa dos interesses dos trabalhadores e para o futuro do país.
4. Esta greve geral não foi um ponto de chegada, mas uma etapa numa exigente e prolongada luta que a situação nacional exige. Depois da realização desta greve geral, nada ficará como antes. O governo e os partidos que apoiam a sua política e o presidente da República que a patrocina tiveram nesta jornada de luta uma clara condenação, um sério aviso e uma firme exigência de ruptura com a política que promovem.
A greve geral constitui uma poderosa manifestação dos trabalhadores e do Povo português da sua disponibilidade para impedirem o prosseguimento da atual política, para serem parte determinante da ruptura e mudança de que o país precisa.
O PCP esteve ao lado desta greve geral porque está com a luta dos trabalhadores, porque está comprometido com a exigência de aumento dos salários, de desenvolvimento do aparelho produtivo, de aposta no investimento e nos serviços públicos. O PCP esteve e está com a luta dos trabalhadores porque a sua luta é a luta por um país de progresso, de justiça social, por um Portugal soberano e independente.
Renovando o seu compromisso de sempre com esta luta, o PCP reafirma aos trabalhadores e ao povo português que podem contar com o PCP.
Fonte: www.vermelho.org.br  com agências

Causou estranheza na Secretaria de Imprensa da Presidência da República um questionamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo sobre quando “exatamente os blogueiros pediram a entrevista com o presidente Lula e quando tiveram a resposta positiva. “Uma pergunta inédita. O Presidente já concedeu 960 entrevistas à imprensa ao longo dos dois mandatos. A Folha nunca teve a mesma curiosidade em relação a outras entrevistas do Presidente”, diz o Blog do Planalto.

A nota no BLog foi publicada sob o título “Preconceito é uma doença”, deixando claro a impressão que o jornal causou ao questionar a realização da coletiva com os blogueiros progressistas.

Lula concedeu entrevista coletiva nesta quarta (24), no Palácio do Planalto, para 11 blogueiros e tratou de diversos temas como a democratização da comunicação, direitos humanos, reforma política e redução da jornada de trabalho. Foram mais de duas horas de entrevista de forma inédita.
“O importante é registrar o fato histórico: blogs sem ligação com nenhum portal da internet foram recebidos pelo Presidente da República numa coletiva (…) E os portais tradicionais (quase todos) abriram janelas na capa para transmitir a entrevista ao vivo. Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa: quebrou-se o monopólio. Internautas puderam perguntar, via twitter. O mundo da comunicação se moveu. Foi simbólico o que vimos hoje”, avaliou Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador.

Lula gostou tanto da entrevista que prometeu se dedicar à internet depois que se “desencarnar” do cargo de presidente. “Pode ficar certo de que serei tuiteiro, blogueiro. Eu vou ser um monte de coisa que eu não fui até agora. Quero ficar quatro meses sem fazer nada quero desencarnar primeiro pra gente começar a conversar”, disse.

Fonte: www.vermelho.org.br

25 nov 2010

Blogueiros entrevistam presidente Lula

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

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24 nov 2010

Lula avisa: “serei blogueiro, serei tuiteiro”

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

A dinâmica da entrevista não foi a ideal, certamente. Mas era a única possível: só uma pergunta por entrevistado, sem possibilidade de réplica, para que os outros blogueiros pudessem perguntar também (em coletivas “convencionais”, repórteres brigam pelas perguntas, atropelam uns aos outros muitas vezes; os blogueiros combinaram de agir de outra forma).

Além disso, faltaram as mulheres (só Conceição Oliveira entrou, via twitcam). Fizeram muita falta.

Mas o importante é registrar o fato histórico: blogs sem ligação com nenhum portal da internet foram recebidos pelo Presidente da República numa coletiva hoje cedo, no Palácio do Planalto. E os portais tradicionais (quase todos) abriram janelas na capa para transmitir a entrevista – ao vivo.

Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa: quebrou-se o monopólio. Internautas puderam perguntar, via twitter. O mundo da comunicação se moveu. Foi simbólico o que vimos hoje.

A velha mídia vai seguir existindo. Ninguém quer acabar com ela. Mas já não fala sozinha. Ao contrário: Estadão, UOL e outros ficaram ligados na entrevista com o presidente. Entrevista feita por blogueiros que Serra, recentemente, chamou de “sujos”. Os sujinhos entraram no jogo…

Foi só o primeiro passo. Caminhamos para a diversidade. O que é muito bom.

Quanto ao conteúdo, importante registrar que Lula anunciou: quando “desencarnar” da presidência (expressão repetida várias vezes durante a coletiva), vai entrar na internet. “Serei blogueiro, serei tuiteiro”.

O presidente deixou algumas questões sem resposta. Não explicou de forma convincente dois pontos: por que Brasil não abre arquivos da ditadura? E porque Paulo Lacerda foi afastado da PF e da ABIN depois da Satiagraha? Sobre esse último ponto, Lula chegou a dizer: “Tem coisas que não posso dizer como presidente da República.“

Hum… Frustrante. O mistério ficou. Paulo Lacerda contrariou quais interesses?

Os blogueiros não perguntaram sobre Reforma Agrária. Falha grave. Nem sobre saúde. E sobre política externa ninguém falou; felizmente, Lula desembestou a falar sobre o tema (mesmo sem ser perguntado), contando um ótimo (e divertido) bastidor sobre as conversas dele com o líder iraniano.

Natural que muitas perguntas tenham se concentrado na questão das comunicações. É essa a batalha que move os blogueiros. Mas ainda bem que surgiram também outros temas, como Direitos Humanos, jornada de trabalho, fator previdenciário, Judiciário, composição do Supremo.

Numa coletiva para a velha mídia, a pauta certamente seria diferente. Haveria mais perguntas sobre a composição do ministério de Dilma, sobre guerra cambial. Mas aí seria uma coletiva da velha mídia. Papel dos blogueiros foi trazer outros temas ao debate.

Poderíamos ter feito melhor, sem dúvida. Da próxima vez, deveríamos debater melhor a composição da bancada de entrevistadores. Fiquei um pouco frustrado, também, porque havia a promessa de uma segunda rodada de perguntas. Mas não houve tempo. Parte do jogo.

Importante é que esse canal está aberto.

Tentei, durante a entrevista, resumir o que Lula ia falando. Um resumo falho em vários pontos. Mas serve como uma primeira leitura.

Hoje, ainda, o “Blog do Planalto” deve subir a entrevista na íntegra (em vídeo e áudio).

A seguir, o resumo da primeira coletiva de um presidente da República aos blogueiros progressistas no Brasil.

(Pergunta do Renato Rovai, sobre avanços nas comunicações – por que não se avançou mais no mandato de Lula) “Avanço nas comunicações depende da correlação de forças na sociedade. Esforço agora pra votar PL29, chega uma hora e pára.” Lembra que foi difícil fazer Confecom, “muita gente querendo boicotar, bocado de gente não quis participar. Deixamos preparado, costurado pra Dilma avançar mais nessa área. Precisamos ter correlação de força no Congresso para ter mais avanços.” Eu agora quero desencarnar da presidência, deixar internamente de ser presidente. Ex-presidente é que nem vaso chinês, é bonito, mas muitas vezes não tem onde guardá-lo.” Fala do projeto de Azeredo (AI-5 digital) “estupidez – querer censurar internet.”

(Pegunta de Conceição Oliveira, via twitcam, sobre preconceito contra negros na escola) Lula lembra como foi difícil aprovar cotas, muita gente contra. “Matamos essa historia com ProUni, que trouxe muitos negros pra Universidade.” Lembra que vai lançar Universidade Afro-brasielira em Redenção (CE). Mas é um processo longo pra ensinar a historia, como negros chegaram ao Brasil, ensinar isso na escola. “Trabalho com a certeza de que a atual geração que está no Ensino Fundamental quando tiver 20 anos vai estar com a cabeça mais arejada para tratar da questão da igualdade racial, com mais força. Quando sair da presidência, quero visitar quilombos pelo país, ver o que avançou, o que não avançou. Estou otimista, vamos evoluir. Mas  preconceito é uma doença que está nas entranhas das pessoas. Essa campanha (eleitoral) mostrou um pouco isso. O fato de alguém dizer que era preciso afogar um nordestino mostra isso. Se fosse nordestino e negro, então…”

(Leandro fortes sobre Direitos Humanos, PNDH-3) “Enquanto cidadão, sou contra aborto. Mas como chefe de Estado reconheço que é caso de saúde publica, meninas por aí fazem aborto, chefe de Estado sabe que isso existe, e não vai permitir que madame vá a Paris fazer aborto e uma menina pobre morra. PNDH 1 e 2, feitos no governo FHC, trataram as coisas de forma muito parecida. Os meios de comunicação que estão triturando agora PNDH3 não falaram nada no primeiro e segundo. Ate questão do controle social da mídia está nos planos anteriores.” Sobre Araguaia: “Eu gostaria de ter encontrado os cadáveres. Gostaria. Por isso mandamos a comissão pro Araguaia. É justo que a historia seja contada na sua totalidade, não apenas meia historia.”

(Altino Machado, sobre derrota de Dilma no Acre) “Erro político no Acre. Não foi o povo que errou, disso tenho certeza. Até Marina lá teria dificuldade pra se eleger. Uma das causas de ela ter saído a presidente é que teria dificuldades pra ganhar pro Senado”. Lula prometeu visitar o Acre em seis meses e esclarecer melhor o que se passou por lá. Prometeu entrevista ao Altino quando for pra lá, depois de deixar presidência.

(Rodrigo Vianna , sobre a velha mídia que agora é nacionalista, quer barrar entrada de estrangeiros) “Tem que ter controle de entrada de estrangeiros, sim. Uma coisa é ser dono de banco, que lida com bolso, outra é a imprensa que lida com a cabeça das pessoas. Mas tenho problemas na relação com a mídia antiga. Sei que lutaram pra me derrotar. Sou resultado da liberdade de imprensa nesse país. Temos telespectador, ouvinte, leitor. Eles (velha mídia) acham que povo é massa de manobra. Eles se enganam. Tem que lidar com internet, algo que eles não sabem como lidar. Temos também que trabalhar para democratizar a mídia eletrônica. Sai pesquisa com 80% de aprovação, e eles ficam assustados. Povo brasileiro conseguiu conquistar espaço extraordinário. Não se deixa levar por um colunista que não tem interesse em divulgar os fatos. Antes eles não tinham que se explicar, agora, eles tem. Precisa se explicar também para os blogueiros. Quanto mais liberdade, melhor…”

(Altamiro Borges pergunta sobre 40 horas e Fator previdenciário) Lula diz que seria necessário mudar, mas não dá resposta objetiva. Depende de negociações e tal…

(Ze Augusto, sobre Lula pós mandato, se ele vai cuidar da reforma Política) “Reforma Política, sou a favor. Quero saber porque há dificuldades dos partidos de esquerda ajudarem na reforma politica.”

(Eduardo Guimarães, sobre casos de alarmismo da mídia) Lula se estende e volta a lembrar as dificuldades na relação com a velha mídia.

(Sr Cloaca, sobre demora pra convocar Confecom e relação com mídia)

(Túlio Vianna, sobre indicações de Lula ao STF, perfil conservador) “Graças a Deus o Supremo não é minha cara. Se não, voltaríamos ao tempo do Império ou do ACM na Bahia. Indiquei companheiro Brito, indicação de juristas de esquerda. Depois, Joaquim Barboza (primeiro negro). Não conhecia Carmen quando indiquei. Lewandovski eu não tinha relação pessoal.  O único com quem tinha amizade era o Eros Grau. Todos com visão progressista. O Peluso eu não conhecia. O Direito pra mim foi surpresa, muita gente tinha dúvida porque eu estaria indicando um ministro de direita, mas a atuação dele foi boa. Não pode indicar pensando na próxima votação na Suprema Corte, nem nos processos contra o presidente da República. Tem que pensar na competência jurídica. Tem gente de direita, de esquerda… Eu posso indicar até o dia 17, ou deixar a Dilma indicar. O indicado agora vai ter muita responsabilidade: Ficha Limpa, Mensalão, Batisti. Quero acretar com a Dilma, saber se tem alguém que ela quer indicar ou vamos construir junto. E faria o mesmo se o Serra tivesse ganho. É o jeito de ser republicano”

Volta a falar de mídia: “Não leio jornais, revistas. A raiva deles é que na os leio. Pelo fato de não ler, não fico nervoso. Tenho muita informação, mas não preciso ler muitas coisas que eles escrevem pra ter essa informação. Ninguém pode reclamar, ganharam dinheiro. Algumas (empresas de mídia) tavam quebradas quando eu cheguei ao poder”.

Fala de política externa: Lula conta que perguntou ao Ahmanidejad  se é verdade que ele nega  o holocausto, porque seria o único no mundo a negar. O líder iraniano negou, disse que quis dizer que morreram milhões na Segunda Guerra, não só judeus. Nunca ninguém (líderes importantes) tinha conversado com líder iraniano. Conta logo bastidor  sobre conversas com iraniano.”

(Pierre Lucena sobre Satiagraha e PF, afastamento do Paulo Lacerda) “Tenho coisas que não posso dizer como presidente da República, mas posso dizer que quanto mais combate corrupção mais aparece. Mas PF nunca trabalhou 20% do que trabalhou no meu mandato. Paulo Lacerda saiu porque tava há muito tempo na PF. Esse companheiro Luiz Fernando é grande diretor da PF. A PF como um todo só merece elogio. No meu governo, minha família foi investigada, entraram na casa do meu irmão. Não agi pra evitar. Quero que investiguem tudo, escancare. Mas primeiro provem, depois denunciem.”

(pergunta de leitora, via twitter, sobre momento mais complicado na presidência) Lula diz que foi o acidente da TAM em Congonhas. Tentaram culpar governo pelo acidente. Ficou frustrado por ver vidas humanas usadas para abater o governo.

No fim, voltou à campanha eleitoral, falou do lamentável episódio da “Boilnha de entrevista” e repetiu: Serra deve desculpas ao povo brasileiro! (antes de a entrevista começar, Lula brincou com blgueiros: “vou amassar uma folhas e jogar bolinha na cabeça de vocês”).

Leia mais: http://www.rodrigovianna.com.br

 

Amanhã (quarta-feira, 24/11) o presidente Lula será entrevistado pelos blogueiros Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia Eu Vi), José Augusto (Amigos do Presidente Lula), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).

O evento acontecerá às 9h da manhã da próxima quarta-feira no Palácio do Planalto e será transmitido ao vivo pelo Blog do Planalto, pelos blogs que participarão da primeira entrevista coletiva do presidente Lula à blogosfera e por outros blogs e sites interessados em retransmiti-la. No blog do governo Lula haverá instruções sobre como incorporar a transmissão a outras páginas da web ou como participar via Twitter.

Deixe aqui um comentário com a sua pergunta que este sujo blogueiro entregará todas elas ao presidente da República.

Por fim, como os blogueiros que participarão da coletiva com o presidente Lula só tiveram a confirmação final do evento ontem à tarde, o tempo para divulgação ficou um tanto quanto apertado. Por isso, pede-se aos leitores que difundam o evento na internet, entre amigos e parentes etc. Será uma entrevista diferente de todas as outras que o presidente Lula deu. Portanto, será imperdível.

Leia mais no:  www.blogcidadania.com.br

Nota da redação: O termo blogueiros “sujos” foi dado pelo então candidato José Serra (PSDB), quando soube que aconteceria em agosto, o I Encontro de Blogueiros Progressistas, em São Paulo. O candidato derrotado se referia como blogueiros “sujos”  os participantes do evento.

Altamiro Borges (www.altamiroborges.blogspot.com) será um dos blogueiros a entrevistar o presidente Lula

 

Governo amigo da Carteira de Trabalho: empregos mais valorizados.  O governo do presidente Lula deverá gerar até o final de seu mandato  mais de 15 milhões de empregos formais, ou seja, com carteira assinada, em oito anos de mandato, 2003/2010

Um número excepcional pois se forem somados os resultados alcançados
pelos governos de FHC, Itamar, Collor e Sarney, juntos criaram cerca de
8,2 milhões de empregos formais em 18 anos: de 1985 a 2002!

A diferença é enorme na geração de vagas. E supera de longe os
presidentes pós ditadura-militar em um dado importantíssimo para a economia
nacional: a massa salarial do trabalhador brasileiro, que também cresceu bastante.

De acordo com a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), que
registra todas as contratações e demissões de empregados regidos pela CLT
(Consolidação das Leis do Trabalho), pelo regime estatutário, dos
servidores públicos, além dos trabalhadores temporários e avulsos, a expansão
durante o governo Lula é incontestável. De 2003 até outubro de 2010 foram
criados 14.929.843 empregos. Isso dá a Lula uma média de quase 1,9
milhão de postos de trabalho por cada ano de seu governo.

Receituário do Novo Brasil da Era Lula superando as fracassadas teses
neoliberais –
O Estado como indutor da economia, planejando e investindo em
infraestrutura, principalmente no setor energético, na construção civil
e nas grandes obras viárias país afora, irrigado por uma oferta de
crédito e financiamentos públicos, tornaram possível o governo alcançar níveis de empregos inimagináveis no início do atual século.

*Leia a íntegra: http://palavras-diversas.blogspot.com/2010/11/o-saldo-historico-de-lula-mais-de-15.html>

Carteira de Trabalho assinada: símbolo da era Lula