Nesses dias é frequente ouvir perguntas sobre o site WikiLeaks em todas as partes: “Quem o financia, a quem beneficia, a quem prejudica, como é possível que o império se mostre tão vulnerável?”

Por Manuel E. Yepe, no Granma

Não é difícil descobrir que quem está mais dramaticamente exposto nos documentos vazados pelo WikiLeaks é o atual, agora impopular, governo dos Estados Unidos e, talvez por isso, a inusitada ação foi recebida com aprovação jubilosa em quase todas as partes do mundo, porque constituía um aporte de provas para a denúncia das sujas manipulações imperiais contra os povos.
Diria-se que a opinião pública aprovava de antemão aquele gesto heroico de subtrair, à la Robin Hood, papéis secretos do governo dos Estados Unidos que colocavam de maneira clara o desrespeito à independência de outras nações e à soberania dos povos com que a política nacional e a diplomacia estadunidense assumem um papel que pretende ser de líder do mundo, para difundi-los à escala global.
Obviamente, tal exercício havia significado uma extraordinária comoção nos procedimentos informativos estabelecidos.
Muitos pensaram inclusive que tais revelações poderiam ser o prelúdio do fim do império estadunidense ou do fim do capitalismo. Era difícil supor que tão inconcebíveis testemunhos da violência e do desprezo com os quais os Estados Unidos manejam suas relações, não só com seus inimigos como também com seus amigos e associados, fossem ficar impunes à luz do direito internacional.
As primeiras revelações que puderam ser apreciadas pela opinião pública mundial, por seu caráter sensacionalista, fizeram pensar que as expectativas se justificavam, mas logo se soube que o fato não era, como se acreditava, algo semelhante a uma absoluta liberdade de difusão de informação que escapara das regras de controle impostas por Washington.
Logo ficou evidente que, por algum motivo, a disciplina que vinha regendo a suposta liberdade de imprensa no hemisfério não havia cedido no caso do evento WikiLeaks.
Não se sabe bem como aconteceu para que os dirigentes do site aceitassem que os documentos, obtidos a princípio para fazê-los de livre conhecimento dos povos, fossem selecionados ou censurados por um agrupamento de cinco dos meios mais representativos da grande mídia Ocidental, que sempre respeitou historicamente as regras impostas pelos Estados Unidos.
Poderia se supor que a pressão a que foi submetido o principal responsável pelo WikiLeaks pelas autoridades estadunidenses de Relações Externas e Inteligência foi responsável para que ele cedesse, como em uma queda de braço.
Esses cinco meios foram os diários The New York Times, El País, Le Monde, The Guardian e a revista Der Spiegel, respectivamente dos Estados Unidos, Espanha, França, Reino Unido e Alemanha.
Supõe-se que estas cinco publicações chegaram a alguma espécie de pacto com o WikiLeaks sobre a base de que, antes de publicar os documentos, adverteriam o Departamento de Estado e se colocariam de acordo entre elas para que os textos publicados se mantivessem dentro de certos parâmetros “éticos” vigentes.
Ou seja, diferentemente do que ocorreu antes com as informações confidenciais reveladas pelo WikiLeaks, nesta ocasião foi instrumentado um filtro, ou censura, a cargo de várias mídias acostumadas a serem regidas pela disciplina informativa estabelecida por Washington para as grandes mídias ocidentais, que se identificam como a “mainstream media”, informando antes da sua publicação a administração estadunidense.
Mas mais além ainda destas dúvidas sobre a verdadeira natureza da operação WikiLeaks, estão as dúvidas sobre quais são as forças internas ou elementos nos Estados Unidos que estão por trás do assunto ou que propiciaram a sua ocorrencia.
Não são poucos os que atribuem a paternidade da audaz façanha jornalística à extrema direita dos Estados Unidos, as forças neoconservadoras que perderam, com a ascensão de Barack Obama, o controle total que exerceram desde a administração de Ronald Reagan até a de George W. Bush.
Eles supõem que a contundende derrota do partido Democrata nas eleições de meio termo abriu os apetites das forças neoconservadoras, no sentido de golpear o ferido até assegurar seu extermínio e o regresso da ultra direita ao poder nas eleições de 2012, ou antes.
Muitas outras respostas são dadas às perguntas sobre os reais motivos do fenômeno WikiLeaks, cujos objetivos dificilmente poderão ser qualificados de nobres ou positivos, embora seu surgimento tenha sido recebido com júbilo por aqueles que consideram merecida uma sanção ao presidente Barack Obama, dada sua pobre atuação a favor daqueles que o elegeram, apoiando seu discurso renovador.

Fonte: Granma (http://www.granma.cubaweb.cu/2010/12/02/interna/artic01.html)

 

Memorando de Hillary Clinton lista cerca de 300 locais no planeta cuja perda ameaçaria o país ou afetaria a economia ou a saúde pública dos americanos; Washington e Londres criticam divulgação, dizendo que a lista é um “presente para a Al-Qaeda”

Um documento secreto assinado em fevereiro de 2009 pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e divulgado ontem pelo WikiLeaks, mostra que alguns recursos naturais brasileiros estão em uma lista de interesses estratégicos de Washington e são considerados “vitais” para a segurança nacional americana.

O documento traz uma relação de cerca de 300 locais espalhados pelo mundo cuja perda “pode ter um impacto crítico na segurança econômica, saúde pública ou na segurança nacional dos EUA”. A recomendação de Hillary era para que todas as embaixadas produzissem uma lista onde há pontos “críticos de infraestrutura” e “recursos-chave” em cada país.

No Brasil, os locais relacionados foram: dois cabos submarinos de telecomunicação em Fortaleza (CE) e um no Rio de Janeiro, as minas de minério de ferro e manganês da multinacional Rio Tinto – que hoje pertencem à Vale -, e as minas de nióbio de Araxá (MG) e Catalão (GO).

Não constam da lista as reservas do pré-sal e nem os recursos biológicos da Amazônia, alardeados pelo governo brasileiro como locais que precisam ser protegidos da ameaça externa.

Nióbio. O Brasil tem 98% das reservas mundiais exploráveis de nióbio, metal usado em ligas de grande resistência, matéria-prima para cápsulas espaciais, mísseis, foguetes, reatores nucleares e semicondutores. O produto é tido como fundamental para a indústria bélica e espacial dos EUA, que importa do Brasil até 87% do nióbio de que necessita.

Segundo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, somente as reservas de nióbio da mina de São Gabriel da Cachoeira (AM) valeriam cerca de US$ 1 trilhão. A mina de Araxá seria responsável por 75% de todas as reservas mundiais do metal.

Os diplomatas americanos listaram também pontos de eventuais estrangulamentos no fornecimento de suprimentos usando como base três critérios: ligações físicas diretas (gasodutos, oleodutos, cabos de telecomunicações e pontes perto da fronteira americana), produtos e serviços controlados por outros países (matérias-primas essenciais para a indústria dos EUA) e locais de passagem fundamentais para comércio mundial (como o Canal do Panamá e os Estreitos de Ormuz. Gibraltar e Malaca).

Também fazem parte da lista usinas hidrelétricas próximas do território americano, localizadas no México e no Canadá, que são importantes para o fornecimento de energia do país. Outros recursos naturais relacionados são a exploração de zinco no Peru, a de cobre no Chile, a de cobalto no Congo e de bauxita em Guiné, assim como a usina de Abqaiq, na Arábia Saudita, maior centro de processamento de petróleo do planeta, e o entroncamento de gasodutos em Nadym, no oeste da Sibéria, que é descrito como o mais “crucial do mundo”.

O objetivo do documento secreto seria também manter um inventário, atualizado anualmente, dos locais fora dos EUA cuja perda poderia afetar a “saúde pública do país”, principalmente diante do temor de epidemias e ataques de bioterrorismo.

Por isso, a lista inclui desde uma fábrica de soro antiofídico na Austrália até uma indústria de insulina na Dinamarca. Há ainda laboratórios farmacêuticos na Espanha, França e na Suíça – a Roche, que produz o Tamiflu, usado para combater a gripe suína, também foi incluída na relação.

Reação. O Departamento de Estado dos EUA e o governo britânico criticaram a divulgação dos locais estratégicos.

O argumento é o de que o documento é um presente para grupos terroristas, como a Al-Qaeda, que teria uma vasta lista de alvos em potencial. “Existe uma razão forte para manter confidenciais algumas informações vitais, incluindo a identificação de pontos de infraestrutura que são fundamentais para a economia dos EUA”, disse Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado.  Segundo o premiê britânico, David Cameron, a divulgação do documento “é prejudicial à segurança nacional dos EUA e da Grã-Bretanha”.

Alguns analistas, no entanto, afirmam que a lista de locais estratégicos não apresenta nenhuma novidade. Muitos locais já teriam sido alvo de terroristas, como a usina saudita de Abqaiq, que foi atacada pela Al-Qaeda em fevereiro de 2006.

ATENÇÃO GLOBAL

Todos os locais são citados em um único documento, assinado por Hillary Clinton, em fevereiro de 2009

Entre os principais pontos de passagem de mercadorias estão os Canais do Panamá e de Suez e os Estreitos de Ormuz, Málaca e Gibraltar.

No Brasil, foram listados cabos de telecomunicações no Ceará e no Rio, e minas de ferro, manganês e nióbio em MG, MS e GO.

Os EUA consideram estratégicas hidrelétricas no México e no Canadá.
A perda ou o ataque a algum desses locais afetaria a economia ou a segurança dos EUA.
Com informações do O Estado de São Paulo

 

8 dez 2010

Fundador do site WikiLeaks é preso em Londres

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

O australiano Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, foi preso na manhã desta terça-feira (7) em Londres, após se entregar em uma delegacia de polícia. Assange estava sendo procurado após a Suécia emitir contra ele um mandado de prisão internacional.

Em comunicado reproduzido pelo jornal The Guardian, a Scotland Yard afirma que policiais prenderam nesta manhã Julian Assange, sob acusação de estupro. “Assange deve comparecer a corte de Westminster hoje”, diz o texto. Os juízes britânicos devem decidir se o mandado de prisão emitido pela Suécia levará à extradição do criador do site .

Em sua defesa, Assange afirma ser inocente e diz que a ordem de prisão do governo sueco é uma retaliação ao trabalho de divulgação de documentos secretos.
O advogado de Assange na Suécia, Bjorn Hurtig, afirmou na sexta-feira (03) que potências estrangeiras estariam “influenciando” a Suécia a ir atrás do australiano. Hurtig avisou ainda que vai combater “qualquer tentativa de extradição” de seu cliente.

WikiLeaks
O WikiLeaks tem publicado centenas de telegramas diplomáticos dos Estados Unidos, provocando a ira do governo americano e levando empresas como a PayPal e a Amazon a deixarem de prestar serviços ao site.
Na segunda-feira (6) o WikiLeaks divulgou uma lista de instalações ao redor do mundo que os Estados Unidos classificam como vitais para a sua segurança nacional. A lista inclui oleodutos e centros de comunicação e transporte.
O banco suíço PostFinance congelou as contas de Assange. O site diz que a medida bloqueia 31 mil euros. Em comunicado, o WikiLeaks afirmou que Assange perdeu 100 mil euros em bens em uma semana.

Da redação do Vermelho: Leia mais: www.vermelho.org.br

O governo dos Estados Unidos estava convicto de que os sandinistas da Nicarágua recebiam dinheiro de traficantes de drogas, de acordo com informações fornecidas sigilosamente pelo embaixador norte-americano em Manágua, Robert J. Callahan, e vazadas agora pelo site Wikileaks.

Segundo o jornal espanhol El País, os despachos da embaixada dos EUA na Nicarágua pintam um quadro de ilegalidade que a Casa Branca estaria desenhando no país da América Central, retratando-o como “um autêntico Estado criminoso financiado há muito por redes internacionais de tráfico de drogas”.

Quatro documentos escritos entre 2006 e 2008 e republicados pelo jornal nesta segunda-feira (6) afirmam que, durante a campanha eleitoral de quatro anos atrás, quando o sandinista Daniel Ortega foi eleito, seu partido FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional) teria recebido financiamento “do narcotráfico internacional” (sem especificar facções) em troca de que “os juízes sandinistas pusessem em liberdade traficantes capturados pela polícia e pelos militares”. Três casos são citados, inclusive o de um candidato sandinista, Rigoberto Gonzalez Garbach, acusado por promotores de ter tentado suborná-los com 108,5 mil dólares para obter a libertação de um traficante.

Todas as acusações mencionadas são baseadas em relatos publicados na mídia nicaraguense, de conhecimento aberto, e dizem respeito aos dois períodos de governo sandinista (1979-1989 e de 2007 até hoje).

Na época das eleições, em 2006, o então embaixador (e antecessor de Callahan no cargo), Paul Trivelli, fez declarações públicas contra o então candidato Ortega, chegando mesmo a oferecer dinheiro para políticos de direita que conseguissem montar uma coalizão que impedisse a vitória sandinista. Ele também convenceu o Fundo para os Desafios do Milênio – fundação norte-americana então presidida por seu colega John Danilovich (ex-embaixador no Brasil) – a cortar 175 milhões de dólares a que a Nicarágua teria direito para combater a pobreza.

Elogio à ditadura

No ponto em que as críticas deixam transparecer os interesses que defendem, porém, as cartas diplomáticas – no despacho 63040, ítens 39 e 40 – se queixam de desapropriações feitas pelo governo sandinista na década de 1980 sobre empresas e dinheiro estrangeiro, especialmente “investidores internacionais da Espanha e dos EUA”, trecho que o jornal espanhol omite.

Os despachos norte-americanos também trazem elogios às políticas econômicas nicaraguenses na época do ditador Anastasio Somoza, e afirma que a revolução sandinista de 1979 “destruiu o progresso que havia sido feito”.

Diplomata ligado a militares nos EUA (atualmente, é conselheiro do Comando Sul), Trivelli tem perfil bem distinto de Callahan, um acadêmico com histórico de cargos como adido cultural e de imprensa nas embaixadas norte-americanas na Costa Rica, em Honduras, na Bolívia e na Grécia. Callahan trabalhou também como editor em editora universitária em Chicago e como catedrático de diplomacia pública na Universidade George Washington.

Venezuela

Os despachos enviados pelos dois embaixadores também trazem afirmações de que Ortega e a FSLN receberiam dinheiro clandestinamente do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, além da ajuda externa declarada e legalizada feita por meio da ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), grupo do qual a Nicarágua faz parte. Baseados em relatos de informantes, os diplomatas mesclam as doações públicas venezuelanas com suposto financiamento ilegal e chegam a se referir a Ortega como o “Mini-Me” de Chávez – uma alusão ao clone miniatura do vilão do filme Austin Powers: o agente Bond cama (despacho 153018, item 8).

“Temos relatos de que funcionários do governo nicaraguense recebem presentes de autoridades venezuelanas durante viagens oficiais a Caracas. Também achamos que Ortega retirou no ano passado sua exigência de que os Conselhos do Poder Popular sejam financiados com verbas públicas devido em parte ao fato de que o dinheiro venezuelano já havia chegado. Vários contatos nos disseram que Ortega utiliza dinheiro do petróleo venezuelano para financiar os Conselhos do Poder Popular e as campanhas das eleições municipais do FSLN”, diz o despacho.

Junto às afirmações, os embaixadores dos EUA enviaram observações um tanto curiosas, como a afirmação de que Ortega estaria “completamente louco” e teria virado, ele próprio, “uma ameaça para o país”, acreditando que “freiras velhas estão rezando pelo seu assassinato”. Em outros despachos divulgados pelo Wikileaks, revelou-se também que o Departamento de Estado tinha solicitado investigações sobre “a saúde mental” da presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

Fonte: Opera Mundi

 

O  fundador do site Wikileaks, Julian Assange, falou com exclusividade aoOpera Mundi na segunda-feira (6). Assange não escondeu a irritação com o congelamento de sua conta bancária na Suíça e também falou de outras ações tomadas contra a organização desde o lançamento de documentos sigilosos de embaixadas dos Estados Unidos.

Assange se preparava para se apresentar à polícia britânica, o que aconteceu na manhã desta terça-feira (7) em Londres. O fundador do Wikileaks é acusado de crimes sexuais na Suécia. A denúncia não é clara, mas inclui a prática de sexo desprotegido com duas mulheres, na mesma época em que dava uma palestra em Estocolmo. Desde o dia 18 de novembro, a justiça sueca expediu mandado de prisão com o objetivo de interrogá-lo por “suspeitas razoáveis de estupro, agressão sexual e coerção”. Julian Assange deve ser ouvido ainda hoje num tribunal de Westminster, na região central de Londres, onde será decidido se ele será extraditado à Suécia.

Opera Mundi: Neste momento, quais acusações pesam sobre você?
Julian Assange — São muitas as acusações. A mais séria é que eu e o nosso pessoal praticamos espionagem contra os EUA. Isso é falso. Também a famosa alegação de “estupro” na Suécia. Ela é falsa e vai acabar se extinguindo quando os fatos reais vierem à tona, mas até lá está sendo usada para atacar nossa reputação.

Opera Mundi: Sobre essa acusação de espionagem, há algum processo judicial correndo?

Julian Assange — Não. É uma investigação formal envolvendo os diretores do FBI, da CIA e o advogado-geral norte-americano. A Austrália, meu país, também está conduzindo uma investigação do mesmo tipo — em que se junta todo o governo — e ao mesmo tempo estão asssessorando os EUA. Uma das fontes alegadas para essa investigação, Bradley Manning [militar acusado de ser a fonte do Wikileaks], está preso em confinamento solitário em uma cela na prisão no estado da Virginia, nos EUA. Ele pode pegar até 52 anos de prisão se for condenado por todas as acusações, que incluem espionagem.

Opera Mundi: Qual a diferença entre o que faz o Wikileaks e espionagem?
Julian Assange — O Wikileaks recebe material de “whistle-blowers” (pessoas que denunciam algo errado nas organizações onde trabalham) e jornalistas e os entrega ao público. Acusar de espionagem quer dizer que nós teríamos que trabalhar ativamente para adquirir o material e o repassar a um estrangeiro.

Opera Mundi: No caso da Suécia, o que as mulheres alegam?
Julian Assange — Elas dizem que houve sexo consensual. O caso chegou a ser arquivado por 12 horas quando a procuradora-geral em Estocolmo, Eva Finne, leu os depoimentos. Depois foi reaberto, após uma articulação política. Todo esse caso é bastante perturbador. Agora, eles acabaram de congelar minha conta em um banco na Suíça, nosso fundo para pagar minha defesa.

Opera Mundi: Com base em quê?
Julian Assange — Eles estão alegando que eu os coloco em risco. Mas não têm nada que sugira isso, e de qualquer forma isso é falso.

Opera Mundi: E qual é a sua opinião sobre o congelamento de transferêcias de dinheiro pela empresa PayPal, e o fato de que a Amazon retirou o site do ar? Como você vê essas ações?
Julian Assange — É fascinante ver os tentáculos da elite norte-americana corrupta. De certo modo, observar essa reação é tão importante quanto ver o material que publicamos. A Paypal e a Amazon congelaram nossas contas por razões políticas. Com o Paypal, 70 mil euros foram congelados. Com o nosso fundo de defesa, cerca de 31 mil euros.

Opera Mundi: O que eles alegam?
Julian Assange — Eles dizem que estamos fazendo “atividades ilegais”, o que é, claro, uma inverdade. Mas estão ecoando as acusações de Hillary Clinton [secretária de Estado norte-americana] sobre como publicamos documentos que podem causar transtornos aos EUA. Mesmo assim, o líder do comitê de segurança nacional no Senado disse com muito orgulho que ele havia ligado para a Amazon e exigido o fechamento no site.

Opera Mundi: O que o Wikileaks está fazendo para se defender do congelamento das doações?
Julian Assange — Nós perdemos 100 mil euros somente nesta semana como resultado do congelamento dos pagamentos. Temos outras contas em bancos – na Islândia e Suécia, por exemplo, que o público pode usar. Estão em um site. Também aceitamos cartões de crédito.

Opera Mundi: O que mais o Wikileaks está fazendo para se defender?
Julian Assange — Nós estamos contando com a diversidade e o apoio de boas pessoas. Temos mais de 350 sites pelo mundo que reproduzem nosso conteúdo. Precisamos disso mais do que nunca.

Fonte: Opera Mundi

 

 

O Movimento pela Estadualização do Hospital de Base Luis Eduardo Magalhães (HBLEM) realiza nesta quinta-feira, 9 horas, saindo do Jardim do Ó, lançamento da campanha com uma caminhada denunciando a situação de sucateamento que se encontra o HBLEM e conclamando a sociedade civil organizada a entrar na luta pró estadualização. Os manifestantes distribuirão carta pública e adesivos para carros alusivos à campanha e realizarão uma grande manifestação na Praça Adami.

Participam do Movimento pela Estadualização do Hospital de Base de Itabuna, a CTB, CUT, entidades sindicais, estudantis e associação de moradores.

*Por Laerte Braga

Os “estragos” causados pela pilha de documentos confidenciais do governo dos EUA divulgado pelo site WIKILEAKS começam a produzir efeitos em todos os cantos do mundo. Uma ordem para eliminar o fundador do site já foi expedida pelo governo de Obama (semelhante ao que costumam fazer fundamentalistas chamados de “terroristas”).
O WIKILEAKS atingiu alvos variados, um grande espectro de ações terroristas dos norte-americanos e como não poderia deixar de ser respingou no Brasil.
Dilma Roussef vive um dilema antes de sua posse. Mantém o ministro da Defesa, Nelson Jobim, notório agente norte-americano e o comandante da Força Aérea Brasileira (bate continência para Washington) brigadeiro Juniti Saito,ou espanta essas duas figuras que em tempos passados seriam chamados de traidores?
O ministro Nelson Jobim está identificado como agente dos EUA e de forças golpistas no Brasil desde os tempos de FHC, ou precisamente, desde o momento que ingressou na vida pública. Sobre essa figura sombria e repulsiva pesam acusações de corrupção, de ligações com grupos econômicos estrangeiros e agora a comprovação através dos documentos divulgados pelo WIKILEAKS que,por trás de tudo isso tem uma baita “remuneração”, é o óbvio.
Juniti Saito, brigadeiro e comandante da FAB, em tese, é um militar brasileiro. Na prática é um subproduto do governo dos EUA, com assento privilegiado à mesa do embaixador daquele país em Brasília e de generais norte-americanos interessados em vender armamentos ao nosso País, na prática, impedir o Brasil de ter acesso a tecnologias indispensáveis à garantia da independência e soberania nacional.
“Vender borracha, comprar chicletes”. É o que querem que façamos.
Nem Jobim e nem Saito têm condições morais de ocupar qualquer cargo no âmbito do Estado brasileiro. Não creio que oficiais sérios ou comprometidos com o Brasil na Força Aérea estejam concordando com um comando de fora através de um brigadeiro que na verdade é suspeito até de corrupção, até prova em contrário é lícito suspeitar, pois defende interesses dos EUA e da
empresa BOEING.
A atitude mais simples, na hipótese de existir vestígio de dignidade num ou noutro, é pedir para sair.
Não se trata nem de discutir que caça é melhor para a FAB (na opinião de muitos especialistas o melhor caça produzido hoje é o SUKOY, russo, descartado desde o primeiro momento, ainda no governo FHC).
O xis da questão é dar foros de “negócio” no melhor estilo máfia, negociata, a uma operação de quatro bilhões de dólares (a propina normal, 20% seria em torno de 800 milhões de dólares) e que envolve a segurança nacional no sentido real da palavra e nunca como a concebem comandantes militares subordinados a potência estrangeira, caso do brigadeiro Saito, ou de
políticos trêfegos como Nelson Jobim.
A batata quente está nas mãos da presidente eleita Dilma Roussef. Lula poderia até facilitar o caminho pedindo a Jobim e Saito que saiam antes do término de seu mandato.
O então embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel em telegrama secreto em 31 de julho do ano passado, afirma ao seu governo que o brigadeiro Saito havia tomado a iniciativa de uma conversa reservada (porta dos fundos, mala branca) com o general Doug Fraser, comandante do COMANDO SUL. Como era um jantar, deve ter entrado, pedido permissão para falar com seu superior, o norte-americano, batido continência e ao receber permissão para falar, se disse disposto a cumprir a missão, declarar-se favorável aos que pagam.
Ato contínuo a concessão de comer à mesa do comandante do COMANDO SUL. Quando retirou-se, naturalmente, o general dos EUA deve ter dito aoembaixador Clifford Sobel que fosse recomendada a concessão de medalha ao brigadeiro, ou uma gratificação extra pelos relevantes serviços prestados à pátria. A pátria aí é outra, aliás, sempre foi a pátria da turma de 1964 e dos remanescentes nos “negócios”.
Se Jobim é o diretor ou não desse filme, as filmagens no Brasil, digamos assim, não sei, mas que de repente pode ser alguém que carrega a mala. Por que não?
O ministro da Defesa já se vangloriou de ter alterado a Constituição na moita, isso aí é café pequeno para a excelência das privatizações.
É urgente refundar as forças armadas brasileiras. Explicar à maioria dos nossos militares que o Brasil fica na América do Sul, a capital é Brasília. Cortar esse barato de achar que somos um país da América do Norte (extensão, vice-reino) e que nossa capital é o WAR COLLEGE, ou a ESCOLA DAS AMÉRICAS,tudo centralizado no PENTÁGONO.
O ministro da Defesa (dos EUA e seus “negócios” lógico) Nelson Jobim tem requintes de cara de pau absoluto, quando afirma que os documentos divulgados pelo site não irão abalar as relações entre o Brasil e seu governo (dele Jobim), em Washington.
Se abalam a honra de Jobim isso certamente não o preocupa. Não tem noção do que seja isso. Entende de saber se na hora da troca, o dinheiro está direitinho como combinado.
Tudo certinho? Então “in God we trust”.

 * Laerte Braga é blogueiro do 3º Setor

João Pedro Stedile * Adital -

O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na ultima safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma media anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.

Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química etc.

O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.

Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos países de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no “neutral poder judiciário” brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos… e quem será o responsável pelas conseqüências do uso durante esses três anos? Na minha opinião é esse Juiz irresponsável que autorizou na verdade as empresas desovarem seus estoques.

Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as maquinas num mesmo período. Pois bem esse veneno secante vai para atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população inclusive das cidades vizinhas.

O Dr. Vanderley Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto, e outras conseqüências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.

Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade federal do Ceara já comprovaram o aumento do câncer, na população brasileira, conseqüência do aumento do uso de agrotóxicos.

A ANVISA -responsável pela vigilância sanitária de nosso país-, detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados,somente esse ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, alem de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a fórmula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim o agricultor se iludir ainda mais.

O Dr. Nascimento Sakano, consultor de saúde, da insuspeita revista CARAS escreveu em sua coluna, de que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estomago no Brasil, a maioria conseqüente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.

Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é de que, é impossível produzir sem venenos. Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos.

Estamos usando veneno, apenas depois da segunda guerra mundial, para cá, como uma adequação das fabricas de bombas químicas agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o Napalm e o agente laranja, usado largamente no Vietnam. E agora suas fabricas produzem o glifosato, que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estômago.

Esperamos que na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente, para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as conseqüências no meio ambiente e na saúde da população.

* Economista e integrante da coordenação nacional do MST

O povo latino aponta o Brasil como país mais influente na região, superando até mesmo a potência Estados Unidos, segundo pesquisa Latinobarômetro, que avalia opiniões, atitudes e valores na América Latina.
A pesquisa mostra ainda que a crença na democracia e o otimismo em relação ao progresso do país aumentou na maioria dos países da região e, apenas pela segunda vez desde o início da pesquisa, em 1995, crime superou desemprego como maior preocupação.
A margem da liderança brasileira é de significativos nove pontos percentuais, embora o número absoluto seja relativamente baixo. Segundo o Latinobarômetro, publicado com exclusividade pela revista “The Economist”, 19% dos entrevistados em todos os países da região veem o Brasil como país mais influente –um aumento de um ponto percentual em relação ao ano passado.
Em segundo lugar, com 9% dos votos, vêm os EUA (que se manteve inalterado) e a Venezuela (que perdeu dois pontos percentuais desde 2009). A revista ressalta, contudo, que os EUA continua mais influente para o povo mexicano e de boa parte da América Central. A Venezuela, por sua vez, lidera neste quesito no Equador, República Dominicana e Nicarágua.
O Brasil lidera ainda a lista de países mais otimistas com o progresso do país, com quase 70% dos brasileiros entrevistados respondendo que sim. A “Economist” afirma que o bom número brasileiro se deve à forte performance econômica do país durante a crise econômica mundial e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerra seu mandato.
No fim da lista está Honduras, país que sofreu um golpe de Estado no ano passado e viu seu presidente se refugiar na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa. O golpe causou ainda o  esfriamento das relações bilaterais com os EUA, parceiro econômico crucial da nação empobrecida.
Em um quesito diretamente relacionado, relata a “Economist”, a pesquisa mostra ainda um aumento do apoio do povo latino-americano à democracia e suas instituições. Ao todo, 44% dos entrevistados se disseram satisfeitos com a democracia atual em seu país natal –mesmo número de 2009, mas um aumento de 19 pontos desde 2001.
O número cai para 34% quando se pergunta sobre a confiança no Congresso e fica em 45% quando os latino-americanos são questionados sobre a confiança no governo. Em 2003, estes números eram 17% e 24% respectivamente.
Esta lista é liderada pela Venezuela, onde 84% acreditam que a democracia é preferível a outros tipos de governo. O Brasil aparece apenas em 14º, com 54% de apoio –uma queda de um ponto percentual em um ano, mas aumento de 14 pontos desde 2001.
A “Economist” atribui a melhora significativa ao pouco impacto da crise econômica mundial na América Latina e uma segurança social que ajudou a reduzir os níveis de pobreza.
CRIME
A pesquisa aponta ainda que, apenas pela segunda vez desde que o  Latinobarômetros foi lançado, o crime supera o desemprego como maior preocupação, com cerca de 25% das respostas contra cerca de 20% do desemprego.
Este resultado havia aparecido apenas em 2008, quando crime superou o desemprego por menos de cinco pontos percentuais.
Segundo a “Economist”, 31% dos entrevistados dizem que eles ou um parente  próximo foram vítimas de crime no ano passado. Curiosamente, este número é sete pontos menor do que o resultado de 2009 e o menor índice desde o primeiro ano da pesquisa, em 1995.
Este resultado pode ser reflexo de um ano especialmente violento na região. No México, a guerra do governo contra os cartéis fez o país fechar 2010 com um número recorde de assassinatos ligados ao crime organizado. Em novembro, o tétrico “Executômetro”, do jornal local “Reforma”, superou os 10.035, em uma demonstração da escalada da violência no país sob Felipe Calderón, que assumiu em 2006.
Honduras viu as ruas tomadas por confrontos entre manifestantes e a polícia durante o cerco ao presidente deposto Manuel Zelaya. E o Rio de Janeiro virou cenário de guerra com a tomada das favelas –embora a ação tenha acontecido após a pesquisa.
A Latinobarômetro é uma organização sem fins lucrativos com base em Santiago, no Chile. A pesquisa foi realizada em 18 países, com 20.204 pessoas, entre 4 de setembro e 6 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Carmem Saporetti (blogueira do 3 setor) com a Folha

 

7 dez 2010

Aula de imperialismo contemporâneo

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Os EUA se tornaram uma potência imperial na disputa pela sucessão da Inglaterra como potência hegemônica, com a Alemanha. As duas guerras mundiais – tipicamente guerras interimperialistas, pela repartição do mundo colonial entre as grandes potências, conforme a certeira previsão de Lenin – definiram a hegemonia norteamericana à cabeça do bloco de forças imperialistas.
No final da Segunda Guerra, os EUA tiveram que compartilhar o mundo com a URSS – a outra superpotência, não por seu poderio econômico, mas militar, que lhe dava uma paridade política. Foi o período denominado de “guerra fria”, que condicionava todos os conflitos em qualquer zona do mundo, que terminavam redefinidos no seu sentido no marco do enfrentamento entre os dois grandes blocos que dominavam a cena mundial.
Nesse período os EUA consolidaram seu poderio como gendarme mundial, poder imperial que tinha se iniciado na América Latina e o Caribe e que se estendeu pela Europa, Asia e Africa. Invasões, ocupações, golpes militares, ditaduras – marcaram a trajetória imperial norteamericana. Montaram o mais gigantesco aparelho de contra inteligência, acoplado a um monstruoso aparato militar.
Terminada a guerra fria, com a desaparição de um dos campos e a vitória do outro, esses mecanismos não foram desmontados. A OTAN, nascida supostamente para deter o “expansionismo soviético”, não foi desmontada, mas reciclada para combater os novos inimigos: o “terrorismo”, o “islamismo”, o “narcotráfico”, etc.
Os documentos publicados confirmam tudo o que os aparentemente paranoicos difundiam sobre os planos e as ações dos EUA no mundo. Eles são a única potência global, aquela que tem interesses em qualquer parte do mundo e, se não os tem, os cria. Que pretende zelar pela ordem norteamericana no mundo, a todo preço – com ameaças, ataques, difusão de noticias falsas, ocupações, etc., etc.
Qualquer compreensão do mundo contemporâneo que não leve em contra, como fator central a hegemonia imperial norteamericana, não capta o essencial das relações de poder que regem o mundo. A leitura dos documentos é uma aula sobre o imperialismo contemporâneo.

Por Emir Sader no site: http://www.cartamaior.com.br