A Caixa Econômica Federal apresentou ao Comando Nacional dos Bancários na noite desta segunda-feira, 11, sua proposta específica para os empregados. Entre os pontos apresentados, está um reajuste de 7,5% em todas as verbas salariais sem o teto da proposta da Fenaban, elevação do piso de ingresso para R$ 1.600 indo para R$ 1.637 após 90 dias e um acréscimo linear de R$ 39,00 em todas as referências do PCS de 2008. O banco se compromete ainda a seguir a proposta de PLR acordada na mesa unificada e pagar ainda uma PLR Social, equivalente a 4% do lucro líquido, distribuídos de forma linear para todos os empregados.

“Chegamos a essa proposta com o esforço da mobilização dos trabalhadores. Ela contempla reajuste salarial de 7,5% para todos e uma PLR extraordinária de 4% do lucro líquido além da regra acordada com a Fenaban, fazendo o montante a ser distribuído pelo banco como PLR atingir 19% do lucro líquido. Além disso, há distribuição de um delta para todos os empregados promovíveis e garantia em acordo do pagamento da promoção de 2010 em janeiro de 2011, entre outros pontos”, afirma Jair Ferreira, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE Caixa), que assessora o Comando nas negociações com o banco.

Veja abaixo as propostas apresentadas pela Caixa:

1) Reajuste salarial seguindo a regra da Fenaban, de 7,5% em todas as verbas, SEM o teto de R$ 5.250,00.

2) Elevação do piso da careira administrativa (PCS de 2008) para R$ 1.600,00, mediante aplicação de 10,19% sobre o valor da referência 201 de 31/08/2010.

3) Acréscimo linear de R$ 39,00 em todas as referências do PCS de 2008, resultando em reajustes variando de 8,4% a 10,19% nos valores da tabela.

3) Após conclusão do contrato de experiência de 90 dias, enquadramento automático dos empregados da carreira administrativa (PCS 2008) na referência 202 e dos empregados da carreira profissional na referência 802 de sua tabela.

4) Promoção por mérito: os empregados com no mínimo 180 dias trabalhados em 2009 e em condições de serem promovidos em 31/12/2009 serão promovidos em 1 referência a partir de 01/01/2010.

5) Concessão de 1 referência, em 01/09/2010, aos empregados da carreira administrativa que se encontrem na referência 201 na data de 01/09/2010, desde que não se enquadrem nos itens 3 e 4.

6) PLR – Caixa se compromete a seguir a regra da Fenaban, conforme definido na mesa unificada de negociação.

7) PLR Extraordinária Caixa equivalente a 4% do lucro líquido, distribuídos de forma linear para todos os empregados.
8) Elevação do valor do auxílio para escola especializada para filho deficiente, previsto no plano de saúde da Caixa, de R$ 150,00 para o mesmo valor do Auxílio Creche (R$ 261,33), mantendo-se as condições previstas no normativo vigente para seu recebimento.

9) Inclusão dos empregados, aposentados e pensionistas no programa de relacionamento para a redução dos juros do cheque especial, com a inclusão na faixa 6, na conta em que receba salário ou provento.

10) Isenção de anuidade dos cartões de crédito Mastercard e Visa nas modalidades existentes em 01/09/2010.

11) Ampliação da idade da criança adotada na licença adoção de 8 anos incompletos para 12 anos incompletos.

12) Ampliar para bimestral a frequência das reuniões dos comitês de acompanhamento do credenciamento e descredenciamento do Saúde Caixa.

13) Discutir o tema Plano de Funções Gratificadas (PFG) na mesa permanente.

14) Discutir o tema PSI na mesa permanente.

15) Formação de uma comissão paritária para discussão das pendências relativas ao SIPON, visando a adequação do sistema às exigências do Ministério do Trabalho e Emprego, em especial a Portaria 1510/09.

16) Incluir, para diagnóstico no PCMSO, os exames de mamografia e Papanicolau para as mulheres e, para os homens, de próstata, em caso de PSA alterado.

17) Desenvolver ação interna voltada para a saúde do homem.

18) Inclusão, como dependente direto do Saúde Caixa, do filho maior de 21 anos com deficiência permanente e incapaz.

19) Devolução dos valores descontados em decorrência dos dias parados pelas greves nos anos de 2007 e 2008, com a necessária extinção das ações judiciais sobre o tema.

20) Bolsa Graduação – ampliação de 4,6 mil para 5 mil bolsas.

21) Bolsa de idiomas – ampliação de 2,6 mil para 3 mil bolsas, priorizando as unidades localizadas em fronteira e unidades localizadas nas cidades-sede da Copa 2014.

22) Promoção por Mérito de 2010 – Caixa se compromete a definir os critérios para concessão dos deltas até dia 30/11/2010, com debate com os trabalhadores. A promoção será realizada até março de 2011 e será retroativa a janeiro de 2011.

Fonte: Contraf

 

Após a pressão da greve nacional da categoria, o Banco do Brasil apresentou ao Comando Nacional dos Bancários, na noite desta segunda-feira, 11, proposta específica que garante reajuste salarial de 7,5% para todas as verbas salariais, incluindo comissões e VR (valores de referencia), sem o teto da proposta da Fenaban. O piso salarial será elevado para R$ 1.600,00, o que representa aumento real de 8,71%. O BB irá implantar Carreira de Mérito como parte de um Plano de Carreiras e Remuneração (PCR) com efeitos retroativos ao ano de 2006. A reunião foi realizada em São Paulo, após a mesa unificada de negociação do Comando com a Fenaban.

“A forte participação dos funcionários do BB na greve deste ano garantiu a conquista do que foi aprovado no 21º Congresso Nacional dos Funcionários do BB: valorização do piso, implantação de itens referentes ao PCCS, revisão do modelo de descomissionamento e manutenção do modelo de PLR, considerado o melhor da categoria”, afirma Eduardo Araújo, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), que assessora o Comando Nacional nas negociações com o banco.

Veja os principais pontos da proposta do BB:

1) Reajuste salarial de 7,5% sobre todas as verbas salariais (SEM o teto de R$ 5.250,00 da Fenaban).

2) Elevação do piso salarial para R$ 1.600,00, o que representa um aumento real de 8,71%, com correção de todo o PCS.

3) Implantação da Carreira de Mérito do Plano de Carreiras e Remuneração (PCR), retroagindo seus efeitos ao ano de 2006. Mais detalhes do funcionamento dessa nova carreira serão disponibilizados em breve a todos os funcionários.

4) Alteração da IN 369 em seu item 1.16.4.2, aumentando de um (01) para três (03) ciclos negativos a quantidade de avaliação necessária para efeito de descomissionamento por desempenho.

5) Considerar o tempo de exercício na função de Atendente B nas Centrais de Atendimento, quando da promoção para Atendente A, no que diz respeito ao cumprimento da trava de dois anos.

6) Aplicação de interstício de 3% nas promoções do PCS no VCPI dos funcionários incorporados.

7) Pagamento de compensação pelo fim do benefício da Gratificação Variável existente anteriormente no Banco Nossa Caixa. O montante a ser dividido entre esses funcionários será equivalente a aplicação do mesmo por 5 anos.
8) PLR que contempla 17 mil novos funcionários em relação ao ano anterior, com s seguintes parâmetros:

- NRF Especial – 3,0 salários
- NRF 01 e 02 – 3,0 salários
- NRF 3 – 2,3 salários
- Primeiros Gestores Rede – 1,85 salários
- Primeiros Gestores Demais – 1,85 salários
- Demais Gestores Rede – 1,57 salários
- Demais Gestores BB – 1,57 salários
- Analistas e Assessores NRF 04 – 1,57 salários
- Gerência Média Rede – 1,55 salários
- Demais Gerências Médias – 1,55 salários
- Analistas e Assessores NRF 05 e 06 – 1,50 salários
- Demais Comissionados – 1,47 salários
- Escriturários – R$ 3.118,08
- Caixas Executivos – R$ 3.434,99

Fonte: Contraf

 

A Fenaban, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal apresentaram ao Comando Nacional dos Bancários nesta segunda-feira, 13° dia da maior greve da categoria nos últimos 20 anos, novas propostas que contemplam aumento real de salário, valorização dos pisos (R$ 1.250 nos bancos privados e R$ 1.600 no BB e na Caixa), melhoria na PLR e definição de mecanismos de combate ao assédio moral.

“Foi a força da greve nacional e da unidade dos bancários, que paralisou tanto os bancos públicos quanto privados, que obrigou os bancos a saírem da intransigência e apresentarem propostas que contemplam nossas principais reivindicações”, avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Reunido após as negociações, o Comando Nacional decidiu orientar os sindicatos a realizarem assembleias em separado nesta quarta-feira 13 em todo o país – e a defenderem a aprovação tanto da proposta geral apresentada pela Fenaban quanto das específicas do BB e da Caixa, por considerá-las que contêm avanços importantes para os trabalhadores.

Nesta segunda-feira, 13° dia da greve nacional, 8.187 agências foram fechadas em todo o país, de bancos públicos e privados, além de dezenas de centros administrativos de todos as instituições financeiras, conforme levantamento encaminhado pelos sindicatos à Contraf até as 20h10.

A nova proposta da Fenaban

● Reajuste de 7,5% (o que representa aumento real de 3,1%) para quem ganha até R$ 5.250.

● R$ 393,75 ou reajuste de 4,29% (inflação do período) para os salários superiores a R$ 5.250 – o que for mais vantajoso para os bancários.

● Reajuste de 16,33% (aumento real de 11,54%) nos pisos salariais, que ficariam assim:
- Portaria: R$ 870,84.
- Escritório: R$ 1.250,00.
- Caixa: R$ 1.250,00.

● PLR:
Regra básica: 90% do salário mais R$ 1.100,80, com teto de R$ 7.181.
Parcela adicional : 2% do lucro líquido distribuídos linearmente, com teto de R$ 2.400,00.
- Isso significa que na regra básica o reajuste é de 7,5% e na parcela adicional de 14,28%. Caso a distribuição do lucro líquido não atinja 5% com o pagamento da regra básica, os valores serão aumentados até chegar a 2,2 salários, com teto de R$ 15.798.
- Antecipação da PLR: 60% da regra básica mais 50% da parcela adicional até 10 dias corridos após a assinatura da Convenção Coletiva.

● Gratificação de caixa: R$ 311,67.

● Outras verbas de caixa após 90 dias: R$ 147,38.

● Adicional tempo de serviço: R$ 17,83.

● Gratificação de compensador de cheques: R$ 101,56.

● Auxílio-refeição: R$ 18,15.

● Auxílio-cesta alimentação: R$ 311,08.

● 13ª cesta-alimentação: 311,08.

● Auxílio-creche/babá: Reajuste de 7,5% com adequação à nova legislação sobre o ensino fundamental (6 anos de idade a partir de 2011), passando o valor para R$ 261,33 por 71 meses. Haverá uma regra de transição para quem já recebe o auxílio, conforme a idade do filho, recebendo uma antecipação em parcelas pelo valor que receberia por 83 meses.

● Auxílio-funeral: R$ 599,61.

● Ajuda deslocamento noturno: R$ 62,59.

● Indenização por morte/incapacidade decorrente de assalto: R$ 89.413,79.

● Requalificação profissional: R$ 893,63.

● Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho, que inclui definição de mecanismos de combate ao assédio moral, a serem implementados mediante adesão voluntária dos sindicatos e dos bancos por meio de acordo aditivo.

● Compensação dos dias parados no prazo entre a data da assinatura da Convenção Coletiva e 15 de dezembro de 2010, nos mesmos moldes do ano passado.

● Segurança bancária:
- No caso de assalto, atendimento médico ou psicológico logo após o ocorrido.
- O banco registrará BO em caso de assalto, tentativa e sequestro.
- Possibilidade de realocação para outra agência ao bancário vítima de sequestro.
- Apresentação semestral de estatísticas nacionais sobre assaltos e ataques na Comissão Bipartite de Segurança Bancária.

Atualizada às 02h04

Fonte: Contraf

 

Publicado em 6 outubro 2010

by Renato Guimaraes

Parece que com nestas eleições o Brasil finalmente chegou ao Primeiro Mundo.
Não tanto pelo movimento da economia, que causa inveja na imprensa internacional, mas por um aspecto mais lúgubre: o surgimento de um movimento neoconservador (“Neo-Con”, para usar um jargão em moda especialmente nos Estados Unidos) capaz de inflar a “onda verde” da candidata Marina da Silva, arrancar votos preciosos de Dilma Rousseff, forçar tanto a Dilma como o José Serra a renegarem publicamente posições anteriores sobre descriminalização
do aborto, levando-os a uma guinada em favor de posições conservadoras, e de alimentar uma impressionante campanha de desinformação e de ódio contra a candidata governista, usando como plataforma as redes sociais, como o Twitter, além de correntes de email.
Todos estes elementos contribuíram, junto com vários outros, como destaca Idelber Avelar em excelente post para o blog O Biscoito Fino e a Massa, para dar um nó nos institutos de pesquisa de opinião e de certa forma trazer para o cenário político brasileiro estratégias de comunicação que estávamos mais acostumados a ver sendo usadas em ambientes mais polarizados nos Estados Unidos e Europa.
Pode até parecer exagero, já que não é a primeira vez que folhetos apócrifos surgem para queimar a imagem de determinados candidatos. A novidade aqui é a aparente organização no método de “enlameamento”, que entrelaça notícias da grande mídia, opiniões de articulistas e “formadores de opinião, folheteria apócrifa, boataria organizada boca-a-boca, comunidades e perfis em redes sociais, vídeos no YouTube e por aí vai.
O maior alvo desta espécie de campanha de desconstrução e reconstrução de imagem parece ser a candidata governista. Em resumo, a imagem que dela se procurou construir teria os seguintes elementos:
1. É uma guerrilheira, com um passado de violência, implicada direta ou indiretamente no assassinato de civis em ações armadas da guerrilha. Até uma foto montada dela sentada em uma mesa com um fuzil ao lado andou circulando por blogs e emails na internet. Reforça esta “suspeita” de um passado violento mal contado o fato de o Superior Tribunal Militar ter proibido o acesso ao processo contra a candidata justamente para evitar seu uso político. A Folha de São Paulo vem tentando, com muito afinco, ter acesso a esta papelada, por enquanto sem sucesso. Também para reforçar esta imagem sempre que se fala deste período da vida da Dilma em geral se usa uma foto da sua ficha na polícia com os olhos esbugalhados, além de um registro de captura falsificado, usado até mesmo pela Folha em uma de suas varias
matérias sobre o tema.
2. É uma anti-cristã, provavelmente ateia, defensora do aborto, do casamento de gays e em geral da dissolução dos laços familiares. O Programa Nacional de Diretos Humanos – PNDH-3 é destorcido e usado como prova de que ela apóia medidas que vão contra a indole cristã do povo brasileiro e que, por tabela, estimulam o ódio racial, via sistemas de cotas em universidades. Dilma já foi até chamada de “assassina de criancinhas” e diversos vídeos no YouTube
comparam suas declarações em favor do tratamento do aborto como tema de saúde pública com suas falas mais recentes nas quais exprime sua posição pessoal contra o aborto. Esta aparente contradição seria prova de hipocrisia e duas caras, portanto, de que não se pode confiar nela.
3. É uma “pau-mandada”, uma “cobra criada”, uma “criatura” sem personalidade e carisma, engendrada pelo maquiavelismo de Lula como forma de esquentar seu lugar por quatro anos até que este possa se candidatar de novo à presidência. Nesta linha de raciocínio a eleição da Dilma faria parte de um projeto de longo prazo do PT (e de seus “petralhas”) de se perpetuar no
poder pelo menos pelos próximos 12 anos (4 da Dilma + 8 do Lula em seguida).
4. É antipática, arrogante, tecnocrata, que costuma berrar e tratar mal as pessoas com quem convive. O William Bonner fez uma pergunta neste sentido na primeira entrevista da candidata ao Jornal Nacional. O sorriso que ela esgrime seria falso como uma nota de três reais, o que apenas demonstra sua falsidade geral. No fundo ela seria uma espécie de produto de pouco
conteúdo, mas embalado por técnicas sofisticadas de marketing.
5. Ela é homossexual. Circula por aí até mesmo a história de que uma ex-amante de longa data estaria cobrando indenização pelo tempo em que conviveram.
6. Não está realmente curada do linfoma e o câncer teria reaparecido. Prova disso seria o aparente cansaço e inchaço de seu corpo nos últimos dias da campanha do primeiro turno. Segundo boataria que corre na internet, já prevendo a possibilidade de Dilma não cumprir seu mandato, caso seja eleita, o PT teria um “plano B”, que seria eleger a maior bancada possível no
Congresso para fazer frente ao PMDB, que chegaria ao poder via Michel Temer, o candidato a vice. O subtexto, lógico, é que para evitar um segundo “caso Sarney”, o melhor seria eleger de uma vez o Serra.
7. Na verdade, é pura e simplesmente incompetente, especialmente quando comparada a seu oponente do PSDB. Teve sua administração frente à Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul questionada pelo Tribunal de Contas local, segundo reportagem da Folha de São Paulo (depois desmentida pelo próprio TCE). Não foi capaz de escolher bem seus assessores, como demonstra o caso Erenive. Fez o consumidor brasileiro pagar 1 bilhão de reais por
falha de cálculo nas contas de luz, também segundo a Folha (sempre a Folha). Até mesmo a falência de uma pequena loja de quinquilharias importadas que tinha em sociedade com parentes foi sub-repticiamente jogada nas suas costas. Ou seja, se não é capaz de gerir seu próprio negocio e foi incompetente nos cargos públicos que ocupou, como pode esperar administrar o pais?
8. Tudo isso culmina com o famoso “a candidata Dilma não tem biografia, não tem história”, como cansa de repetir José Serra e os apoiadores de sua candidatura. De novo o subtexto é algo do tipo: quem é essa mulher para chegar do nada e pretender ser Presidente da República só porque o Lula cismou? O outro subtexto é: “ela vem só para garantir que o PT continue
aparelhando a máquina pública e perpetuando a corrupção e a bandalheira que virou endêmica. Precisamos salvar as instituições desta corja!” (essa eu liem uma corrente de email que recebi e infelizmente deletei imediatamente).
9. E para coroar tudo, como pano de fundo geral, a cantilena que já vem de alguns anos contra a principal política social do governo federal, a Bolsa Família, que estaria criando toda uma geração de vagabundos e sanguessugas dependentes da ajuda do Estado, ou seja, dos impostos pagos pelo trabalho árduo dos trabalhadores. Para ser mais preciso, a argumentação em geral que circula pela rede é que os estados do Sul-Sudeste, especialmente São Paulo, estariam subvencionando a boa vida de nordestinos e nortistas, os quais, por sua vez, retribuiriam a moleza votando em massa no Lula. Um email apócrifo já famoso conta a história do zelador que se demitiu para viver com seus parentes a custa do Bolsa-Família e faz um apelo: “REPASSEM URGENTE ANTES DE 2010, AINDA HÁ TEMPO, PARA CORTAR O MAL…”
Gerenciando percepções
Agora, imaginem todos estes elementos simbólicos, baseados ou não em fatos reais, sendo bombardeados por diversos canais e usando fontes variadas e aparentemente desconectadas entre si. Estão aí reunidos vários elementos do que no começo dos anos 2000 se convencionou chamar de “perception management” (ou “Gerência de Percepção”), um conjunto de estratégias e táticas destinadas a mapear as percepções da opinião pública sobre temas, produtos ou personagens específicos e gerar ações de comunicação explícitas ou encobertas para fortalecer ou mudar estas percepções.
O conceito de gerência de percepção surgiu nos meios militares dos Estados Unidos e foi de certa forma codificado no processo que levou à Guerra ao Terror pós-11 de setembro e mais especificamente à saga para convencer a opinião pública americana da necessidade da invasão do Iraque para eliminar os riscos representados pelas armas de destruição de massa.
Uma definição militar dada pelo tenente-coronel americano Craig S. Jones reza o seguinte:
Perception management involves all actions that convey and/or deny selected information and indicators to foreign audiences to influence their emotions, motives and objective reasoning; and to intelligence systems and leaders at all levels to influence official estimates, ultimately resulting in foreign behaviors and official actions favorable to the originator’s objectives. In
various ways, perception management combines truth projection, operations security [OPSEC] cover and deception, and psychological operations [PSYOP].
Documento original aqui.
Seu principal ideólogo é John Rendon, dono de uma empresa de comunicação (Rendon Group) e assessor especial de George W. Bush, Jr. A saga de John Rendon no desenho e implantação da estratégia usada por Bush para convencer o mundo da necessidade urgente de se invadir o Iraque está descrita em uma já clássica reportagem publicada em 2005 pela revista Rolling Stone (“The Man Who Sold the War”, leiam aqui). A história de como ele criou uma
formidável rede de mentiras e meias-verdades para gerar as condições de apoio público a uma invasão ao Iraque inspirou a trama de fundo do excelente filme “Zona Verde”, estrelado por Matt Damon.
O documento escrito pelo tenente-coronel Craig Jones, mencionado acima, vale uma lida com atenção, especialmente a parte em que ele fala sobre o cenário de “gerência de informação”, o qual incluiria dois elementos-chave: “Desenvolver temas de informação amigáveis” (Develop friendly information themes), incluindo “operações psicológicas” que definam temas que sirvam
como assunto, tópico ou linha de persuasão usados para alcançar um objetivo psicológico.
Outro elemento importante é a identificação de “pontos de pressão”, que são fatores importantes ou essenciais que podem ser influenciados para controlar o comportamento. O tenente-coronel dá até um exemplo concreto: a população de uma região necessita desesperadamente de ajuda econômica. Esta ajuda seria o ponto de pressão. A população, portanto, deve saber que qualquer ajuda estará condicionada a que seus líderes políticos apoiem ou não a democracia.
Este caráter bélico pode ser facilmente adaptado a praticamente qualquer esforço de comunicação pública, especialmente no que se refere à criação de uma situação de medo coletivo (“candidato X, se eleito, vai liberar o aborto, drogas, casamento gay e, ainda por cima, tem um vice conhecido por suas práticas satanistas”…).
Claro que não dá para falar de “perception management” e outras técnicas de propaganda e mobilização pública sem mencionar Josef Goebbels, o pai de todos os publicitários. Em um artigo escrito em 1931, ele descreve sua visão primordial da propaganda para o êxito do Partido Nazista:
“No other political movement has understood the art of propaganda as well as the National Socialists. From its beginnings, it has put heart and soul into propaganda. What distinguishes it from all other political parties is the ability to see into the soul of the people and to speak the language of the man in the street. It uses all the means of modern technology. Leaflets,
handbills, posters, mass demonstrations, the press, stage, film and radio…”
E se fosse hoje em dia eu acrescentaria: twitter, blogs, redes de emails, YouTube etc. Já que folhetos apócrifos, como no exemplo ao lado, continuam sendo regularmente usados.
Um último exemplo de todo o arcabouço teórico e prático da gerência de percepção é o caso clássico da campanha de contrainformacao criada globalmente para empurrar goela abaixo da opinião pública a dúvida sobre o aquecimento global. Para entender como este sofisticado processo de perception managent aconteceu recomendo a leitura de um relatório produzido
em 2008 pela Union of Concerned Scientists, o qual revela em crueza de detalhes as táticas usadas pela multinacional do petróleo e gás Exxon-Mobil para disseminar dúvidas sobre a ciência por trás do aquecimento global. O relatório “Smoke, Mirrors & Hot Air – How ExxonMobil Uses Big Tobacco’s Tactics to Manufacture Uncertainty on Climate Science” pode ser baixado aqui.
Transparência na luta contra a obscuridade
Para deixar bem claro, todas estas ferramentas mencionadas não são boas ou más em si. A comunicação é, em todas as suas vertentes, absolutamente fundamental para a democracia e para o fortalecimento do tecido social.
Mas com toda esta longa digressão quero mostrar que a campanha contra Dilma Roussef não vem do nada e nem é puramente fruto da ação voluntária de eleitores indignados com o que ela representa. Não sejamos ingênuos: sempre há alguém se beneficiando e estimulando estes processos.
Não chego ao ponto de dizer que existe uma “master mind”, uma mente única por trás desta campanha. Mas é possível saber muito bem quem se beneficia dela, basta olhar o contexto em que se dá. Aliás, segundo a revista Carta Capital durante a reunião de cúpula da campanha de José Serra, nesta quarta-feira, “circulou um panfleto incitando os militantes serristas a repassarem na internet emails ligando a candidata petista Dilma Rousseff a perseguição de cristãos, aborto e prostituição.”
E como lidar com isto? Em primeiro lugar, estando atendo e fazendo uma leitura permanente da conjuntura. A percepção que tenho é que a campanha de Dilma sofreu de uma espécie de autismo comunicativo, enfocada em uma estratégia que a deixou alheia ao movimento subterrâneo que estava acontecendo sob seu nariz.
“Dilma Assassina”. Um dos tantos blogs anônimos que pululam pela internet e não escondem suas intenções.
Mas o mais importante, em minha opinião, é que não se deve temer expor e jogar luz em toda esta campanha difamatória. Por isso a iniciativa da campanha da Dilma de abrir uma espécie de “central de boatos” é uma boa iniciativa, boa e efetiva. Imagino que será um espaço na rede, com uma repositório do enorme rol de difamações, boatos, incompreensões que circulam por aí. Espero que traga também respostas simples, objetivas e documentadas para cada um deles.
Ou seja, uma espécie de banco de dados público com o bestialógico da campanha comunicativa anti-dilmista. Uma fonte permanente onde buscar  informação atualizada que pode ser usada tanto nos meios virtuais, como para ajudar os militantes e simpatizantes e estruturar argumentos para ser usados publicamente, com famílias, amigos etc.
Tem gente que argumenta que não se deve dar corda e expor demais, porque gente que não saberia dos comentários acabaria tomando conhecimento.
Eu acho o contrário. Este tipo de campanha se alimenta das sombras e do medo e só pode ser combatida com eficiência pelo lado da transparência. Isto nem é novidade. Empresas, por exemplo, desenvolvem estratégias nesta linha. É só pensar na página “Boatos e Mitos”, da Coca-Cola.
Obviamente várias outras medidas podem ser implementas, especialmente um trabalho mais consistente na internet e mídias sociais e ações corpo-a-corpo no mundo real para desfazer preconceitos e esclarecer dúvidas. Ou seja, um trabalho sério de gerência de percepção pelo lado positivo.
Marcelo Simon Manzatti – Condomínio Recanto da Serra, Rua 11 – Casa 1 – Rodovia DF 440 – Km 01 – Nova Colina – Sobradinho/DF – marcelo.manzatti@terra.com.br

 

Vamos avaliar as propostas da Fenaban, Caixa, Banco do Brasil e do BNB
Nesta quarta-feira, 13 de outubro, às 17 horas
Local: auditório do Sindicato dos Comerciários de Itabuna
Endereço: Av. Cinquentenário, 685 – 2º andar – no prédio da Casa do Estudante
Lembremos que a decisão da assembléia é soberana!
Vamos todos!
Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região
Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/Regional Sul da Bahia)

A Fenaban apresentou ao Comando Nacional dos Bancários na manhã desta segunda-feira 11, no 13° dia da greve nacional da categoria, uma nova proposta que inclui índice de reajuste de 7,5% (o que representa aumento real de 3,1%) para quem ganha até R$ 5.250. Para salários superiores, a proposta prevê um fixo de R$ 393,75 ou reajuste de 4,29% (inflação do período) – o que for maior.

Conforme a Fenaban, considera-se remuneração fixa mensal o somatório do salário base e verbas fixas de natureza salarial, excluindo o ATS – Adicional por Tempo de Serviço (anuênio).

A proposta também melhora a PLR e valoriza o piso salarial (veja abaixo). A negociação foi interrompida para almoço. À tarde, o Comando Nacional retoma tanto as negociações gerais com a Fenaban quanto sobre as reivindicações específicas com o Banco do Brasil e com a Caixa. Ao final das negociações, o Comando se reunirá para avaliar as propostas dos bancos e definir orientações para as assembléias da quarta-feira em todo o país.

“Esses avanços na proposta dos bancos são resultado direto da força da greve nacional dos bancários, principalmente nos bancos privados”, avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contrafe coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

A nova proposta da Fenaban

Reajuste salarial: 7,5%.

Reajuste para salários acima de R$ 5.250: R$ 393,75 fixos, garantindo o mínimo da inflação do período, de 4,29%.

Novos pisos salariais:
- Portaria: R$ 870,84 (era de 748,59).
- Escritório: R$ 1.250,00 (era de 1.074,46).
- Caixa: R$ 1.250,00 (era de 1.074,46).

PLR:
- Regra básica: 90% do salário mais R$ 1.100,80, com teto de R$ 7.181.
- Parcela adicional de 2% do lucro líquido distribuídos linearmente, com teto de R$ 2.400,00.
- Isso significa que na regra básica o reajuste é de 7,5% e na parcela adicional de 14,28%.

Gratificação de caixa: R$ 311,67.

Outras verbas de caixa após 90 dias: R$ 147,38.

Adicional tempo de serviço: R$ 17,83.

Gratificação de compensador de cheques: R$ 101,56.

Auxílio-refeição: R$ 18,15.

Auxílio-cesta alimentação: R$ 311,08.

13ª cesta-alimentação: 311,08.

Auxílio-creche/babá: R$ 261,33 (até 71 meses).

Auxílio-funeral: R$ 599,61.

Ajuda deslocamento noturno: R$ 62,59.

Indenização por morte/incapacidade decorrente de assalto: R$ 89.413,79.

Requalificação profissional: R$ 893,63.

Fonte: Contraf

 

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou ao Comando Nacional dos Bancários neste sábado 9 de outubro, 11° dia da greve da categoria, uma nova proposta que inclui reajuste de 9,82% para o piso salarial, 6,5% de reajuste para quem ganha até R$ 4.100 (e um valor fixo de R$ 266,50 para os salários superiores a esse valor). Propôs também 6,5% de reajuste para a PLR e todas as verbas salariais e auxílios. O Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta insuficiente e as negociações continuam nesta segunda-feira 11, às 11h.

“A forte greve que a categoria está fazendo em todo o país forçou os bancos a retomarem as negociações e a apresentarem a nova proposta, mas consideramos o índice de reajuste insuficiente”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do Comando Nacional. “Também é inaceitável esse teto de R$ 4.100. Isso significa que quem ganha acima de R$ 6.212 terá reajuste abaixo da inflação do período.”

Em relação ao piso da categoria, Carlos Cordeiro considera importante a sinalização por parte dos bancos de valorização, conforme reivindicação da categoria. “Mas esse índice de reajuste de 9,82% é também insuficiente diante da crescente lucratividade dos bancos”, reage o presidente da Contraf.

Da mesma forma, o Comando Nacional dos Bancários considera muito rebaixado índice de reajuste de 6,5% sobre a PLR. “Os bancos precisam aumentar a distribuição da PLR em relação ao ano passado, uma vez que os lucros cresceram”, rebate Carlos Cordeiro.

Negociação continua segunda

Diante do posicionamento do Comando Nacional, os negociadores da Fenaban pediram a suspensão temporária das negociações, para que tivessem tempo de consultar os banqueiros. A retomada ficou agendada para segunda-feira, dia 11, às 11h.

Os representantes dos bancos também sinalizaram que apresentarão na segunda-feira proposta sobre assédio moral e segurança bancária.
O Comando Nacional orienta todos os sindicatos a manterem e ampliarem a greve na segunda-feira, para forçar os bancos a melhorarem a proposta. “Os bancários estão de parabéns pela greve fantástica que estão fazendo, que é fortíssima também nos bancos privados e já é a maior das últimas duas décadas. É essa a força da categoria e é isso que pressiona os bancos a negociarem”, diz o presidente da Contraf.

Protesto contra pedido de prisão de dirigentes

No final da rodada de negociação deste sábado, o Comando Nacional fez um protesto veemente à Fenaban contra a postura do Itaú Unibanco de solicitar a prisão do presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília. Rodrigo Britto é membro do Comando Nacional. Outros bancos estão fazendo a mesma coisa contra dirigentes sindicais e trabalhadores em greve em vários Estados.
“Essa é uma prática antissindical inaceitável em uma sociedade democrática onde o direito de greve está assegurado na Constituição”, protestou Carlos Cordeiro.

A nova proposta da Fenaban

Novo piso salarial: R$ 1.180 (reajuste de 9,82%)

Reajuste de salários: 6,5% até R$ 4.100.

Reajuste para salários acima de R$ 4.100: R$ 266,50 fixos.

PLR: reajuste de 6,5%, tanto para a regra básica quanto para o adicional.

Reajuste dos benefícios e verbas salariais: 6,5%.
Negociações nos bancos públicos federais

Em razão da nova rodada de negociações com a Fenaban na segunda-feira, às 11h, as reuniões sobre as pautas específicas que estavam marcadas com as direções do Banco do Brasil e da Caixa não acontecerão mais às 10h. Serão realizadas ao final das negociações com a Fenaban.

Também foram marcadas para a segunda-feira, às 15h, a negociação sobre as reivindicações específicas com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Na quarta, às 10h, haverá negociação com o Banco da Amazônia.

Fonte: Contraf

 

O Comando Nacional dos Bancários retomará as negociações com a Fenaban neste sábado, 9, às 11h, em São Paulo. A reunião foi agendada pelos bancos no final da tarde desta sexta-feira, décimo dia da greve nacional dos bancários, em resposta ao ofício enviado pela Contraf nesta quinta-feira. Às 9h, os membros do Comando se reúnem na sede da Contraf.

“Os bancários estão mostrando a força de sua mobilização, fazendo a greve mais forte dos últimos vinte anos, que fechou 8.278 agências nesta sexta-feira. Esperamos que a Fenaban apresente uma proposta global decente, que atenda às reivindicações da categoria em relação a remuneração, emprego, saúde e condições de trabalho e segurança”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf e coordenador do Comando Nacional.

Desde sua deflagração, nas assembleias do último dia 28 de setembro, a greve nacional dos bancários cresceu a cada dia, passando de 3.864 agências fechadas no primeiro dia para 8.278 no décimo dia de mobilização. “Isso demonstra a indignação dos bancários com a intransigência dos bancos, que apresentaram até agora uma proposta que se limita à reposição da inflação, enquanto outros setores empresariais menos lucrativos já fizeram acordos concedendo aumento real de salário e outros avanços a seus trabalhadores”, salienta Carlos Cordeiro.

Os bancários reivindicam 11% de reajuste, valorização dos pisos salariais, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), medidas de proteção da saúde que inclua o combate ao assédio moral e às metas abusivas, garantia de emprego, mais contratações, igualdade de oportunidades, previdência complementar para todos, fim da precarização via correspondentes bancários e mais segurança.

BB e Caixa negociam na segunda

Na segunda-feira, dia 11, Comando Nacional retoma também as negociações específicas com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. As duas reuniões acontecem em São Paulo, às 10h.

Fonte: Contraf

A greve nacional dos bancários, que completa hoje dez dias, provocou um “racha” na representação da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). De um lado, os bancos públicos, que são os mais afetados pela paralisação, têm pressa de chegar a um acordo que atenda os anseios dos trabalhadores, enquanto os bancos privados resistem.

Só que as negociações ocorrem em uma mesa única que define as mesmas cláusulas econômicas tanto para os bancos públicos quanto para os privados. O pior para os bancos públicos é que as greves no setor público costumam ser mais fortes e mais longas. Uma das explicações para o fenômeno é que, no setor privado, os dias parados são descontados dos salários e o medo do desemprego é mais presente. Já os servidores públicos têm estabilidade e os dias parados acabam sendo compensados.

Em São Paulo, onde existe a maior concentração de bancos privados do País, 54% das 667 agências bancárias fechadas ontem pela greve são de bancos públicos – basicamente Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Em outras regiões, a greve nos bancos públicos é ainda mais forte.

“É nos bancos públicos que se encontra a mola propulsora do movimento”, comentou um executivo de um banco privado, que preferiu não ser identificado.

A preocupação é tamanha que representantes desses bancos aproveitaram reunião da diretoria da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) esta semana para se queixarem que a greve está muito forte e pediram uma solução rápida para o problema.

Os bancários decidiram pela greve em assembléias que rejeitaram a oferta da Fenaban, braço sindical da Febraban, de reajuste de 4,29%, que somente repõe a inflação acumulada em 12 meses até agosto. Eles querem reajuste salarial de 11%, o que representa 5% de aumento real, além da reposição da inflação.

Os trabalhadores pedem ainda prêmio de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) equivalente a três salários mais R$ 4 mil e o fim das metas abusivas e do assédio moral, entre outras reivindicações.

Uma mostra desse quadro foi dada pelo Banco Nacional de Brasília (BRB). A diretoria da instituição fechou um acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec) estabelecendo um índice de reajuste maior que o reivindicado pela categoria no resto do País. Os 3 mil funcionários do BRB terão 12% de reajuste e 35 dias de férias, entre outros benefícios.

Fonte: www.ctb.org.br

 

7 out 2010

Mulheres de todo o Brasil, uní-vos!

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Ricardo Carvalho*

Mesmo com a luta encampada pela bancada feminina da Câmara dos Deputados pelo empoderamento da mulher, o resultado das eleições do último 3 de outubro demonstrou que o espaço político ocupado pelas mulheres diminuiu. Neste ano, apenas 43 mulheres foram eleitas – 8,4% dos 513 deputados. Nas eleições de 2006, foram eleitas 47 deputadas, ou 9,16% do total. Atualmente, a bancada tem 45 deputadas. O número de candidatas pleiteando uma vaga como parlamentar cresceu em relação às eleições de 2006. Este ano, 1.340 dos 6.028 (22,2%) candidatos a deputado federal eram mulheres. Em 2006, foram apenas 737 mulheres num total de 5.797 candidatos (12,7%).

Para o cientista político Antônio Augusto de Queiroz, assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a principal causa para a baixa representatividade feminina nos resultados desta eleição é o fato de que as deputadas ocuparam poucos cargos de destaque na Câmara até este ano. É bom lembrar que até hoje a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados não contou com mulheres na sua composição.

A Câmara analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 590/06, da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que estabelece a representação proporcional dos sexos nas Mesas Diretoras da Câmara, do Senado e de todas as comissões, permanentes ou temporárias. A proposta assegura ao menos uma vaga para mulheres nessas Mesas, quando essa proporção não for alcançada.

A bancada feminina coordenada pela deputada federal Alice Portugal (PCdoB) fez a sua parte. Mobilizou mulheres do país inteiro divulgando a Minireforma Eleitoral que prevê para os partidos políticos a exigência de 30% das cotas de mulheres nas candidaturas, o que não foi cumprido por muitas agremiações partidárias nestas eleições. A Lei também estabelece que 10% do tempo da propaganda partidária sejam destinados às mulheres, assim como 5% do Fundo Partidário seja alocado na formação de novas lideranças femininas.

Única mulher eleita deputada federal na Bahia com 101.588 votos, Alice Portugal afirmou que pretende continuar a luta iniciada na Bancada Feminina na última legislatura para que seja cumprido de fato o que foi aprovado em Lei; para que as mulheres tenham um novo espaço nos partidos afirmando-se no exercício da sua cidadania.

O que será que aconteceu nestas eleições?

As eleitoras mulheres não se sentem representadas pelas parlamentares mulheres?

E o que dizer da eleição presidencial em que pesquisas dos institutos deram conta de que a quantidade de homens que escolheram Dilma Roussef (PT) como candidata preferencial foi maior do que o número de mulheres?

Será que para as mulheres uma mulher não deve e não pode está no comando do País?

Será preconceito ou aceitação de um papel submisso em relação aos homens, o que ratifica a condição secular da mulher brasileira que sempre foi colocada na cozinha e nos cuidados da casa e dos filhos, resultado da formação da nossa sociedade de cunho patriarcal e machista?

Nas ondas dos boatos do submundo da política contra a candidata Dilma Roussef, muitas mulheres estão surfando e reproduzindo situações esdrúxulas. Vi e ouvi de algumas mulheres às gargalhadas, rindo satisfeitas, afirmando que a candidata é “sapatão”, é a favor do aborto, é “assassina” e muitas outras acusações próprias das manipulações e invencionices perigosas deste período eleitoral, divulgadas aos montes, principalmente através da internet, onde lixos eletrônicos se espalham como rastilho de pólvora.

O pior é que esses boatos são os únicos “debates” reproduzidos Brasil afora, pela boca de grande parte de mulheres brasileiras, que não vão votar na candidata mulher. Não importa o debate dos programas e dos projetos dos candidatos para o Brasil. O que importa é que um “virou santo”, portanto, é do “bem” e a outra é do “mal”, por que fulano disse, tem um vídeo no youtube, o pastor tal falou, o padre daquela igreja comentou, o pregador daquele centro espírita incorporou, o pai de santo profetizou, o irmão do primo daquele rapaz me disse e por aí vai…

Esse tipo de discurso mesquinho revela ser de uma baixeza sem precedentes. Revelam também preconceito contra o próprio gênero e em minha opinião, a reprodução dessas informações torna-se um tiro no próprio pé. Esse tipo de comportamento acaba alimentando e retroalimentando, afirmando e reafirmando o preconceito contra a própria luta das mulheres pela emancipação política, social e contra a violência sexista. Além de contribuir para ratificar e robustecer no imaginário social e no inconsciente coletivo o papel secundário da mulher brasileira construído há mais de 500 anos pela sociedade patriarcal que sempre tivemos. Comportamento desse tipo revigora e ratifica a triste estatística de que a cada minuto uma mulher no mundo sofre violências de todo o tipo.

Reitero aqui meu respeito a democracia e a escolha livre de voto de cada um. Porém, acredito que este é o momento para reafirmamos e consagrarmos a luta das mulheres por um mundo melhor de igualdade e paz!

Mulheres de todo o Brasil, uní-vos!

Dilma presidente.

*Ricardo Carvalho –diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe