23 mai 2011

Polêmica ou ignorância?

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Por Marcos Bagno

Na semana passada, o site IG noticiou que o Ministério da Educação comprou e distribuiu, para 4.236 mil escolas públicas, um livro que “ensina o aluno a falar errado”. Os jornalistas Jorge Felix e Tales Faria -  do Blog Poder On Line, hospedado no portal – se basearam em exemplos de um capítulo do livro Por Uma Vida Melhor para afirmar que, segundo os autores da coleção organizada pela ONG Ação Educativa, não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. Calçaram sua tese no seguinte trecho de um capítulo que diferencia o uso da língua culta e da falada:”Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar os livro?”. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. O fato de haver outros capítulos, no mesmo livro, que propõem a leitura e discussão de obras de autores como Cervantes, Machado de Assis e Clarice Lispector e ensina modos de leitura, produção e revisão de textos não foi citado. Mas a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e o escrito esquentou, principalmente após o colunista da Folha de S. Paulo Clóvis Rossi vociferar, no último domingo, que tal livro é “criminoso”.

Veja abaixo a opinião do linguista Marcos Bagno, pesquisador dos temas relacionados às variações linguísticas e professor da Universidade de Brasília:

Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela — devidamente fossilizada e conservada em formol — que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.

Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantadas para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.

A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.

Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).

Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.

Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles — se julgarem pertinente, adequado e necessário — possam vir a usá-la

TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assisti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que a defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?”

Fonte: http://www.cartacapital.com.br

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começam nesta segunda-feira, 23, às 10h, e vão até o dia 10 de junho, às 23h59. Os estudantes podem se candidatar exclusivamente pela internet, no site do Enem. As provas serão aplicadas nos dias 22 e 23 de outubro, com início às 13h e abertura dos portões às 12h.

A taxa é de R$ 35, estudantes que estão concluindo o ensino médio em escola pública ou que declarem ser parte de família de baixa renda não pagam. No ato da inscrição um boleto de pagamento é emitido, com vencimento para o dia 10 de junho. A inscrição só será considerada válida após o pagamento da taxa. CPF e RG são requisitos obrigatórios para a efetivação da inscrição.

O Inep informa no edital que é de responsabilidade do estudante verificar se a inscrição foi concluída com sucesso. O cartão de confirmação da inscrição, contendo o número de inscrição, data, hora e local de prova, será enviado por Correio e poderá ser impresso na página de acompanhamento da inscrição do Exame.

Durante a inscrição, o aluno vai gerar um login e uma senha, que serão imprescindíveis durante todo o processo do exame, para consulta no site. É importante guardar esses dados.

Será proibido, como no ano passado, usar lápis, borracha e relógio durante a prova. Todas as salas de provam terão marcadores de tempo para que os alunos possam se orientar durante a elaboração da prova sem que façam uso do relógio pessoal. A novidade este ano é um controle maior em relação aos celulares. Este ano, ao entrar na sala de aplicação das provas, o candidato terá que desligar o celular e depositá-lo em um porta-objetos, que será colocado embaixo das carteiras, de onde só será retirado depois que ele terminar a prova.

O edital não prevê a possibilidade do estudante recorrer da nota obtida na prova de redação. Na edição do ano passado, candidatos entraram com ações no Ministério Público pedindo revisão das notas, mas os pedidos foram negados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

O exame, com duração de 4h30 no primeiro dia e 5h30 no segundo dia, será composto de quatro provas objetivas, contendo cada uma 45 questões de múltipla escolha, além de uma redação. Serão avaliadas as seguintes áreas do conhecimento:

- Ciências Humanas e suas Tecnologias

- Ciências da Natureza e suas Tecnologias

- Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação

- Matemática e suas Tecnologias

É obrigatória a apresentação de documento de identificação original com foto para a realização das provas.

A correção das provas de redação seguirá o mesmo esquema da edição anterior do Enem. Dois técnicos corrigem o texto e caso haja divergência maior do que 300 pontos – a nota varia de zero a 1.000 – um terceiro professor é chamado para avaliar e dar a nota final.

A partir do ano que vem, a prova terá pelo menos duas edições por ano, uma no primeiro semestre e outra no segundo. A primeira edição de 2012 já está confirmada para os dias 28 e 29 de abril.

Em 2009, o MEC deu início a um projeto de substituição dos vestibulares tradicionais pelo Enem. A partir do resultado da prova, os alunos se inscrevem no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e podem pleitear vagas em instituições públicas de ensino superior de todo o país. No ano passado, foram ofertadas 83 mil vagas em 83 instituições, entre elas, 39 universidades federais.

A participação no Enem também é pré-requisito para os estudantes interessados nas bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni). Os benefícios são distribuídos a partir do desempenho do candidato no exame do ensino médio e podem ser integrais ou parciais, dependendo da renda da família.

Fonte: http://estadao.br.msn.com

Por InfoMoney

SÃO PAULO – Cargos técnicos operacionais são os que têm mais escassez de talentos no mercado de trabalho brasileiro atualmente. A avaliação é da Pesquisa Anual de Escassez de Talentos, da empresa de soluções em mão de obra ManpowerGroup, que identificou que os as funções de  técnicos em produção, operações, engenharia e manutenção, seguidos por engenheiros e motoristas, são as que apresentam maior deficit de profissionais.

Na comparação com os resultados da pesquisa apresentados no ano passado, o técnico continua como a profissão com maior incompatibilidade entre qualificação disponível e perfil demandado. Trabalhadores de ofício manual e operadores de produção deixaram de ocupar o topo da lista e passaram, respectivamente, a oitava e a quinta posições do ranking de 2011.

A pesquisa identificou que 57% dos 876 empregadores brasileiros ouvidos pelo estudo encontram dificuldade em preencher funções e posições críticas dentro de suas organizações. Segundo a pesquisa, um em cada três empregadores do mundo se depara com diversos problemas na busca por talentos que ocupem postos em aberto.

“Embora nem todos os empregadores tenham sentido os efeitos da escassez de talentos enfrentada globalmente, os fatores do mercado de trabalho atual apontam que é provável que em breve todos comecem a sentir essa pressão. As empresas precisam adotar uma ampla abordagem para garantir que eles tenham o talento necessário para alcançar seus objetivos de negócios. Enquanto o talento não pode ser ‘fabricado’ em curto prazo, uma abrangente estratégia de capacitação de mão de obra deve assegurar os negócios da empresa, fazendo com que ela tenha os talentos necessários para viabilizar suas estratégias”, afirma o Country Manager da Manpower Brasil, Riccardo Barberis.

Ranking

Veja o ranking com as dez profissões com maior escassez de talentos no Brasil, segundo a Manpower:

No mundo, a configuração das profissões é um pouco distinta, mas os técnicos também lideram a demanda das organizações.

Fabricando talentos

A Manpower também divulgou um estudo intitulado “Fabricando Talentos para a Era do Potencial Humano”, onde aponta que 89% dos empresários ouvidos citaram a falta de experiências ou habilidades dos candidatos disponíveis como uma barreira para a contratação. A empresa pesquisou cerca de 40 mil empregadores em 39 países e territórios durante o primeiro trimestre de 2011.

Segundo o estudo, é recomendado que as empresas e organizações enfrentem o estigma da escassez de talentos, incluindo uma estratégia completa de força de trabalho, atualizando os modelos de trabalho e as práticas das pessoas para refletir a realidade do século 21, colaborando com todos os públicos.

“O fato de que as empresas estão citando a falta de capacitação ou experiência como razão para a escassez de talentos deve chamar a atenção das organizações, governos e indivíduos”, completa Barberis. “É imprescindível que todos trabalhem juntos para lidar com o desequilíbrio no mercado de trabalho entre oferta e demanda de uma forma sistemática, ágil e sustentável.”

Cargos demandados no Brasil
2011 2010
1. Técnicos 1. Técnicos
2. Engenheiros 2. Trabalhadores de Ofício Manual
3. Motoristas 3. Operadores de Produção
4. Operários 4. Secretárias e Assistentes Administrativos
5. Operadores de Produção 5. Operários
6. Representantes de vendas 6. Engenheiros
7. Secretárias e Assistentes Administrativos 7. Motoristas
8. Trabalhadores de Ofício Manual 8. Contadores e Profissionais de Finanças
9. Mecânicos 9. Profissionais de TI
10. Contadores e Profissionais de Finanças 10. Representantes de Vendas
Fonte: Manpower
Cargos demandados no mundo
2011 2010
1. Técnicos 1. Trabalhadores de Ofício Manual
2. Representantes de vendas 2. Representantes de vendas
3. Trabalhadores de Ofício Manual 3. Técnicos
4. Engenheiros 4. Engenheiros
5. Operários 5. Contadores e Profissionais de Finanças
6. Executivos de gestão 6. Operadores de Produção
7. Contadores e Profissionais de Finanças 7. Secretárias e Assistentes Administrativos
8. Equipe de TI 8. Executivos de gestão
9. Operadores de Produção -
10. Secretárias e Assistentes Administrativos 10. Operários
Fonte: Manpower
Governistas costuram acordo e esperam fazer votação ainda no primeiro semestre
Enquanto os deputados continuam a bater cabeça entre as idas e vindas do novo Código Florestal, outro projeto de lei de grande repercussão aguarda há um ano na fila para ser votado na Câmara.

Recebido pelo Congresso exatamente no dia 20 de maio do ano passado, após ser encaminhado pelo Executivo, o PL 7376/2010 propõe criar a Comissão Nacional da Verdade, órgão ao qual caberá apurar crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985).

Embora os integrantes do atual governo se esforcem para mostrar que estão afinados quanto à necessidade de criar a comissão, o projeto continua parado e fora da pauta da Câmara desde que chegou ao Congresso. Na prática, nada aconteceu desde então.

Para tentar destravar o debate, o deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) apresentou, recentemente, um requerimento de urgência na votação. O objetivo é apressar o trâmite do projeto, levando-o a plenário o mais rápido possível.

O parlamentar espera que a Comissão da Verdade seja o próximo tema a ser discutido por seus colegas após a aprovação do Código Florestal, tema que tem monopolizado as atenções dos deputados nas últimas semanas.

- Há um sentimento hoje de que é necessário fazer essa votação. Resolvida a questão do Código Florestal, a pauta das próximas sessões extraordinárias, destravada, vai ter o requerimento [de urgência].

Brizola Neto diz que já conseguiu o apoio de quase todas as lideranças partidárias, incluindo a oposição. Apenas o PP ainda não assinou o requerimento de urgência, segundo ele.

- O governo manifestou interesse em botar isso em votação, mas o que ficou claro é que não é só uma questão de governo e oposição. É uma questão de interesse do Estado. Há a construção de uma grande maioria para desvendar esse passado, tirar essa cortina que está sobre a nossa história.

Com a apresentação do requerimento, explica o deputado, a ideia é votar a urgência e na sequência aprovar o próprio projeto de lei. Quando tramita em regime de urgência, uma matéria pode ser levada diretamente ao plenário, sem passar antes pelas comissões da Câmara.

- O projeto é relativamente simples. Acho que o grande desdobramento é a instalação da comissão e o que ela vai trazer à tona.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), confirma que existem negociações em curso e diz que há a expectativa de votar o projeto ainda no primeiro semestre deste ano.

- Nós vamos votar a Comissão da Verdade quando chegar o momento oportuno. Estamos costurando acordo com toda a Casa, inclusive a oposição. O acordo está bem avançado.

A criação da Comissão da Verdade atende a uma das determinações do PNDH-3, a terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos, instituído em dezembro de 2009.

Conforme o texto do projeto de lei, o órgão será composto por sete integrantes, todos indicados pelo presidente da República, e terá dois anos para concluir seus trabalhos. A comissão ficará vinculada à Casa Civil e cada um de seus membros receberá salários de R$ 11.179,36.

Inspirado em modelos adotados em outros países que viveram ditaduras ou guerras civis, o órgão não terá poderes para processar ou punir. Sua tarefa é reconstruir a “verdade histórica” e promover a “reconciliação nacional”, conforme o projeto de lei.

Demora

Questionado sobre a longa espera para levar o projeto à votação, Brizola Neto lembra que o processo eleitoral do ano passado esvaziou naturalmente o calendário parlamentar.

A Comissão da Verdade, além disso, despertou – e ainda desperta – desconfiança e resistência entre alguns setores das Forças Armadas, como lembra o jurista Luiz Flávio Gomes, doutor em Direito Penal e autor do livro Crimes da Ditadura Militar.

- Há muita gente que não quer ter o nome divulgado. Se tudo for apurado, é claro que os nomes virão e serão perpetuados. Todas as futuras gerações saberão o que cada um fez. Quem torturou, quem deixou de torturar.

Comissões da Verdade no Mundo
21 mai 2011

DCE UESC participa de manifestação em Salvador

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

No ultimo dia 20 de maio, integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre Carlos Marighella- UESC) participaram de um ato conjunto com estudantes, professores e servidores das quatro universidades estaduais da Bahia. As reivindicações da manifestação eram por melhores condições de trabalho, melhores salários, revogação da Lei 7.176/97 e o fim do Decreto 12.583 e portaria 001.

Os estudantes da UESC também deflagraram greve há dez dias e exigiam durante o ato público a abertura da mesa de negociação por parte do governo estadual para tratar da Assistência Estudantil, motivo pela qual foi deflagrada a greve estudantil.

O Presidente do DCE Thiago Fernandes afirma “que é necessário que o governo compreenda também a situação dos estudantes que esperam desde o primeiro mandato do governador Jaques Wagner uma política efetiva de permanência da classe, principalmente para estudantes cotistas e de baixa renda e, além disso, é necessário se pensar num programa de reestruturação das Universidades Estaduais Baianas, coisa que este governo ainda não sinalizou, embora a União dos Estudantes da Bahia(UEB) e a União Nacional dos Estudantes(UNE) apresentaram um programa chamado  PROES – Programa de Reestruturação das Universidades Estaduais, que reuniria uma série de medidas governamentais, a serem implementadas em conjunto com o corpo discente, docente e de funcionários da rede, e que garantisse que em um prazo máximo de dez anos a Bahia passasse a contar com as maiores referências nacionais em Universidades Estaduais”.

A manifestação começou às 15 horas nas avenidas em frente ao Iguatemi e de lá seguiu com cerca de 500 manifestantes vindos de varias partes do estado, pela Avenida Tancredo Neves até a porta do Jornal A TARDE, onde pediam que o jornal denunciasse à sociedade baiana o descaso com que o governo vem tratando a comunidade acadêmica.

Thiago Fernandes

DCE/UESC

Evolução das denúncias de manifestações de ódio no Twitter em 2010(Fonte:SaferNet)


A máxima “a internet é um espelho fiel da sociedade” parece ainda mais cabível quando observadas as ondas de discriminação e ódio que têm emergido nos últimos meses no Twitter. Análise da evolução diária das denúncias no microblog, elaborada pela SaferNet e obtida com exclusividade por Terra Magazine, confirma o que já se suspeitava: eventos do “mundo real” impactam diretamente o ambiente virtual.

Nas cinco principais ondas de ataques e nas manifestações de menor proporção deflagradas no Twitter, no período que vai de novembro de 2010 a 16 maio deste ano, essa correlação fica evidente, conforme enfatiza o presidente da SaferNet Brasil – organização não-governamental que combate crimes contra direitos humanos na rede -, Thiago Tavares.

Ele chama a atenção para o “aumento significativo” da frequência e da violência dos ataques após a entrada em cena do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).

- Com suas declarações polêmicas, o Bolsonaro acendeu o pavio e encorajou algumas ondas sucessivas de homofobia no Twitter e nas outras redes sociais no Brasil; Orkut principalmente – afirma, destacando a conexão entre realidade “online” e “offline”.

- Se forem cruzados os dados da planilha com as notícias veiculadas na imprensa, é possível perceber ligação com fatos, como disputas no Congresso, violência a homossexuais na Avenida Paulista, chuvas no Nordeste, metrô em Higienópolis.

Sobre as ondas menores, acrescenta:

- Elas têm se apresentado constantes ao longo de 2011. Em sua maioria, foram detonadas pela polarização do debate em torno dos direitos dos homossexuais.

De acordo com Tavares, a incidência das manifestações de discriminação começou a se acirrar a partir do final do segundo semestre de 2010. Sobre os motivos deste crescimento, argumenta:

- Dois fatores são importantes e, em conjunto, ajudam a entender esses números. O Twitter se expandiu muito no Brasil do segundo semestre pra cá. Hoje, tem em torno de 15 milhões de usuários (no mundo, são cerca de 180 milhões). O aumento expressivo na base de usuários também influenciou no número de casos – diz, prosseguindo com a explicação:

- Outro fator importante foi a violência no debate eleitoral. Essa agressividade que permeou a campanha dos candidatos foi transposta para os eleitores. O clima de animosidade criou um ambiente propício para essas manifestações exacerbadas de ódio.

Evolução das denúncias de manifestações de ódio no Twitter em 2011 (Fonte:SaferNet)

De janeiro a dezembro de 2010, 2.372 tweets(mensagens postadas no microblog) com teor discriminatório foram encaminhados à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, criada pela SaferNet e operada em parceria com os ministérios públicos federal e estaduais e a Polícia Federal.

Ao todo, foram contabilizados 23.589 denunciantes. Só de janeiro a 16 de maio de 2011, 1.181 tweets com as mesmas características foram reportados à SaferNet, quase a metade do acumulado no ano passado inteiro. Até a mencionada data, 8.942 pessoas se dispuseram a delatar os casos de discriminação. Todas as denúncias são anônimas.

“Detonadores”

O presidente da SaferNet explica que as ondas de preconceito no Twitter Brasil são desencadeadas pelo que chama de “perfis detonadores”, usuários que “assumem a dianteira e inauguram uma sequência de ódio, uma gritaria generalizada”.

A primeira grande onda aconteceu entre 1º e 4 de novembro do ano passado, logo após o anúncio do resultado das eleições presidenciais. Conforme a SaferNet, o perfil da estudante de Direito Mayara Petruso, apontada na época como pivô da polêmica em razão do comentário de que queria afogar os nordestinos, foi, de fato, o estopim das manifestações de preconceito. Neste período de quatro dias, 4.002 pessoas acionaram a ONG para denunciar.

Tavares comenta que foi necessário um “tratamento de choque” para estancar o tumulto na rede.

- Preparamos um relatório com 1.037 contas do Twitter, mandamos a lista para o Ministério Público e comunicamos à imprensa. Foi imediato. Cessou rapidamente.

- Se você comparar essa onda com as demais, vai perceber que as outras ondas duram, no máximo, 48, 72 horas estourando. A onda contra os nordestinos após as eleições, por sua vez, iria perdurar por mais de uma semana. Ela já durava cinco dias. Era uma atividade enorme. As mensagens estavam cada vez mais agressivas. Isso nos surpreendeu. Era uma onda absolutamente sem controle. Por isso decidimos adotar uma ação enérgica.

O segundo “tsunami” virtual foi registrado entre 17 e 19 do mesmo mês, após o lançamento, às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, da campanha no Twitter “#HomofobiaNão”. Em contraposição ao movimento, grupos conservadores criaram o perfil e a hashtag “#HomofobiaSim”, o que impulsionou uma sequência de manifestações de repúdio aos homossexuais. Ao todo, 8.574 denunciaram.

Já a terceira onda, observada entre 29 e 30 também de novembro, teve como mote o neonazismo. Os alvos? Negros e gays. Os dois perfis apontados como os responsáveis pela propagação do ódio (@anjooslava e @anjonazistaheil) já não estão mais ativos, mas os comentários racistas e homofóbicos podem ser vistos via buscador Topsy, que mostra quem foram os autores da divulgação de determinado tweet e exibe as mensagens mais repassadas pelos usuários.

Entre os recados deixados pelos perfis, ataques frontais como: “Eu odeio homossexuais, desejo que todos eles tenham uma morte sofrida e dolorosa, meu sonho é um dia ver a humanidade livre dessa raça!”; “Meu avô foi brutalmente assassinado por um negro. Como eu vou defender esses lixos?”; “Rejeite o lixo multicultural! Despreze a escória homossexual!!! Não irei me acovardar, e sim massacrar”; “Esse país é um lixo, eles querem te obrigar a amar negros, homossexuais. Se for pra viver nesse lixo a minha vida toda, prefiro a morte”.

A quarta grande onda, ocorrida em 28 e 29 de dezembro, também foi alavancada pela aversão aos gays, lésbicas, transexuais e bissexuais. Segundo a SaferNet, os perfis detonadores foram @contraGays e @estuproSim, este último cancelado.

A série de ataques mais recente aconteceu em 12 deste mês, após a eliminação do Flamengo na Copa do Brasil pelo Ceará. Em um único dia, 5.150 internautas, indignados com o teor das mensagens de preconceito contra nordestinos, recorreram à SaferNet.


Para entidades como a Plastivida, sacolinhas são ‘apontadas incorretamente como causadoras de impacto ambiental’

Poucas horas depois de o governo de São Paulo e a Associação Paulista de Supermercados (Apas) anunciarem o banimento das sacolas plásticas até o final do ano, a indústria do plástico divulgou comunicado se posicionando contra o estipulado pelo acordo firmado. Assinado pela Plastivida, Instituto Nacional do Plástico e Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis, o texto afirma que as sacolas plásticas estão sendo “apontadas incorretamente como sendo causadoras de impacto ambiental, quando na verdade o problema não reside nelas e sim no desperdício e no descarte incorreto de uma parte das sacolas”. O comunicado afirma que os supermercados vão vender sacolas feitas de material biodegradável, a R$ 0,19 cada, e sacolas retornáveis de materiais como ráfia e algodão. O custo, repassado ao consumidor, é repudiado no texto: “Defendemos que o consumidor não seja penalizado desnecessariamente com cobranças extras”. O texto cita uma pesquisa do Ibope, segundo a qual “100% das sacolas são reutilizadas como sacos de lixo”. Segundo a indústria, sacolas resistentes de plástico “também podem ser reutilizadas mais vezes em diversas aplicações como para guardar roupas, transportar objetos, guarda-chuvas, embalar todo tipo de produto, entre muitas outras”. Estadao.com.br

A Câmara Municipal de Salvador aprovou por unanimidade na terça-feira, 17, o projeto de lei que obriga os estabelecimentos comerciais a utilizarem sacolas plásticas oxi-biodegrádaveis destinadas a acondicionar produtos para consumidores.

As embalagens oxi-biodegradáveis apresentam degradação inicial por oxidação acelerada por luz e calor, depois é biodegradada por microorganismos e resíduos finais não eco-tóxicos.

O projeto de lei, dos vereadores Pedro Godinho (PMDB), Andréa Mendonça (DEM) e Vânia Galvão (PT) precisa ser sancionado pelo prefeito João Henrique para entrar em vigor. Tornando-se lei, os estabelecimentos terão o prazo de um ano, a partir da data de publicação da lei, para substituir as sacolas plásticas comuns pela biodegradável.

Quem descumprir a lei, poderá ser penalizado com advertência, multa correspondente a 1% do faturamento, suspensão temporária da atividade e cassação da licença do estabelecimento. Em caso de reincidência, o valor da multa será dobrado.

A TARDE On Line

Lula durante entrevista com blogueiros em 2010 (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será a atração principal da segunda edição do Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, que acontece nos dias 17, 18 e 19 de junho, em Brasília.

Embora os organizadores do evento ainda não confirmem, Lula já acertou a data e o horário de sua participação: será na tarde de sábado, 18, fora da programação oficial.

A presença de Lula deve ofuscar a palestra do blogueiro egípcio Almed Bahgat, único convidado estrangeiro do encontro.

Bahgat, que vai falar sobre  o papel da internet nas revoltas do mundo árabe, foi a alternativa que a organização aprovou após a recusa do cineasta Michael Moore. O documentarista americano, inicialmente simpático à ideia de vir ao Brasil, alegou problemas de agenda.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br

19 mai 2011

Novelas, ilusões e esquecimentos

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Por Lucas Mani Jordão


A nova novela do SBT, Amor e Revolução, tem como temática a ditadura militar brasileira, os chamados anos de chumbo, de 1964 a 1985. Foram 20 longos anos de perseguição, censura, repressão, torturas, muito sangue e dor. Todo sofrimento impingido pela elite brasileira e mundial (EUA), com apoio dos militares, visava sufocar qualquer outra forma de organização social que não a capitalista, qualquer pensamento que não visasse o lucro e a exploração do outro em benéfico próprio.

O final do regime repressivo marca também o início da consolidação do capitalismo no Brasil. A escola, a mídia, o trabalho alienante e o medo cercaram as pessoas por todos os lados. Mutilaram uma geração de idealistas revolucionários que sonhavam com a utopia de um mundo livre do mercado, da exploração e do dinheiro; esforçam-se por criar gerações de estúpidos, que como gado aceitam, insossos, o pesado fardo de terem toda a existência manipulada: do nascimento ao abate.

O período da ditadura passa quase em branco pelas salas de aula, quando passa por lá geralmente é de forma superficial, tendenciosa e acrítica. Na mídia aqui e ali pipocam, vez ou outra, reportagens e artigos sobre o assunto, mas raramente vão além da superficialidade. Ouso dizer que a ditadura brasileira começa a ser esquecida, imersa na irrelevância do trabalho mecânico e do consumismo.

Nesse momento o Governo brasileiro usa de todos os meios para negar justiça ao povo e, principalmente, às famílias das vítimas da cruel ditadura militar/capitalista brasileira. Esforça-se para não julgar os milicos criminosos por suas atrocidades. Mesmo tendo sido condenado pela OEA (Organização dos Estados Americanos), o Brasil continua priorizando os direitos do capital em detrimento dos direitos humanos.

O estado de ignorância em que vive boa parte da população faz com que a novela Amor e Revolução surja como um ponto brilhante que pode, ao menos, iluminar um pouco algumas sangrentas páginas de nossa história, pois as atrocidades dos militares em nome do capital atingem através da TV todo o território nacional, entram nas casas das pessoas, invadem seu cotidiano, mostrando um pouco daquilo que alguns se esforçam muito para que esqueçamos.

É preciso, porém, considerar alguns pontos para que não sejamos iludidos por nenhuma falácia hipócrita e ideologicamente formatada:

1 – A novela é um produto. Idealizado para ser vendido e ajudar a vender outros tantos produtos. O lucro é o objetivo final de uma novela, o mesmo lucro que foi a razão da ditadura militar.

2 – As empresas midiáticas defendem interesses próprios. Filtram ideologicamente todo o conteúdo veiculado para que este não fira seus propósitos. Muitas vezes formam conglomerados empresariais que fabricam e vendem de entretenimento, comida e brinquedos a cosméticos.

3 – Mega empresários controlam as mídias do mundo por onde circulam milhares de milhões em dinheiro. Mídias essas que são peças fundamentais do aparado de controle das massas orquestrado pelo capital.

4 – Esses empresários mantêm um estreito laço com os Governos instituídos (seja financiando campanhas, alardeando interesses do Estado ou mesmo omitindo e/ou distorcendo fatos), sempre recebendo em troca facilidades, favores e benefícios. Basta lembrar que recentemente uma empresa do conglomerado do qual faz parte o SBT, especificamente o banco Panamericano, recebeu uma robusta ajuda do Governo Federal para evitar a bancarrota causada por fraudes.

5 – Por mais que num país dominado por uma elite cruel que faz de tudo para infantilizar seu povo, levando-o ao esquecimento de suas próprias raízes, a novela Amor e Revolução signifique, no mínimo, que a história será contada e não esquecida, que o povo terá a oportunidade saber alguns passos que o levaram a estar aqui, hoje e dessa forma, é preciso ter em mente que a história é contada pelos “vencedores”, que temos que procurar as informações em várias fontes além da TV (livros, filmes, documentários, pesquisas, artigos, estudos, etc.), e, acima de tudo, refletir sobre as informações recebidas, pesá-las, medi-las, compará-las e contextualizá-las para que não sejamos presos em mais teias de ilusões e esquecimentos.

Lucas Mani Jordão é  professor de português, mora em Ribeirão Preto, São Paulo

Fonte: cartaoberro@serverlinux.revistaoberro.com.br