Os gays e a Bíblia - por Frei Betto, em Amai-vos  

É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos.

No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”…).

Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc).

No 60º aniversário da Decclaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade”.

A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu Catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.

Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hétero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina.

São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a homofobia não se justifica apenas pela violência física sofrida por travestis, transexuais, lésbicas etc. Mais grave é a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.

A Igreja Católica já não condena homossexuais, mas impede que eles manifestem o seu amor por pessoas do mesmo sexo. Ora, todo amor não decorre de Deus? Não diz a Carta de João (I,7) que “quem ama conhece a Deus” (observe que João não diz que quem conhece a Deus ama…).

Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?

Ora, direis ouvir a Bíblia! Sim, no contexto patriarcal em que foi escrita seria estranho aprovar o homossexualismo. Mas muitas passagens o subtendem, como o amor entre Davi por Jônatas (I Samuel 18), o centurião romano interessado na cura de seu servo (Lucas 7) e os “eunucos de nascença” (Mateus 19). E a tomar a Bíblia literalmente, teríamos que passar ao fio da espada todos que professam crenças diferentes da nossa e odiar pai e mãe para verdadeiramente seguir a Jesus.

Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?

Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados.  A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.

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Neste próximo mês de junho entra em vigor resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe (desde janeiro) a produção e a comercialização de agrotóxicos que contenham como ingrediente ativo o metamidofós. O veto à comercialização programado só para junho visou a evitar que houvesse este ano prejuízos para cultivos, com indisponibilidade de substitutos. Mas em junho de 2012 ficará proibido todo e qualquer uso do metamidofós.

Os estudos que levaram à resolução concluíram que esse inseticida – usado no País em lavouras de soja, algodão, feijão, batata, trigo, tomate e amendoim – “não oferece segurança nem para trabalhadores, nem para consumidores, nem para a população em geral” que possa estar exposta a seus resíduos: foi considerado neurotóxico e imunotóxico, com atuação prejudicial aos sistemas endócrino, reprodutor e ao desenvolvimento embriofetal. No Brasil, tem um consumo anual em torno de 8 mil toneladas de ingrediente ativo.

O produto já está proibido em vários países, até mesmo na China. A resolução da Anvisa – que estudava o problema desde 2008 e ficou 75 dias em consulta pública, na qual teve 34 manifestações favoráveis e 22 contrárias – foi aprovada por unanimidade pela Comissão de Reavaliação Toxicológica (que tem membros da própria Anvisa, do Ibama e do Ministério da Agricultura). E já tivera uma nota técnica, com estudos publicados e literatura científica, avaliada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mas setores da produção e da comercialização, inconformados, continuam a contestá-la. E há uma ação à espera de decisão na Justiça Federal em Brasília.

É uma questão em que se contrapõem fabricantes e produtores agrícolas, de um lado, e cientistas, ambientalistas e sanitaristas, do outro. E não é só aqui. Há poucos dias encerrou-se em Genebra a V Conferência das Partes do Convênio de Estocolmo sobre Contaminantes Orgânicos Persistentes, no âmbito do qual já foram proibidos 21 produtos. Que incluem pesticidas, substâncias industriais e produtos que se propagam pelo solo, pelo ar e pela água, além de se acumularem em tecidos de organismos vivos – incluindo humanos. São, portanto, tóxicos para as pessoas, para a fauna e para a flora. Podem ser transmitidos pelo leite materno, podem causar câncer, problemas reprodutivos e alterações no sistema imunológico.

Esse tema dos agrotóxicos precisa de muita discussão no Brasil.

Na China, como informaram alguns jornais, há pouco registrou-se na Província de Jiangsu perda praticamente total da safra de melancias porque, na ânsia de apressar o crescimento e a venda, os produtores usaram agrotóxicos em excesso. E as melancias passaram a explodir nas estufas. No Brasil, o uso de alguns produtos levou a gravíssimos problemas de saúde entre os trabalhadores, principalmente em lavouras de fumo. Num mercado mundial cada vez mais atento a problemas dessa natureza, usos inadequados podem levar até a restrições ou proibições de importação.

E o panorama brasileiro nessa área, como já foi assinalado neste espaço em artigo anterior (18/4), merece muita atenção e cuidado. Já somos os maiores importadores de agrotóxicos do planeta, com um consumo médio anual de 14 litros por hectare cultivado, mais 180 mil toneladas anuais de fertilizantes. A importação aumentou mais de 20% em uma década e chegou a 80% do consumo total (quando era de 20% há 30 anos). Hoje, importamos 74% do nitrogênio, 49% do fósforo, 92% do potássio. Nossa importação total de defensivos chegou a US$ 6,6 bilhões em 2009, quando o total no mundo ficou em US$ 48 bilhões.

O preço médio dos fertilizantes também teve forte alta em 2010, com influência considerável no preço dos produtos, já que dependemos em 81% de fertilizantes importados. Tanto que o relatório do Banco Central de 12 de outubro de 2010 já mencionou que o maior fator de alta no preço de commodities incluía essa questão. O índice de commodities agropecuárias (açúcar, soja, trigo, carne) acusou, em dez meses do ano passado, alta de 46%. Para avaliar essa influência basta lembrar que hoje, no Brasil, as lavouras de cana-de-açúcar usam 6,3 litros de agrotóxicos e insumos químicos por hectare cultivado; as de milho, 6,7 litros; as de soja, 15,4 litros; e as de algodão, 39,2 litros. O consumo total, de quase 1 bilhão de litros por ano, equivale a seis litros por habitante do País.

Quando se retorna às questões de saúde, vale a pena ouvir palavras do professor Wanderlei Pignati, médico e doutor na área de toxicologia, professor na Universidade Federal de Mato Grosso, que, em parceria com a Fiocruz, estuda a questão no município de Lucas do Rio Verde (MT), onde há cinco anos houve um acidente de contaminação tóxica de pessoas por pulverização aérea de defensivos. Ele analisou 62 mulheres que amamentavam bebês. Todas as amostras “revelaram a presença de algum agrotóxico”, inclusive o DDT (diclorodifeniltricloroetano), já banido, e o endossulfan, “proibido há 20 anos na União Europeia”, mas que somente será banido no Brasil em julho de 2013. “O metamidofós”, também encontrado, diz professor Wanderlei Pignati, “é cancerígeno e neurotóxico”.

Segundo o toxicologista, legislação, no Brasil, há: “Mas existem alguns furos. Primeiro, quem está fiscalizando? (…) E os critérios, como a distância de 500 metros de nascentes de água, casas, criação de animais, ninguém respeita.” E acrecenta: “O litro de água que você bebe hoje pode ter 13 tipos de metais pesados, 13 tipos de solventes, 22 tipos de agrotóxicos diferentes, 6 tipos de desinfetantes. Hoje, a questão mais importante na contaminação da água não é mais a bactéria, mas toda essa contaminação química” (Agência Brasil de Fato, 28/4).

Então, é preciso ter políticas adequadas, legislação competente. A agricultura é fundamental para o País. Mas, na área dos agrotóxicos e dos insumos químicos, é preciso muito cuidado, até para não ter, além de problemas internos de saúde, barreiras comerciais externas.

JORNALISTA

E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

Fonte: http://www.viomundo.com.br

 

Proposta do governo mantém imposição de acordo para quatro anos

O governo estadual vem arrastando as negociações com os professores das quatro universidades baianas (UEFS/UESB/UNEB/UESC) desde o final de 2009. Ao longo do ano de 2010 foi construído um acordo que seria assinado incorporando a CET, uma gratificação que os professores já recebem, mas que passando a fazer parte dos salários afetam positivamente a condição dos docentes, que recebem hoje um dos piores salários do nordeste. O acordo não foi fechado porque no ato da assinatura, o governo impõe que esse acordo passe a valer por quatro anos, correspondendo ao período 2011-2014, o que impediria os professores de negociarem outros acordos salariais durante esse período.
Além da questão salarial, no início de 2011 o governador baixou um decreto (12.583 de 09/02/2011) que reduz verbas para todo o serviço público, incluindo setores essenciais como educação, saúde e segurança. Essa medida impede a contratação de professores, reduz bolsas de estudantes para permanência na universidade, formação continuada dos professores e técnicos, aquisição de equipamentos e materiais necessários à manutenção das atividades. A propaganda, através do material divulgado na grande mídia, no entanto, coloca em evidência uma situação ilusória em que tudo está sendo plenamente contemplado e todas as necessidades da população estão sendo maravilhosamente atendidas. No dia-a-dia o que vemos é outra realidade, que não é mostrada nos números que mascaram a situação, e que afeta a vida de cada um de nós, cidadãos que não encontram na saúde, educação, moradia, segurança, etc as condições propagadas pelo governo.
Diante do impasse nas negociações com o governo, os professores das quatro universidades estaduais entraram em greve em abril, e com apenas vinte dias de paralisação já tiveram seus pagamentos de salários suspensos, com exceção apenas da UNEB que paralisou suas atividades já no final do mês. Ao reabrir as negociações, o governo apresenta uma proposta que mantém a imposição de que o acordo corresponda ao período 2011-2014, o que impede outros acordos salariais por quatro anos e se nega a revogar o decreto.
Na última semana, as quatro universidades estaduais baianas decidiram por manter a greve por tempo indeterminado pela retirada da cláusula que amordaça o movimento docente e pela revogação do decreto, pelas condições de trabalho e funcionamento das universidades estaduais da Bahia. Agradecemos o apoio que temos recebido de toda a sociedade e convocamos todos a seguirem apoiando, divulgando nossas reivindicações e mostrando a realidade que a propaganda oficial esconde.

Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra:

Site: www.adufs-ba.org.br

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Twitter: @fala_professor

E-mail: adufsba@yahoo.com.br

Ivone Maia
Professora Adjunta da UEFS/ DCHF – Psicologia

Bandas como Xaumraxabu, Carlota Joaquina, Zabumbahia e o sanfoneiro Pescoço de Mola animarão o Forró dos Bancários em Itabuna e nas cidades que compõem a base territorial do Sindicato dos Bancários de Itabuna. Para os bancários das cidades de Itapé, Floresta e Itororó  a festa vai ser em Ibicarai, no Clube dos 40,no dia 27 de maio. Para os bancários de Buerarema e Pau Brasil, o forró acontece no Clube da Maçonaria, em Camacan no dia 10 de junho. Os bancários de Itajuípe, Itapitanga terão o arrastapé em Coaraci, no dia 17 de junho. Em Itabuna a festa será no dia 03de junho, no Clube da AABB.

Veja a programação do Forró dos Bancários, o Forró de Cabo a Rabo:

Dia  27 de maio – Ibicarai  –

Local: Clube dos 40

Atrações: Xaumraxabu, Carlota Joaquina e Pescoço de Mola

Dia 03 de junho – Itabuna

Local: AABB

Atrações: Carlota Joaquina, Zabumbahia e Pescoço de Mola

Dia 10 de junho – Camacan

Local: Clube da Maçonaria

Atração: Pescoço de Mola

Dia 17 de junho – Coaraci

Local: AABB

Atração: Pescoço de Mola


Em reunião de negociação com o Sindserv, ocorrida hoje pela manhã, a administração municipal acenou para um repasse nos salários de 6,5% para todos os servidores, retroativo ao mês de abril. O pagamento, que segundo os secretários será imediato, está condicionado a um projeto de lei que será enviado para a Câmara Municipal o mais rápido possível.

Participaram da reunião de negociação, os diretores do Sindserv, Jorge Teles e Wilmaci Oliveira. Representando a prefeitura estavam presentes, os secretários Maurício Athayde, Marcos Conrado, Fernando Vita e o vice-prefeito, Antônio Vieira.

“Vale lembrar que este repasse refere-se somente ao índice de inflação do período e que o Sindserv juntamente com o apoio maciço da categoria buscará em outras negociações o aumento real reivindicado pelos servidores equivalente a mais 4,3%. Mesmo assim, estaremos cobrando da administração e da Câmara dos Vereadores urgência urgentíssima na aprovação desse repasse” garante Jorge Teles, diretor do Sindserv.

Durante a reunião os representantes dos servidores pontuaram a necessidade da continuidade das negociações pautada no índice de reajuste salarial com aumento real. Diante disso, ficou agendada uma próxima rodada de negociação para o dia 08 de junho. Além disso, os sindicalistas insistiram na necessidade da implantação do tíquete refeição para todos os trabalhadores, além da urgência de uma política administrativa de valorização do servidor municipal que contemple o Plano de Cargos, Salários e Comissões (PCCS).

Os representantes da administração municipal afirmaram que será realizado estudo das possibilidades financeiras em atender ás demandas da categoria. As reuniões setoriais, por secretarias estão mantidas, onde são colocadas questões como condições de trabalho, salários entre outros assuntos de interesse dos trabalhadores.

O Sindserv vai continuar a luta em defesa dos salários, aumento real e de melhores condições de trabalho para todos. Nossa luta é permanente no sentido da efetivação, consolidação e ampliação de direitos, bem como a valorização da categoria. Precisamos mais do que nunca do apoio de todos os servidores, pois só a unidade dos trabalhadores, participando ativamente com o seu sindicato é que garante vitórias para todos”, pontua Wilmaci Oliveira, diretora do Sindserv.

SINDSERV – SINDICATO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE ITABUNA

FILIADO À CTB

23 mai 2011

Retrospectiva do Governo Lula

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Vídeo feito de material exibido no jornalismo da TV Globo entre 27 de outubro de 2002 e 1º de janeiro de 2010:

Fonte: http://carlos-geografia.blogspot.com

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zJdYUdBTya0&feature=player_embedded]

23 mai 2011

PESQUISA DA COMUNICAÇÃO

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Associação latino-americana organiza seminário em São Paulo

A Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação (Alaic) convida professores, pesquisadores e estudantes a participar do VI Seminário Internacional Latino-Americano de Pesquisa da Comunicação. O evento acontece em 29 e 30 de julho de 2011 no Itaú Cultural (Avenida Paulista 149, São Paulo) e conta com a presença de pesquisadores da Comunicação do Brasil e da América Latina. Em consonância com o I Congresso Mundial de Comunicação Ibero-americana se constitui em importante momento de reflexão sobre a pesquisa, ensino e práticas comunicacionais da América Latina em 2011.

As inscrições para o VI Seminário são gratuitas e podem ser feitas até 15 de julho pelos emails contactoalaic@gmail.com e seminarioAlaic@gmail.com. Mais informaçõesaqui.

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br


23 mai 2011

Livro didático: a gozação sobre a polêmica

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Os escritores Marcelino Freire e Cristovão Tezza participaram nesta semana do programa “Entre aspas”, apresentado por Mônica Waldvogel na GloboNews. Com bom humor, os dois escritores rechaçaram a tese da Globo (e da velha mídia), que, a partir de trechos retirados do contexto, ataca o livro “Por uma vida melhor”, adotado pelo Ministério da Educação para turmas de jovens e adultos.

Quando a apresentadora fala em “regra errada do português”, imediatamente Tezza, professor aposentado da UFPR, a interrompe e a corrige: “Variedades não padrão”.

Mônica responde: “Estamos tucanando aqui”. Ao que Tezza rebate: “É um conceito linguístico esse. Todas as línguas do mundo funcionam assim, são variedades. [...] A diferença entre dialeto e uma língua é que uma tem exército, e a outra não. É a história das línguas.”

Marcelino Freire cita o poeta Sérgio Vaz: “Quando a gente diz nós vai, é porque nós vamos”.

Tezza explica:

“Quando você constrói uma gramática escrita, você escolhe formas, passa a escrever essa formas, passa a defendê-las. E elas passam a ser o certo. E aí se começa a estigmatizar o que não está daquela forma. Isso é construção histórica das línguas padrões [...].

O conceito de variedade linguistica é fundamental, não há mal nenhum em mostrar aos alunos, mesmo dos primeiros anos, que a língua é um conjunto de variedades, inclusive para trabalhar com a diferença e a importância da norma culta. O que não precisa é humilhar ninguém para fazer isso.. é um processo esmagador, a escola tem muito poder, o aluno chega lá, só fala a variedade dele, o professor vai olha, você é burro, senta ali no milho… não. Vamos trabalhar de outra forma. É uma questão didática.”

“Que conselho vocês dão aos que estão tão preocupados?”, questiona a apresentadora, ao final do programa.

É a deixa para Freire arrematar:

“Vão de Adoniram Barbosa: “Arnesto nos convidou / prum samba ele mora no Brás / Nóis fumo, num encontremo ninguém…” [mais risos]

Leia mais no: BLOG DOLUIS NASSIF http://www.advivo.com.br

Fonte:
http://drrosinha.com.br/livrodidatico/

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Za8mPxQTIO8]

23 mai 2011

Cultura: mercadoria ou bem comum?

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Por Emir Sader*

Todo o programa neoliberal, assim como o diagnóstico que levou a ele, pode ser sintetizado em um ponto: desregulamentar. O diagnóstico de por que a economia tinha parado de crescer, depois do ciclo mais longo de expansão capitalista no segundo pos-guerra, se centrou no suposto excesso de regulamentação. O capital se sentiria inibido para investir, por estar cerceado por excesso de normas, leis, políticas, que bloqueariam a “livre circulação do capital”.

Chegado ao governo, o neoliberalismo se pôs a privatizar patrimônio público, a diminuir o tamanho do Estado, a abrir as economias nacionais ao mercado internacional, a “flexibilizar” as relações de trabalho, entre tantas outras medidas padrão codificadas no chamado Consenso de Washington e colocadas em prática por governos às vezes com origens ideológicas distintas, mas todos rendidos ao “pensamento único”. Todas elas são formas de desregulamentação, de retiradas de supostos obstáculos à circulação do capital.

Quando se privatizam empresas, se está levantando obstáculos para que o capital privado se aproprie delas, se está desregulamentando o mercado de propriedade de empresas. Quando se aceita a não obediência a normas básicas da legislação do trabalho para contratar trabalhadores, se está desregulamentando o mercado de trabalho. Assim para todas as medidas do receituário neoliberal.

Promoveu-se assim, rapidamente, o maior processo de concentração de riqueza que tínhamos conhecido, tanto a nível nacional, quanto mundial. Sem proteções dos Estados, os mais frágeis, os mais pobres – a grande maioria de cada sociedade, em especial as periféricas, – se viram indefesos diante das ofensivas do capital e dos Estados centrais do capitalismo.

Direitos, como aqueles à educação e à saúde, foram deixando de ser direitos para se transformar em mercadorias, compráveis no mercado. Quem tem mais recursos, compra mais e melhor, em detrimento de quem não tem. Riquezas naturais, como a água passaram a ser mercadoras, compradas e vendidas.

O Estado, principalmente nas suas funções reguladoras – de afirmação dos direitos contra a voracidade do capital – passou a ser vítima privilegiada dos ataques neoliberais, pregando-se o “Estado mínimo” e a primazia do mercado, isto é, da concorrência feroz, em que os mais fortes e mais ricos ganham sempre.

Até a cultura foi vítima de um grande embate, para definir se se trata de uma mercadoria mais ou de um bem comum. Do ponto de vista institucional o debate se deu para definir se a cultura deveria ser objeto da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, portanto, uma mercadoria a mais, ou no âmbito da Unesco, considerada como patrimônio da humanidade, como bem comum, com as devidas proteções. Terminou triunfando esta segunda versão – apesar da brutal oposição e pressão dos EUA, que chegaram a se retirar da Unesco.

Foi um momento muito importante de resistência ao neoliberalismo, que queria reduzir também a capacidade de cada povo, de cada nação, de cada setor da sociedade, de afirmar suas identidades específicas, dissolvidas pela globalização. Queriam desregulamentar também a cultura, deixá-la ao sabor das relações de mercado, sem proteção de regulações estatais.

Mas o embate não terminou por aí, porque o poder avassalador dos capitais privados, nacionais e internacionais, é um fluxo permanente, cotidiano, buscando expandir seu poder de mercantilização. As TVs públicas, por exemplo, se debilitam no seu papel diferenciado dos mecanismos de mercado que regem as TVs privadas, enfraquecidas pela falta de financiamento, apelam ao mercado e induzem seus mecanismos – como aconteceu tristemente com a TV Cultura de São Paulo.

Programas como o de Pontos de Cultura, do MINC, surgiram na contramão dessa lógica homogeneizadora da globalização na esfera cultural, buscando incentivar e proteger todas as formas de diversidade de cultural, de afirmação da heterogeneidade das identidades de setores sociais, étnicos, regionais, diferenciados.

Muitos outros debates atuais hoje no Brasil – o dos Commons, da propriedade intelectual, dos direitos de autor – são também objeto de duas concepções diferenciadas, uma regulamentadora – anti-neoiberal – outra desregulamentadora, neoliberal, mercantilizadora. No marco mais geral do embate entre neoliberalismo e posneoliberalismo, é que a natureza das posições fica mais clara. Por um lado, as normas protetoras que consideram a cultura como um bem comum, de outro, a desregulamentação, que a consideram uma mercadoria como outra qualquer. Do seu desenlace depende a natureza da cultura no Brasil na segunda metade do século XXI.

Emir Sader é sociólogo e cientista político

Fonte: http://www.cartamaior.com.br

23 mai 2011

Polêmica ou ignorância?

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Por Marcos Bagno

Na semana passada, o site IG noticiou que o Ministério da Educação comprou e distribuiu, para 4.236 mil escolas públicas, um livro que “ensina o aluno a falar errado”. Os jornalistas Jorge Felix e Tales Faria -  do Blog Poder On Line, hospedado no portal – se basearam em exemplos de um capítulo do livro Por Uma Vida Melhor para afirmar que, segundo os autores da coleção organizada pela ONG Ação Educativa, não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. Calçaram sua tese no seguinte trecho de um capítulo que diferencia o uso da língua culta e da falada:”Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar os livro?”. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. O fato de haver outros capítulos, no mesmo livro, que propõem a leitura e discussão de obras de autores como Cervantes, Machado de Assis e Clarice Lispector e ensina modos de leitura, produção e revisão de textos não foi citado. Mas a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e o escrito esquentou, principalmente após o colunista da Folha de S. Paulo Clóvis Rossi vociferar, no último domingo, que tal livro é “criminoso”.

Veja abaixo a opinião do linguista Marcos Bagno, pesquisador dos temas relacionados às variações linguísticas e professor da Universidade de Brasília:

Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela — devidamente fossilizada e conservada em formol — que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.

Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantadas para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.

A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.

Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).

Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.

Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles — se julgarem pertinente, adequado e necessário — possam vir a usá-la

TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assisti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que a defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?”

Fonte: http://www.cartacapital.com.br