A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) condena a manobra realizada no dia 8 de junho, na Comissão do Trabalho do Congresso Nacional, com vistas à aprovação do projeto de lei do deputado Sandro Mabel (PR-GO) que versa a respeito da terceirização no país.

Para a CTB, alguns deputados, alinhados ao lobby feito pelo empresariado nacional, ignoraram dois aspectos fundamentais dessa discussão: o interesse dos trabalhadores e a liderança do presidente da Câmara, Marco Maia, que já criara uma comissão especial para debater a terceirização.

Com a manobra realizada, o projeto retrógrado de Sandro Mabel já teria condições de ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça – e em seguida, ser enviado ao Senado, sem passar pela análise dos outros parlamentares. No entanto, os deputados federais Assis Melo (membro da direção nacional da CTB) e Daniel Almeida entraram com um recurso exigindo que o plenário da Câmara anule a votação.

A CTB se posiciona contra a manobra vista esta semana porque o referido projeto de lei permite contratações terceirizadas tanto para as atividades-meio quanto para as atividades-fim, revogando norma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que limita a terceirização das atividades-fim. Permite, também, a subcontratação em atividade especializada, o que é chamado pelos trabalhadores de quarteirização.

Além disso, o PL determina que a empresa contratante seja responsável subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços. A responsabilidade subsidiária é limitada – o terceirizado só pode cobrar direitos trabalhistas da empresa contratante depois que forem esgotados todos os bens da empresa de prestação de serviços.

A CTB reivindica que a responsabilidade seja solidária (a empresa contratante e a terceirizada responderiam igualmente pelas obrigações trabalhistas), como forma de diminuir a precarização das relações de trabalho no país e espera que o tema da terceirização seja, de fato, debatido com mais profundidade no Congresso Nacional. Não aceitaremos que alguns deputados, alinhados a um pensamento conservador, imponham tamanho retrocesso à classe trabalhadora.

Wagner Gomes
Presidente nacional da CTB
São Paulo, 10 de junho de 2011.

Carlos Lupi - ministro do Trabalho e Emprego

A “Convenção Sobre as Trabalhadoras e os Trabalhadores Domésticos”, aprovada nesta quinta-feira (16), durante a 100ª Conferência Internacional do Trabalho, na Organização Internacional do Trabalho (OIT), foi classificada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, como a segunda Lei Áurea, caso venha a ser aprovado no Brasil.

O texto aprovado pela OIT sugere novos parâmetros para os trabalhadores domésticos, envolvendo questões de contrato de trabalho, remuneração, direitos trabalhistas e condições no ambiente de trabalho. Lupi, que participou da votação, trabalhará no sentido de que o Brasil ratifique a medida, trazendo à luz da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Estamos fazendo história aqui em Genebra,  porque até hoje as empregadas domésticas não têm os diretos como todos os outros trabalhadores. Estamos diante da segunda Lei Áurea”, afirmou.

“Não é razoável que trabalhadoras domésticas não tenham direitos. O trabalho delas não é menor que de qualquer outro que tem carteira assinada. Por isso estamos fazendo história ao aprovarmos a criação de uma convenção; e que ela seja recomendada pela OIT. O peso de uma organização deste tamanho é fundamental para que melhoremos a cada dia a qualidade de vida dos trabalhadores pelo mundo”, comentou Lupi.

Lupi disse que, uma vez pronta, a Convenção será levada à presidenta Dilma Rousseff para que o Brasil, o quanto antes, seja signatário da recomendação. O caminho natural seria a presidenta Dilma apresentar ao Congresso em forma de Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Aprovada no Congresso, as empregadas domésticas passam a trabalhar sob a CLT, com todos os direitos trabalhistas previsto no regime.

Sugestões

A Convenção designa como trabalhador doméstico “qualquer pessoa empregada para realizar o trabalho doméstico no âmbito de uma relação de emprego”, não sendo considerado trabalho doméstico aquele que realiza a atividade ocasionalmente. O documento também prevê que os países membros devem especificar idade mínima, conforme legislação já existente, para o trabalhador doméstico; garantir condições dignas de trabalho e medidas contra todas as formas de abuso e assédio; e garantir que o trabalhador seja informado sobre suas condições de trabalho de forma fácil e compreensível, por meio de contrato.

Também está previsto que serão assegurados aos trabalhadores domésticos carga horária definida, remuneração por hora extra trabalhada, período de descanso diário e semanal, férias anuais remuneradas, entre outros direitos garantidos pela legislação trabalhista já existente no país.

A convenção determina que descanso semanal deve ser de pelo menos 24 horas consecutivas, determinado por acordo entre as partes. Em relação às férias, o tempo utilizado para acompanhar o empregador durante seu período de descanso não será contado como férias anuais do trabalhador. Também deverá ser definido período mínimo para cancelar o contrato, válido para ambas as partes.

Apoio irrestrito da CTB 

O secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro, afirmou estar bastante satisfeito com o resultado do trabalho realizado em Genebra. Agora, segundo o dirigente, será preciso pressionar o governo para que a medida seja implementada no Brasil rapidamente.

Pascoal lembrou que o caminho natural é a instalação de uma comissão tripartite sobre a Convenção, para que se estude com mais propriedade a forma de instalação.

“A CTB tem todo o interesse em participar desse grupo e garantir que os trabalhadores domésticos finalmente terão seus direitos respeitados e assegurados” afirmou o dirigente.

Com informações do Blog do Trabalho

Com 469 participantes inscritos e depois de 14 encontros estaduais, começa nesta sexta-feira (17), em Brasília, o 2º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Uma palestra do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, abrirá a programação, às 19 horas, no auditório da CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio), com a marcante presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por André Cintra

O evento é encarado como um teste para a blogosfera — que, diferentemente de 2010, já não conta com o estímulo de uma acalorada eleição à Presidência da República. No ano passado, às vésperas da primeira edição do encontro dos blogueiros, o então presidenciável tucano, José Serra, chegou a “homenagear” os participantes ao chamar suas páginas de “blogs sujos”.

O 1º Encontro, de quebra, ocorreu em São Paulo, onde a blogosfera é maior e concentra muitos protagonistas da área, como os jornalistas Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães e Altamiro Borges. Mais de 300 blogueiros, tuiteiros, jornalistas, acadêmicos e ativistas das redes sociais participaram daquela edição.

Sem eleição e fora do eixo Sul-Sudeste, quais poderão ser as marcas desta segunda edição, que se estende até domingo?

Na opinião de Altamiro Borges, do Blog do Miro e da Comissão Organizadora do 2º Encontro, a mobilização nos estados é um dos novos trunfos dos blogueiros progressistas. Em 2010, nem sequer houve encontros intermediários — mas somente o evento nacional. Desta vez, cerca de 1.800 pessoas se reuniram no total dos encontros estaduais.

“O movimento descentralizou, ganhou uma certa dinâmica própria e adquiriu maior legitimidade”, afirma Miro. “Os próprios estados se viraram para realizar seus encontros, de forma autônoma, pluripartidária, com a presença de parlamentares e governantes, além do apoio de sindicatos e de instituições. Alguns desses encontros bombaram, como o de Pernambuco, com umas 300 pessoas.”

A proposta da Comissão Organizadora é descentralizar ainda mais. “Acreditamos que, no ano que vem, já possam ocorrer encontros municipais e regionais. Os encontros estaduais voltariam em 2013, e o 3º Encontro Nacional, em 2014, coincidindo com a eleição. Se atingimos 14 estados, por que não pensar em uns 20 até lá?”, explica Miro.

Segundo o jornalista-blogueiro, a participação de Lula — que falará na abertura do encontro sobre a importância da blogosfera — é garantia de “certo impacto político”. Já a presença de Paulo Bernardo “fortalece a pressão do movimento” sobre o governo Dilma. O Plano Nacional de Banda Larga, a democratização da mídia e a definição do marco regulatório da comunicação são os temas que devem dominar os debates.

O 2º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas será transmitido em tempo real pela Rede Brasil Atual e pela Rede TVT.

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[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=HrfFl2vWf5M]Sete anos depois de Cabra Cega, Toni Venturi apresenta Estamos Juntos, um novo longa-metragem de ficção. Sete anos é um ciclo de vida, um período em que muita coisa pode acontecer – como, no caso dele, diversos documentários e campanhas publicitárias. Ocorre que esses dois filmes parecem ter sido feitos por pessoas diferentes. 

Por Luciano Ramos*, para o Pipoca Moderna

Em lugar da objetividade histórica do primeiro, no qual Venturi focalizava o relacionamento de um guerrilheiro com os companheiros que o escondiam, temos aqui uma narrativa quase fantástica que nos permite visualizar certas coisas imaginadas pela protagonista interpretada por Leandra Leal. Há um misterioso personagem que dialoga com ela (Lee Taylor), apenas quando se encontra a sós, e que talvez sirva para sublinhar a sua solidão. Ou, quem sabe, para que a personagem não seja constrangida a falar sozinha.

O peso da realidade contemporânea, no entanto, está bem presente no roteiro. Há uma médica residente que também trabalha como voluntária para um movimento de sem-teto, até se descobrir mortalmente enferma.

A protagonista do filme, vencedor de sete prêmios no festival Cine-PE, é uma moça do interior, pobre e solitária em cujo horizonte nada parece dar certo. Seu único amigo é um DJ (Cauã Raymond) cujas preferências e ritmo de vida pouco têm a ver com os dela. Relaciona-se afetivamente com homens errados e se agarra ao trabalho voluntário como um náufrago a uma tábua esburacada.

Como personagem, nem chega a apresentar algum traço de caráter que nos leve à identificação com ela, o que constitui um desafio para habilidade da atriz Leandra Leal.

Ainda que seguro,visualmente imaginativo e competente como diretor, Toni Venturi não resistiu à tentação de abrir na narrativa uma vertente social que prejudicou sua fluência. Aproveitando imagens reais que ele mesmo produzira para o documentário Dia de Festa (2006), com cenas documentais da ocupação de um prédio desabitado no centro de São Paulo, ele toca em assuntos que, mesmo interessantes em si, desviam o foco da trama central. Mas, pode ser até que esse fato não seja tomado como defeito, e sim como qualidade.

*Luciano Ramos é escritor, crítico de cinema e professor dos cursos de pós-graduação da FAAP. Escreveu as minisséries Avenida Paulista e Moinhos de Vento, além da novela Champanhe da Rede Globo, dirigiu o Departamento de cinema da Rede Bandeirantes, editou o Guia de Filmes e Vídeo, da Editora Nova Cultural, é autor do livro Os Melhores Filmes Novos (Editora Contexto, 2009) e apresenta o programa Cinema Falado na Rádio USP.

 

Jovens se afastam de partidos e buscam web para fazer política

Para pesquisador, eventos como o 'churrasco de gente diferenciada' são exemplos de mobilização política dos jovens por meio das redes sociais

    Os jovens brasileiros enxergam cada vez menos os partidos como uma opção para o engajamento político. Ao mesmo tempo, cada vez mais vêem a internet como ferramenta para esse tipo de mobilização. A conclusão resulta de uma pesquisa que ouviu brasileiros com idades entre 18 e 24 anos, segundo a qual 59% dos entrevistados afirmaram não ter nenhuma preferência partidária.

O dado consta do relatório completo do estudo, realizado em parceria entre a agência Box1824 e o instituto Datafolha. A pesquisa detalhada deve ser divulgada na próxima semana, de acordo com a agencia, mas os primeiros dados, revelados pelo jornal Folha de S. Paulo no início desta semana, já apontavam que 71% dos entrevistados consideram a web um meio para fazer política.

“Os jovens estão trocando partidos políticos por outras formas de atuação política. Não apenas uma, mas várias formas ao mesmo tempo. E a internet aparece como a principal delas”, diz o pesquisador da Box e sociólogo Gabriel Milanez.

O desinteresse dos jovens por partidos políticos aumenta na medida em que a renda dos entrevistados diminui. Entre os mais ricos e considerados de classe média, 57% dos entrevistados afirmaram não ter nenhum partido político. Já entre os mais pobres, esse número sobe para 66%. Na média, 59% não têm interesse por partidos.

Para Milanez, esse comportamento é uma tendência. “O jovem pensa num outro tipo de transformação social. A política institucional, de Brasília, partidária, não é como o jovem pensa. O jovem não entende mais que a solução virá lá de cima”, analisa o pesquisador.

“É um novo modelo, onde não há hierarquia. Agora, são micro-revoluções, são ações do dia a dia. E os jovens se conectam a grupos diferentes por meio das mídias sociais. Como exemplos de manifestações simbólicas que nasceram pela internet e foram para as ruas, podemos lembrar o churrasco da gente diferenciada, a marcha da maconha, o movimento catraca livre e o Ficha Limpa”, diz Milanez.

Otimismo

A pesquisa também concluiu que o jovem brasileiro está otimista com relação ao futuro. Dos entrevistados, 89% afirmam que têm mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro. Apenas 9% acreditam que o Brasil está mudando para pior e 15% acreditam que o País não está mudando.

O otimismo é maior entre os jovens com maior grau de escolaridade. Entre os que têm ensino superior, 81% acreditam que o Brasil está mudando para melhor. Entre os que têm ensino fundamental, o número cai para 68%. Os homens também estão mais otimistas do que as mulheres. Do total de jovens mulheres participantes do estudo, 70% acreditam que o Brasil está mudando para melhor. Entre os homens, o número sobe para 80%.

A pesquisa foi realizada em 2010 em duas etapas. A primeira, qualitativa, teve 1.200 abordagens em universidades e organizações nas principais capitais do País. A segunda etapa, quantitativa, abrangeu 173 cidades em 23 Estados e ouviu 1.784 jovens de 18 a 24 anos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais e para menos.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br

 

O representante da indústria diz que as sacolas de supermercado têm sua função ecológica

Aline Ribeiro

As notícias não são boas para os fabricantes de plástico. Na última semana, o governo do Estado de São Paulo recomendou às redes de varejo que deixem de distribuir sacolinhas até o fim do ano. Os consumidores terão de levar suas sacolas reutilizáveis de casa. Ou pagar R$ 0,19 por um saquinho biodegradável de amido de milho. Algumas cidades, como Belo Horizonte, transformaram essas medidas em lei. O movimento é visto com bons olhos pelos ativistas ambientais. Mas Miguel Bahiense, presidente do Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida), fundado por fabricantes como a Braskem, a Dow e a Petroquisa, quer mostrar que as sacolinhas plásticas podem ser amigas do meio ambiente.

ENTREVISTA – MIGUEL BAHIENSE

QUEM É
Miguel Bahiense nasceu em Salvador. Tem 38 anos. Diz que não é contra as ecobags (sacolas retornáveis), mas nunca teve uma

O QUE FAZ
É engenheiro químico e presidente de três entidades pró-plástico: Instituto do PVC, Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida) e Instituto Nacional do Plástico

ÉPOCA – O plástico virou o grande vilão ambiental. Como convencer os consumidores do contrário?
Miguel Bahiense – Os consumidores não escolheram abolir a sacola. Uma pesquisa do Ibope mostra que 75% das donas de casa preferem esse produto. Entretanto, elas são influenciadas por diversas pessoas. Desprovidas de argumentos científicos, elas o adotaram como o monstro dos problemas ambientais. São políticos que criam leis descabidas, jogadas de ecomarketing etc. As informações contra as sacolinhas terminam por chegar à população por meio da imprensa de forma equivocada.

ÉPOCA – O plástico vai parar em depósitos de lixo ou mesmo na natureza e leva milhares de anos para se decompor. Por que não evitá-lo?
Bahiense – O plástico não é um problema em si. Depende de como se usa. Ele é um material totalmente reciclável. A questão é usar o produto de forma eficiente. Cada sacola deve transportar o peso máximo estabelecido em norma. A depender do tipo de sacola, pode ser de 5, 6 ou 7 quilos. Se usarmos o máximo da capacidade de cada sacola, precisaremos de menor quantidade delas. O ponto-chave é a educação. Lançamos em 2008 um programa para a fabricação das sacolinhas dentro das normas, com um selo de garantia. O passo seguinte é treinar caixas e empacotadores. Em três anos, reduzimos 3,9 bilhões de sacolas no mercado. Estimamos reduzir mais 750 milhões em 2011.

ÉPOCA – Algumas redes de supermercado agora cobram pelas sacolinhas. É uma forma eficiente de induzir mudanças?
Bahiense – No Brasil, sempre é o consumidor quem paga a conta final. Algumas leis até obrigam a venda, e inclusive o tipo de sacola a ser usada. Acho que o consumidor tem o direito de escolher a forma que mais lhe convém. Determinar o tipo de sacola é uma agressão a esse direito de escolha. O consumidor fica mais prejudicado quando é obrigado a pagar. As chamadas ecobags são uma jogada de marketing. Ecobags são apenas sacolas retornáveis. Dentro desse conceito, posso chamar uma sacolinha comum de ecobag. Basta que eu a leve de volta ao supermercado.

ÉPOCA – Não seria melhor abolir as sacolinhas?
Bahiense – As sacolas fazem falta para embalar o lixo. Cerca de 65% do lixo urbano é resto de comida, material orgânico. E nunca o colocamos num minhocário (para virar adubo). As pessoas reutilizam as sacolas de supermercado para embalar o lixo doméstico. É a forma mais adequada de descartar o lixo, por evitar contaminações. É uma questão de saúde pública. Se as sacolinhas fossem banidas, teríamos de pensar algo do tipo “os meus saquinhos plásticos para pôr meu lixo estão acabando, vou ao supermercado comprar mais”. Para as pessoas de renda elevada, pode parecer insignificante. E a população de baixa renda? Ela passará a não ter mais sacola, pois não poderá pagar por elas e colocará o lixo em tonéis (de plásticos) em suas residências. Isso, certamente, causará sérios impactos ambientais, pois terá ao lado de sua casa ponto de atração para ratos e baratas, por exemplo, como acontecia anos atrás, antes de as sacolinhas aparecerem.

ÉPOCA – Como o plástico poderia ser bom?
Bahiense – Recentemente, a Agência Ambiental Britânica divulgou um estudoque compara as sacolinhas plásticas comuns com embalagens feitas com outros materiais, como papel, tecido, fibras naturais ou mesmo plástico mais rígido. Quem teve o melhor desempenho foi a sacolinha comum. Ela se sai melhor quando você considera outros itens. A fabricação e o uso das sacolinhas são o que menos emite gás carbônico, responsável pelas mudanças climáticas, um dos temas que mais aflige a comunidade científica mundial. O consumo energético para fazer vidro e alumínio é entre dez e 15 vezes maior que para fundir o plástico e transformá-lo num produto. Ele também leva vantagem no transporte. Como é mais leve, economiza combustível dos caminhões. Sua reciclagem também é um processo menos eletrointensivo. Em termos de emissão de carbono, o plástico sai na frente. O plástico é parte da solução ambiental.

ÉPOCA – Mas a pesquisa britânica diz que a sacola retornável será melhor se as pessoas a usarem várias vezes.
Bahiense – Sem dúvida. O estudo comprova que a ecobag não é usada. Mas as sacolinhas são. Para o lixo, para guardar sapato etc.

ÉPOCA – Há uma confusão enorme entre os tipos de plástico: o “verde” de cana, o biodegradável de milho e o oxibiodegradável. Qual é melhor para o ambiente?
Bahiense – O plástico verde usa a cana-de-açúcar, recurso renovável, como matéria-prima. Fabrica-se assim um plástico comum, com o mesmo desempenho e características de um plástico derivado do petróleo. Mas ele tem a vantagem de retirar gás carbônico da atmosfera durante a fabricação. Quando a cana-de-açúcar cresce, ela tira gás carbônico do ar pela fotossíntese. Esse carbono vira o plástico. O oxibiodegradável é o plástico comum, independentemente da matéria-prima usada, que recebe um aditivo que o torna degradável. Essa degradação é a fragmentação do plástico. Já o biodegradável de milho usa uma matéria-prima renovável que origina um plástico com a propriedade de biodegradação. A definição de biodegradação é a decomposição de um produto por meio da ação de micro-organismos em um prazo máximo de 180 dias e em condições predeterminadas como luz, temperatura, acidez, umidade etc.
ÉPOCA – O plástico oxibiodegradável não é biodegradável. Só vira pó. Por que alguns fabricantes dizem que ele seria melhor para o ambiente?
Bahiense – Sem entrar no mérito do que é mais ou menos prejudicial ao meio ambiente, a propaganda enganosa, sem dúvida, depõe contra o setor. A concorrência leva empresas transformadoras a uma prática de canibalismo de falar mal do outro tipo de plástico, o que gera mais confusão. O consumidor não pode ser alvo de propaganda enganosa porque a mentira tira dele o poder de escolher o que melhor lhe convém.

ÉPOCA – O plástico biodegradável é importado dos Estados Unidos. Por que não o fabricamos aqui?
Bahiense – O plástico de milho ainda não é sustentável pelo preço. Por isso, ele não tem escala comercial. Sustentabilidade não é apenas meio ambiente. Os aspectos social e econômico têm igual peso na avaliação do que é “mais sustentável” .

Época

Leia mais: http://www.globalgarbage.org/praia/2011/06/16/miguel-bahiense-o-plastico-e-bom-para-o-ambiente/

17 jun 2011

O homem, o luxo e o lixo

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Por Valter Moraes*

Estamos enfrentando um descaso que chama atenção no dia a dia e que é vergonhoso porque já deveria ser tratado com bastante antecedência e com o valor que lhe é devido. É o problema do homem, o luxo e o lixo, que da educação a civilização estão muito aquém, longe da realidade necessária para a condição humana no sentido mais racional possível.

O comportamento humano está sendo tratado como inexorável diante de uma situação preocupante, e o homem está se tornando lixo diante dos seus resíduos. O nosso lixo esta sendo um problema de saúde pública, de falta de educação, de falta de consciência, de respeito pelo próprio lixo produzido por nós, seres deformados em sua personalidade e sobrecarregado de lixo midiático e outros lixos. Esse é o lixo mais preocupante, ele desenvolve todos os tipos de lixo: do comportamental que envolve a questão ética e moral do individuo ao psíquico, afetando diretamente o cognoscível, sem aperfeiçoar os valores para vislumbrarmos uma sociedade civilizada, superior, de seres humanos ricos em produzir um conjunto de qualidades benéficas e de utilidade para a sobrevivência salutar de um povo.

Os resíduos psíquicos produzidos por paradigmas perversos, inescrupulosos, pervertem o ser e os coloca nas cavernas, destruindo todas as possibilidades de uma vida salutar, saudável, desconstrói toda civilização e a adoece pela exigência da manutenção da aparência do sistema escravizante sem a responsabilidade de tratar o todo para construirmos uma civilização qualitativa, humanizada. Essa é a condição humana oferecida pelo capital produtivo na ponta e destrutivo na condução dado a essa produção, constituindo sistematicamente uma civilização individualista e consumista, perdulária, sem a preocupação e a responsabilidade do cuidar da nossa maior riqueza: a vida.

Os resíduos orgânicos e inorgânicos que deveríamos ter o devido zelo da limpeza, a começar pelas nossas mentes para proporcionar a condição necessária para vermos como está sendo tratados nossos resíduos com a devida preocupação de embalar o lixo como se fosse um presente devolvido a natureza, seria uma contribuição de respeito a nós mesmos pobres produtores de resíduos jogados de qualquer jeito e em qualquer lugar. Isso é determinantemente o reflexo da nossa psique doentia.

Seus resíduos já chamaram sua atenção, já gritaram todas as vezes que você o jogou desnudo, já soltou seu odor como forma de reivindicar melhor tratamento e acomodação, mas você não está nem ai para sua própria pobreza diante da riqueza do pobre lixo destratado, humilhado, desmoralizado, vilipendiado, “que na sua essência é um resíduo revolucionário, fertilizante, adubante, o lixo politizado”. Esse deveria ser o tratamento que deveríamos dar aos nossos resíduos tratados como lixo para nos qualificarmos como ser humano com diploma e homenagens, com uma grande festa para comemorarmos essa façanha histórica da humanidade.

Você já observou que o resíduo não quer concorrência, ele quer ser tratado simplesmente como lixo e que ser humano nenhum, mas nenhum mesmo venha tomar seu lugar ou querer igualar-se a ele, de hipótese alguma?

Jamais o lixo quererá se igualar a nós, porque ele tem seu lugar ou deveria ter, tem seu caráter e sua personalidade, e nós pobres humanos deseducados, desassistidos, alienados, sim, alienados, não fazemos diferente do outro e nos igualamos aos outros de qualquer forma e queremos de todos os jeitinhos possíveis tomar o espaço do rico lixo. Pra que fazer diferente se é mais fácil ser igual, é mais fácil fechar os olhos e as narinas e está tudo bem, vamos reclamar do poder público, vamos botar a culpa em alguém, menos em mim, eu não tenho nada com isso, quem quiser que venha vestir meu lixo porque eu lixo já estou vestido, perfumado para que eu mesmo não sinta meu cheiro de lixo ambulante, da minha podridão.

E nossas ruas, há nossas ruas! Como são maltratadas, enfeiadas por atitudes mesquinhas, grosseiras. Como elas são menosprezadas pela cegueira humana, invadida na sua estética e na sua alma transformada em uma passarela do lixo, onde meu sapato de luxo desfila imponente, eu dono de si, vivenciando sua aparência, eu vivendo sobre o luxo e sob o lixo, forçado a calcar meus pés, presos na minha ignorância anti-assepsia, nas minhas preocupações consumistas, nos meus gestos automáticos de jogar todo tipo de lixo em suas calçadas, com meu instinto animal no auge da vaidade.

Quantas veias arteriais entupiram pela nossa negligência provocando enchentes e destruições, acelerando as batidas cardíacas no caos que possibilitamos em nossas cidades, em nossas ruas estressadas, acometidas forçadamente de AVC, DERRAME e não nos importamos, e pior de tudo, tratando nossos resíduos como câncer e lutando pela sua morte tamanha nossa raiva aos nossos resíduos tratados tão pobremente e impreterivelmente rejeitados, marginalizados, julgados e condenados aos desterros.

Urge construirmos uma grande sala de aula para ensinar o que seria e o que será a flora e fauna, para mostrar quantos quilos de produtos químicos jogamos nos nossos “esgotos” (rio, mar) através de xampus, sabonetes, produtos de cabelo e etc. Quantas toneladas de lixo orgânico produzidos por “seres inorgânicos” deveriam ser embalados e separados do lixo inorgânico para ajudarmos o estômago da natureza a digerir, para preservarmos o que há de belo, limpo, cheiroso, enquanto temos a possibilidade de salvar a natureza agredida sistematicamente pela nossa insensatez, nosso lado irracional predador, da nossa insensibilidade que emporcalha tudo que nos diz respeito.

E quanto a nossa poluição mental, precisamos despertar para o bom senso, despertar nosso lado critico para não servimos de fantoches do mercado gestado por mentes medíocres, produtores de lixo que desqualifica e mumifica o ser humano tornando-o adestrado como um simples macaquinho da sociedade, desvalorizando a grande obra de Fredrich Engels: “Sobre o Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem”.

*Valter Moraes – funcionário do Bradesco Ag. Itabuna e diretor regional da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

 

Alegria, como se sabe, aumenta os níveis de endorfina no organismo. Essa substância, que é nosso calmante natural, influi no sistema de defesa do corpo, deixando o paciente mais fortalecido. Dessa maneira, reage-se melhor às doenças. E os especialistas garantem que conviver com os animais também ajuda, de uma maneira indireta.

A prova de que a convivência com animais é benéfica à saúde está numa pesquisa encomendada por uma companhia de seguro australiana. Os empresários queriam saber se, de fato, os tutores tinham uma saúde melhor. Constatou-se que os pacientes que cuidavam de um cão gastavam 16% a menos de medicamentos e saíam dois dias antes dos hospitais do que doentes que não mantinham contato com animais.

Adotar um animal pode não ser apenas uma questão de lazer ou de companhia. A medicina está descobrindo que conviver com eles também podem ser fundamental para a saúde humana.

Estudos do American Journal of Cardiology mostram que pessoas, ao interagirem com animais, constantemente tendem a apresentar níveis controlados de estresse e de pressão arterial, como também estão menos propensas a desenvolver problemas cardíacos.

Em termos psicológicos, os cães, através de sua pureza e espontaneidade instintiva, resgatam a criança interior da pessoa e aumentam a capacidade de amar da mesma, conforme aponta Kassis.

Para as crianças, brincar com animais também é positivo, inclusive quando são animais que vivem em fazenda. Uma pesquisa realizada na Áustria mostrou que os pequenos que brincam com vacas, galinhas, porcos e ovelhas têm menos chance de desenvolver alergias e problemas respiratórios, como a asma. A explicação? O contato aumenta as células de defesa e deixa o corpo mais tolerante a bactérias e ácaros.

Fonte: ANDA / JM Online

A miss Nova York, Claire Buffie, participa de manifestação em frente ao Capitólio da cidade de Albany, no interior de Nova York, reivindicando a legalização do casamento gay no estado no início do mês (Foto: AP)

A assembleia (câmara baixa) do Estado de Nova York aprovou na noite de quarta-feira um projeto de lei que autoriza o casamento homossexual, que depende agora de uma votação no Senado, que pode acontecer na sexta-feira.

Por 80 votos a favor e 63 contra a Marriage Equality Act (Lei de Igualdade de Matrimônio) apresentada pelo governador de Nova York, Andrew Cuomo, foi aprovada.

Este projeto de lei permite a todos os casais unirem-se legalmente em Nova York, suprimindo a atual barreira enfrentada por casais de mesmo sexo, reconhecendo assim suas relações, protegendo suas famílias e obtendo benefícios essenciais, segundo o texto oficial.

Essa foi a terceira vez nos últimos anos que a assembleia do Estado de Nova York de maioria democrata aprova um projeto de lei que permite o casamento homossexual.

Agora, a aprovação do casamento gay no estado de Nova York fica dependente agora do Senado, de maioria republicana (32 contra 26 democratas e 4 democratas independentes) e que, em dezembro de 2009, rejeitou um projeto de lei similar.

Uma contagem extraoficial mostra que haverá um empate de 31 a 31 no Senado, mas um empate significa uma derrota da lei. Dos 30 deputados democratas, 29 devem votar a favor da medida. Ao menos dois senadores republicanos — Stephen Saland e Mark Grisanti — disseram que ainda não decidiram se são a favor ou contra.

Os senadores republicanos têm sofrido pressão do Partido Conservador e pressão interna. Uma pesquisa de opinião dentro do partido mostra um crescimento no número de apoiadores do casamento de pessoas do mesmo sexo.

Fonte:

PASCALE HARTER - DA BBC NEWS

Mulher que fugiu para Benghazi, reduto dos rebeldes na Líbia, para escapar da violência em Brega

Mulheres e meninas líbias que engravidaram durante estupros correm o risco de serem assassinadas por suas próprias famílias, em atos chamados de “mortes honrosas”, advertem agentes humanitários.

Se ao redor do mundo o estupro é um tema sensível, na Líbia o tabu é ainda maior. “Na Líbia, quando um estupro ocorre, parece que toda a cidade ou aldeia é considerada desonrada”, explica Arafat Jamal, da agência de refugiados da ONU (UNHCR).

Entidades beneficentes do país dizem estar recebendo relatos de que, no oeste do país, que é especialmente conservador, as forças do líder Muammar Gaddafi teriam abusado sexualmente de meninas e mulheres diante de seus pais e irmãos.

“Serem vistas nuas e violentadas é algo pior do que a morte para elas”, afirma Hana Elgadi, parte de um grupo de voluntárias que oferecem atendimento médico e testes de HIV, além de pagar abortos a mulheres que foram estupradas durante os confrontos em curso na Líbia. “Esta é uma região onde as mulheres não saem de casa sem cobrir a face com um véu.”

COM AMOR

“O tempo está contra nós”, diz Nader Elhamessi, da ONG World for Libya. “Por enquanto, as gestações podem ser disfarçadas, mas não por muito tempo. Muitos pais vão matar suas próprias filhas se descobrirem que elas foram estupradas.”

Elgadi diz que as famílias veem isso como um “assassinato cometido com amor”. “Eles acreditam estar salvando a menina.”

Por isso o grupo de Elgadi se oferece para pagar pelo aborto de mulheres que assim desejarem. Ela afirma que já existem fatwas –regras clericais islâmicas– que autorizam o aborto em circunstâncias como a de abuso sexual.

O grupo World for Libya diz estar tentando convencer imãs na vizinha Tunísia a pregar que o estupro não é culpa das vítimas.

Estima-se que cerca de 130 mil pessoas tenham fugido do conflito da Líbia atravessando a fronteira tunisiana.
ONGs que estão atendendo esses refugiados dizem acreditar que entre eles há muitas vítimas de abusos que têm medo de admitir o estupro.

O World for Libya está tentando contato com um grupo de meninas adolescentes que ainda está na Líbia, cuja escola teria sido atacada por forças leais a Gaddafi.

“Homens armados separaram as meninas e violentaram as que acharam mais atraentes”, diz Nader Elhamessi. “Uma das meninas cortou seus pulsos e se matou, para não enfrentar a vergonha. Os estupros só foram relatados a nós pelas meninas que foram deixadas em paz.”

Elgadi diz também ter sido contatada por uma família pedindo medicamentos para tratar HIV.

“A mãe, o pai e o filho disseram ter sido estuprados pelas tropas de Gaddafi. A mãe nos procurou quando eles descobriram que tinham contraído o vírus do HIV. Ela não quer ir ao hospital na Tunísia por medo de descobrirem que ela foi violentada.”

VIAGRA

A Corte Criminal Internacional já havia dito que tem indícios de que as forças do regime estariam usando o estupro como arma de guerra.

O tribunal disse ter razões para acreditar que os soldados receberam Viagra e ordens de cometer estupros.

Um major do Exército líbio que desertou relata à BBC que os carregamentos de Viagra eram de amplo conhecimento entre os soldados, mas ele e seus colegas nunca chegaram a ver os medicamentos.

“A ordem de estuprar não foi dada ao Exército comum”, diz o major, sob condição de anonimato. “Gaddafi sabia que nós nunca a aceitaríamos. (A ordem) foi dada a mercenários.”

Mas Jamal, coordenador de emergência da UNHCR para a Líbia, diz ainda não ter visto evidências concretas de uso do estupro como arma, apesar de ter observado casos individuais de abusos sexuais pelo país.

“Temos provas que sugerem que os estupros foram cometidos pelos dois lados (tropas de Gaddafi e rebeldes), mas não temos como dizer em qual escala”, ele afirma.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/930176-mulheres-estupradas-na-libia-podem-ser-mortas-por-honra.shtml