O povo latino aponta o Brasil como país mais influente na região, superando até mesmo a potência Estados Unidos, segundo pesquisa Latinobarômetro, que avalia opiniões, atitudes e valores na América Latina.
A pesquisa mostra ainda que a crença na democracia e o otimismo em relação ao progresso do país aumentou na maioria dos países da região e, apenas pela segunda vez desde o início da pesquisa, em 1995, crime superou desemprego como maior preocupação.
A margem da liderança brasileira é de significativos nove pontos percentuais, embora o número absoluto seja relativamente baixo. Segundo o Latinobarômetro, publicado com exclusividade pela revista “The Economist”, 19% dos entrevistados em todos os países da região veem o Brasil como país mais influente –um aumento de um ponto percentual em relação ao ano passado.
Em segundo lugar, com 9% dos votos, vêm os EUA (que se manteve inalterado) e a Venezuela (que perdeu dois pontos percentuais desde 2009). A revista ressalta, contudo, que os EUA continua mais influente para o povo mexicano e de boa parte da América Central. A Venezuela, por sua vez, lidera neste quesito no Equador, República Dominicana e Nicarágua.
O Brasil lidera ainda a lista de países mais otimistas com o progresso do país, com quase 70% dos brasileiros entrevistados respondendo que sim. A “Economist” afirma que o bom número brasileiro se deve à forte performance econômica do país durante a crise econômica mundial e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerra seu mandato.
No fim da lista está Honduras, país que sofreu um golpe de Estado no ano passado e viu seu presidente se refugiar na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa. O golpe causou ainda o  esfriamento das relações bilaterais com os EUA, parceiro econômico crucial da nação empobrecida.
Em um quesito diretamente relacionado, relata a “Economist”, a pesquisa mostra ainda um aumento do apoio do povo latino-americano à democracia e suas instituições. Ao todo, 44% dos entrevistados se disseram satisfeitos com a democracia atual em seu país natal –mesmo número de 2009, mas um aumento de 19 pontos desde 2001.
O número cai para 34% quando se pergunta sobre a confiança no Congresso e fica em 45% quando os latino-americanos são questionados sobre a confiança no governo. Em 2003, estes números eram 17% e 24% respectivamente.
Esta lista é liderada pela Venezuela, onde 84% acreditam que a democracia é preferível a outros tipos de governo. O Brasil aparece apenas em 14º, com 54% de apoio –uma queda de um ponto percentual em um ano, mas aumento de 14 pontos desde 2001.
A “Economist” atribui a melhora significativa ao pouco impacto da crise econômica mundial na América Latina e uma segurança social que ajudou a reduzir os níveis de pobreza.
CRIME
A pesquisa aponta ainda que, apenas pela segunda vez desde que o  Latinobarômetros foi lançado, o crime supera o desemprego como maior preocupação, com cerca de 25% das respostas contra cerca de 20% do desemprego.
Este resultado havia aparecido apenas em 2008, quando crime superou o desemprego por menos de cinco pontos percentuais.
Segundo a “Economist”, 31% dos entrevistados dizem que eles ou um parente  próximo foram vítimas de crime no ano passado. Curiosamente, este número é sete pontos menor do que o resultado de 2009 e o menor índice desde o primeiro ano da pesquisa, em 1995.
Este resultado pode ser reflexo de um ano especialmente violento na região. No México, a guerra do governo contra os cartéis fez o país fechar 2010 com um número recorde de assassinatos ligados ao crime organizado. Em novembro, o tétrico “Executômetro”, do jornal local “Reforma”, superou os 10.035, em uma demonstração da escalada da violência no país sob Felipe Calderón, que assumiu em 2006.
Honduras viu as ruas tomadas por confrontos entre manifestantes e a polícia durante o cerco ao presidente deposto Manuel Zelaya. E o Rio de Janeiro virou cenário de guerra com a tomada das favelas –embora a ação tenha acontecido após a pesquisa.
A Latinobarômetro é uma organização sem fins lucrativos com base em Santiago, no Chile. A pesquisa foi realizada em 18 países, com 20.204 pessoas, entre 4 de setembro e 6 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Carmem Saporetti (blogueira do 3 setor) com a Folha

 

7 dez 2010

Aula de imperialismo contemporâneo

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Os EUA se tornaram uma potência imperial na disputa pela sucessão da Inglaterra como potência hegemônica, com a Alemanha. As duas guerras mundiais – tipicamente guerras interimperialistas, pela repartição do mundo colonial entre as grandes potências, conforme a certeira previsão de Lenin – definiram a hegemonia norteamericana à cabeça do bloco de forças imperialistas.
No final da Segunda Guerra, os EUA tiveram que compartilhar o mundo com a URSS – a outra superpotência, não por seu poderio econômico, mas militar, que lhe dava uma paridade política. Foi o período denominado de “guerra fria”, que condicionava todos os conflitos em qualquer zona do mundo, que terminavam redefinidos no seu sentido no marco do enfrentamento entre os dois grandes blocos que dominavam a cena mundial.
Nesse período os EUA consolidaram seu poderio como gendarme mundial, poder imperial que tinha se iniciado na América Latina e o Caribe e que se estendeu pela Europa, Asia e Africa. Invasões, ocupações, golpes militares, ditaduras – marcaram a trajetória imperial norteamericana. Montaram o mais gigantesco aparelho de contra inteligência, acoplado a um monstruoso aparato militar.
Terminada a guerra fria, com a desaparição de um dos campos e a vitória do outro, esses mecanismos não foram desmontados. A OTAN, nascida supostamente para deter o “expansionismo soviético”, não foi desmontada, mas reciclada para combater os novos inimigos: o “terrorismo”, o “islamismo”, o “narcotráfico”, etc.
Os documentos publicados confirmam tudo o que os aparentemente paranoicos difundiam sobre os planos e as ações dos EUA no mundo. Eles são a única potência global, aquela que tem interesses em qualquer parte do mundo e, se não os tem, os cria. Que pretende zelar pela ordem norteamericana no mundo, a todo preço – com ameaças, ataques, difusão de noticias falsas, ocupações, etc., etc.
Qualquer compreensão do mundo contemporâneo que não leve em contra, como fator central a hegemonia imperial norteamericana, não capta o essencial das relações de poder que regem o mundo. A leitura dos documentos é uma aula sobre o imperialismo contemporâneo.

Por Emir Sader no site: http://www.cartamaior.com.br

 

5 dez 2010

Caso Wikileaks

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

“A História vencerá”, diz Assange sobre documentos diplomáticos

Procurado pela Interpol, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, respondeu a perguntas de leitores do jornal britânico The Guardian nesta sexta-feira (3). Em um chat promovido pelo site da publicação, ele falou sobre o papel desempenhado por sua organização no cenário global, sobre o esforço jornalístico realizado por suas fontes e disse que “a História vencerá”.

 

Questionado sobre a possibilidade de que as atividades do WikiLeaks tenham colocado a vida de pessoas em risco, Assange foi categórico. “WikiLeaks tem uma história de quatro anos de publicações. Durante esse período não há informações — mesmo de organizações como o Pentágono — de que uma única pessoa tenha se machucado como resultado de nossas atividades”, afirmou.
Ele disse ainda que sempre acreditou que o WikiLeaks poderia assumir uma posição de destaque no cenário global. “Eu pensei que levaríamos dois anos ao invés de quatro para sermos reconhecidos dessa forma. Ainda temos muito o que fazer. As ameaças às nossas vidas são um assunto público, no entanto, estamos assumindo as precauções necessárias, pois estamos lidando com grandes poderes”.

O fundador do WikiLeaks, que atualmente é procurado pelo Interpol por conta de supostos crimes de agressão sexual ocorridos na Suécia e que ele nega, está vivendo, aparentemente, no sudeste da Inglaterra e acredita que será “impossível” retornar a seu país.

“Sou cidadão australiano e tenho muitas saudades do meu país. No entanto, durante as últimas semanas, a primeira-ministra australiana, Julia Gillard, e o procurador-geral, Robert McClelland, deixaram claro não apenas que o meu retorno é impossível, mas que estão trabalhando de forma ativa para ajudar o governo dos Estados Unidos em seus ataques contra mim e contra nossa equipe”, indicou Assange.

Uma das perguntas publicadas no The Guardian foi de uma pessoa que disse ser um ex-diplomata britânico. Assinando apenas como “JAnthony”, o leitor fez uma longa explanação sobre como a segurança diplomática foi essencial para resolver o conflito nos Bálcãs. Por fim, perguntou a Assange: “Por que não responsabilizá-lo quando uma próxima crise internacional não for resolvida por problemas diplomáticos?”

Assange simplesmente se limitou a dizer: “Se você cortar a vasta carta editorial relativa à questão proposta, eu ficarei feliz em lhe dar a minha atenção”.
Assange também recebeu demonstrações de força dos internautas do Guardian. Um leitor identificado como “Daithi” disse que “a história vai absolver” o líder do WikiLeaks. Em seguida exclamou “Well Done!!!” (“Bom trabalho!!!”). Outra pessoa, depois de dizer que Assange começou algo “que ninguém pode parar”, afirmou que a comunidade da Eslováquia o apoia”.
Assange disse ainda que recebe “muitos emails bizarros” de pessoas que dizem ter visto extraterrestres. Ele disse que nenhum deles cumpriu regras básicas para a publicação pelo WikiLeaks. “No entanto, é interessante notar que em algumas partes dos arquivos do WikiLeaks que ainda serão publicados há referências sobre Ovnis”, respondeu o fundador da organização.

“A História vencerá”

Na última pergunta, um internauta perguntou qual é o plano do WikiLeaks para continuar funcionando, já que os grandes serviços de hospedagem vêm sofrendo pressões governamentais para retirar os documentos do ar. “Quais são as alternativas para você esconder o material? Há uma ‘segunda frente’ de ativistas posicionados para continuar a campanha?”, perguntou o leitor.
Assange disse que os arquivos do WikiLeaks foram distribuídos encriptados para cerca de 100 mil pessoas em vários países, e que se algo acontecer com os membros da organização, as partes principais desse material podem ser rapidamente divulgadas. “O arquivo está nas mãos de múltiplas organizações. A História irá vencer. O mundo será elevado a um lugar melhor. Nós vamos sobreviver? Isso depende de você”, profetizou.

Fonte: Portal Terra

 

4 dez 2010

A conjuntura internacional e a direita

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

A lógica da política não é mero penduricalho da economia. Se a economia estadunidense desce a ladeira, a extrema direita norte-americana constrói o paradigma de um ideário e de um comportamento tipo exportação na política.

Luiz Marques

Os Estados Unidos perderam a “liderança intelectual e moral” que conquistaram ao tornar o american way of life baseado no consumo individual um ideal para todas as sociedades modernas. Os social-ambientalistas mostraram ser impossível a generalização de um modo de vida baseado em um desenvolvimento não-sustentável, na ilusão de que os recursos da natureza sejam infinitos. Os EUA, contudo, não perderam a “liderança econômica e militar” no mundo. Aliás, cada vez menos “econômica” à medida que o centro da economia mundial desloca-se para a Ásia e cada vez mais “militar” como observou-se no Iraque com o objetivo de controlarem a torneira do petróleo no Oriente Médio (G. Arrighi, J. Silver, “Caos e governabilidade no moderno sistema mundial”, Contraponto ed., RJ, 2001). A vitória de Barack Obama para a Casa Branca sinalizou uma resposta à essa visível perda de prestígio do Tio Sam.

O fato é que, modernamente, a crise de hegemonia do poder unipolar tem sido substituída pela criação dos mercados regionais que hoje cumprem a tarefa de organização do conjunto da economia capitalista. Nenhuma expressão, neste
sentido, tergiversa e encobre tanto o fenômeno em curso pelo uso midiático como a chamada “globalização”, por funcionar à maneira de uma cortina de fumaça e impedir que se veja a importância estratégica da formação da União
Européia e do Mercosul. Sem tais articulações seria o caos.

A lógica da política não é mero penduricalho da economia, porém. Se a economia estadunidense desce a ladeira, a extrema direita norte-americana constrói o paradigma de um ideário e de um comportamento tipo exportação na
política. Recém realizadas, as eleições legislativas revelaram a potência dos valores esgrimados pela vertente extremista do Partido Republicano, o movimento Tea Party, que deu uma surra no Partido Democrata conferindo
maioria aos conservadores nos governos estaduais, na Câmara e um quase empate no Senado onde os democratas tinham uma supremacia avassaladora, de 60 a 20 representantes.

“É de se notar que as guerras nas quais os EUA continuam a se atolar e desperdiçar fortunas não foram mencionadas na campanha: tornaram-se consensuais”, escreveu o articulista da Carta Capital (10/11/2010). O belicismo, refúgio da dominação exercida manu militari por Washington, anda agora junto com um programa que propõe um corte nos gastos públicos (não naqueles que sustentam a militarização), desregulamentações generalizadas (para fomentar a dinâmica de acumulação privada), inviabilização da reforma da saúde (pelo contingenciamento dos recursos financeiros) e a asfixia do ensino público (para fazer da educação uma mercadoria). Enfeixa o conjunto de dispositivos, que têm como âncora a questão fiscal, o empenho pela redução demagógica de impostos (para os ricos, bem  entendido).
Ao tentar a concertação com a agenda dos republicanos, Obama acentuou seu isolamento em relação à população jovem, às minorias e aos pobres que não se sentiram motivados para sair de casa, aumentando o índice de abstenção num sistema em que o voto é facultativo e, os eleitores, necessitam ser motivados para participar do processo eletivo. O resultado foi a fragorosa derrota dos democratas nas urnas, que liberou o Federal Reserve (Fed, banco central) para inflar a base monetária e acirrar a disputa cambial nas relações internacionais com a desvalorização do dólar.
Tal “política econômica”, simbolizada no corte de gastos em detrimento de investimentos estatais para retomar o crescimento e combater o desemprego, remete ao receituário que muitos analistas julgavam na lata de lixo da
história. Inútil lembrar a catástrofe, a maior desde a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, cujas cicatrizes doloridas seguem abertas suscitando sofrimento e miséria. As nuvens no horizonte reiteram a tendência
à estagnação econômica dos EUA e duras batalhas entre as nações em torno do câmbio.

A vitória de Dilma no pleito presidencial ocorreu nessa conjuntura contraditória, que aporta angústia ao Norte em contraposição à esperança despertada ao Sul pela ascensão da (centro-) esquerda na América Latina.
Considerando que o Tea Party manifesta-se contra todos os órgãos de cooperação, a ONU, o G-20 e ainda a OMC e o FMI, sem mencionar seu repúdio à ajuda para países em dificuldade e aos acordos ambientais para proteger a camada de ozônio, dá para depreender os efeitos cataclísmicos do direitismo que vem do frio. A utopia conservadora aponta para a dissolução do “contratualismo” que está na base do projeto acalentado pela modernidade, na direção de um “pós-contratualismo” que desfaria contratos de proteção aos indivíduos, grupos, classes e até continentes em situação de vulnerabilidade social e econômica. O ponto de chegada redundaria em um “fascismo societal”
(Boaventura de Sousa Santos, “Reinventar la democracia, reinventar el Estado”, Clacso, Buenos Aires, 2006).

Para além da defesa de uma economia de mercado, como os neoliberais, os novos conservadores almejam uma SOCIEDADE DE MERCADO, em maiúsculas, em que a propriedade reine acima de qualquer ponderação social ou humanitária e emque a mercantilização seja a medida de todas as coisas. Na literatura daCiência Política, essa linha de pensamento atende pelo nome de “anarco-capitalismo”, a corrente antiestatal do liberalismo que concebe o
Estado como uma besta-fera nociva às ações, por definição, virtuosas da livre iniciativa. A mais leve intervenção sobre a racionalidade mercantil é tida como indevida pelos que acusam o primeiro presidente negro dos EUA de
“socialista”, “anticolonialista” e “anti-empresarial” empurrando o ganhador do Nobel da Paz para um caminho que ele não parece capaz de evitar: a guerra com o Irã. Sem ousadia para enfrentar as forças da reação e expor o núcleo elitista das críticas que o vitimam, Obama age como o personagem de uma tragédia grega, impotente frente ao inexorável destino.

O padrão político da direita representada pelo Tea Party foi sintetizado na palavra-de-ordem “Obama tem de fracassar”, através de uma plataforma que transformou temas de foro íntimo, a exemplo do aborto, da fé religiosa, do
homossexualismo e da perseguição aos imigrantes em eixos para a demarcação de campos ideológicos. O obscurantismo e o medievalismo de sua tática de persuasão do eleitorado expressou antes e depois uma total aversão aos assuntos públicos e à cidadania, ao mesmo tempo que afastou-os o quanto possível do indigesto debate sobre o papel do Estado em um contexto marcado pela desigualdade social, no qual urgem políticas de promoção da igualdade
de oportunidades e de empregos.

No Brasil, essa atitude preconceituosa e xenófoba foi reatualizada na campanha tucana, em especial no segundo turno das eleições presidenciais e no discurso de José Serra depois de encerrada a apuração. O “até logo”, “não foi dessa vez”, no arrogante pronunciamento do prócer derrotado pela vontade soberana do povo, soou como uma paródia do brado revanchista dos republicanos. Traduzindo: “Dilma tem de fracassar”. A senha foi compreendida pela grande mídia demotucana imediatamente. Dia seguinte, teve então início o terceiro turno sob a falsa denúncia em manchetes garrafais de que a candidata eleita pretendia reinstituir o imposto sobre as movimentações financeiras, a CPMF, numa prova de estelionato eleitoral do PT. Pouco importou esclarecer que há um projeto de lei há meses tramitando no
Congresso Nacional e de que a sugestão viera dos governadores estaduais eleitos. Reiniciava o jogo sujo. As falhas técnicas no ENEM, que atingiram menos de 1% dos estudantes, serviram de ensejo para reiterar as pechas de “má gestão” e mesmo “corrupção” no governo Lula. Pouco importou a nota explicativa da gráfica que confeccionou as provas para o exame que democratizou o acesso às universidades federais. O importante é a geração contínua de escândalos políticos pré-fabricados.

No Rio Grande do Sul, a mensagem agourenta foi trazida pelos deputados Germano Bonow (DEM) e Osmar Terra (PMDB) que apressaram-se em organizar um “jantar de confraternização” entre os partidos do reacionarismo no pleito vencido pelo petista Tarso Genro, já no primeiro turno. “Tarso tem de fracassar com a Dilma, por isso não podemos nos dispersar”, eis a tônica que animou os presentes na reunião e articulou-os “porque a luta continua pela liberdade (leia-se, do mercado) e pela democracia (leia-se, do capital)”. A intenção da turma do contra será a de acordar os demônios adormecidos no Brasil e no RS profundos, atiçar os ressentimentos das classes médias contra as políticas distributivas de renda e criar empecilhos a uma reforma tributária que se paute pela progressividade e pela justiça social.
Parafraseando La Pasionaria frente aos avanços dos fascistas na Espanha dos anos 30, devemos repetir alto e bom som: no pasarán!

Luiz Marques é professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS).

 

Está ai um exemplo de como de como se deve tratar aos desabrigados atingidos por catástrofes. Na Venezuela o Presidente Hugo Chávez deu o exemplo e convocou as famílias a abandonar as áreas de risco nas favelas e morros de Caracas onde residem perigosamente (são dezenas de milhares de famílias no momento) e ofereceu abrigo provisório para elas. Para começar o Palácio de Miraflores, que é sede presidencial, foi ocupado por dezenas de famílias, onde os recintos que abrigava sua guarda pessoal foi transformado em residência provisória, oferecendo inclusive os  escritórios de despacho do presidente; além do mais  os quartéis do exército foram abertos para os desabrigados  (inclusive o Forte Tiuna o maior de todos) e adiantou que irá desapropriar hipódromos e camping de lazer da burguesia (geralmente sub-utilizados) para construir edifícios funcionais para desabrigados. E afirmou algo que deve espantar os brios de muitos conservadores – que será deixar os desabrigados onde estão provisoriamente abrigados por pelo menos um ano nesses locais, além de oferecer trabalho e ocupação a essas pessoas  – até que se consiga construir prédios de apartamentos para eles. O Estado assume os riscos naquilo que ele próprio gerou em um longo período histórico, ou seja, a pobreza e a exclusão  – e propõe soluções definitivas para os pobres.
Quem acompanhou aqui no Brasil como as autoridades trataram os desabrigados das recentes chuvas  de Santa Catarina, Estado do Rio, Espírito Santo, Norte e Nordeste do Brasil (ou seja, eles receberam alguma ajuda provisória e depois foram largados à própria sorte) deve se espantar com as atitudes tomadas pelas  autoridades da Venezuela. E no Haiti – onde centenas de milhares de desabrigados continuam instalados provisoriamente  em tendas, envoltos em criminalidade e epidemias e considerados inimigos pelas tropas estrangeiras que lá estão (fazendo não se sabe o que).

As soluções em relação às catástrofes tomadas por governos revolucionários são diferentes à aquelas tomas por governos burgueses. Em Cuba em 2008 um destrutivo  furação arrasou com 500 mil habitações na ilha e ninguém faleceu devido a isso e onde todos necessitados foram abrigados pelo Estado (mais de um milhão de pessoas) e  pouco tempo depois todas as habitações foram reformadas e as populações retornaram as seus locais de moradia.
O artigo abaixo transcrito oferece mais informes sobre essa surpreendente atitude ocorrida na Venezuela.

Saudações
Jacob David Blinder

 

UN EJEMPLO DIGNO DE IMITAR: PRESIDENTE CHÁVEZ PIDE A FAMILIAS ABANDONAR LAS ZONAS DE RIESGO POR LLUVIAS

Caracas, 1 dic. 2010, Tribuna Popular TP.- El Presidente de la República, Hugo Chávez Frías dio, en el día de hoy, un gran ejemplo al mundo de cómo debe actuar un primer mandatario frente a una catástrofe que afecta al pueblo. Abrió el Palacio de Miraflores para ubicar a damnificados; visitó una de las zonas más afectadas para trasladarlos al Fuerte Tiuna y ordenó desocupar el Palacio Blanco para atender damnificado, poniéndose a la cabeza de la atención a los más pobres.

El Presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez, visitó el barrio La Pedrera, de la parroquia Antímano, donde varias familias han sido afectadas por las lluvias. “Yo me comprometo con mi vida a que ustedes no les va a faltar la atención por parte del Gobierno”, afirmó el Mandatario Nacional
Chávez instó a la población a salir del lugar, debido a que está decretado como zona de riesgo.

“Me dijeron que algunos no querían salir de aquí hasta que Chávez viniera, yo me comprometo con mi vida a que ustedes no les va a faltar la atención por parte del Gobierno”, afirmó.

El Jefe de Estado aseguró a los afectados que desde el centro de refugio de Fuerte Tiuna, “saldrían a sus nuevas casas” . Igualmente, ofreció la atención en cuanto a hospedaje, alimentación, atención médica, psicológica, además expresó que al lugar “llegará el niño Jesús, llegarán las hallacas y la navidad”.
“Urgente es comenzar a movernos, primero las mujeres embarazadas, con hijos; las personas de tercera edad, las personas con discapacidad, los niños y niñas. Ya viene la noche y la lluvias, vamos a movernos”, urgió.
Igualmente, giró instrucciones para que un grupo de oficiales del Ejército y la Guardia Nacional Bolivariana se queden en la zona desalojada para resguardar los utensilios de las familias trasladadas.

En declaraciones transmitidas por Venezolana de Televisión (VTV), el Mandatario afirmó que algunas de las familias saldrán en 1 mes, otras en seis meses y otras en un plazo mayor, de acuerdo al tiempo que tarde el Gobierno en adquirir o construir las viviendas.

Presidente Chávez dio la bienvenida en Palacio de Gobierno a 26 familias damnificadas “Bienvenidas y bienvenidos. Queremos que se sientan aquí lo maś cómodos. Arreglamos un espacio para que se alojen. Espero que se queden viviendo. Aquí tendrán lo que necesiten para vivir”, realizando un ejemplo simbólico para que todo el país se desprenda de algo para ayudar al pueblo afectado.

De esta manera, el presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez Frías, recibió al mediodía de este miércoles, en el Palacio de Miraflores, a 26 familias provenientes de diferentes sectores de Caracas que quedaron damnificadas como consecuencia de las intensas lluvias caídas los últimos días en el país.

Los niños y adultos, habitantes de sectores como Antímano, Blandín y El Valle, tendrán estudios, alimentación, atención médica y todas las comodidades en el espacio acondicionado para recibir a estas personas y que servía de alojamiento al personal de la Guardia Presidencial.

“Lo que quiero es que cuando salgan del Palacio, salgan a su apartamento, a su casa permanente. Es a lo que aspiramos”, indicó en transmisión de Venezolana de Televisión (VTV).

Apuntó que replicarán esta experiencia en el Palacio Blanco, situado al frente de Miraflores, en el centro de Caracas, e instó a las diferentes instituciones del Estado a hacer lo propio.

Mencionó a la Vicepresidencia de la República y al propio canal VTV como entes que pueden habilitar espacios para damnificados.
“Sería bonito aportar de los aguinaldos un día de salario para la dotación, el arreglo de los lugares y el trabajo voluntario. Hay que sacar todo el amor, la querencia por un pueblo abandonado durante 100 años por el capitalismo”, expresó. Chávez añadió: “Este Palacio todo es de ustedes. No crean que estarán presos”.

Precisó que harán registros de las personas desempleadas para ofrecerles trabajo e incluso instó a los hombres a formar parte de la Guardia Presidencial. “Hay bastante gente joven con potencial para trabajar, estudiar, hacer cursos”, acotó.
El Presidente garantizó a los niños que recibirán sus regalos del Niño Jesús el 25 de diciembre y su cena navideña en el Palacio, y ordenó convertir el estacionamiento en una especie de patio para la recreación de los pequeños.
En las habitaciones tienen camas con lencería, cunas para los bebés, armarios, cafeteras, microondas, licuadoras, neveras, baños y aire acondicionado central, entre otras comodidades.

El Estado venezolano declaró en emergencia el Distrito Capital (DC) y los estados Falcón, Miranda y Vargas debido a los efectos de las intensas precipitaciones. El Gobierno se ha volcado a la atención de los afectados, que suman 33.442 personas en todo el territorio nacional.

Refugio en Miraflores

Sobre el refugio que está dispuesto en Miraflores para atender a 26 familias damnificadas, el presidente Chávez explicó que en uno de los sótanos del Palacio se construyó un espacio para brindar atención médica y refugio a su equipo de seguridad, y ahora servirá para atender a estas familias necesitadas.
“Estamos pasando revista de la situación y atendiendo a las familias, estamos en un sótano que hemos decidido desalojar para habitarlo con familias necesitadas, familias que están en riesgo vital, que viven en las quebradas, en las lomas, son miles y miles de familias (…) todo lo que nos dejó la corrupción y la desatención de la cuarta república”, expresó.

Chávez Frías sostuvo que Miraflores, “más que en un refugio, es un hábitat, es un barrio dentro de Miraflores. Sí, estamos en Miraflores, dentro de Miraflores, son 26 familias que están aquí”.

Presidente Chávez ordenó desalojar Palacio Blanco para atender a damnificados

El presidente de la República, Hugo Chávez Frías, ordenó este miércoles a los funcionarios que laboran en el Palacio Blanco, en Miraflores, desalojar sus oficinas de inmediato para que esos espacios sirvan para atender a un grupo de familias damnificadas por las lluvias registradas en Caracas.
Durante un recorrido por el refugio que se instaló en el Palacio de Miraflores para atender a 26 familias afectadas por las lluvias, el presidente Chávez señaló que en este momento de emergencia “el Palacio Blanco es una estructura grande, que pudiera convertirse incluso en un súper bloque como los del 23 de Enero” y así dar alojamiento a estas familias en esta situación de contingencia.
“He dado órdenes para que desalojen el Palacio Blanco. Vayan acomodándose. Es una emergencia y debemos dejar las comodidades personales y ponernos a la orden de la emergencia que estamos viviendo”, expresó el jefe de Estado a los funcionarios.

Chávez instó a todos los organismos públicos que tengan espacios disponibles para atender a las familias necesitadas a “ponerlas a la orden pues estamos en emergencia”.
Explicó que estos refugios habilitados en Miraflores y en varias instituciones públicas servirán de hogar a estas miles de personas “no por unos días sino quizás hasta por un año, para que podamos construir y reubicarlos en viviendas dignas”.

Fuente: VTV – AVN – Tribuna Popular

 

4 dez 2010

LEVANTE E SIGA ADIANTE

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Instantes fugazes de insensata empolgação

Podem custar anos de dor e arrependimento.
Entregar-se ao vício é trancar-se numa prisão
Cuja recuperação da liberdade é um tormento.

Claro, nem todo mundo tem uma infância feliz.
Há famílias que não têm nem estrutura afetiva.
Porém, refugiar-se na droga é a pior alternativa.
Nunca devemos nos iludir com o que ela nos diz.

Ninguém merece viver e sofrer como um bicho,
Deixando apodrecer os sonhos nas latas de lixo.
Torna a tua biografia um exemplo de superação
E deixa o amor-próprio reassumir o teu coração!

Espalha com o teu sorriso a virtude da amizade
Canta com tua lágrima o refrão da sensibilidade
A grandeza do universo é infinita como a tua alma
O tempo é generoso: o futuro não escolhe; acolhe.

Sim, sabemos que nosso mundo também,
Às vezes, é injusto, deprimente; uma droga.
Mas, poxa, sem tua força, tudo fica ainda pior!
Você é único, especial, importante; um gigante.

Levante-se, antes que seja tarde demais!
Inspire-se em quem te ama e siga adiante!
Agarre com fé os planos deixados para trás!
Depois da noite, o Sol sempre volta radiante!

Por Pablo Robles, Poeta do Social

Leia mais no blog: http://gritopacifico.blogspot.com/

 

3 dez 2010

Wikileaks, o que é isso?

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

WikiLeaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia,[1] que publica, em seu site, posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

O site foi construído com base em vários pacotes de software, incluindo MediaWikiFreenetTorPGP.[2] Apesar do seu nome, Wikileaks não é um wiki – leitores que não têm as permissões adequadas não podem editar o seu conteúdo.

Para a postagem, WikiLeaks recomenda vivamente o uso do Tor, visando preservar a privacidade dos seus usuários,[3] e garante que a informação colocada pelos usuários não é rastreável. O site, administrado por The Sunshine Press,[4] foi lançado em Dezembro de 2006 e, em meados de Novembro de 2007, já continha 1,2 milhões de documentos. [5]

No site, a organização informa ter sido fundada por dissidentes chineses, jornalistas, matemáticos e tecnólogos dos Estados Unidos,TaiwanEuropaAustráliaÁfrica do Sul.[6] [7] Seu diretor é o australiano Julian Assange, jornalista e ciberativista.[8]

WikiLeaks recebeu vários prêmios para novas mídias, incluindo o New Media Award 2008 da revista The Economist.[9] Em junho de 2009, a WikiLeaks e Julian Assange ganharam o Media Award 2009 (categoria “New Media”) da Anistia Internacional,[10] pela publicação deKenya: The Cry of Blood – Extra Judicial Killings and Disappearances, em 2008 [11] um relatório da Comissão Nacional Queniana de Direitos Humanos sobre a política de extermínio no Quênia. Em maio de 2010, WikiLeaks foi referido como o número 1 entre os “websites que poderiam mudar completamente o formato atual das notícias”.[12]

Em abril de 2010, WikiLeaks postou, no website Collateral murder, um vídeo feito em 12 de julho de 2007, que mostrava civis iraquianos sendo mortos durante um ataque aéreo das forças militares dos Estados Unidos.

Em julho do mesmo ano, a organização ganhou maior visibilidade mundial, ao divulgar o Afghan War Diary, uma compilação de mais de 76.900 documentos secretos do governo americano sobre a Guerra do Afeganistão.

No mês de outubro, em articulação com grandes organizações da mídia, Wikileaks publicou um pacote com quase 400.000 documentos secretos, denominado Iraq War Logs, reportanto torturas de prisioneiros e ataques a civis pelos norte-americanos e seus aliandos, naGuerra do Iraque.

Leia mais no link da Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikileaks

 

 

3 dez 2010

Por dentro do Wikileaks

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Opera Mundi

Fui convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, oWikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português, com matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil.

Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral.

Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo.

Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas – no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem – leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: “São a coisa mais importante que eu já vi”, disse ele.

Não foi fácil. O Wikileaks já é conhecido por misturar técnicas de hackers para manter o anonimato das fontes, preservar a segurança das informações e se defender dos inevitáveis ataques virtuais de agências de segurança do mundo todo.

Assange e sua equipe precisam usar mensagens criptografadas e fazer ligações redirecionados para diferentes países que evitam o rastreamento. Os documentos são tão preciosos que qualquer um que tem acesso a eles tem de passar por um rígido controle de segurança. Além disso, Assange está sendo investigado por dois governos e tem um mandado de segurança internacional contra si por crimes sexuais na Suécia. Isso significou que Assange e sua equipe precisam ficar isolados enquanto lidam com o material. Uma verdadeira operação secreta.

Documentos sobre Brasil
No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.

Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.

O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.

Impressões
A reação desesperada da Casa Branca ao vazamento mostra que os Estados Unidos erraram na sua política mundial – e sabem disso. Hillary Clinton ligou pessoalmente para diversos governos, inclusive o chinês, para pedir desculpas antecipadamente pelo que viria. Para muitos, não explicou direto do que se tratava, para outros narrou as histórias mais cabeludas que podiam constar nos 251 mil telegramas de embaixadas.

Ainda assim, não conseguiu frear o impacto do vazamento. O conteúdo dos telegramas é tão importante que nem o gerenciamento de crise de Washington nem a condenação do lançamento por regimes em todo o mundo – da Austrália ao Irã – vai conseguir reduzir o choque.

Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram “como o mundo funciona”.

O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo.
Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.

O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”. A imprensa simplesmente não tem esse direito.
É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de “irresponsável”, “ativista”, “antiamericano” e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo – objetivo, equilibrado, responsável e imparcial. Uma ironia e tanto.

*Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi

"A democracia passa pela transparência radical": Natália Viana, jornalista brasileira convidada para trabalhar com os comunicados secretos entre embaixadas americanas, escreve sobre a experiência; site foi derrubado do ar após vários ataques

Leia mais no site: http://www.cartacapital.com.br/internacional/por-dentro-do-wikileaks


Os ativistas da comunicação no Brasil devem se preparar para um importante debate que vai ganhar corpo a partir do ano que vem: a mudança na regulação dos meios de comunicação do País. O alerta foi dado pelo presidente Lula nesta quinta-feira (2/12) no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) em entrevista coletiva a oito rádios comunitárias.

Lula e o ministro Franklin Martins receberam os radialistas

Segundo informou, o Ministério das Comunicações do governo Dilma Rousseff vai priorizar esse debate, com ampla participação da sociedade, porque a legislação brasileira é ultrapassada e não reflete o mundo altamente tecnológico e conectado à internet que temos hoje.

De acordo com o presidente, depois da realização da 1a. Conferência Nacional de Comunicação, “ficou claro pra todo mundo que no mundo inteiro tem regulação, que tem algum tipo de regulação (dos meios de comunicação)” e que será possível, com esta discussão, “conquistar muitas coisas na elaboração deste marco regulatório”.

A discussão está na mesa: “O novo Ministério está diante de um novo paradigma de comunicação. Quero alertar vocês porque esse debate vai ser envolvente, tem muita gente contra e muita gente a favor. Certamente, o governo não vai ganhar 100% e quem é contra não vai ganhar 100%. Eu peço que vocês se preparem para esse debate. Se a gente fizer um bom debate conseguiremos encontrar um caminho do meio. Esse será o papel do novo Ministério de Comunicações”, disse o presidente.
Lula expressou a vontade de se dedicar às discussões a respeito do marco regulatório das comunicações após o fim do mandato, já que, segundo disse, poderá ter um discurso que não podia ter na função de presidente da República. Ele disse que como militante político exercerá um papel centralizador dos debates da sociedade brasileira para politizar a questão do marco regulatório e “resolver a história das telecomunicações de uma vez”. Para isso, “é preciso ter força política” e embasamento, para vencer “o monopólio” que existe atualmente nas comunicações.
Democratização da comunicação
Na opinião do presidente, é preciso mudar urgentemente o padrão da comunicação brasileira, que não reflete a pluralidade do País e não contribui para a difusão da diversidade cultural. Lula disse que não é mais possível que uma pessoa que mora na região Norte, por exemplo, só tenha acesso à programação de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na opinião dele, “sem querer tirar nada de ningúem”, é preciso que se dê a oportunidade para que moradores do Sudeste tenham acesso às informações de todo o País e para que todas as regiões estejam em contato com sua própria cultura. ”Daqui a pouco no Nordeste, os companheiros vão esquecer de falar macaxeira e vão falar só aipim”, ironizou.
“A democracia tem uma mão para ir e uma para voltar. Por isso é que nós trabalhamos a necessidade que você tenha uma programação regional para uma interação mais forte. Acho que poderemos avançar”, disse Lula.
O presidente enfatizou ainda a necessidade de travar este debate sem cair na ladainha da “ameaça” à liberdade de imprensa. Ele disse que esta é uma tese propagada pelos “monopólios” que consideram as propostas de democratização dos meios de comunicação como um cerceamento à liberdade de imprensa no Brasil: “É uma briga histórica. Tratam (o assunto) como se fosse cerceamento à liberdade de imprensa. É uma coisa absurda alguém achar que não pode receber críticas, que são intocáveis”, afirmou.
Ele ainda lembrou que, quando chegou ao Planalto, ouviu muita reclamação porque decidiu “democratizar” e “regionalizar” a publicidade do governo quando passaram de 499 meios de comunicação que recebem dinheiro do governo para 8010. “Tinha um pequeno grupo acostumado a comer sozinho e quando você reparte, as pessoas reclamam”, comentou.
Lula não citou o nome de Paulo Bernardo, cotado para assumir o Ministério das Comunicações no próximo governo, mas falou a respeito da escolha que a presidente eleita Dilma Rousseff deve fazer. Segundo o presidente, deve ser algum que tenha “afinidade” com a ideia da democratização.
Rovai: donos da mídia “estão nervosos”
O presidente já havia abordado longamente o tema mídia em entrevista coletiva que deu na semana passada a blogs de diferentes pontos do Brasil.Leia mais
O jornalista Renato Rovai, da revista Fórum, que participou da entrevista de blogueiros com Lula, avalia que “como presidente da República, Lula teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza”. Segundo Rovai, “jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade”, o que torna ainda mais relevante o debate sobre a mídia no país.
“Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade. Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens”, disse Rovai durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio.
Para ele, “está dada, ao final deste governo, mais uma lição: governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade. Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso. Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual”.
Preconceito
Durante a entrevista de Lula às rádios comunitárias, que durou pouco mais de uma hora, o presidente também falou sobre o preconceito que existe na política brasileira que o vitimou “a vida inteira” e que o assustou durante a campanha presidencial. Lula ressaltou, entretanto, que acredita que prevalecerá o bom senso e que está certo de que Dilma Rousseff fará mais e melhor, porque encontrou um País muito mais desenvolvido e com a economia em amplo crescimento.
“O que eu vi nessa campanha me assustou. Eu sempre fui vítima de preconceito, carreguei a vida inteira, e o preconceito deixa marcas profundas, quase que incuráveis. Eu não tinha noção de que eles seriam capazes de fazer uma campanha tao preconceituosa quanto fizeram com a Dilma… apenas porque era uma mulher candidata. Mas podem ficar certos de que a Dilma não veio de onde eu vim, mas ela vai para onde eu fui”.
No final da entrevista, um dos radialistas perguntou a Lula se ele achava que as rádios comunitárias “derrubavam avião ou tubarão”, em uma referência implícita aos grandes grupos de comunicação. Lula, então, respondeu: “Eu sinceramente não sou técnico especialista para dizer se rádio comunitária derruba avião. Obviamente que qualquer rádio que interferir no sistema do avião pode criar um problema. Mas eu acho que hoje ela preocupa muito mais o tubarão do que um avião”.
Participaram da entrevista com o presidente Lula as rádios Maria Rosa, de Curitibanos (SC); Heliópolis, de São Paulo (SP); Líder Recanto, do Recanto das Emas (DF); Oito de Dezembro, de Vargem Grande Paulista (SP); Santa Luzia, de Santa Luzia (MG); Cidade, de Ouvidor (GO), Fercal, de Sobradinho (DF) e Comunitária Integração, de Santa Cruz do Sul (RS). A entrevista foi transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto e também por diversos outros blogs do País.

Com informações do Blog do Planalto e agências

 

Os funcionários da diplomacia dos EUA no Brasil viram o mega apagão de novembro de 2009 como uma “oportunidade” para ação de agências americanas nas áreas de infraestrutura e defesa, segundo relatório secreto vazado pelo WikiLeaksnesta quinta-feira (2).

“As preocupações com a infraestrutura do Brasil, recentemente elevadas como resultado deste blecaute, combinadas com a necessidade de responder aos desafios de infraestrutura visando a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, apresentam aos EUA oportunidades de se engajar em desenvolvimento de infraestrutura, assim como em proteção de infraestrutura crítica e possivelmente cibersegurança”, escreveu a diplomata Cherie Jackson, em dezembro do ano passado.

O documento aconselha de modo direto as agências norte-americanas, em especial vinculadas a assuntos como segurança interna, defesa, comunicação e desenvolvimento, a “explorar essas oportunidades no curto prazo”.

Entre 10 e 11 de novembro de 2009, um apagão atingiu várias cidades das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Foram afetadas cidades em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. Houve falta de energia também no Mato Grosso e Pernambuco. O Paraguai, que faz fronteira com o Brasil, igualmente teve problemas de abastecimento.

“Abertura”

O relatório, escrito de modo “coordenado com consulados gerais de Rio de Janeiro e São Paulo”, também dá ênfase à “notável abertura ao diálogo” demonstrada pelas autoridades quando consultadas sobre o tema.

“As autoridades brasileiras foram surpreendentemente abertas para discutir o incidente com pessoal da embaixada, não-defensivos ao responder as perguntas e acessíveis com suas informações e dados”, descreve Jackson.

“Blecautes no Brasil não são incomuns (…). Contudo, a escala do blecaute de 10 de novembro, que despertou indesejável atenção internacional, pode levar o Brasil a buscar solução de longo alcance para as fraquezas de seu fornecimento de energia e contra ameaças a ele”, acrescenta.

“Caminhando para um ano eleitoral relevante, o governo do Brasil provavelmente tentará mostrar que está tomando medidas para retomar a confiança pública. No contexto da abertura demonstrada por autoridades do governo ao discutir o evento, combinado com o desejo de mostrar progresso ao lidar com o tema, o governo americano tem uma oportunidade de trabalhar com o governo brasileiro”, reitera.

Este documento foi publicado hoje pelo site Wikileaks, no âmbito das divulgações de mais de 250 mil comunicações diplomáticas dos EUA que começaram a chegar a público no último domingo.

Até o momento 608 documentos foram publicados, dos quais 18 dizem respeito ao Brasil de modo direito: 14 com origem na embaixada de Brasília, dois emitidos pelo consulado em São Paulo, um diretamente da Secretaria de Estado dos EUA e um da embaixada em Paris

Entenda o caso com o infográfico no site UOL:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2010/12/02/eua-viram-oportunidade-no-apagao-de-2009-diz-documento-diplomatico-vazado.jhtm