Lindauro Gomes/AE - 13/05/1999 "Paulo Renato foi ministro da Educação durante o governo de FHC, entre os anos de 1995 e 2002"

SÃO PAULO – Morreu, aos 65 anos, vítima de enfarte fulminante, no final da noite deste sábado, 25, em São Roque, interior paulista, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. Paulo Renato, que segundo sua assessoria de imprensa vinha enfrentando problemas cardíacos, passava o feriado prolongado de Corpus Christi ao lado de familiares em um hotel da cidade quando começou a se sentir mal. Ele ainda foi encaminhado ao Hospital Unimed, no Jardim Lourdes, mas já teria chegado morto.

O velório do ex-ministro é realizado neste domingo, 26, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Por volta das 9h30, o velório estava reservado para familiares. A abertura ao público foi marcada para as 10h.

O secretário estadual da Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), esteve, junto com familiares, providenciando a documentação necessária para a liberação do corpo, que ocorreu por volta das 5h45 desta manhã de sábado, 26.

O enterro deve ocorrer apenas na segunda-feira, 27, pela manhã para que as filhas de Paulo Renato – uma mora nos EUA e a outra no México – possam estar presentes no enterro do pai. Ambas iriam embarcar em voo ainda nesta manhã. Segundo a assessoria de imprensa do ex-ministro, o governador Geraldo Alckmin foi informado sobre o falecimento logo na primeira hora desta madrugada.

Economista, Paulo Renato foi ministro da Educação durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1º de janeiro de 1995 a 31 de dezembro de 2002. Dentre as suas maiores realizações à frente do ministério da Educação estão o ENEM e o SAEB. Também ocupou outros cargos públicos e executivos no Brasil e no exterior, incluindo o de gerente de Operações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, o de secretário da Educação do Estado de São Paulo, entre 1984 e 1986, no governo Franco Montoro, e o de reitor da Universidade Estadual de Campinas, entre 1987 e 1991, durante o governo de Orestes Quércia.

Fonte: http://estadao.br.msn.com

Saiba mais sobre os danos causados pelas substâncias e a dificuldade de vencer o vício

Por Minha Vida

A psicóloga especializada em dependentes químicos em recuperação e fundadora do Projeto Esporte e Recuperação, Gabriela Felix, explica que as drogas não causam danos apenas fiscos, mas também psicológicos e sociais. Dentro dos danos físicos, encontramos a famosa cirrose hepática, o enfisema pulmonar e danos cerebrais. Entre os prejuízos psicológicos, está a deficiência cognitiva e/ou transtornos de humor e de personalidade, o que costuma-se chamar de co-morbidade, uma vez que são transtornos mentais, associados à dependência química. Entre os danos sociais, encontramos o isolamento do usuário, preconceito e discriminação, essas pessoas dificilmente são vistas como cidadãs possuidoras de direitos .
A dependência física é complicada de ser controlada. Além do acompanhamento profissional, muita força de vontade é necessária para vencer a dependência. Ela acontece quando o sistema nervoso central se habitua a funcionar apenas com a ingestão da droga. Tal processo engloba o sistema de recompensa, ou seja, a ingestão da droga libera determinados neurotransmissores no cérebro, que são responsáveis pela sensação de prazer sentida quando há o consumo da droga , afirma a psicóloga.

Na falta das substâncias, o organismo responde em crise de abstinência, o que pode desencadear vários sintomas como dores, tonturas e náuseas. Nos casos mais graves, a morte acaba acontecendo. Desta forma, entende-se que o organismo depende, fisicamente, da droga para funcionar, ele não consegue trabalhar normalmente sem ela. Por isso a necessidade de tratamento especializado e, muitas vezes, da ingestão de medicamentos para controlar a síndrome.
Carlos Alberto, um dependente químico em recuperação, afirma que é quase insuportável agüentar as crises de abstinência, mas explica que com muita força de vontade é possível vencer a luta contra as drogas. “Passei por duas internações e por diversos tratamentos para conseguir minha recuperação.Esta decisão exige um compromisso diário”, conta.
Outro risco bem conhecido que envolve o uso de drogas é a overdose, problema que acontece quando a ingestão de componentes químicos passa dos limites tolerados pelo organismo. A overdose é um colapso do organismo humano quando há ingestão abusiva de drogas. “Ela tende a acontecer em usuários mais antigos, que precisam consumir cada vez mais droga para atingir os efeitos obtidos na fase inicial do vício”, afirma Gabriela Felix.

Dependentes 
De acordo com a psicóloga o termo dependência de drogas é exatamente o que acontece quando uma pessoa se transforma em um viciado, chegando até mesmo a viver em função dessas substâncias, pensando como conseguir mais e mais. “Essa condição se instala depois de algum tempo de uso, fazendo com que o usuário troque suas atividades rotineiras por preocupações ligadas à aquisição e ao consumo das drogas”, diz Gabriela.
O usuário acaba reduzindo seu círculo de relacionamentos interpessoais, passando a conviver cada vez mais com usuários e, por vergonha, fugindo ou se escondendo de quem não consome as substâncias. Os medos e problemas dos dependentes químicos são inúmeros, tais como fantasias de incapacidade perante dores e frustrações. “Eles temem não conseguir reconquistar a confiança da família, dos amigos, temem o eterno isolamento social, acreditam não serem merecedores de alegrias”, diz Gabriela.
Todos esses sentimentos são acentuados no processo de recuperação que enfrentam, quando é comum haver lapsos e recaídas. O problema é que, nem sempre, o próprio usuário e as pessoas que apostam na força de vontade de vontade dele lidam bem com o retrocesso. Brigas, discussões e a ansiedade dificultam a retomada depois de um episódio como esse.
A desinformação também atrapalha muito o tratamento. Além do dependente químico, é preciso que a família e os amigos envolvam-se com todas as etapas de abandono do vício. É um gesto de amor à vida acreditar que uma pessoa, após fazer uma escolha errada, possa repará-la. As dificuldades, sem dúvida, são grandes. Mas com ânimo para enfrentá-las, tudo fica mais fácil e passa mais rapidamente.

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A presidente Dilma Rousseff voltou a defender o fim do sigilo eterno de documentos oficiais e irá pedir que a base do governo no Senado chancele o texto da forma como foi aprovado pela Câmara, segundo reportagem de Ana Flor publicada no jornal Folha de São Paulo deste sábado (25). 

A decisão foi comunicada na sexta-feira (24) a assessores. A presidente deseja encerrar o debate sobre o assunto, que vem gerando discussões no governo há semanas.
Inicialmente Dilma queria o fim do sigilo eterno, conforme aprovado na Câmara. Entretanto, as opiniões contrárias dos ex-presidentes e senadores Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), que apoiam o governo no Senado, fizeram com que Dilma expressasse uma opinião diferente.
Na terça-feira (21), a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, confirmou que o governo acatará a decisão do Congresso sobre a possibilidade da manutenção do sigilo para documentos oficiais ultrassecretos.
O único ponto que a presidente Dilma insiste, segundo a ministra, é em relação aos documentos sobre direitos humanos –que não eram o centro das discussões. “A presidenta Dilma já colocou que esse ponto é inegociável. Não se pode permitir qualquer tipo de classificação de sigilo em relação as questões relacionadas a direitos humanos. Isso ela não admite em hipótese alguma”, afirmou Ideli.
A divulgação de que a maioria dos senadores era contra o sigilo eterno de documentos provavelmente contribuiu para que a presidente anunciasse que apoiaria o texto original aprovado na Câmara.

Em uma decisão considerada simbólica, a Câmara dos Representantes (deputados federais) dos Estados Unidos rejeitou sexta-feira (24) uma resolução que dava autorização formal ao presidente Barack Obama para manter as ações militares americanas na Líbia.

A proposta, que permitia aos Estados Unidos conduzir operações limitadas sem o envio de tropas em solo pelo período de um ano, recebeu 123 votos a favor e 295 contra, não apenas de congressistas da oposição republicana – que está no comando da Câmara –, mas também de 70 aliados democratas.
No entanto, logo depois, a mesma Câmara concedeu uma vitória a Obama, ao rejeitar, por 180 votos a favor e 238 contra, uma resolução apresentada por parlamentares republicanos que limitava o financiamento das operações militares americanas na Líbia.
As duas propostas foram votadas em meio a questionamentos recentes de congressistas sobre a legalidade do envolvimento americano na Líbia – onde os Estados Unidos integram a coalizão internacional liderada pela Otan. Os ataques no país norte-africano foram autorizados por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, com a justificativa de proteger civis contra ataques das forças leais ao líder líbio, Muamar Khadafi.
Na semana passada, o republicano John Boehner, líder da Câmara, enviou à Casa Branca uma carta na qual afirmava que a operação americana na Líbia, iniciada em 19 de março, é ilegal, já que não foi autorizada pelo Congresso e se estende por mais de 90 dias.
Em meio a críticas de parlamentares, a Casa Branca foi obrigada a divulgar um relatório no qual rejeitava as alegações de ilegalidade e afirmava que o presidente tem a autoridade legal para manter a operação na Líbia sem autorização formal do Congresso, já que esta envolve apenas ações de apoio à missão da Otan.

Irritação

Apesar de não ter efeito prático, a decisão desta sexta-feira de rejeitar a autorização formal à ação na Líbia demonstra a crescente irritação no Congresso com o envolvimento militar americano naquele país, que já dura mais de três meses e deverá custar US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 1,75 bilhão).
Depois de quase dez anos de envolvimento militar no Afeganistão, da guerra no Iraque e em meio a dificuldades econômicas – incluindo um deficit recorde de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões) no orçamento -, a participação americana nas ações na Líbia vem provocando críticas do Congresso e também da opinião pública.
Em conversa com repórteres logo após a votação da primeira proposta, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse estar decepcionado com o resultado.
“Nós achamos que este não é o momento para o tipo de mensagem confusa que (a votação) envia, em um momento em que estamos trabalhando com nossos aliados para atingir objetivos que acredito serem amplamente compartilhados pelo Congresso”, disse Carney.
Ele reiterou o argumento cínico e mentiroso de que os objetivos das potências imperialistas são “proteger os civis na Líbia, manter uma zona de exclusão aérea e um embargo de armas e colocar mais pressão sobre Khadafi”. A Líbia registra confrontos entre rebeldes e forças leais a Khadafi desde fevereiro. A intervenção da Otan a favor da oposição radicalizou o confronto.

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25 jun 2011

Araguaia: o que as Forças Armadas querem apagar

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado

Agência Pública

A Agência Pública revisita uma das histórias mais obscuras do período militar; veja os relatos de moradores que foram obrigados a prender, matar e decapitar guerrilheiros

Em meio ao debate sobre a emenda que propõe o sigilo eterno de documentos do governo, a Pública revisita uma das histórias mais obscuras do período militar: a repressão à guerrilha do Araguaia (1972-1975).

Em três dias de pesquisa nos 149 volumes do processo judicial que investiga o desaparecimento dos guerrilheiros do Araguaia, a Pública coletou relatos de dezenas de moradores que foram obrigados a prender, enterrar, matar e decapitar guerrilheiros – e sofrem até hoje as consequências do que viveram nesse tempo.

Veja todos os textos sobre esta reportagem na Agência Pública

Em entrevista exclusiva, a juíza titular da 1a Vara da Justiça Federal, Solange Salgado, diz que, passados quase 40 anos, reina o medo de se falar sobre o assunto entre os que participaram do conflito.  Mateiros e ex-militares que colaboraram com o Grupo de Trabalho Araguaia -  que investiga o caso desde 2009 em cumprimento à sentença judicial promulgada por Solange Salgado em 2003, que obriga a União a entregar os corpos dos desaparecidos às famílias  – estão recebendo ameaças.

Por isso, quando esteve na região no ano passado, para recolher e checar informações sobre o paradeiro dos corpos, a juíza optou por preservar o sigilo dos autores dos depoimentos. “Foi uma garantia que o Poder Judiciário deu a essas pessoas. Elas ainda estão muito apavoradas, se sentindo muito acuadas”, disse ela à Pública.

Nossa reportagem esteve em Marabá, no Pará, e conversou com ex-mateiros e ex-soldados que confirmaram a realização das chamadas “Operações Limpeza”, por meio das quais os restos mortais dos guerrilheiros foram desenterrados e transportados a outros locais. Além disso, cinco entrevistados afirmaram ter visto atuando na repressão o ex-diretor do Dops de São Paulo Romeu Tuma, falecido em outubro do ano passado.

Forçados a matar

Eles viviam em povoados de nomes remotos como Palestina do Pará ou Chega Com Jeito, às vezes isolados, no meio da mata, entre os castanhais que ajudavam no sustento das famílias, baseado nas roças de mandioca, milho, arroz, feijão. Pescavam nos igarapés do Araguaia e sabiam se orientar na floresta, seguir o rastro de um veado ou caititu – abatido com tiro de espingarda e carneado ainda quente, com as facas afiadas, para facilitar o transporte da caça até a casa, onde seria assado na brasa ou cozido lentamente no leite de castanha.

Curavam com ervas e rezas as crises de malária, e gostaram quando os rapazes e moças chegaram da cidade grande trazendo remédios e conhecimento para socorrer um parto difícil, curar uma ferida, aliviar dores. Os “paulistas”, quase todos jovens, compravam da farinha e do mel, e pareciam à vontade em suas casas, fumando e palestrando até a lua ir alta no céu.

Para aquela gente abandonada pelo governo, não era difícil simpatizar com o que eles diziam sobre combater desigualdades e lutar pela posse da terra em que viviam, não raro grilada pelos donos das fazendas com ajuda do Incra – que logo abrigaria também os agentes da repressão, disfarçados de engenheiros.

Quando os “doutores” começaram chegar, vários camponeses já eram amigos dos “paulistas”, a quem avisaram sobre a presença de gente estranha perguntando sobre eles.  À medida que os guerrilheiros recuavam para o interior da mata, o medo crescia entre os que ali moravam, atordoados pelos helicópteros e teco-tecos sobrevoando a floresta, lançando bombas.

Os “doutores” já não escondiam que eram oficiais militares e se mantinham à paisana, mas cercados de soldados armados, pressionando os moradores a dizer onde estavam os “paulistas” e alertando-os sobre os riscos que corriam se não entregassem os “terroristas” às Forças Armadas.

Foi o início da “guerra”, como os que vivem no Araguaia se referem até hoje à primeira metade da década de 1970. Lavradores, marisqueiros, castanheiros, caçadores, garimpeiros, e até índios suruís seriam envolvidos na operação que mobilizou 6 mil militares e deixou 67 guerrilheiros e um número indeterminado – e bem maior – de camponeses mortos, sem sepultura conhecida ou certidão de óbito.

As marcas da crueldade exercida pelas Forças Armadas brasileiras ficaram em todos os que viveram o conflito como colaboradores, vítimas ou testemunhas, mudando para sempre a vida no sertão do Araguaia.

Prisões em massa

De acordo com testemunhos constantes nos 149 volumes do processo, no início foram perseguidos apenas os que tinham amizade com os guerrilheiros, como o barqueiro Lourival Fontes, encontrado “suicidado” na cela da delegacia de Xambioá, em 21 de maio de 1972.

O processo revela ainda que, à medida que o número de presos crescia, alguns buracos fundos eram abertos no terreno das bases militares e passaram a servir de prisão. De lá, os camponeses eram retirados para “dançar” sobre latas abertas ou tições de fogo, forçados a beber água com sal ou sabão quando tinham sede, humilhados e espancados em rodas de “taca”(surra). Os que se prontificavam a colaborar, denunciando ou mesmo prendendo os guerrilheiros, recebiam 1.000 cruzeiros por captura. Os mateiros – que sabiam se orientar na floresta, caçar e sobreviver na natureza – também eram usados como guias nas expedições militares, às vezes, inclusive, uniformizados.

Nesses primeiros meses de 1972, as mortes ocorriam quase sempre em combate, ou em decorrência de torturas, a cargo de militares da região, e às vezes repetidas em outros centros de tortura como o PIC (Pelotão de Investigações Criminais) de Brasília, e os DOI-Codis, para onde os guerrilheiros eram enviados para novos interrogatórios.

À medida que as operações militares se sucediam, sem conseguir apanhar os guerrilheiros, os “doutores” aumentaram a pressão sobre os moradores da região para coagi-los a colaborar, realizando prisões em massa – há casos, como o da cidade de Bom Jesus do Araguaia, em que todos foram retirados de suas casas e alojados em casas de palha patrulhadas por policiais e militares. Tiraram assim o sustento das famílias, que ficaram sem os homens adultos, detidos ou enviados para missões na selva.

Os próprios camponeses passaram a ser encarregados de vigiar e punir vizinhos e parentes presos, de enterrar corpos dos mortos sob tortura e de emboscar os “paulistas”, que às vezes os visitavam em busca de mantimentos.

A partir da terceira campanha militar, que começou em outubro de 1973 com o objetivo de localizar e exterminar os guerrilheiros, os mateiros passaram a ser cada vez mais empregados nas patrulhas ou em expedições clandestinas – até mesmo sem a presença de militares, o que é ilegal em qualquer guerra, conforme a Convenção de Genebra.

Diversas operações que resultaram na prisão e morte de guerrilheiros atribuídas pelas Forças Armadas aos GC (grupos de combate) – e aos paraquedistas comandados pelo general Hugo Abreu – envolveram na realidade mateiros retirados da prisão e embarcados em helicópteros, de onde saltavam a mando dos militares, armados de espingarda e facão.  Na mochila, levavam um saco plástico grosso para trazer aos “doutores” as cabeças dos homens abatidos na caçada.

Dos 62 guerrilheiros mortos no Araguaia, de acordo com a lista do livro “Habeas Corpus – Que se apresente o corpo”, da Secretaria de Direitos Humanos, 25 teriam sido presos ou mortos com a ajuda dos mateiros (13 presos, 12 mortos).

Mas esse número pode ser ainda maior. Alguns mateiros, que diziam ter presenciado a morte ou enterrado os guerrilheiros, mais tarde confessaram ter participado de suas mortes, incluindo três de quatro casos em que os corpos foram decapitados.

Recentemente também se descobriu que eles participaram das operações limpeza, promovidas pelos militares desde os anos finais da guerrilha, desenterrando corpos e os levando para outros locais para dificultar as buscas.

Parte dos ex-mateiros, soldados, pequenos agricultores e moradores da região do Araguaia reivindica, na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, indenizações pelas torturas, prisões e prejuízos que teriam sofrido na época.

Histórias de terror

Os contornos dessa história vêm de dezenas de depoimentos anexados ao processo 82.0024682-5, aberto em fevereiro de 1982, na 1a Vara da Justiça Federal, por iniciativa dos familiares de 25 guerrilheiros desaparecidos.

Camponeses que testemunharam ou colaboraram com a prisão, morte e enterro dos desaparecidos foram ouvidos por jornalistas, pesquisadores e defensores de direitos humanos e, mais recentemente, por  membros do Ministério Público e pela juíza Solange Salgado – a mesma que em 2003 promulgou sentença exigindo da União a localizar e entregar os corpos dos guerilheiros às famílias.

VEJA  O VÍDEO COM DEPOIMENTOS DE COLABORADORES DO EXÉRCITO

Em 2009, depois da União esgotar todos os recursos judiciais possíveis contra a sentença, foi constituído o Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), chefiado pelo Ministério da Defesa, com a missão de recolher documentos e depoimentos dos envolvidos na guerrilha e empreender buscas e escavações para resgatar os corpos.

São eles as principais fontes de informação do processo, já que os militares recusam-se a entregar seus arquivos secretos – enviando seguidamente os mesmos relatórios incompletos sobre os desaparecidos (há mais de 30 mil páginas de documentos repetidos no processo, conforme a Pública apurou). Eles também se negam a depor; os que o fizeram, optaram por fazê-lo de modo anônimo, diretamente à juíza (leia entrevista com a juíza Solange Salgado).

Além de esclarecer as circunstâncias da prisão e morte de diversos guerrilheiros, os depoimentos mostram que a tortura praticada contra os “terroristas” foi adaptada para destruir o caráter e a dignidade dos que se viram apanhados pelo conflito sem condições de resistir.

Famílias inteiras foram torturadas – como aconteceu com Oneide, mulher de Antonio Alfredo de Lima, camponês que aderiu à guerrilha, e os filhos do casal. Outro camponês/guerrilheiro, conhecido como Pedro Carretel, foi preso junto com a esposa, Joana Almeida, e exibido a ela vestido de mulher, antes de ser executado. No caso de Luiz Vieira, outro camponês que se juntou aos guerrilheiros morto pelo Exército, a família foi impedida de resgatar o corpo, embora soubesse onde estava. O seu filho, depois de preso, foi obrigado a se alistar no Exército.

O exemplo mais estarrecedor, no entanto, aparece no relatório do GTT de agosto de 2010, envolvendo a prisão e a morte do camponês José Ribeiro Dourado, conhecido como Zé da Madalena, e de seu filho, Deusdete.

Narrado pela esposa de Zé, e mãe de Deusdete, Madalena de Souza Ribeiro, e por seu neto Wecsley, filho de Deusdete, o episódio começa com a prisão do chefe de família, Zé da Madalena, em 1972, quando trabalhava em sua roça na região de Pau Preto. Ali mesmo, conta Madalena, Zé foi colocado em cima de um formigueiro por diversos dias para que confessasse seus laços com os guerrilheiros. Depois, foi levado preso até a base militar de Xambioá. Desesperada, Madalena, como muitas mulheres em sua situação, abandonou a terra e os animais para seguir com os filhos para onde tinham levado o marido.

Ao chegar na base, seu filho, Deusdete, foi preso. Alguns dias depois, desceria ao inferno.

Como confessaria a Wecsley, seu filho mais velho e neto de Zé da Madalena, Deusdete foi obrigado pelos militares “a cortar cipós, molhar na água e chicotear os presos que se encontravam em um buraco, inclusive o seu pai”.

Pouco antes de morrer, minado pela depressão e o alcoolismo, Deusdete também levou o filho à base militar de Xambioá e mostrou o local em que “estariam enterradas cabeças, perto de uma palmeira tucum”.

Tempos depois, já com o marido e o filho morto, Madalena “soube por outros camponeses que saíram da prisão que houve uma tentativa de fuga de Zé da Madalena” e ,quando consegiram prendê-lo novamente, “os maus tratos e as torturas aumentaram, até que um determinado dia foi retirado por militares do buraco, levado para o lugar aonde os presos eram torturados”. “Que do referido buraco, os presos ouviram as pancadas e gritos até que ocorreu o disparo de uma arma e o sr. José nunca mais foi visto”, prossegue o depoimento.

Dona Madalena “soube também pelos camponeses presos o que ocorreu com o seu filho (Deusdete). Que além de forçado a bater nos presos, Deusdete cortou a cabeça de seu pai”.

Esse seria o motivo, diz ela no testemunho, do descontrole emocional do filho, que o teria levado a beber até morrer.

Bicos de papagaio

Conhecida como Dina, a geóloga Dinalva Oliveira dos Santos tinha 29 anos em 1974, quando desapareceu durante a guerrilha do Araguaia

o caso – extremo – mostra o grau de desestruturação dos camponeses diante da pressão dos militares – à época, “donos” do país e da região –, e da crueldade dos métodos que se viram forçados a compartilhar, no mínimo como testemunhas.

Nesse sentido, é esclarecedor o depoimento de Sinésio Martins, 86 anos, que se tornou colaborador do Exército depois da prisão, gravado em DVD pelo Ministério Público em 2008. (VEJA O VÍDEO).

“Eu estava em Xambioá no meio da rua, quando fui preso por dois soldados. Não tinha motivo. Eu morava fora, na mata, tinha minha terra, gadinho, minha tropa, criação, porco, bode, tinha uma roça de arroz, feijão que era uma maravilha. Passei 18 dias dormindo no chão, pegando chuva, sol, muriçoca, sem o direito de botar ao menos um papelzinho por baixo assim da cabeça”.

Ele conta em, seguida que os soldados chegaram ao curral pedindo que os 44 homens presos formassem uma fila. “Chegou a minha vez e eles perguntaram: ‘Você conhece a Pedra do Almoço?’ ‘Conheço. Por cima de São Geraldo, dentro do igarapé. Quando os barqueiros saíam para buscar castanha, lá ela era lugar de almoçar por causa de uma laje muito boa”, conta com simplicidade o homem que a partir daquela conversa com o “chefe” – que se fazia chamar “doutor César” – seria incumbido de caçar, matar e entregar aos militares as cabeças cortadas de pelo menos dois guerrilheiros que ele conhecia há tempos: Arildo Valadão, 25 anos, e Jaime Petit, 28 anos.

Embora tenha recebido 5 mil cruzeiros por cabeça entregue, ele afirma que não havia promessa de recompensa quando ele e mais dois mateiros foram obrigados a saltar do helicóptero do Exército com uma mochila, uma espingarda e um “saco forte de plástico branco” onde deveriam depositar “os bicos de papagaio” – “para não falar as cabeças dos homens”, elucida seu Sinésio.

“Quando nós saímos, ele (o militar) foi na porta (do helicóptero) e fez assim ó (faz gesto de cortar a cabeça). Quis dizer que se nós fugíssemos eles cortavam as nossas cabeças”, afirma.

De acordo com o depoimento, seu Sinésio e os companheiros, Raimundo e Iomar Galego, combinaram não levar nada que os identificassem como agentes do Exército, pois se encontrasse os “paulistas”, diriam que também estava fugindo dos militares.

Em menos de três dias, localizaram os guerrilheiros Ari (Arildo), Raul (Antonio Theodoro de Castro) e Josias (Jonas) no meio da mata.

“Nós escutamos mexer as folhas assim, aí a gente se agasalhou, pra frente do mato, parecendo um pau. Nós não pensamos que era gente não, nós pensamos que era anta ou veado, ia arrastando aquilo com aquela força, né? Aí eu botei a espingarda, Iomar botou a espingarda e atirou no Ari, e e eu parei o outro (Raul) com a espingarda na frente e atirei, mas só pegou na mochila, e diz que tinha um prato de malto e o prato foi que recebeu o tiro, aquilo não fura, aí ele tirou a mochila assim e ó (fugiu). E o Josias nós não vimos, estava escondido. E quando ele (Ari) caiu, eu disse: “Despe o homem e tira o bico do papagaio. Porque a ordem era essa”.

Uma semana depois, entregaram a cabeça ao “doutor César”, que os remunerou pelo “trabalho”.

Seu Sinésio carregaria pelo menos mais uma morte nas costas, a de Jaime Petit, assassinado quando estava perdido e doente, morando sozinho em uma choupana de palha.

“O Jaime atirou dois tiros e errou, e não atirou mais porque a bala engasgou na arma; aí a equipe – que dessa vez, além dos mateiros, tinha um sargento no comando e dois índios suruí como rastreadores – atirou muito”.

Mais uma vez, o corpo ficou insepulto na mata. A cabeça cortada foi na mochila de um dos mateiros para ser entregue ao dr. Augusto, que os recompensou com a mesma quantia.

“O Jaime estava muito magro, as pernas cheias de feridas de leishmaniose”, diz seu Sinésio, com desconcertante pesar. “Quando acabou tudo, os índios choravam e diziam: ‘Nunca mais nós vamos vir aqui’”.

*por Marina Amaral, publicado originalmente pela Agência Pública

25 jun 2011

Mais uma saidinha bancária em Eunápolis

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado
Com a insegurança, a ousadia dos bandidos só faz crescer. Mais uma saidinha bancária, desta vez aconteceu, na terça-feira (21/06), no município de Eunápolis, na região sul da Bahia. Os criminosos levaram R$ 10 mil.
Um casal sacou a quantia em uma agência do Bradesco, na Avenida Porto Seguro, no centro da cidade e foram seguidos por dois homens em uma motocicleta. As vítimas ainda tentaram escapar se escondendo em um restaurante.
Um dos bandidos não desistiu e invadiu o local, causando pânico entre os clientes. Armado com um revólver calibre 38, rendeu a vítima e levou todo o dinheiro. A mulher passou mal e recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu-192).
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25 jun 2011

Mudança na data do 13º dos aposentados

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado
As centrais sindicais e entidades representativas de aposentados se reuniram, na última terça-feira (21/06), para discutir a proposta de antecipação do pagamento de metade do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Se aprovada, a medida começa a valer em junho a partir de 2013. Nos últimos anos, o pagamento tem sido feito em agosto por conta do acordo firmado com as centrais sindicais. O acerto, no entanto, tinha vigência até 2010. 
Para este ano, a antecipação deve ser feita ainda em agosto. Em 2012, o pagamento passa para julho e somente em 2013 o beneficio passa a ser liberado em junho. A outra metade do 13º salário continua a ser paga em dezembro.
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25 jun 2011

Taxa de desemprego foi de 6,4% em maio

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado
A taxa de desemprego atingiu a marca de 6,4% em maio, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nesta quarta-feira (22/06). É o menor índice para o mês de maio, desde 2002.
De acordo com a pesquisa, a população desocupada no país é de 1,5 milhão de pessoas. Na comparação com maio de 2010, houve recuo de 13,7%. A população ocupada também permaneceu estável, somando 22,4 milhões de trabalhadores. Já em relação a igual período de 2010, houve expansão de 2,5%.
O levantamento ainda revela que o rendimento médio dos trabalhadores ocupados ficou em R$ 1.566,70 em maio, o valor mais alto para o período desde o início da série. Em relação a abril, houve elevação de 1,1% e alta de 2,5% na comparação com maio de 2010.
O número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 10,8 milhões de pessoas, elevação de 6,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) leva em consideração a situação do mercado de trabalho em seis regiões metropolitanas – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre.
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25 jun 2011

Comissão julga denúncias contra os bancos

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado
No próximo dia 6, às 9h, acontece mais uma reunião da Comissão Consultiva para Assuntos da Segurança Privada (CCASP). O objetivo é julgar os novos processos movidos contra bancos, empresas de vigilância e transporte de valores e centros de formação de vigilantes, em razão do descumprimento da lei federal que rege sobre segurança.
A CCASP é um fórum tripartite e reúne representantes do governo, Polícia Federal, e entidades dos trabalhadores, como bancários, vigilantes, bancos, empresas de segurança e centros de formação de vigilantes. As reuniões acontecem a cada três meses.
Essa é a segunda reunião da CCASP deste ano. A primeira, em março, multou a Caixa, o HSBC, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil em R$ 1,1 milhão. Entre as principais irregularidades, o funcionamento das agências com plano de segurança vencido, número insuficiente de vigilantes, utilização irregular de bancários para fazer transporte de valores e alarme inoperante.
O movimento sindical ressalta que as multas revelam a falta de responsabilidade social dos bancos, que apesar dos lucros bilionários, não investem o suficiente na proteção da vida de trabalhadores e clientes.
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25 jun 2011

Juro consome R$ 55 bilhões dos brasileiros

Autor: riccardus | Categoria: Não categorizado
Os gastos com juros no Brasil, considerado um dos mais altos do mundo, já consumiu, até abril deste ano, R$ 55,1 bilhões das famílias brasileiras. Em 2010, o valor fechou em R$ 129,5 bilhões.
O impacto para o país é grande, pois o dinheiro deixou de ser usado para movimentar a economia, ampliar o consumo, gerar poupança e ser aplicado em investimentos.
Nos últimos anos, o aumento da oferta de crédito marcou o expressivo crescimento do poder de compra em 2010. No entanto, as medidas adotadas pelo governo, que restringem o crédito com a alta de juros, a partir do último trimestre de 2010, contribuíram para o endividamento das famílias e a desaceleração da economia.
No primeiro trimestre deste ano, a taxa média de juros fechou em 46,8% ao ano. Em dezembro de 2010, o índice era de 40,6%. Em Salvador, a dívida das famílias representa a quinta maior do país (R$ 770 milhões), atrás de Curitiba (R$ 820 milhões), Belo Horizonte (R$ 1,02 bilhão), Rio de Janeiro (R$2,32 bilhões) e, no topo da lista, São Paulo (R$ 2,83 bilhões).
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