14 nov 2019

Coisas que você precisa saber sobre o FGTS

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Coisas que você precisa saber sobre o FGTS]

O trabalhador precisa ficar atento quanto à nova proposta do governo Bolsonaro para o saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Atualmente, existem duas formas para a retirada do benefício: saque imediato e saque aniversário. Mas, ambas as modalidades, se não escolhidas de forma consciente, podem afetar negativamente o bolso do consumidor. Portanto, se ligue.

Saque Imediato
A proposta para o Saque Imediato permite a retirada de R$ 500,00 de cada uma das duas contas de FGTS, ativa ou inativa (de trabalhos anteriores). Para quem tem conta poupança na Caixa, o depósito é automático. Mas, caso não seja uma opção, o trabalhador tem até o dia 30 de abril do ano que vem para “desfazer” a modalidade, que, por sinal, já está valendo desde 13 de setembro.


A previsão é de que fique em vigor até 31 de março de 2020. Vale lembrar também que saques de até R$ 100,00 podem ser feitos em casas lotéricas.


Além disso, uma emenda à MP, apresentada pelo deputado Hugo Motta (PB), prevê o aumento do saque imediato para R$ 998,00. A proposta ainda tem que ser submetida a votação na Câmara e no Senado.

Saque Aniversário
Já a opção para Saque Aniversário permite o saque anual de um percentual do FGTS. Quanto maior o valor na conta, maior o percentual. O valor vai de 50% do saldo (contas com até R$ 500,00) e até 5% do saldo (contas acima de R$ 20.000,00). A partir do saldo de R$ 500,00 há também uma parcela adicional, que vai de R$ 50,00 a R$ 2.900,00. A opção passa a valer a partir do ano que vem.


Para cada modalidade, há uma consequência. No caso do Saque Imediato, o trabalhador tem um valor a menos no FGTS. No Saque Aniversário, o valor total do Fundo de Garantia fica retido, permitindo a retirada apenas do saldo referente à multa de 40%. Além disso, só será possível voltar à modalidade anterior depois de dois anos.

Fonte: O Bancário

14 nov 2019

Bolsonaro ataca bancários. Comando vai à Fenaban

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Bolsonaro ataca bancários. Comando vai à Fenaban]

O movimento sindical repudia a Medida Provisória 905 que, novamente, tenta acabar com direitos dos bancários ao estabelecer o funcionamento das agências aos sábados e domingos e ainda ampliar a jornada de trabalho, que sai das atuais 6 horas para 8 horas. 


A MP infringe a CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) e também o dispositivo da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que garante o funcionamento das unidades, de segunda à sexta-feira, seis horas por dia.


Diante do ataque absurdo, o Comando Nacional dos Bancários realiza uma reunião com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), nesta quinta-feira (14/11), para reafirmar os direitos da categoria garantidos pela CCT e pela CLT.   


“Vamos pressionar para que os bancos respeitem nossas conquistas. Se preciso, iremos até as últimas consequências, inclusive com ações judiciais, para impedir o aumento da jornada, os ataques à PLR e as tentativas de abertura das agências no fim de semana”, afirma o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos. 


A medida do governo Bolsonaro também ataca a compensação de horas, prêmios e gratificações. Sem falar que ignora completamente a segurança, já que no fim de semana a circulação de pessoas nas ruas diminui e a atividade, por ter caráter financeiro, requer estratégias de vigilância, não só para os funcionários, como para os clientes.

Fonte: O Bancário

14 nov 2019

Sindicato é contra trabalho aos sábados

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Sindicato é contra trabalho aos sábados]

Mais um ataque. O presidente Jair Bolsonaro quer passar por cima da Convenção Coletiva dos Bancários e obrigar os bancos a abrirem as agências bancárias ao sábado. O aval está previsto na Medida Provisória 905, assinada nesta segunda-feira (11/11). O Sindicato é terminantemente contra a MP.


Além de infringir a CCT, a medida vai de encontro ao que determina a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), cuja determinação é que os bancários só devem trabalhar de segunda a sexta-feira, com carga horária de 6h diárias, exceto em casos excepcionais. 


As mudanças propostas incluem ainda que apenas os caixas de banco terão direito às 6h de trabalho diárias, qualquer outro cargo terá expediente de 8h por dia.


Para o Sindicato dos Bancários da Bahia, além de desrespeitar a CCT, em vigor até 2020, a abertura das agências aos sábados também expõe os trabalhadores. Em geral, há menor número de pessoas nas unidades, sem contar que há circulação de numerário, o que aumenta o perigo.

Fonte: O Bancário

14 nov 2019

Governo quer onerar ainda mais o trabalhador

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Governo quer onerar ainda mais o trabalhador]

O governo alivia para o empresário e joga duro com o brasileiro. O programa Verde e Amarelo, anunciado na segunda-feira (11/11), reduz as taxas pagas pelas empresas, com a justificativa de incentivar a abertura de vagas, e transfere todo o ônus ao trabalhador.


Pela medida, quem recebe seguro-desemprego terá de pagar 7,5% do valor do benefício. Em outras palavras, os desempregados vão bancar o novo programa, enquanto as empresas ficam livres do pagamento do INSS e ainda pagarão alíquotas menores para o FGTS. 


O seguro-desemprego é calculado de acordo com a média dos últimos três meses de salário. O valor mínimo é de um salário mínimo (R$ 998,00) e o máximo, de R$ 1.735,00. Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, a medida deve começar a valer em três meses, mas depende da aprovação ou não do Congresso.

Fonte: O Bancário

14 nov 2019

Pobreza e desigualdade continuam crescendo

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Apesar de uma leve recuperação econômica no Brasil, os pobres ficaram cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. É o que afirma pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2019, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (06/11).

Segundo dados, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em 2017 e 2018, o rendimento dos 10% mais ricos da população subiu 4,1% em 2018, enquanto o rendimento dos 40% mais pobres caiu 0,8%, comparado a 2017.

O IBGE afirma que o aumento da desigualdade foi puxado pela falta de ganho real no salário mínimo em 2018, somado a informalidade e subutilização no mercado de trabalho.

Ao todo, 13,5 milhões de pessoas no Brasil, equivalente a 6,5% da população, viviam com até R$ 145,00 por mês, em 2018. O maior número registrado desde de 2012.

Com isso, o índice que mede a razão entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres chegou a 13 em 2018, significando que os mais ricos ganham, em média, 13 vezes mais que os mais pobres. O índice vinha caindo até 2015, quando atingiu 12%.

Fonte:Feebbase

Nesta semana, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) apresentou à comissão mista seu relatório à medida provisória do saque-aniversário às contas do FGTS (MP 889/2019).

O texto proposto por Motta acaba com a “multa” adicional de 10% sobre os depósitos (Lei Complementar 101, de 2001), no caso das demissões sem justa causa. Para o deputado, este é “mais um tributo que eleva o custo do trabalho”, tornando a dispensa “muito onerosa ao empregador”, que já está sujeito ao pagamento da multa de 40% sobre todos os depósitos ao FGTS. Ele espera que a eliminação desta contribuição funcione como um estímulo à contratação formal de trabalhadores.

Editada em julho, a MP permitiu aos trabalhadores com contas vinculadas ao Fundo, um saque imediato de até R$ 500, independente de aderir ao não ao saque-aniversário. O relatório de Motta amplia este valor para R$ 998 (o valor atual do salário mínimo), com o objetivo de reaquecer o consumo.

“Estamos reconhecendo a atual dificuldade por que passa a população. Um acordo amplo entre governo e oposição está garantindo o saque total, para as contas que tinham saldo de até um salário mínimo no dia 24 de julho deste ano [data em que a MP entrou em vigor]. O governo calcula que esta ampliação injetará mais R$ 3 bilhões na economia,” disse o deputado.

Dentro deste acordo, também ficou acertado que o saque de valores residuais de até R$80,00 vai ocorrer após 180 dias da data de publicação da lei resultante da Medida Provisória. Isso para os que optarem pelo saque imediato de até R$ 998. O relatório será votado pela comissão mista na próxima terça-feira, 05 de novembro, seguindo então para os plenários da Câmara e do Senado, respectivamente.

Fonte:Notícias Concursos via Feebbase

14 nov 2019

Governo quer impor trabalho aos domingos

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[ Governo quer impor trabalho aos domingos]

O presidente Jair Bolsonaro não vai descansar enquanto não acabar com os poucos direitos que o trabalhador ainda tem direito. De novo, o governo volta com a conversa sobre trabalho aos domingos e feriados. O dispositivo está inserido no Programa Verde e Amarelo, enviado ao Congresso Nacional na segunda-feira (11/11).


Poucas categorias têm a permissão para trabalhar domingos e feriados. Mas, com direitos e referendados por convenção coletiva. Agora, o governo quer liberar para todas as atividades, com direito apenas de repouso semanal, com folga determinada pelo patrão em outro dia da semana, sem pagamento de adicional de 100% da hora trabalhada.


Não é a primeira vez que Jair Bolsonaro tenta impor mais um dia de trabalho sem direitos ao cidadão. Recentemente, tentou empurrar por meio da MP da Liberdade Econômica. 


O texto aprovado na Câmara Federal manteve o dispositivo e autorizava todas as categorias a trabalharem aos domingos e feriados quando fosse solicitadas. No entanto, a oposição conseguiu derrubar em votação no Senado.

Fonte: O Bancário

Por Tiago Angelo, para Conjur

O governo de Jair Bolsonaro lançou na segunda-feira (11/11) o programa Verde e Amarelo, iniciativa que pretende criar 4,5 milhões de empregos ao longo de três anos. A proposta, enviada ao Congresso por meio da Medida Provisória nº 905, terá como foco jovens entre 18 e 29 anos.

A ideia consiste em alavancar a geração de empregos reduzindo o custo da mão de obra entre 30% e 34%. Para isso, empresas contarão com uma isenção na contribuição patronal do INSS (de 20% sobre o salário), das alíquotas do Sistema “S” e do salário educação. 

Além disso, a contribuição para o FGTS cairá de 8% para 2% e o valor da multa poderá ser reduzido de 40% para 20% sobre o saldo do benefício. 

Seguro-desemprego

Para financiar as mudanças, haverá uma taxação de 7,5% dos trabalhadores que recebem o seguro-desemprego. Com a cobrança direta no benefício, o Governo Federal pretende gerar uma arrecadação de cerca de R$ 12 bilhões em cinco anos.

O valor, sozinho, é superior ao custo do programa, estimado em R$ 10 bilhões no mesmo período. 

Dario Abrahão Rabay, sócio do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, apoiou a iniciativa é propícia, que em sua opinião poderá ajudar a inserir jovens no mercado de trabalho. 

“O pacote é extremamente positivo. Temos um facilitador para a contratação de pessoas que não tiveram oportunidades de ter um primeiro emprego. Você cria alguns alívios que permitem que a contratação seja estimulada”, afirmou em conversa com a ConJur

O advogado também defende que as mudanças para reduzir o custo da mão de obra não representam, necessariamente, precarizar os empregos. “Não vejo como precarização porque você não está reduzindo os direitos dessas pessoas. São jovens de até 29 anos e você está dando oportunidades para essas pessoas.” 

Já para Lívio Enescu, ex-presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo (AATSP), o programa Verde e Amarelo irá gerar uma “precarização absurda” dos postos de trabalho. 

“[O programa] precariza o trabalho muito mais do que cria empregos. Estamos vendo a diminuição do bom emprego e do bom empresário. O mau empresário é responsável por precarizar o trabalho, gerando uma concorrência desleal. A saída acaba sendo criação de mais empregos precarizados”, defende. 

O advogado também criticou o desconto de 7,5% no seguro-desemprego, taxação que irá bancar o programa. “Você percebe a inversão de valores? Esse pacote pega o desempregado, tributa ele, para que ele financie a precarização. Estamos em um processo de inversão de valores. Aquele que está sem emprego e dificilmente terá uma recolocação no mercado, diante da situação do país, receberá o seguro-desemprego como paliativo e ainda pagará tributo”, afirma. 

Foco nos jovens

O programa inicialmente pretendia focar em jovens entre 18 e 29 anos e trabalhadores com mais de 55 anos. No entanto, o governo anunciou que irá excluir o último grupo. A decisão foi tomada levando em conta o número elevado de desocupação entre os mais jovens. 

No segundo trimestre deste ano, por exemplo, a taxa de desemprego entre brasileiros de 18 a 24 anos era de 25,8%, segundo dados do IBGE. Já a desocupação total no país ficou em 12% durante o mesmo período.

Clique aqui para ler a medida provisória

Fonte: CTB


Os últimos números disponíveis sobre o mercado de trabalho mostram que era um conto de fadas a crença de que a reforma turbinaria a abertura de vagas.

Dois anos depois do desmonte da legislação trabalhista, o governo Jair Bolsonaro (PSL) lança um pacote para “estimular a criação de empregos”. Instituir uma carteira de trabalho “verde e amarela”, sem direitos, para concorrer com a azul criada por Getulio Vargas é uma proposta de campanha de Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Nos bastidores, o time do ministro diz a jornalistas calcular que a MP terá condições de gerar até 4 milhões de empregos. Cálculo realista? Ou ufanista?

Em 11 de novembro de 2017, quando a reforma trabalhista do governo ilegítimo de Michel Temer (MDB) entrou em vigência e derrubou boa parte da CLT varguista, o Planalto dizia que a iniciativa geraria 2 milhões de empregos. A estimativa era encampada pelo relator da reforma na Câmara, o então deputado-empresário Rogério Marinho (PSDB-RN), hoje secretário de Previdência e Trabalho de Guedes.

Os últimos números disponíveis sobre o mercado de trabalho mostram que era um conto de fadas a crença de que a reforma turbinaria a abertura de vagas. O que de fato cresceu depois da reforma foi o emprego precário – que paga pouco e reduz direitos. Idem a desistência do brasileiro de procurar vaga, diante da dificuldade de encontrar alguma coisa. Trabalho com carteira assinada virou miragem.

Em novembro de 2017, havia 33,2 milhões de empregos com carteira, segundo o IBGE. Em setembro de 2019, eram 33,1 milhões. Quando Bolsonaro assumiu o poder, em janeiro de 2019, eram 33 milhões.

O número de pessoas desempregadas quase não mudou nestes dois anos. Eram 12,6 milhões em novembro de 2017 e 12,5 milhões em setembro passado. Em dezembro de 2018, véspera da posse de Bolsonaro, eram 12,2 milhões. A taxa de desemprego quase não mudou também: de 12% em 2017, para 11,6% em 2018 e 11,8% em setembro.

A quantidade de gente ocupada cresceu 1,9 milhão desde novembro de 2017, de 91,9 milhões para 93,8 milhões. Mas isso foi graças a emprego ruim, de má qualidade e salário baixo. Há dois anos, havia 23 milhões de pessoas trabalhando por conta própria (ambulante, engraxate, pasteleiro, etc.). Agora, são 24,4 milhões – um recorde. Na informalidade, empregados sem carteira, havia 11,2 milhões de brasileiros em novembro de 2017 e hoje são 11,8 milhões, também um recorde.

Isso ajuda a explicar por que o salário das pessoas ocupadas é quase o mesmo, na casa de R$ 2,2 mil mensais, de novembro de 2017 para cá. No mercado financeiro, há analista econômico que diz que a evolução no mercado de trabalho neste ano é uma espécie de zero a zero. As vagas que surgem são precárias, com salário capaz de no máximo garantir a sobrevivência das pessoas – daí que, sem consumo, o PIB anda a passo de tartaruga, na casa de 1% este ano.

E há também quem simplesmente tenha desistido de procurar emprego por achar que não vai aparecer. O chamado desalento era de 4,2 milhões em novembro de 2017 e subiu a 4,7 milhões em setembro passado.

Via Portal Vermelho via Portal CTB

11 nov 2019

O que está acontecendo na Bolívia?

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

 

Não se trata de um golpe jurídico parlamentar como se deu no Paraguai e no Brasil, tem mais semelhança com a onda de violência e desestabilização que abalou a Nicarágua em 2018 ou com a tentativa de sequestro de Correa, no Equador em 2012 ou ainda com o golpe de 2002 na Venezuela, quando os opositores tomaram meios de comunicação e incendiaram as ruas.

Mas vejamos como chegamos a esta situação em que hoje, 10 de novembro, após ter sido vitorioso no pleito eleitoral de 20 de outubro, Evo Morales, presidente da Bolívia, anuncia que o parlamento boliviano renovará os cargos dos juízes do Tribunal Eleitoral, por ter competência para fazê-lo, e novas eleições gerais serão convocadas, anulando-se assim os resultados de 20 de outubro. Horas antes do anúncio, a OEA havia se manifestado não reconhecendo o pleito após realização de auditoria da contagem dos votos. Na prática, a OEA, através de Luís Almagro fez seu papel, tal e qual nos outros países golpeados.

Em que contexto econômico nacional se deu o pleito de 20 de outubro?

As eleições na Bolívia se deram o apagar das luzes da segunda década do século XXI. Duas décadas marcadas por muitas transformações na América Latina. Um período em que se viveu o chamado ciclo de governos progressistas iniciado com a Eleição de Chávez como presidente da Venezuela em 1998 e seguiu vigoroso até a primeira derrota eleitoral importante, a de Cristina Kirchner na Argentina em 2015. Nesse meio tempo houve vários intentos de golpe e pelo menos dois com sucesso para os conservadores, em Honduras e no Paraguai. De 2015 pra cá a onda de restauração conservadora tomou mais corpo, especialmente como golpe no governo Dilma no Brasil e a eleição de Bolsonaro.

Evo chegou perto de ser eleito pela primeira vez em 2002, quando ficou em segundo lugar nas eleições de modo surpreendente para um país de sucessivos governos oligárquicos. Nas eleições de 2005 ele venceu com maioria absoluta, tornando-se o primeiro presidente de origem indígena. Quando Evo assume a presidência a Bolívia possuía um PIB de 5 bilhões de dólares e uma dívida externa de igual valor. Já ao final de 2005 o PIB estava na casa dos 9 bilhões e em 2018 de 40,8 bilhões de dólares. Os governos dos “terratenientes” que o antecederam se ocupavam de utilizar o Estado para maior acúmulo de riqueza para si e os seus. Em 14 anos o governo Evo multiplicou em 8 o PIB do país.

Uma das principais chaves da nova economia foi a mudança no trato com os recursos naturais, em especial nos setores agropecuário, mineiro, energético e de hidrocarbonetos. Com uma profunda nacionalização através da recuperação de empresas estratégicas, além do investimento misto, junto ao setor privado, na atividade econômica levada por pequenas, médias e grandes empresas. Na paralela, refundaram politicamente o país e alterando o perfil de um Estado colonial para um Estado Plurinacional, com especial atenção ao movimentos indígenas e de mulheres. O resultado foi que um país que tinha 78,2% de pessoas na extrema pobreza, passou a ter menos de 15%, estabilizou em um crescimento de 4% ao ano e chegou a um pib per capta de 4 mil dólares, quando era de 900 dólares.

Em que contexto político se deu o pleito de 20 de outubro?

A Bolívia é um país que enfrentou 193 golpes de Estado no período que vai desde os tempos de Bolívar e Sucre, heróis independentistas, em 1825, até 1982. Estabilidade política não é o comum no país, muito pelo contrário. E mais, instabilidade política sempre acompanhada de muita violência. De 84 governos, 32 foram levados por ditadores. O Palácio de Quemados, sede da presidência e do qual observamos nos últimos dias o amotinamento dos guardas palacianos contra Evo, tem esse nome por ter sido incendiado em uma revolta popular em 1860. Com Evo e Linera, portanto, nos últimos 14 anos, a Bolívia viveu um dos mais longevos períodos de estabilidade política desde a independência, se não foi o maior. Durante esse período houve um princípio de guerra civil em 2008, instada pelos mesmos golpistas de hoje, sediados em Santa Cruz, Chuquisaca e Tarija, na época também de El Beni e Pando.

Qualquer um que olhasse o cenário, de estabilidade política, crescimento econômico, extermínio da pobreza e melhora de outros indicadores socioeconômicos, poderia pensar que Evo levaria esta fácil. Com vitória arrebatadora. Ocorre que na política tudo são nuvens e quando você volta a olhar o céu, lá vem uma tempestade imprevista. A combinação da reorganização dos setores oposicionistas, animados com os ventos conservadores que vieram bater no continente (exemplo do Brasil) com a insatisfação de setores indígenas, por considerarem que Evo se aproximou demais do mercado e do agronegócio, os incêndios florestais pré-eleitorais e a não identificação de eleitores jovens (conhecemos esse filme) com o programa do MAS formou um cenário complicado para Evo. Por isso a vitória não foi avassaladora e capaz de fechar a fatura no primeiro turno. A estreita margem dos votos, principalmente do campo e meio rural, que garantiram os 10% de diferença entre Evo e Mesa foi o componente de tempestade perfeita que o imperialismo precisava para entrar com a intrometida colher da OEA e abrir as portas para o golpe.

O impacto das queimadas

Um ponto importante do cenário e contexto pré-eleitoral foi o das queimadas florestais que alarmaram a Bolívia, em especial na Chiquitania, no mesmo período em que aqui no Brasil enfrentamos as queimadas na região da Amazônia. Enquanto aqui no Brasil o governo Bolsonaro fazia vista grossa para as queimadas, batia boca com Macron e rasgava dinheiro europeu, Evo foi pessoalmente para as áreas de queimadas, montou comitê de crise em barraca de campanha, pediu ajuda ao mundo inteiro, revelou tecnologias que poucos conhecíamos ao receber aviões tanque e outros tipos de apoio. Seria impossível no entanto que as queimadas não chamuscassem também a candidatura de Evo e dessem de bandeja argumentos para a oposição alvejar o líder indígena. Foram cinco as mortes decorridas do enfrentamento ao fogo, 4 bombeiros e um camponês, quatro milhões de hectares consumidos pelo fogo, sendo 12 áreas protegidas com grande biodiversidade de fauna e flora. Tudo isso justamente em Santa Cruz, sede do golpismo anti-Evo.

As eleições

No dia 20 de outubro, mais de 7 milhões de eleitores estavam aptos a votar, tanto no país como no exterior (341 mil puderam votar fora do país). O pleito escolheria 1 presidente e seu vice-presidente, 130 deputados e 36 senadores para o mandato de 2020 a 2025. Para vencer e levar a presidência na Bolívia um dos candidatos deve fazer mais de 50% dos votos ou no mínimo 40% com uma diferença de 10 pontos percentuais a frente do segundo mais votado. Caso contrário, há segunda volta. Os principais adversários de Evo (47,08%) foram Carlos Mesa (Comunidad Ciudadana) com 36,51%, Chi Hyun Chung (Partido Democrata Cristão), com 8,83% e Óscar Ortíz (Bolivia dice No), de Santa Cruz, preferido dos EUA, com apenas 4,26%.

Quatro dias antes da eleição, Evo recebeu uma delegação da OEA na Casa Grande do Povo e logo manifestou via twitter: “damos as boas vindas à delegação de observadores da OEA que acompanham as eleições na Bolívia para verificar a transparência e legalidade do processo eleitoral”. A OEA enviou 92 observadores para as eleições bolivianas, sendo que parte desses se deslocou para acompanhar as votações em São Paulo, Buenos Aires e Washington. Apesar da receptividade com a OEA, que sabemos bem a serviço de quem anda “observando” os governos latino-americanos, a bandeira branca de Evo não funcionou muito e a violência se instalou já nos dias prévios às eleições. O encerramento da campanha do MAS em Santa Cruz foi um exemplo do que estava por vir.

Passado o domingo 20, enquanto ainda se fechava o escrutínio das cédulas foram queimados os escritórios do Tribunal Eleitoral Departamental de Potosí e juízes eleitorais foram agredidos em Tarija, Chuquisaca, Oruro e La Paz. Foi derrubada uma estátua de Hugo Chávez em Riberalta e outros atos de vandalismo se instalaram pelo país. Os atos violentos tinham um conteúdo racista bastante particular da Bolívia, além de profundamente antidemocráticos. Enquanto isso sabe-se que funcionários o Departamento de Estado dos EUA que estão na Bolívia, Mariane Scott e Rolf Olson, mantiveram reuniões com diplomatas do Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Espanha, Equador, Reino Unido e Chile para coordenar um não reconhecimento dos resultados eleitorais. A OEA impôs uma auditoria e concluiu que “embora sem fraudes, o processo foi impreciso”, tradução = não reconhecemos a vitória de Evo.

Dali em diante todos já conhecíamos o filme. O cenário do golpe estava montado: violência nas ruas, não reconhecimento do processo eleitoral por parte dos países da região, raposa instalada dentro do galinheiro: OEA. Só faltavam alguns elementos essenciais para a efetivação do golpe: forças de segurança e meios de comunicação. E foi justamente o que vimos nos últimos dias, amotinamento de forças policiais e tomada de rádios e tvs a força pelos golpistas. A que se dizer que o papel dos militares foi dúbio, mas a informações de que o próprio Evo decidiu não colocar o Exército nas ruas para não incrementar a violência e dar mais argumentos aos golpistas.

O golpe

No dia de hoje Evo fez um pronunciamento que para uns soou como coragem e para outros como rendição. A ver o que a vida mostrará nas próximas horas. Anunciou aceitar o resultado da auditoria da OEA e a convocação de novas eleições. Além de sua anuência para que o parlamento troque os juízes do Tribunal Superior Eleitoral. Resta saber se as novas eleições terão entre os concorrentes Evo Morales, o presidente que tirou a Bolívia da situação de eterna colônia e deu a seu povo dignidade e oportunidade de desenvolvimento, nunca vistos naquele país. Enquanto escrevo já são noticiadas as novas chantagens golpistas e entre elas está o pedido de renúncia de Evo para que o país se pacifique. Evo apostou na paz, resta saber se isso basta para interromper a guerra. De todo modo, ele marcha suportado pela solidariedade de todo um continente que sabe o gigante que ele é. Fuerza Evo.
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*Ana Prestes é cientista política, especialista em Relações Internacionais e membro da Comissão Política Nacional do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Fonte: i21 via Vermelho