10 dez 2019

Em solidariedade à classe trabalhadora francesa

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

A França foi sacudida nesta segunda-feira pelo quinto dia da greve geral contra a proposta de reforma da Previdência proposta pelo presidente Emmanuel Macron, que prevê a extinção de 42 regimes especiais de aposentadoria, nos quais estão incluídas categorias como ferroviários, motoristas, eletricistas, marinheiros, entre outros.

As mudanças pretendidas pelo governo francês são orientadas pela ideologia neoliberal, cuja lógica é jogar sobre as costas da classe trabalhadora o ônus de ajustes fiscais recessivos e nocivos aos mais pobres, ao mesmo tempo em que reduz impostos e taxas atribuídas aos capitalistas.

Lá, como aqui, o governo das classes dominantes, com amplo respaldo na mídia, afirma ser indispensável a efetivação da reforma para equilibrar as contas públicas e propiciar um crescimento mais robusto da economia. Mas tal discurso não tem correspondência com a realidade.

Na prática, tudo que se extrai das reformas neoliberais, seja da Previdência ou da legislação trabalhista, é redução de direitos e precarização das relações de produção. Só o Capital, e em especial o Capital Financeiro, sai lucrando com o sacrifício da classe trabalhadora, o que resulta no aumento da concentração de renda e da desigualdade social, assim como no emagrecimento do mercado interno.

Não é a primeira vez que o proletariado francês, dotado de elevada consciência de classe e herdeiro de uma história de luta que remete à heroica Comuna de Paris, manifesta sua revolta com os projetos de mudanças regressivas nas regras da aposentadoria que governos da burguesia tentam impor, sem um amplo diálogo social e sem consultar os trabalhadores e seus representantes.

Em 1995 uma greve geral de longa duração acabou derrubando o gabinete do primeiro ministro Alain Juppé e derrotando seu projeto de reforma da Previdência, que entretanto ainda continua frequentando os sonhos da burguesia e dos governos a ela alinhados, como é o caso do neoliberal Macron, que preside a França 24 anos depois do fracassado Juppé e parece não ter compreendido bem a lição.

A greve geral atesta o imenso poder da classe trabalhadora, pois nada funciona sem o esforço produtivo da força de trabalho e a produção simplesmente é interrompida pela vontade unificada da classe, o que de resto também evidencia o caráter parasitário da burguesia, que nada produz mas se apropria dos lucros gerados pelo trabalho e se constitui em classe dominante no capitalismo. Diante da paralisação ela fica impotente e é obrigada a recuar.

Deste modo, a batalha eleva e ilumina a consciência de classe e revigora a fé no poder da luta operária. A unidade e energia do proletariado francês há de dobrar o governo Macron, derrotando a sua reacionária iniciativa, e deve servir de exemplo à classe trabalhadora brasileira, merecendo, além da nossa admiração, a ativa solidariedade da CTB e demais centrais brasileiras.

São Paulo, 9 de dezembro de 2019
Adilson Araujo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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