12 mar 2019

Ideologia anticomunista do governo conspira contra o desenvolvimento nacional

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

A política externa direitista e tresloucada da dupla Bolsonaro/Araújo, completamente subordinada aos desígnios imperialistas de Washintgon, já está cansando sérios prejuízos à economia nacional. A China, que já é a maior economia do mundo e, desde 2009, a maior parceira comercial e financeira do Brasil, deixou de liberar as primeiras parcelas do bilionário Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva em resposta às provocações e à retórica anticomunista do capetão. Lançado em 2015, antes portanto do golpe de Estado que afastou a presidenta Dilma Rousseff, o fundo tornou-se referência global e tem o potencial de alavancar investimentos estimados em UR$ 20 bilhões.A política desastrada de Bolsonaro, orientada por uma ideologia tosca e feita sob encomenda para agradar Donald Trump, conspira contra o desenvolvimento nacional, que não será retomado sem um aumento substancial da taxa de investimentos (ou Formação Bruta de Capital Fixo, na linguagem técnica do IGBE). Hoje a China é a principal fonte de invesmentos do Brasil no exterior e o maior mercado para nossas exportações, ao passo que os EUA se transformarm num importador líquido de capitais e daqui retiram muito mais (somando remessas de juros, lucros e superávit comercial) do que têm a nos oferecer. Só temos a perder brigando com o gigante asiático e, nesta altura da história, a relação carnal com o decadente império americana é como um abraço de afogados.

Leia abaixo a reportagem do jornal Valor sobre o tema intitulada Retórica anti-China trava fundo de investimentos bilionários:

A retórica do presidente Jair Bolsonaro sobre a China e seus investimentos no Brasil travou o primeiro desembolso do fundo multibilionário idealizado pelos dois países para impulsionar a cooperação econômica bilateral. Lançado em 2015, durante encontro em Brasília do primeiro-ministro Li Keqiang com a então presidente Dilma Rousseff, o Fundo de Cooperação Brasil-China para Expansão da Capacidade Produtiva.

Lançado em 2015, durante encontro em Brasília do primeiro-ministro Li Keqiang com a então presidente Dilma Rousseff, o fundo demorou quase três anos para ser estruturado e chegar à lista final de candidatos aos primeiros aportes. Após uma extensa seleção de projetos, havia conversas bastantes avançadas para o anúncio do financiamento de estreia do fundo – provavelmente em outubro do ano passado.
Provocaçõs 
A lista de ativos analisados pelos dois governos tem sido mantida em sigilo por cláusulas de confidencialidade. O Valor apurou, porém, que a linha de transmissão responsável pelo escoamento de energia da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA) até o Rio de Janeiro estava praticamente definida como desembolso inaugural.


Orçado em quase R$ 10 bilhões, o linhão está em obras e tem previsão de entrega para dezembro. Ele vem sendo financiado com empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A intenção era usar recursos do fundo como “equity” para a compra de uma fatia acionária de até 40% do empreendimento controlado pela State Grid

Antes mesmo de começar formalmente a campanha eleitoral, o então pré-candidato do PSL irritou o Partido Comunista da China ao viajar em fevereiro para Taiwan, como parte de um giro pela Ásia. A ilha tem sua soberania reivindicada pelos chineses, que a consideram uma província sem direito de ter relações independentes com outros Estados.

Em pleno segundo turno, Bolsonaro queixou-se de que a China, responsável por US$ 69,2 bilhões em investimentos no Brasil acumulados de 2003 a 2018, “não está comprando no Brasil, está comprando o Brasil”. Já na liderança das pesquisas, ele ainda falou sobre a China para ilustrar suas preocupações com a privatização da Eletrobras: “Quando você vai privatizar, vai privatizar com qualquer capital do mundo? Vai deixar o Brasil na mão dos chinês?”

O último mal-estar veio como desdobramento de uma visita à China de deputados eleitos pelo PSL, duas semanas antes de tomarem posse, para ver o sistema de reconhecimento facial desenvolvido no país. O ideólogo Olavo de Carvalho, apontado como guru de Bolsonaro, chamou os congressistas de “idiotas” e “bando de caipiras”. Na ocasião, Olavo cobrou o governo: “Cadê o Executivo? O Executivo vai deixar esses caras irem lá e entregar o Brasil ao poder chinês?”

Alerta

A trava imposta na liberação do primeiro desembolso surge como alerta dos potenciais estragos causados por essa retórica. O fundo com o Brasil tornou-se referência global e pode chegar a US$ 20 bilhões. Isso porque o governo chinês tem 16 arranjos bilaterais espalhados pelo mundo, mas o mecanismo com o Brasil é o único com gestão paritária: representantes dos dois lados têm o mesmo peso, o que é determinante para não haver exigências sensíveis – como o fornecimento obrigatório de equipamentos ou mão de obra pelo gigante asiático.

Dos US$ 20 bilhões, US$ 15 bilhões seriam do Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina (Claifund). Os US$ 5 bilhões restantes viriam do lado brasileiro. BNDES e Caixa são os operadores preferenciais, mas a participação é aberta para outras instituições. Não há aportes orçamentários.

Cinco projetos – quatro de infraestrutura e um da área industrial – haviam sido pré-selecionados. Eles totalizam US$ 2,4 bilhões. O fundo foi colocado à disposição dos grupos vitoriosos nos leilões do Programa de Parcerias de Investimento (PPI) como alternativa de financiamento ou “equity”. A candidatura a receber recursos se dá por meio de cartas-consulta enviadas à secretaria executiva do fundo, que ficava com o antigo Ministério do Planejamento e ainda está morta.

O comitê diretivo do fundo, sua instância máxima de deliberação, ainda não se reuniu neste governo. Ele é formado por três representantes com nível de vice-ministro de cada país. Do lado brasileiro, são os secretários executivos do Ministério do Planejamento (hoje Economia) e da Casa Civil, além do secretário-geral das Relações Exteriores.

Fonte: Daniel Rittner e Ana Krüger no jornal Valor via Portal CTB

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