18 ago 2017

26,3 milhões de brasileiros estão sem emprego

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

A maior demonstração de que o impeachment contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff foi um golpe contra o povo e a economia é o número de desempregados no país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta quinta-feira (17/8) pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), o país encerrou o segundo trimestre do ano com 26,3 milhões de trabalhadores desempregados.

Os desempregados brasileiros equivalem ao número de habitantes de Angola, que é 24,3 milhões, e é superior a população do Chile (18 milhões), Bolívia (11,4 milhões), Cuba (11,2 milhões) e Portugal (10,3 milhões).

A taxa, que é de 23,8%, leva em consideração a subutilização da força de trabalho e agrega os trabalhadores desempregados, aqueles que estão subocupados (por poucas horas trabalhadas) e os que fazem parte da força de trabalho potencial (não estão procurando emprego).

Segundo o IBGE, a taxa teve uma queda de apenas 0,3% em relação ao trimestre anterior. Em julho foram divulgados os resultado da Pnad Contínua que mostraram uma taxa de desemprego de 13%.

Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, lembrou que a taxa de desocupação ficou em 13,7% no primeiro trimestre deste ano, e em 13% no segundo, sendo a primeira queda estatisticamente significativa desde 2014.

“O travamento da economia torna a situação de desemprego duradoura”, frisou Clemente, destacando que o tempo médio de procura por trabalho do brasileiro é de 60 semanas na Região Metropolitana de Salvador, 43 semanas na Região Metropolitana de São Paulo e 37 semanas na Região Metropolitana de Porto Alegre.

De acordo com a pesquisa do IBGE, quando é feita a análise dos dados por região, verifica-se que o Nordeste foi a região que o numero de desempregados aumentou. Pernambuco (18,8%) e Alagoas (17,8%) registraram as maiores taxas de desocupação no 2º trimestre 2017 frente ao trimestre anterior.

“Em resumo, o desemprego estaciona, mas em elevados patamares, deixando como resultado o desalento diante de extenso e tortuoso tempo de procura para encontrar vagas precárias no setor informal (autônomos e assalariados sem carteira)”, explica o economista.

Segundo ele, o ritmo de fechamento de postos de trabalho diminuiu no primeiro semestre de 2017, com a economia no fundo do poço, após uma queda de mais de 9% do PIB per capita e mais de 14 milhões de desempregados, segundo o IBGE”, destacou Clemente.

Domésticos

Ainda de acordo com a pesquisa, a população ocupada no 2º trimestre de 2017, estimada em 90,2 milhões de pessoas, possuía 68,0% de empregados (incluindo domésticos), 4,6% de empregadores, 24,9% de pessoas que trabalharam por conta própria e 2,4% de trabalhadores familiares auxiliares.

Nas regiões Norte (31,8%) e Nordeste (29,8%), onde se registrou o maior índice de desempregados, o percentual de trabalhadores por conta própria era superior ao das demais regiões.

No 2º trimestre, 75,8% dos empregados do setor privado tinham carteira de trabalho assinada. Novamente, as regiões Nordeste (60,8%) e Norte (59,0%) tinham as menores índices.

Entre os trabalhadores domésticos, a pesquisa mostrou que 30,6% deles tinham carteira de trabalho assinada. No mesmo trimestre de 2016, essa proporção havia sido de 33,2%.

Efeito reforma trabalhista

Como efeito direto da reforma trabalhista, que entra em vigor em novembro, o mercado de trabalho já debilitado pela recessão econômica, será impactado pelas novas regras de contratação que precarizam o trabalho e reduzem direitos e devem elevar o número de subempregados.

“Os trabalhadores serão ainda mais pressionados pelo desemprego e, desesperados, submetidos “à livre escolha” de aceitar os novos postos de trabalho precários, abrindo “livremente” mão dos direitos”, salienta Clemente.

Fonte: Portal Vermelho via Feebbase

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