11 ago 2017

Tabelinha jurídico-midiática e o marketing sindical

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

Por Rafael Barreto*

São inúmeros os casos. Mas vale lembrar dois. Em março de 2016, quando Lula estava prestes a assumir o Ministério da Casa Civil do governo Dilma, a mídia comercial televisionou, de forma sensacionalista, a condução coercitiva, considerada ilegal por especialistas, do ex-presidente para depor à Polícia Federal na Operação Lava Jato.

Fato dois. Um dia depois da reforma trabalhista ser aprovada pelo Senado, em 11 de julho, saiu a sentença do juiz Sérgio Moro, fartamente divulgada nos meios hegemônicos, da condenação, também suspeita, de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

Os fatos mostram que hoje o que manda no Brasil a tabelinha jurídico-midiática, que influencia sobremaneira os rumos da nação brasileira. Do outro lado da corda, ficam os movimentos sociais, os blogueiros progressistas e a imprensa sindical, a tentar despertar a consciência da opinião pública contra os desmandos do poder Judiciário e da mídia à serviço do poder econômico.

Mas como enfrentar tamanho gigante? Como em uma disputa bélica, seria preciso usar as mesmas armas. Mas não há dinheiro suficiente do lado de cá, até porque a máquina do governo virou as costas para a imprensa alternativa.

Então, é chegada a hora de reinventar alternativas:

1. Voltar-se ao discurso do marketing e da propaganda. Mas desistam da ideia de que marketing é apenas fruto do capital. Segundo Kotler (1994), “o verdadeiro marketing não é tanto a arte de vender o que é produzido, mas sim de saber o que produzir”. E isso passa por pesquisa, análise e por etapas essenciais de planejamento.

2. Utilizar-se do repertório cultural do povo. Segundo Hjarvard (2014), a cultura e a sociedade estão a tal ponto permeadas pela mídia que talvez seja impossível concebê-la como algo separado das instituições sociais e culturais. Ou seja, é preciso animar assembleias, redefinir passeatas, repensar formas de mobilização. Hora de convocar a música, o teatro, a poesia e a fotografia.

3. É preciso construir novos porta-vozes, preparados para ocupar a mídia e unir os diversos movimentos. Guiar o povo através do coletivo. É preciso encontrar vozes como Lula, comunicólogo excepcional de seu tempo.

São estratégias, pontos iniciais, para disputar os jogos de poder midiáticos no novo cenário e no novo tempo. O mundo mudou e, para engajar pessoas, será preciso muito mais do que faixas e gritos de ordem.

*Rafael Barreto é jornalista

Fonte: O Bancário

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