17 set 2019

Encontro das Bancárias transcende a categoria

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

O atual cenário do Brasil, de desmonte do Estado e avanço do neoliberalismo e do fundamentalismo, com perseguições políticas e jurídicas, estiveram no centro dos debates do 3º Encontro das Bancárias, realizado sábado, no Sindicato dos Bancários da Bahia. Discussões que transcendem a categoria.  


Uma das palestrantes, a ex-senadora Vanessa Grazziotin lembrou que o golpe jurídico-midiático-parlamentar, na verdade, começou a ser construído em 2013, com as manifestações de junho, e não terminou com o impeachment sem crime de responsabilidade da presidenta Dilma Rousseff.  


A eleição de Jair Bolsonaro, como tem revelado o site The Intercept, faz parte do jogo da extrema direita de tomar o poder para colocar em prática uma agenda de total submissão aos Estados Unidos e que agrava as desigualdades sociais. Destacou ainda ter “clareza que a opressão da mulher é parte da opressão do capitalismo. É necessário nos incorporarmos à luta em resistência a estes governos”.


Posicionamento compartilhado pela deputada federal Alice Portugal que ressaltou ainda as ameaças de as mulheres perderem os poucos direitos conquistados. A diretora de Gênero da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Grassa Felizola, responsável pelo Encontro, reafirmou a importância das discussões para aglutinar forças na luta por uma sociedade igualitária.


Sem dúvidas, um evento “emocionante, vibrante, e com muito conteúdo”, como destacou o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia. Augusto Vasconcelos lembrou ainda que “os ataques do governo aos direitos atingem mais as mulheres”. Mesma opinião do presidente da Feeb, Hermelino Neto que reforçou a relevância do encontro, mesmo diante das dificuldades impostas às entidades sindicais pela reforma trabalhista. 


Após a discussão, palestrantes e as 93 participantes aproveitaram um Happy Hour, com a cantora Carla Liz e Banda Didá. 

Trabalho e combate a violência
Os debates do 3º Encontro das Bancárias, sábado, no Sindicato dos Bancários da Bahia, realmente foram riquíssimos. Além da atual conjuntura nacional, o preconceito que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho e o combate à violência também estiveram em pauta.


Segundo a ex-deputada federal Ângela Albino (PCdoB/SC), as mulheres vivem em condições de trabalho mais precárias e são maioria entre os informais. Mesmo com todas as dificuldades, “foram as locomotivas do mercado de trabalho brasileiro e têm importância fundamental para o desenvolvimento”.


Sobre o combate à violência, a secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Julieta Palmeira, apresentou as ações da campanha “Respeite as Mina”, que tem alcance nacional e combate às diversas formas de violência contra a mulher, mesmo aquelas que muitas vezes passam despercebidas pela sociedade.

Fonte: O Bancário

17 set 2019

Crise? Que nada. Lucro dos bancos vai a R$ 50 bilhões

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Crise? Que nada. Lucro vai a R$ 50 bilhões ]

No Brasil, as desigualdades sociais e a concentração de renda voltam a crescer. A economia patina. O desemprego aumenta. O trabalhador tem renda achatada e perde direitos. Tudo vai mal. Menos para o sistema financeiro. Os cinco maiores bancos do país viram o lucro disparar e chegar a R$ 50,5 bilhões no primeiro semestre. Elevação de 20,7% em 12 meses.


Enquanto o cidadão rebola para sobreviver com R$ 998,00 e o desemprego afeta quase 13 milhões de pessoas, os números das organizações financeiras são muito positivos. A rentabilidade variou entre 15,6% e os ativos totalizam agora R$ 6,7 trilhões. A carteira de crédito das cinco empresas juntas chegou em R$ 3 trilhões.


A prestação de serviços e cobranças de tarifas absurdas aos clientes também rendem bons resultados. A arrecadação foi de R$ 69,9 bilhões em seis meses, crescimento médio de 4,5% ante o mesmo período de 2018. A receita cobre com folga as despesas de pessoal, inclusive o pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) aos bancários.  


Embora ganhem como nunca, os bancos continuam a cortar postos de trabalho. Uma política que não ajuda em nada a retomada do crescimento do país. Pelo contrário. Somente Itaú, BB e Caixa eliminaram 4.536 vagas em 12 meses completados em junho. O número de agências também segue em queda. O Itaú foi o que mais fechou, 199 em um ano, sendo 195 no segundo trimestre deste ano. 
Bradesco e Banco do Brasil fecharam, respectivamente, 119 e 48 unidades e a Caixa encerrou as atividades de 12 agências entre junho de 2018 e junho de 2019. As medidas pioram as condições de trabalho e de atendimento, deixando bancários vulneráveis a problemas de saúde e os clientes desassistidos.

Fonte: O Bancário

17 set 2019

Riqueza mundial nas mãos de 2% apenas

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Riqueza mundial nas mãos de 2% apenas]

O neoliberalismo, radicalizado depois da crise financeira mundial de 2008, aumenta a concentração de riqueza e, consequentemente, as desigualdades sociais. O grupo dos 2% mais ricos do mundo tem mais da metade de toda a riqueza mundial e os 80% mais pobres possuem apenas 6%.


A pesquisa do grupo de ativistas TheRules mostra que as 300 pessoas mais abonadas têm patrimônio igual ao dos 3 bilhões mais pobres. Além da política econômica, o corte de direitos e o achatamento do salário dos trabalhadores pelo mundo contribuem para agravar as diferenças sociais.


Para se ter ideia, há 200 anos os países mais ricos do mundo concentravam cerca de três vezes mais riquezas dos mais pobres. Hoje, a diferença pulou para 80 vezes. A dívida das nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento com o FMI e grandes bancos também agravam a situação. O Fundo Monetário Internacional e as grandes organizações financeiras recebem anualmente cerca de US$ 600 bilhões de pagamento de dívidas, boa parte referente aos juros.

Fonte: O Bancário

17 set 2019

Aumenta o número de famílias endividadas

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Aumenta o número de famílias endividadas ]

As contas aumentaram para o trabalhador. O salário vigente (R$ 998,00) não dá nem mesmo para passar o mês com o armário abastecido. São tantas as dívidas que as famílias brasileiras não sabem por onde começar. 


De acordo com dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), o percentual de famílias com dívidas chegou a 64,8%, elevação de 4,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado. 


A alta de 0,19% na inflação nos últimos 12 meses que elevou o preço dos produtos alimentícios é um dos motivos para o alto índice de endividados. É o caso do tomate (131,57%) que está caríssimo. A luz também está mais cara. O aumento de 4,48% nas contas de julho assustou os trabalhadores. 


Mas, a recessão econômica e a política neoliberal, que retira direitos dos cidadãos, eleva o desemprego e achata os salários, são os principais problemas enfrentados pelas famílias brasileiras atualmente. 


A dificuldade em pagar as dívidas é tanta que 9,5% das pessoas declaram não ter condições de pagar as contas em atraso nos próximos meses. Enquanto os preços sobem, o cidadão vai dando um jeito de sobreviver com as migalhas que recebe mensalmente.

Fonte: O Bancário

[BB quer controlar até a roupa das funcionárias]

A direção do Banco do Brasil extrapola todos os limites e tenta, mais uma vez, censurar os funcionários. A empresa agora proíbe que bancárias utilizem short, saia curta e chinelo durante as provas do programa de certificação de conhecimentos. 


A iniciativa, voltada para parte do funcionalismo, acontece entre os dias 30 de setembro e 29 de novembro. A atitude machista, moralista e preconceituosa do BB virou rotina na nova gestão indicada por Bolsonaro para o banco e no país. Prova disto é que o atual presidente da instituição, Rubem Novaes, publicava conteúdo com teor machista, sexista e misógino nas redes sociais.
 

Além disso, Bolsonaro censurou, em abril deste ano, campanha publicitária da instituição representada por atores negros e brancos, em uma analogia à diversidade racial e sexual do país. Após o episódio, o diretor de Comunicação e Marketing do Banco do Brasil foi demitido.
 

Ao invés de se preocupar com as condições de trabalho dos funcionários, o Banco do Brasil colabora para o machismo e com o constrangimento das trabalhadoras. A piada é que a empresa sempre se destacou em políticas de gêneros, inclusive com programas premiados pela ONU.

Fonte: O Bancário

17 set 2019

Reforma trabalhista tira poder do trabalhador

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Reforma trabalhista tira poder do trabalhador]

O trabalhador brasileiro ficou mais vulnerável depois da reforma trabalhista e do governo Bolsonaro. Dados do Dieese comprovam. No primeiro semestre do ano, as greves tiveram recuo 41% ante o mesmo período de 2018. Foram 529 paralisações contra 899 no mesmo intervalo do ano passado.


A extinção do imposto sindical afeta diretamente o movimento. Muitos sindicatos perderam força para negociar com as empresas, que agora estão livres para fazer o que querem, inclusive reduzir os salários e tirar direitos. O cenário piorou com a agenda ultraconservadora do governo Bolsonaro e o clima de terror e perseguição instaurado nas empresas públicas.


Para se ter uma ideia, as paralisações no setor público apresentaram queda de 51%. No privado a redução foi de 27%. Os dados do Dieese mostram que as greves na esfera pública somaram 236 no primeiro semestre deste ano, contra 481 um ano antes. No setor privado, o número é um pouco maior, 268 entre janeiro e junho, contra 369 um ano antes.


Mas, outros fatores ajudam a explicar o recuo das mobilizações, como a crise econômica e o desemprego elevado. O Brasil tem hoje quase 13 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. O pior é que não há perspectiva de mudanças no cenário. Até o momento, não há indicação de retomada do emprego e os efeitos da reforma trabalhista continuam a causar danos aos trabalhadores.

Fonte: O Bancário

17 set 2019

Parasitismo bolsonarista chega ao salário mínimo

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
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Se não bastasse a tragédia dos principais indicadores da economia, com destaque para o desemprego, agora surge a notícia de que o governo Bolsonaro estuda retirar da Constituição a previsão de que o salário mínimo seja corrigido pela inflação. O congelamento poderia render uma “economia” entre R$ 35 bilhões e R$ 37 bilhões, segundo a informação; o termo correto seria “transferência” de renda, nesse valor, dos mais pobres para os mais ricos, por meio de uma burla.

A garantia de correção está inserida no espírito de que os trabalhadores têm direito a um salário mínimo “capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo”, conforme determina o artigo 7º, inciso IV, da Constituição. A proposta bolsonarista atenta frontalmente contra esses direitos humanos fundamentais.

A tentativa de violação desse que pode ser considerado um dos mais importantes princípios do pacto democrático de 1988, que sintetizou a evolução civilizatória brasileira depois de batalhas seculares pelo progresso social, revela bem o caráter perverso desse governo. O anúncio é grave e decorre da “ortodoxia” comanda pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Vai ficando cada vez mais evidente que o nó do “ajuste fiscal” — o mecanismo de transferência de recursos orçamentários para o saco sem fundo do mercado de títulos, a roda-viva financeira da chamada dívida pública — se transformou numa queda-de-braço que tende a evoluir para lances cada vez mais dramáticos. No centro da questão está a forma de lidar com a renda nacional — a síntese de toda atividade econômica.

Nesse governo, os números são manipulados a todo instante com a finalidade de desqualificar a importância do Estado no processo de aceleração dos ritmos do desenvolvimento econômico. As verdades “universais” da teoria de Paulo Guedes, essencialmente construídas para proporcionar equilíbrio nos centros de origem das crises, são desligadas da vida real dos países pobres.

Elas não servem para definir a alma dos problemas nacionais: desenvolvimento econômico, melhoria dos níveis de renda, investimentos e consumo. A hegemonia que essas teses angariaram no Brasil com o governo Bolsonaro decorre do fato de que toda a ciência econômica tem, falando no sentido social, profunda base partidária. Ou seja: as interpretações econômicas correspondem a um jogo de disputa ou defesa de posições.

Os salários e os lucros, por exemplo, devem ser vistos como duas formas antagônicas de renda. E um jeito de manipular esse conceito é tratar do assunto em termos de renda per capita — uma fórmula frequentemente utilizada para apregoar melhorias dos padrões de vida no Brasil. Essa técnica corresponde à mera figura estatística, e nem de longe reflete um fenômeno de riqueza social porque não leva em conta o caráter antagônico dos salários e dos lucros.

Mas o mais grave, nesse caso, é que a economia passa por um processo de estupidez, sancionado pela política do governo, uma alquimia que transforma um arrocho desumano na renda do povo em “economia”; na verdade, mais uma mamata para a ciranda financeira. Aí o antagonismo se agudiza, porque ele explicita um projeto de poder e um programa de governo com o objetivo de destruir a institucionalidade democrática do país para atender a um elevado parasitismo social.

Fonte: Vermelho

Correios empregam mais de 105 mil trabalhadores de forma direta - Créditos: Divulgação

Correios empregam mais de 105 mil trabalhadores de forma direta / Divulgação

Trabalhadoras e trabalhadores dos Correios decidiram, nesta semana, entrar em greve por tempo indeterminado. Segundo os sindicatos, os trabalhadores lutam pela manutenção de direitos, reajuste salarial e também contra o projeto de privatização da estatal.

Para saber mais sobre a greve, o programa Brasil de Fato RJ conversou com Ronaldo Martins, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro (Sintect-rj). A decisão foi tomada em uma assembleia que reuniu mais de cinco mil trabalhadores.

Confira os melhores momentos da conversa:

Brasil de Fato: Que direitos dos trabalhadores estão sendo ameaçados nesse momento?

Ronaldo Martins: A gente teve a nossa data-base em agosto e a empresa adotou uma postura incomum. Não sei se foi em virtude do posicionamento do governo, mas foi tudo muito estranho na mesa de negociação. A empresa demorou a sentar à mesa, a fazer proposta e na segunda rodada passou a apresentar proposta de retirar benefícios que nós já havíamos conquistado durante os anos de acordo coletivo do trabalho.

O movimento de trabalhadores a nível nacional, as federações e os sindicatos, queríamos a manutenção dos benefícios que estão em vigor e a reposição da inflação. Mas, estranhamente, a empresa passou a propor o aumento da mensalidade do plano de saúde, retirar benefício como o tíquete alimentação e outros adicionais dos trabalhadores da madrugada, por exemplo. No final, a empresa apresentou a proposta de 0,8% [a inflação do período foi de 3%] e isso foi muito ruim. Além disso, começou a proposta do governo de privatização da empresa e isso gerou uma ansiedade porque os Correios é uma empresa autossuficiente, não depende do dinheiro do governo, muito pelo contrário.

A empresa tem um papel social muito importante no país. Este ano, completou 356 anos de vida, vem desde o Brasil Colônia. Já participamos de campanha de amamentação, vacinação, entrega de livros escolares, urnas eletrônicas… E os Correios estão em todos os municípios do Brasil, no Amazonas, no Chuí, existe uma agência e um servidor. Emprega 105 mil trabalhadores de forma direta, é a maior empregadora do país, e logo nesse momento de crise de emprego grande, surge uma proposta de privatizar empresa e retirar direitos. Isso causou uma mobilização que há muito não se via na classe trabalhadora a nível nacional.

Na noite de terça-feira (1), no bairro Cidade Nova, tivemos uma grande assembleia representativa, vieram trabalhadores de todos os locais do estado do Rio de Janeiro, de Campos dos Goytacazes, Itaperuna, Rezende, Petrópolis, Teresópolis, e tivemos esse encaminhamento da greve.

De que maneira essa privatização pode prejudicar os funcionários e de que forma a população pode ser afetada? Uma empresa privada não vai ter interesse em chegar onde não há lucro, não é?

Participei de um fórum no Uruguai sobre os Correios do mundo e os relatos foram unânimes em afirmar que onde houve privatização a qualidade do serviço caiu de forma drástica. Porque as empresas privadas de encomenda começaram a só entregar em capitais e deixaram de prestar o serviço em locais longínquos. É importante salientar que os Correios não tem monopólio das encomendas no país, inclusive, as empresas concorrentes postam nos Correios para entregar nas periferias, por exemplo. Os trabalhadores ficam muito aflitos, não tem concurso público desde 2011. Então, a maioria dos empregados tem 10, 15 anos e tem seu sustento familiar na empresa. Eu tenho 27 anos, outros tem 28, 30 anos.

Então, quando se fala em privatização da empresa, significa retirada de direitos e demissão em massa. É o que ocorreu com outras empresas públicas. A gente não entende porque colocar os Correios na agenda de privatização, uma empresa que é autossustentável.

Há previsão para encerrar a greve, quais são os próximos passos e qual recado deixa para os ouvintes e leitores do Brasil de Fato?

A empresa ajuizou dissídio e deve ter conciliação depois do julgamento. Nós entendemos que deve resolver em 6 ou 7 dias. Queremos falar para a população que confie nos Correios, nos trabalhadores. Queremos um Brasil soberano, igualitário, que seja para todos, estamos lutando para que possamos melhorar o serviço postal no Brasil. Os Correios sempre tiveram excelência na entrega, a relação do carteiro com o destinatário, sempre foi muito lúdica, carinhosa e afetiva com o povo brasileiro. E queremos resgatar isso.

Edição: Vivian Virissimo | Entrevista: Denise Viola via Brasil de Fato

17 set 2019

Brasileiros rejeitam privatizações

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
Luta contra a privatização da Copel Telecom no Paraná remete à vitória histórica de 2001 contra o leilão da empresa  - Créditos: Arquivo Senge

Luta contra a privatização da Copel Telecom no Paraná remete à vitória histórica de 2001 contra o leilão da empresa / Arquivo Senge

O governo federal está em campanha para privatizar as empresas públicas. Pelo menos nove delas podem entrar no processo, entre elas Correios e Telebras. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) ainda quer privatizar Serpro e Dataprev, que possuem dados de todos os brasileiros. Até mesmo a Petrobras, oitava maior petrolífera do mundo, pode ser privatizada.

Contra a entrega do patrimônio, movimentos se organizam por todo o país, como a Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional, lançada no começo do mês de setembro, e a Frente Paranaense em Defesa das Estatais que se posiciona contra as privatizações da Copel Telecom, prevista pelo governador Ratinho Junior (PSD) para março de 2020, e da Compagas, planejada para 2021.

A população brasileira está a favor desses movimentos e contra as privatizações. Pesquisa do Instituto Datafolha revela que 67% se opõem contra a venda das estatais. Segundo o Instituto, por exemplo, “pouco mais da metade (54%) dos brasileiros tomou conhecimento dos planos governo de Jair Bolsonaro (PSL) de vender os Correios e outras empresas públicas nos próximos anos”.

A pesquisa mostra que 60% dos entrevistados é contra privatizar os Correios. De acordo com o Sinticom-PR, os trabalhadores dos Correios do Paraná, juntamente com todos os estados do país mais o Distrito Federal, entraram em greve por tempo indeterminado. A decisão foi referendada em assembleias realizadas em todo o estado. “A adesão à greve é de 70% no Paraná, principalmente, nos CDDs, CEEs e CEINT, além de muitas Uds e Acs com paralisação total em todas as regiões”, afirma o sindicato. 

O levantamento feito pelo Datafolha ainda deixa claro que os brasileiros são contra a privatização do Banco do Brasil, da Caixa e da Petrobras. “A privatização da Petrobras, também considerada pelo governo, enfrenta maior oposição: 65%. O cenário é parecido quando se trata dos bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil: 65% são contra, 29%, a favor”.

Rejeição de bolsonaristas



Entre os brasileiros que tem o PSL como partido de preferência  – continua a pesquisa -, 50% são a favor e 47% contra. Nos demais segmentos, incluindo empresários, mais ricos e apoiadores de Bolsonaro, há uma porção majoritária que se opõe à venda dos bancos públicos.

Frente Nacional e paranaense

O desgaste do governo Bolsonaro e o bom desempenho de empresas públicas são aliadas das frentes que pretendem preservar o patrimônio dos brasileiros. A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional foi lançada no Congresso Nacional no último dia 4 de setembro. Reunindo lideranças de diversos partidos, sindicatos e movimentos sociais, eles iniciam campanha contra as privatizações.

No evento, a líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), afirmou que o Brasil precisa voltar a ter um projeto nacional de desenvolvimento com democracia. “Precisamos ter o mercado subjugado pelo Estado brasileiro. Precisamos garantir que o Estado tenha políticas universais”, afirmou, no registro da Agência Câmara. Nesta sexta-feira (13) acontece audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) contra a privatização da Eletrobras.

A movimentação contra privatizações também acontece no Paraná. No estado, o Fórum Paranaense em Defesa das Estatais foi lançado no dia 30 de agosto. O governo do estado alega que a privatização é necessária porque essas empresas vão perder competitividade nos próximos anos.

Porém, balanço da própria Copel mostra que o faturamento da subsidiária nos primeiros seis meses de 2019 foi de R$ 200 milhões. A privatização é criticada pelo deputado federal Enio Verri (PT):

“Um governo passageiro, que não apresenta motivos razoáveis, pretende vender, como se sua fosse, a instituição paranaense que, em 2018, foi a operadora de banda larga mais bem avaliada do Brasil, está presente em mais de 80 cidades do Paraná, distribuiu conexão com fibra ótica para os 399 municípios do estado, é superavitária, estratégica e pertence a toda sociedade paranaense”.

Já o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que participou do lançamento do fórum, se comprometeu a organizar a resistência dentro da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). “A Copel Telecom é uma das empresas que detém a maior tecnologia no Paraná. Ela foi criada com objetivo de levar internet para escolas, hospitais, hospitais, universidades, levar a tecnologia para setores que nenhuma outra empresa tinha interesse em levar. O governo Ratinho quer é desmontar as empresas públicas do que de fato ter uma necessidade de privatização. Ele está na contramão de todos aqueles que lutaram para dizer que a Copel é nossa”, aponta.

O governo do Paraná tem oferecido suas estatais em diversos encontros com empresários brasileiros e estrangeiros. “O assunto (também) foi tratado na edição do Paraná Day, em Nova York” em julho de 2019, informa a Agência Estadual de Notícias.

Responsabilidade social

Além de liderar o ranking nacional de satisfação em banda larga, a Copel Telecom cumpre importante papel social. Em maio, “o projeto Internet Sem Bullying, criado pela Copel Telecom em parceria com a Abrace Programas Preventivos, recebeu o troféu de melhor prática sustentável na categoria grandes empresas, eixo Paz”.

Já no começo de setembro, o próprio governo Ratinho Junior reforçou o papel social da Copel Telecom. A Secretaria da Educação formalizou parceria com a Copel Telecom que permite ampliar para 20 Mega a velocidade da internet de todas as escolas atendidas pela fibra óptica da companhia.

A parceria coloca em xeque o argumento de que a Copel Telecom não tem compromisso social e reforça a tese dos movimentos de que escolas e demais equipamentos públicos podem sofrer apagão ou encarecimento de internet caso a empresa seja privatizada.

Edição: Pedro Carrano via Brasil de Fato

[Defesa do Banco do Brasil é destaque na Alba]

Defender as estatais para garantir a soberania do país. Com este pensamento, o Sindicato dos Bancários da Bahia mais uma vez ressaltou a importância das insitutições públicas. Desta vez, na Assembleia Legislativa, onde aconteceu audiência, na tarde desta terça-feira (10/09). 


A audiência, fruto de um pedido do Sindicato e da Feeb, foi presidida pelo deputado estadual Fabrício Falcão (PcdoB), que apresentou requerimento à Casa. Ele fez um alerta para a gravidade do momento em que o país passa. 


Para o deputado, as instituições sofrem com o desmonte do Estado brasileiro. “O BB, que desempenha papel social importantíssimo para o país, não pode estar nas mãos do capital estrangeiro, sem a mínima responsabilidade com a sociedade”, afirmou.


Reconhecido internacionalmente pelo equilíbrio orçamentário, o Banco do Brasil garante ao país uma economia forte e sustentável. O presidente do Sindicato, Augusto Vasconcelos, argumentou que a instituição financeira é capaz de desenvolver setores não rentáveis em termos de lucratividade, mas de benefício a toda a sociedade, sem onerar o seu maior beneficiário, o Estrado brasileiro.


“Ganhar apoio dos parlamentares em defesa do Banco do Brasil é de suma importância para a luta contra a privatização da instituição”, declarou o presidente do SBBA, ao ressaltar a audiência na Assembleia Legislativa. 


Ainda compuseram a mesa, o presidente da Feeb, Hermelino Neto, e o representante da FAABB (Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil), Frank Dieckmann e o membro da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, Wagner Nascimento.

Fonte: O Bancário