10 dez 2019

Pagamento da segunda parcela do 13º até dia 20

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Pagamento da segunda parcela do 13º até dia 20]

Cerca de 81 milhões de brasileiros estão ansiosos pelo pagamento da segunda parcela do 13º salário. As empresas têm até o dia 20 de dezembro para depositar o benefício, descontados o Imposto de Renda e o INSS. O valor médio que o trabalhador vai receber é de R$ 2.451,00. 


A expectativa é de que sejam injetados R$ 214,6 bilhões na economia. A quantia representa aproximadamente 3% do PIB (Produto Interno Bruto). O trabalhador que pediu o adiantamento do 13º salário nas férias não tem direito à primeira parcela. Somente a segunda. Na primeira parcela do benefício, o trabalhador recebeu 50% do valor total do 13º salário, sem nenhum desconto.


Para ter direito, o cidadão tem de ser contratado pelo modelo CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Ou seja, com carteira assinada. Também precisa ter trabalhado por, pelo menos, 15 dias durante o ano e não tenha sido demitido por justa causa. A reforma trabalhista não retirou essa regra.


No caso do modelo intermitente, o empregado é contratado conforme as demandas da empresa e a sua disponibilidade. Ele recebe apenas pelo tempo que efetivamente prestou o serviço. O valor do 13º será proporcional ao período trabalhado.

Fonte: O Bancário

10 dez 2019

No Brasil, zap é a principal fonte de informação

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[No Brasil, zap é a principal fonte de informação]

As redes sociais possibilitam uma centena de avanços ao mundo atual. Mas, é preciso ter cuidado, pois muita gente se aproveita para disseminar mentiras e, nessa guerra, o primeiro alvo é a verdade. 


Para se ter ideia, segundo estatísticas do Google, enquanto uma postagem verdadeira atinge, em média, 1 mil pessoas, as falsas chegam a 100 mil. Um cenário propício para as Fake News


No Brasil, a atenção deve ser ainda maior. Isso porque uma pesquisa realizada pela Câmara Federal e pelo Senado revela que o whatsapp é a principal fonte de informação do brasileiro. A plataforma possui 136 milhões de usuários. Desses, 79% disseram receber notícias pelo zap


O índice de brasileiros que confiam nas informações enviadas pelo Whatsapp é tão grande que fica atrás até dos veículos tradicionais. De acordo com a pesquisa, apenas 50% dos entrevistados se atualizam pela televisão, 44% usam o Facebook, 38% os sites de notícias, 30% o Instagram e 22% as emissoras de rádio. O jornal impresso, cada vez menos valorizado, foi citado apenas por 8% dos participantes e o Twitter, 7%. 


A forma como as pessoas reagem às informações divulgadas pelas redes sociais também foi avaliada. O tipo de ação mais comum foi a curtida (41%). Em seguida aparecem o compartilhamento de posts (20%), publicação de conteúdos (19%) e comentários em mensagens de outros (15%).

Fonte: O Bancário

10 dez 2019

Desigualdade social dispara. Tendência é piorar

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Desigualdade social dispara. Tendência é piorar]

O Brasil tem a segunda maior concentração de riqueza do mundo e a tendência é a desigualdade disparar com a política ultraliberal e entreguista do governo de Jair Bolsonaro. A diferença é tão grande que o 1% mais rico da população concentra 28,3% de toda a renda nacional. Se considerar os 10% mais ricos sobe para 41,9% da riqueza. 


Os dados são do Relatório de Desenvolvimento Humano, divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas). No Brasil, enquanto os ricos não param de acumular, privilegiados pelo governo, os pobres padecem com a queda significativa da renda mensal e o desemprego. 


Segundo um estudo divulgado recentemente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), o número de pobres aumentou e hoje passa dos 23,3 milhões. Essa parcela da população tem de se virar com menos de R$ 233,00 por mês. Difícil de imaginar.


Entre os 1% mais ricos do país, – aqueles que ganham em média R$ 27.744,00 por mês -, o rendimento avançou 8,4%. Por outro lado, os brasileiros que fazem parte da faixa dos 5% mais pobres – com rendimento médio de R$ 158,00 por mês – perderam 3,2% da renda. Tá osso. 

Fonte: O Bancário

10 dez 2019

Queda de árvores em áreas protegidas sobe 84%

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Queda de árvores em áreas protegidas sobe 84% ]

Proteção ao meio ambiente não é tratada com importância pelo governo Bolsonaro. Pelo contrário. Prova disso é a alta no desmatamento da Amazônia em áreas protegidas (unidades de conservação federais e estaduais) e em terras indígenas. Entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi registrado crescimento de 84% na derrubada das árvores nas UCs federais no comparativo dos 12 meses anteriores.


O desmate nas Unidades de Conservação – parques, florestas e reservas – também cresceu. Dados preliminares do sistema Prodes, do INpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostram que a alta foi de 35% entre agosto de 2018 e julho deste ano, o que gerou um salto de 767 km² para 1.035 km². No caso das terras indígenas, o aumento foi de 65% (de 260,6 km² para 429,9 km²).


Também houve 412 km² de corte raso dentro das florestas protegidas pelo governo federal, ante 223 km² do período anterior. Por conta do aumento no ataque às unidades de conservação entre agosto de 2018 e julho de 2019, este é considerado o pior período dos últimos 14 anos. 


A APA (Área de Proteção Ambiental) Triunfo do Xingu, gerida pelo Pará, é a unidade mais comprometida, pois foi onde houve, no início de agosto, o Dia do Fogo, que ajudou a impulsionar as queimadas no bioma.

Fonte: O Bancário

10 dez 2019

Bancos empurram os serviços para os clientes

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Bancos empurram os serviços para os clientes ]

Utilizar a tecnologia para agilizar o atendimento nas agências não é problema. Mas, com desculpa de modernização, os bancos demitem e o cliente é obrigado a realizar os serviços sozinho na máquina ou através dos aplicativos no celular. 


O Brasil possui 242 milhões de celulares, quer dizer mais de um aparelho por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets. Em 2018, segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), 40% das transações bancárias foram realizadas via celular e 20% via internet. Mais da metade (60%) foi feita por canais virtuais. Nos caixas automáticos, foram realizadas 12% das operações. 


No ano passado, as unidades foram responsáveis por apenas 5% dos negócios. Com isto, o papel das agências muda. A digitalização das operações bancárias ameaça a manutenção de agências e postos de atendimento e coloca para escanteio o cliente que não tem internet ou que prefere o atendimento humanizado. 


Ao digitalizar as transações, como depósito, transferência e saque, mais funcionários são colocados para fora. Com o caixa eletrônico reciclador, que consiste no depósito inteligente, os bancos extinguiram a função de retaguarda, pois não é necessário envelope e a máquina reconhece a nota que cai automaticamente na conta. 


As empresas também utilizam ferramentas que incentivam que o cliente deixe de ir às agências. É o caso da BIA do Bradesco, assistente digital que responde dúvidas da clientela através do aplicativo do banco. Somente com propaganda do robô foram investidos milhões.

Fonte: O Bancário

10 dez 2019

PEC 438 serve apenas aos interesses dos bancos

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[PEC 438 serve apenas aos interesses dos bancos]

A política fiscal do governo Bolsonaro tem como foco desestruturar o serviço público e penalizar o trabalhador. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 438/2018 – aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara Federal – cria gatilhos para conter as despesas públicas, mas no fim, só beneficia o sistema financeiro.


A proposta é engessar as despesas públicas e preservar a regra de ouro, dispositivo introduzido na Constituição de 1988, que dá prioridade absoluta a pagar os bancos e proíbe o governo de se endividar para pagar custeio da máquina, folha salarial e programas sociais.


Para manter o equilíbrio fiscal, a PEC propõe como medida de contenção de despesas a suspensão de repasses ao BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social), onerando diversos projetos que dependem do dinheiro, além da venda de ativos e bens públicos, o que já vem acontecendo.


A proposta reduz ainda a carga horária e salário dos funcionários públicos, e autoriza demissão de concursados que ainda não têm estabilidade, assim como os comissionados. 


Novamente, quem é prejudicado é a população pobre, que depende de serviços públicos. Os gatilhos que compõem a proposta podem ser acionados assim que houver desequilíbrio entre gastos públicos e arrecadação tributária. No total, a PEC dispõe 20 medidas para engessar despesas e outras 11 para gerar receitas.

Fonte: O Bancário

10 dez 2019

Brasil pode levar mais de 10 anos para se recuperar

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria
[Brasil pode levar mais de 10 anos para se recuperar]

A grande mídia espalha que o país está voltando a crescer e os empregos começam a aparecer. O governo comemora. Mas, é tudo uma grande farsa. Se a economia continuar com desempenho fraco, quase que insignificante, o país vai levar ao menos 10 anos para recuperar o nível de postos de trabalho que havia antes da crise, impulsionada pela extrema direita brasileira.


O Brasil tem hoje pouco mais de 12 milhões de desempregados. Uma taxa de 11,6%. O setor que reage melhor é o de serviços, cerca de 60% das vagas abertas. Embora o número tenha apresentado ligeira queda, não dá para comemorar. A maioria dos empregos gerados é sem carteira assinada, ou seja, sem direitos. 


A tendência é continuar assim. A informação é do Diesse. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico aponta baixa qualidade nos empregos gerados no país depois da reforma trabalhista e a flexibilização das regras, que desprotegem o trabalhador. 


Segundo o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o Brasil está saindo da crise de forma mais lenta do que o restante do mundo. Mesmo que a economia volte a crescer 3% ao ano, os empregos não responderão na mesma velocidade em decorrência das novas dinâmicas. A tendência, explica ele, é que o país tenha postos de trabalho mais frágeis, com o trabalho intermitente, a terceirização, a ‘pejotização’.

Fonte: O Bancário

10 dez 2019

Em solidariedade à classe trabalhadora francesa

Autor: riccardus | Categoria: Sem categoria

A França foi sacudida nesta segunda-feira pelo quinto dia da greve geral contra a proposta de reforma da Previdência proposta pelo presidente Emmanuel Macron, que prevê a extinção de 42 regimes especiais de aposentadoria, nos quais estão incluídas categorias como ferroviários, motoristas, eletricistas, marinheiros, entre outros.

As mudanças pretendidas pelo governo francês são orientadas pela ideologia neoliberal, cuja lógica é jogar sobre as costas da classe trabalhadora o ônus de ajustes fiscais recessivos e nocivos aos mais pobres, ao mesmo tempo em que reduz impostos e taxas atribuídas aos capitalistas.

Lá, como aqui, o governo das classes dominantes, com amplo respaldo na mídia, afirma ser indispensável a efetivação da reforma para equilibrar as contas públicas e propiciar um crescimento mais robusto da economia. Mas tal discurso não tem correspondência com a realidade.

Na prática, tudo que se extrai das reformas neoliberais, seja da Previdência ou da legislação trabalhista, é redução de direitos e precarização das relações de produção. Só o Capital, e em especial o Capital Financeiro, sai lucrando com o sacrifício da classe trabalhadora, o que resulta no aumento da concentração de renda e da desigualdade social, assim como no emagrecimento do mercado interno.

Não é a primeira vez que o proletariado francês, dotado de elevada consciência de classe e herdeiro de uma história de luta que remete à heroica Comuna de Paris, manifesta sua revolta com os projetos de mudanças regressivas nas regras da aposentadoria que governos da burguesia tentam impor, sem um amplo diálogo social e sem consultar os trabalhadores e seus representantes.

Em 1995 uma greve geral de longa duração acabou derrubando o gabinete do primeiro ministro Alain Juppé e derrotando seu projeto de reforma da Previdência, que entretanto ainda continua frequentando os sonhos da burguesia e dos governos a ela alinhados, como é o caso do neoliberal Macron, que preside a França 24 anos depois do fracassado Juppé e parece não ter compreendido bem a lição.

A greve geral atesta o imenso poder da classe trabalhadora, pois nada funciona sem o esforço produtivo da força de trabalho e a produção simplesmente é interrompida pela vontade unificada da classe, o que de resto também evidencia o caráter parasitário da burguesia, que nada produz mas se apropria dos lucros gerados pelo trabalho e se constitui em classe dominante no capitalismo. Diante da paralisação ela fica impotente e é obrigada a recuar.

Deste modo, a batalha eleva e ilumina a consciência de classe e revigora a fé no poder da luta operária. A unidade e energia do proletariado francês há de dobrar o governo Macron, derrotando a sua reacionária iniciativa, e deve servir de exemplo à classe trabalhadora brasileira, merecendo, além da nossa admiração, a ativa solidariedade da CTB e demais centrais brasileiras.

São Paulo, 9 de dezembro de 2019
Adilson Araujo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

Por Marcos Aurélio Ruy

Em mais de 150 países começou no dia 25 de novembro a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. No Brasil o início de dá mais cedo por causa do Dia da Consciência Negra (20 de novembro) totalizando 21 dias de mobilizações e manifestações para chamar atenção da sociedade para o fato de o país ser o quinto país que mais mata mulheres no mundo, desde 2003.

O movimento existe desde 1991, criado pelo Centro de Liderança Global de Mulheres, com imediata adesão da Organização das Nações Unidas ( ONU) . As manifestações ocorrem até 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos.

“Toda campanha que vise a mobilização das mulheres para lutar pelos seus direitos é fundamental”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Para ela, “a violência está de uma tal forma que nós não suportamos mais. Precisamos gritar e nos impor para sermos respeitadas como donas de nós mesmas. A união de todos os movimentos sociais progressistas e democráticos, das feministas, das centrais sindicais e dos partidos políticos democráticos é o começo para combatermos a cultura da violência.”

A data é uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas” e assassinadas em 1960 por fazerem oposição ao governo do ditador Rafael Trujillo, que presidiu a República Dominicana de 1930 a 1961, quando foi deposto, conta a Agência Senado.

Vídeo da ONU Brasil; assista

Brasil é o quinto mais violento contra as mulheres

No Brasil, somente em 2017, de acordo com o Atlas da Violência 2019, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, foram assassinadas 4.936 mulheres, 13 por dia. A maioria foi morta pelo cônjuge ou ex-cônjuge.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, uma pesquisa deste ano dos institutos Locomotiva e Patrícia Galvão mostra que 97% das mulheres com mais de 18 anos já sofreram assédio sexual no transporte público, por aplicativo ou em táxi.

“Parte dos homens agem como se fossem donos dos nossos corpos e não têm o mínimo respeito, se aproveitando de situações em que temos dificuldade de nos defender”, afirma Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ. “É necessário respeitar as mulheres como seres humanas que somos.”

Como uma das maneiras para combater a violência e o abuso sexual contra as mulheres foi criado em 2005, o Ligue 180, por ele milhares de denúncias são feitas todos os dias.  Somente em 2018, foram 62.485 denúncias de violência doméstica, ou 67% de todos os registros do ano.

E a violência doméstica não para de crescer, o Ligue 180 já recebeu 35.769 ligações sobre esse item somente no primeiro semestre deste ano. “Somente com um amplo trabalho de mobilização de toda a sociedade envolvendo as escolas e a mídia para acabar com essa violência”, realça Kátia. As denúncias de tentativa de feminicídio também cresceram assustadoramente. No primeiro semestre de 2018 foram registradas 512 denúncias, neste ano já foram 2.688.

Estudo do Ipea mostra que ter independência econômica não livra as mulheres da violência. O levantamento aponta que 52,2% das mulheres que trabalham fora de casa sofrem violência enquanto as que não estão no mercado de trabalho 24,9% são vítimas.

“Talvez porque a presença feminina no mercado de trabalho constrange o sentimento machista e de posse dos homens que reagem violentamente porque a vida toda têm sido educados para agir dessa maneira com as mulheres”, reforça Kátia.

Mercado de trabalho

Kátia diz também que a condição feminina no mercado de trabalho e não é anda alentadora. Estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) comprova a preocupação da sindicalista. A OIT mostra que de 1991 a 2018, a probabilidade de uma mulher trabalhar fora foi 26% inferior que a de um homem.

No Brasil, de acordo com o estudo, as desvantagens salariais são gritantes entre os sexos e podem chegar a 53% de diferença em favor dos homens. Na média, mostra o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as mulheres ganham quase 30% a menos que os homens em mesmas funções.

A OIT comprova ainda que o mercado de trabalho não gosta das mães Os dados mostram que mulheres com filhos de até 6 anos ocupam 25% dos cargos de gerência, enquanto as que não têm filhos pequenos ocupam 31% dos cargos de gerência.

“De qualquer forma número muito inferior aos homens”, assinala Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP. Além disso, diz ela, “as mulheres são as primeiras a serem demitidas e as últimas a serem realocadas, se tiver filho pequeno então, sem chance”.

Para ela, há necessidade de mais mulheres na política, já que pouco mais de 10% compõem o Parlamento brasileiro e atualmente o país conta com apenas uma governadora. “No ano que vem temos mais uma chance de elegermos vereadoras e prefeitas para a nossa dura realidade ganhar um reforço na luta por igualdade de direitos.”

Relatório da OIT afirma que “a Islândia é o único que alcançou plena paridade nas oportunidades de trabalho para homens e mulheres, mas ainda não conseguiu igualdade de remunerações”.

Gicélia afirma a necessidade de políticas públicas de fomento à contratação de mulheres. “As empresas não toma a iniciativa por si mesmas. Por isso, tem que serem criadas políticas de Estado que garantam a paridade dos salários e das contratações, assim como o empoderamento nos cargos de direção.”

Lei Maria da Penha

Apesar de existir desde 2006, a Lei Maria da Penha ainda não está concretizada em todo o país, “e após o golpe de Estado de 2016, a situação só piora”, conta Celina. Ela se refere a que em 2018 apenas 2,4% dos municípios brasileiros contavam com casas-abrigo de gestão municipal para mulheres em situação de violência. Apenas nove municípios com até 20 mil habitantes possuíam casas-abrigo em 2018, num total de 3.808 municípios.

Leia Maria da Penha, de Luana Hansen e Drika Ferreira

O trabalho do Ipea afirma que “na relação entre a vítima e o perpetrador, 32,2% dos atos são realizados por pessoas conhecidas, 29,1% por pessoa desconhecida e 25,9% pelo cônjuge ou ex-cônjuge. Com relação à procura pela polícia após a agressão, muitas mulheres não fazem a denúncia por medo de retaliação ou impunidade: 22,1% delas recorrem à polícia, enquanto 20,8% não registram queixa”.

“O que esperar de um país em que a cada dois minutos, uma mulher é vítima de violência doméstica?”, questiona Celina. “O peso da luta está sob nossos ombros e continuaremos fortes, unidas e mobilizadas para derrotarmos a cultura do ódio, da violência do estupro.”

Aliás, o 13º Anuário de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública traz mais de 66 mil estupros registrados no país em 2018, sendo que 53,8% das vítimas tinha até 13 anos e para piorar a maioria dos crimes ocorreu dentro de casa.

Por isso, “reafirmo a importância de campanhas como os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, mas precisamos criar um movimento global permanente. Diversos movimentos têm levado milhares de mulheres às ruas pela igualdade de gênero e por respeito às nossas vidas. Queremos viver plenas e sem medo”, conclui Celina. Para isso, “precisamos de mais mulheres nas instâncias de poder.”

Fonte: CTB

Por Marcos Aurélio Ruy

Nesta terça-feira (10) – Dia Internacional dos Direitos Humanos – termina a campanha mundial dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher. Muito importante destacar a situação que vivem as mulheres negras, 25% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Desde o período colonial, as mulheres negras carregam a nossa nação nos ombros e, apesar disso, em pleno século 21, sofrem mais que as outras com o assédio, seja no trabalho, na rua, em todos os lugares”, afirma Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “Mesmo assim elas ficam de pé para serem respeitadas como se deve e terem direito à vida como todas as pessoas devem ter.”

Os dados são aterradores. O Mapa da Violência 2015, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), mostra que houve um crescimento de 54,2% de assassinatos de mulheres negras entre 2003 e 2013, enquanto o de mulheres brancas caiu 9,8%.

“É a face mais cruel do racismo estrutural do país, que foi o último do Ocidente a abolir a escravidão”, reforça Mônica. A pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça, do IBGE, mostra que em 2018, as mulheres negras ganharam 44,4% do que receberam os homens brancos. Além disso, a população negra tinha somente 29,9% dos cargos de gerência, as mulheres bem menos.

Já um estudo do Instituto Locomotiva apresenta dados significativos. Os dados mostram que 8,3 milhões de mulheres ingressaram no mercado de trabalho, nos últimos 20 anos e que 29 milhões de lares são chefiados por mulheres no país. Porém, apenas 47% das mulheres brasileiras possuem conta bancária e somente 31% se dizem seguras financeiramente.

O racismo do mercado de trabalho é transparente, De acordo com o Locomotiva, em 2018, o rendimento médio mensal das pessoas ocupadas brancas foi 73,9% superior ao das pretas ou pardas.

Ainda de acordo com o IBGE, 39,8% de mulheres negras compõem o grupo submetido a condições precárias de trabalho, enquanto os homens negros abrangem 31,6%, as mulheres brancas representam 26,9% e homens brancos, 20,6%.

Além de enfrentarem todas essas adversidades, assegura Mônica, as mulheres negras são as maiores vítimas de assédio moral e sexual. Isso num país que tem cerca de 50 mil estupros registrados por ano.

“As negras moram mais longe, têm os trabalhos em piores situação e vivem na total insegurança”, afirma a sindicalista carioca. E ainda, “sofrem com as constantes mortes de seus filhos, pelo simples fato de serem pobres e estarem nas ruas”.

“O assédio é mais uma forma de tentativa de desumanização das mulheres negras. Servem para o sexo, mas insuficientes para casar”. Prevalece a mentalidade escravocrata, quando os senhores estupravam as escravas.


No século 21, “criam formas de fortalecer a solidão da mulher negra (emocional, social, cultural e histórica) para facilitar o argumento da desestruturação familiar e assim justificar a ação do Estado no controle social, diga-se genocídio da juventude negra”.

Mesmo com tudo isso, “resistimos e lutamos para construir o novo. Uma sociedade sem discriminações, sem racismo, sem sexismo. Uma sociedade onde todas as pessoas, indistintamente, possam viver e amar como qualquer ser humano deve viver e amar”, conclui Mônica.

Fonte: CTB